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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Como Jurassic Park e a ficção científica impulsionaram pesquisas

Oparque está quase aberto. Duas décadades depois e Jurassic Park virou o Jurassic World, o primeiro e único parque temático de dinossauros. A ciência, aparentemente, também evoluiu: os dinossauros modificados geneticamente ganham um papel secundário diante a nova estrela do show, um híbrido geneticamente modificado que, de forma preocupante, foi batizado de Indominus Rex. Claro, vai rolar confusão.
Em 1993, quando o primeiro filme de Jurassic Park foi lançado, cientistas que tinham alguma interesse - ou nenhum - em paleontologia ou biologia molecular se perguntaram a mesma coisa: "Podemos ressuscitar um dinossauro?" A resposta sempre foi um 'não' enfático.
Mas, de certa forma, Jurassic Park ajudou a desenvolver a ciência e a tecnologia por trás da pesquisa de DNA antigo. Passei o último ano entrevistando cientistas sobre a história dos estudos desse tipo de DNA e os efeitos causados pelo filme em seus trabalhos como parte da minha pesquisa para doutorado.
  (Foto: reprodução)
Esperança e Hype A pesquisa de DNA antigo fica em cima do muro entre ciência e ficção científica, algo ressaltado por sua história curta e sensacional. Michael Crichton, autor do livro 'Jurassic Park, que inspirou o filme, sacou isso bem rápido. Dinossauros sempre foram frequentes em museus, mas abrir ossos perfeitamente preservados para descobrir o que havia dentro deles era novidade.
Nos anos 1980, ideias inovadoras por trás da busca por DNA dentro de insetos preservados em âmbar foram as inspiradoras de Jurassic Park, e as catastróficas consequências de trazer dinossauros de volta à vida. O que não era previsível foi o impacto que o filme teve e continua tendo na pesquisa.
Foi nos anos 1990 que a busca por DNA dos mais antigos fósseis começou. Cientistas chamam essa fase de "Velho Oeste" e até de "A fase Jurassic Park". Foi durante essa época que a influência da história ficou mais evidente. 
Em 1993, o ano em que o filme foi lançado, temos um ponto importante na história da pesquisa do DNA: uma equipe de cientistas extraiu e e sequenciou o DNA contido em um mosquito preservado por âmbar, de 125 a 130 milhões de anos de idade. Os resultadosforam divulgados na revista Nature no dia 10 de junho - um dia depois da estreia de Jurassic Park nos cinemas.
Isso não foi uma coincidência. Um dos cientistas com os quais conversei dsise que era 'extraordinário que uma publicação científica como a Nature segurasse um artigo para esperar o dia da estreia de um filme'. O fato causou um grande furor na mídia.
Ressureição de dinossauros No mesmo ano, Jack Horner - o paleontólogo e consultor científico de Jurassic Park - propôs um projeto para investigar o DNA de dinossauros para a National Science Foundation. Ele recebeu uma bolsa no mesmo ano e isso também não foi coincidência. Um dos cientistas que entrevistei achava que a NSF ofereceu os fundos de pesquisa apenas pelo filme: "era o timing perfeito". (essa e tentativas subsequentes de obter DNA de dinossauros falharam).
Além de conseguir alterar o timing de publicações e obter dinheiro para pesquisas, o Jurassic Park criou uma nova geração de cientistas "nerds mais glamourosos". Um dos pesquisadores que entrevistei declarou que 'DNA antigo soa bacana' porque está no domínio popular.
  (Foto: reprodução - universal)
Mas a influência de Hollywood nem sempre foi positiva. Outro cientista afirmou que o filme "causou expectativas sobre o que o DNA poderia fazer. Infelizmente, por que foi feito por um grande diretor - Steven Spielberg - é um filme que ficou na mente das pessoas".
Para esse cientista, o filme e a mídia ao redor dele enganou o público sobre o que é a pesquisa sobre DNA antigo. 
"Quando eu dou uma palestra sobre DNA antigo, é colocado um pôster com um dinossauro nele. Já me opus a isso. Já disse que não temos DNA de dinossauros, então não deveríamos mostrar dinossauros. É uma influência ruim".
Mas, para o bem ou para o mal, o legado de Jurassic Park ainda existe. A retórica da ressurreição certamente tornou mais finos os limites entre fantasia e realidade, especialmente na mídia. 
Trazendo mamutes de volta Com o passar dos anos, o foco desse interesse, de alguma forma, mudou. Atualmente as questões não são sobre a ressurreição de dinossauros, mas sobre trazer mamutes de volta - principalmente após a descoberta do DNA de mamutes em 2013.
Quando perguntei a pesquisadores que trabalham com DNA sobre isso a grande maioria dos cientistas me respondeu "Por que iríamos querer trazer um mamute de volta?". Isso requer melhorias tecnológicas e biológicas significantes, além de considerações éticas, políticas e filosóficas.
A ética de trazer um mamute de volta anda em mão-dupla. O paleontólogo Michael Archer afirma que temos a obrigação moral de recuperar espécies como o tigre da Tasmânia porque nós - por aumento da população e da caça - fomos os causadores de sua extinção.  Mas a maioria dos cientistas argumenta que nosso tempo e recurso deveria ser gasto conservando o meio ambiente que temos hoje. Um dos -pesquisadores disse que "se aliens pousassem aqui e olhassem para a nossa sociedade, eles ficariam bem surpresos ao ver que decidimos gastar recursos tentando trazer um mamute de volta". 
Jurassic Park certamente deixou um grande e importante legado. É um legado que faz com que questionemos a nossa motivação para trazer animais extintos de volta. E, com a estreia de Jurassic World, esse debate sobre ciência ou moda estará no palco novamente.
*Elizabeth Jones é candidata a PhD Candidate em Science and Technology Studies na UCL

sábado, 30 de maio de 2015

Os faraós do Egito antigo eram híbridos alienígenas, sugere um novo estudo genético


Um novo estudo genético sugere que uma linhagem de faraós egípcios foi sujeita a manipulação genética por uma civilização tecnologicamente avançada.  Alguns chamariam este fato de prova definitiva de que os construtores das pirâmides tinham uma forte conexão com seres de outros lugares do Universo.
Stuart Fleischmann, Professor Assistente da Comparative Genomics, na Universidade do Cairo, e sua equipe, recentemente publicaram os resultados de um estudo de 7 anos que mapeou os genomas de 9 faraós egípcios. Se for provado como correta, esta descoberta poderá potencialmente mudar os livros de história.
Fleischmann e sua equipe sujeitaram preciosas amostras de DNA antigo a um processo chamado de Polymerse Chain Reaction (PCR).  No campo da biologia molecular, esta técnica é muitas vezes utilizada para replicar e amplificar uma única cópia de um pedaço de DNA, dando aos pesquisadores uma imagem clara das impressões digitais genéticas de uma pessoa.
Oito de nove amostras retornaram resultados interessantes, porém típicos.  A nona amostra pertenceu a Akhenaten, o enigmático faraó do 14º século AC, e pai de Tutancamon. Um pequeno fragmento de tecido de cérebro foi a fonte da amostra de DNA e o teste foi repetido usando tecido ósseo.  Os mesmos resultados foram obtidos.
Um dos ‘culpados’ foi um gene chamado CXPAC-5, que é responsável pelo crescimento do córtex. A anomalia pode ser vista na imagem abaixo.
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Parece que esta atividade aumentada no genoma de Akhenaten poderia sugerir que ele tinha uma capacidade craniana maior, devido à necessidade de abrigar um córtex maior.  Mas que mutação causaria o crescimento de um cérebro humano?  Ainda temos que descobrir tal técnica, apesar dos anos de avanços na genética.
Poderia esta evidência de 3.300 anos apontar para a manipulação genética na antiguidade?  Foi este trabalho realizado por seres extraterrestres avançados? Seria a mitologia do antigo Egito mais do que uma coletânea de contos alegóricos?  O Professor Fleischmann explica:
” A Telomerase [uma enzima genética] somente é despendida por dois processos: envelhecimento extremo e mutação extrema.  A genética e os dados arqueológicos sugerem que Akhenaten viveu até os 45 anos de idade.  Isto não é nem de perto o suficiente para consumir toda a telomerase do cromosomo, deixando assim somente uma explicação inconveniente, mas possível.
Esta hipótese também é apoiada pelo fato de que uma análise por microscópio eletrônico revelou sinais de cicatriz no nucletídeo, que é um sinal indicador de cura da espiral do DNA após ter sido exposta a fortes mutações.
Estaria este fato sugerindo que Akhenaten, um dos faraós mais misteriosos do antigo Egito, passou por uma modificação genética durante sua vida?  Esta alegação apoia a teoria de que os alienígenas antigos uma vez visitaram a civilização que vivia ao longo do rio Nilo.
Uma outra evidência interessante fornece apoio à esta hipótese.  A imagem abaixo mostra duas fotos de tecido ósseo, feitas por microscópio, obtidas do crânio de Akhenaten e de uma múmia diferente da mesma idade.
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O tecido ósseo à esquerda e muito mais denso e fundamentalmente diferente em escala nanoscópica.  Poderia este aumento de resistência dos ossos cranianos ser um indicador de um aumentado desenvolvimento do cérebro?
Esta é uma descoberta no mínimo excitante“, disse Felischmann à imprensa. “Minha equipe e eu submetemos os documentos para revisão de colegas e fizemos e refizemos os testes um número suficiente de vezes, que estamos confiantes que são precisos.  Não sei a respeito de todas as implicações de nossas descobertas, mas certamente acredito que elas devem pelo menos apontar a comunidade científica numa direção que seria imediatamente descartada há somente algumas décadas.
Se este estudo estiver correto, ele irá disparar uma mudança de paradigma sem precedentes.  Se alienígenas estiveram ativamente envolvidos na vida dos indivíduos mais poderosos há milhares de anos, isto significa que irão retornar? Ou talvez eles nunca partiram.
Mas o aspecto mais importante seria a existência de indivíduos, descendentes diretos da linhagem real do antigo Egito, que ainda possuem os genes alienígenas implantados nos genomas de seus ancestrais.

Fontelocklip.com

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Teriam os humanos herdado o DNA extraterrestre?


O DNA humano contém evidência de vida extraterrestre?
Há uma mensagem alienígena codificada em nosso DNA?
Como você já deve saber de um dos meus artigos anteriores, Cientistas Questionam a Idade e Origens do Homem, várias descobertas antigas intrigantes levaram os arqueólogos a acreditar que nossas civilizações antigas eram muito mais avançadas do que se pensava anteriormente.
As falhas sérias da teoria da evolução de Darwin desafiam as nossas crenças profundamente enraizadas, e nos impele a abrir nossas mentes às novas possibilidades e explorar o mundo antigo a partir de uma perspectiva diferente.
A teoria de que “alguém” semeou a vida em nosso planeta tem sido promovida por muitos anos através de ilustres cientistas.  Sir Frances Crick é um bom exemplo disso.
Sir Francis Crick (1916-2004, ganhador do Prêmio Nobel, astrônomo e co-descobridor da molécula do DNA, sugeriu em 1980 que uma civilização avançada semeou a vida na Terra, no passado remoto.  Esta teoria é chamada de Panspermia Direcionada.
Sir Francis Crick não era somente um cientista inteligente, mas também muito corajoso, que não tinha medo de enfrentar o criticismo daqueles que não gostavam de suas ideias não ortodoxas.
Enquanto pesquisava pelas origens da vida, Crick não foi atrás dos mistérios da história antiga.  Ao invés disso, ele focou na natureza do DNA (ácido deoxirribonucleico) e do RNA (ácido ribonucleico), e daquilo que era conhecido na época sobre como a vida originou na Terra.
Devemos postular que, em algum planeta distante há quatro bilhões de anos aproximadamente, havia uma forma evoluída de criaturas elevadas que, como nós, tinham descoberto a ciência e a tecnologia, desenvolvendo-as muito além do que conseguimos até agora.
Os traços mais antigos da vida que pudemos detectar hoje são encontrados associados com rochas datadas de aproximadamente 3,6 bilhões de anos… mas o registro fóssil, formado por animais simples, cujas partes rígidas foram preservadas, é de somente 0,6 bilhões de anos“, escreveu Sir Francis Crick em seu livro Life Itself: Its Origin and Nature (A Própria Vida: sua Origem e Natureza (trad. livre tit.-n3m3).
Crick estava ciente da impressionante complexidade do DNA.  Ele realçou que levou 1,4 bilhões de anos para a evolução dos organismos unicelulares mais simples.  O próximo passo crucial em complexidade para os organismos multicelulares levaram quase 2 bilhões de anos a mais.  Porém, quando os mamíferos de repente apareceram, há 200 milhões de anos, por alguma razão a complexidade deu um salto quântico.
O ponto principal é que esperamos que tenha levado pelo menos um período mais curto de tempo para as forma de vida simples evoluírem, e muito mais tempo para os organismos complexos.
Did We Inherit Our Genes From Extraterrestrial DNA?  in5d in 5d in5d.com www.in5d.com http://in5d.com/ body mind soul spirit BodyMindSoulSpirit.com http://bodymindsoulspirit.com/
Todavia, para os mamíferos demorou somente uma fração do tempo para seu desenvolvimento, comparados às formas de vida mais antigas e mais simples. O que aconteceu?
Crick descobriu que uma forte evidência que apoia a Panspermia Direcionada estava nos registros de fósseis.  De acordo com a teoria de Crick, microorganismos deveriam aparecer “sem qualquer evidência de sistemas prebióticos ou organismos muito primitivos“.
O cientista foi capaz de confirmar a ausência de qualquer evidência fóssil para formas transitórias de vida.  De acordo com Crick, nosso planeta não possui formas transitórias; formas transitórias sendo a evidência para a evolução que “somente existiria no planeta remetente, não a Terra“.
Crick chegou à conclusão: “Panspermia Direcionada – postula que as raízes de nossa forma de vida vem de outro lugar do Universo, quase certamente um outro planeta; que esta tinha alcançado uma forma muito avançada lá, antes de que outras coisas tivessem começado aqui; e que a vida aqui foi semeada por microorganismos enviados em alguma forma de espaçonave, por uma civilização avançada“.
Um outro cientista que apresentou uma interessante teoria foi o Professor Paul Davis, do Centro Australiano para a Astrobiologia, na Universidade de Macquarie, em Sydney.  O Prof. Davies acredita que possa existir uma mensagem alienígena codificada no nosso DNA.
Recentemente os cientistas descobriram grandes sequências de DNA ‘lixo’, as quais não contém nenhum gene e parecem ser muito estáveis.  Se os ETs colocaram uma mensagem em organismos terrestres, aqui seria certamente o local para procurar.
Um artefato poderia facilmente ficar enterrado, ou afogado, ou erodido.  A solução ideal seria a de codificar a mensagem dentro de um grande número de máquinas microscópicas que se auto copiam e se auto consertam, para se multiplicaram e se adaptarem às condições de mudança.
Felizmente, tais máquinas já existem: Elas são chamadas de células vivas.  “As células em nossos corpos, por exemplo, contêm mensagens genéticas escritas pela Mãe Natureza, há bilhões de anos“, disse Davies.
De acordo com o Prof. Davies, a mensagem codificada seria somente descoberta uma vez que raça humana tivesse a tecnologia para lê-la e compreendê-la.
Uma mensagem implantada no DNA humano poderia na verdade sobreviver por um longo tempo.  De acordo com cientistas estadunidenses, pedaços inteiros de DNA “lixo” humano ou de camundongos podem ficar virtualmente imutáveis por dezenas de milhões de anos.
Se considerarmos a quantidade de evidência e pistas que os nossos deuses das estrelas nos deixaram espalhadas por todo o planeta, parece lógico presumir que poderia haver uma mensagem codificada em nosso DNA.  Nossas células humanas são um bom lugar para implantar uma mensagem.  Se existir uma mensagem alienígena em nossos DNAs, há a esperança de que ela seja descoberta e decifrada algum dia.
Da mesma forma que extraterrestres vieram para a Terra e nos criaram através de engenharia genética, e misturaram seus genes com os animais existentes, talvez a humanidade um dia irá ao espaço, pousará em outro planeta para criar nova vida.
Sobre a autora:
Ellen Lloyd é uma autora que despendeu mais de 20 anos pesquisando mistérios antigos, textos sagrados e o fenômeno OVNI. Ela escreveu Voices from Legendary Times (Vozes de Épocas Legendárias -trad. livre do título, n3m3) no qual ela demonstra que raças de homens têm habitado a Terra por milhões de anos, mas nem todos eram humanos.  Além disso, Ellen escreveu vários artigos sobre a visitação alienígena pré-histórica, mistérios antigos e histórias alternativas.



quarta-feira, 6 de maio de 2015

'Estamos chegando lá, mas por que queremos recriar um mamute?'


Corpos preservados por milênios no gelo siberiano podem permitir que algo até então limitado à ficção científica se torne realidade: mamutes vivos, caminhando entre nós. Em 24 de abril, uma pesquisa publicada na revista científica “Current Biology” trouxe um avanço fundamental, o sequenciamento genético do animal, extinto há milênios. Com isso, cientistas podem teoricamente alterar o DNA de um elefante para ficar igual ao de um mamute e inseri-lo no óvulo de uma elefanta. A "mãe de aluguel" gestaria o embrião geneticamente alterado e, com sorte, daria à luz um animal que seria o mais próximo possível do mamute. Algo na linha do filme "Jurassic Park", porém, não está no horizonte, afirma a paleogeneticista Beth Shapiro.

Autora do livro “How to clone a mammoth” (“Como clonar um mamute”, em tradução livre), a pesquisadora derruba mitos a respeito do processo e levanta questões éticas sobre o que fazer com este novo-velho animal. Apelidada de “de-extinção”, a técnica pode ser aplicada também para modificar características de um animal já existente ou trazer de volta ao mundo um pouco de antigos ambientes.

A questão da clonagem de mamutes a partir do DNA preservado no gelo é envolvida em mitos. Para começar, não seria bem uma clonagem, certo?

Clonagem é a inserção de uma célula viva dentro de um óvulo. Por razões óbvias, não temos uma célula viva de mamute. O que seria feito é a edição de uma célula de um elefante para colocar genes de mamute, e não uma clonagem. Mas o genoma seria mais parecido com o de um mamute. Podemos fazer isso com técnicas de edição genética.

Se o mamute vai ser gestado dentro do útero de uma elefanta, qual seria o impacto? Algo parecido já foi feito antes?

Sim, algumas vezes. Já fizemos vacas dar a luz a espécies ameaçadas de extinção. Tentamos isso com um bucardo (um tipo de cabra selvagem europeia). Sabemos que pode funcionar, mas não sabemos se vai funcionar no caso do mamute. Não funcionou com o bucardo, mas tentamos.

Em quantos anos seria possível fazer isso

Depende do que estamos dispostos a aceitar. Se quisermos algo que seja 100% mamute, provavelmente nunca. Se for um elefante com 14 genes de mamute, aí já é possível pensar em fazer. O primeiro teste desta tecnologia provavelmente vai ser com uma ave, porque é mais fácil de controlar, já que o processo de gestação ocorre fora do útero. A galinha é uma boa opção como teste, porque estudamos muito bem o seu código genético.

Mas edição de DNA ainda é uma técnica nova. Já é possível usá-la na escala necessária para editar o DNA de um elefante para que ele pareça com o de um mamute?

Depende. O DNA de um mamute para o de um elefante asiático difere em cerca de 1 milhão de genes. Para alterar o genoma em todos eles, não temos ainda a tecnologia, mas ela está avançando. Estamos chegando lá. Mas a questão é, por queremos fazer isso? Por que trazer um mamute de volta à vida? A resposta para esta questão é que vai dizer se é ou não possível fazer o que queremos

Como assim?

Mesmo se fôssemos fazer as cerca de um milhão de alterações no genoma de um elefante, para que ele se torne um mamute, este DNA alterado seria colocado dentro de uma célula de elefante, no óvulo de uma elefanta, para ser gestado e receber todos os hormônios que um bebê de elefante recebe no útero. Se este “mamute” nascer, vai ser criado como um elefante, em uma sociedade de elefantes. É difícil dizer se o animal seria um elefante ou um mamute. Nós, seres humanos, somos muito mais que nosso código genético. Se fôssemos só nosso DNA, os gêmeos idênticos agiriam da mesma forma, pensariam da mesma forma e se pareceriam por toda a vida. Mas isso não acontece. Somos um produto do nosso sequenciamento genético e do ambiente à nossa volta. Então, mesmo que a tecnologia permitisse algo assim, e ainda não permite, nós nunca seremos capazes de trazer de volta à vida um animal que seja 100% mamute. Mas se não nos importarmos de criar um híbrido, como por exemplo um elefante capaz de sobreviver em climas frios como um mamute, então não precisamos fazer 1 milhão de alterações no DNA. Só precisaríamos mudar os genes necessários.

E o argumento é que isto sim seria o grande avanço?

Sim. Sabemos que ao introduzir animais herbívoros em habitats dos quais eles foram eliminados ­— já fizemos isso com bisões e cavalos — eles alteram este ambiente e recriam, por exemplo, os prados que existiam ali. Eles pisam no solo, adubam, espalham sementes, e isso faz os prados renascerem. Se reintroduzirmos o mamute de volta à Sibéria, ele poderia recriar o habitat que existia ali há milênios. Outra razão para fazer essa maluquice de recriar os mamutes seria... para salvar os elefantes. Eles são uma espécie ameaçada de extinção e o local onde vivem está em risco de desaparecer por conta da ação do homem. E se usarmos esta tecnologia para criar um tipo de elefante capaz de viver em terras mais ao norte, mais frias, onde há menos riscos e menos interferência do homem? Ou seja, podemos editar um elefante para garantir sua sobrevivência.

O que você está descrevendo não me parece muito diferente dos cruzamentos seletivos.

Exatamente. Mas estaríamos utilizando uma nova tecnologia, que é possivelmente muito mais rápida que o cruzamento seletivo, algo que fazemos há mais de 3 mil anos e que é responsável por criar, entre outras coisas, o cão doméstico. É o próximo passo. Mas há uma questão ética que precisa ser discutida.

Qual seria ela?

Atualmente não temos como atender às necessidades de um elefante em cativeiro. Elefantes vivendo em cativeiro não são felizes. Eles ficam doentes, têm dificuldade para se reproduzir. Se têm filhotes, eles muitas vezes os machucam ou matam. Até termos condições de atender às necessidades deles, não deveríamos tê-los em cativeiro e muito menos realizar experiências com eles.

Quais as maiores questões envolvendo a de-extinção dos mamutes ou até de outros animais?

Bem, para cada espécie há uma questão ética diferente. O dodô, por exemplo, só existia nas Ilhas Maurício, e foi extinto apenas 25 anos após ser descoberto. E não foi porque o comemos. Na verdade, marinheiros holandeses e portugueses disseram que o gosto deles era péssimo. O que aconteceu é que nós trouxemos ratos, porcos, cachorros e cobras para as ilhas. Como o dodô se reproduzia colocando um único ovo sem proteção sobre o solo, os ovos de dodô viraram uma refeição fácil para estes animais. Ou seja, até nós conseguirmos tirar das Ilhas Maurício estes animais que introduzimos, não adianta nada ressuscitar o dodô. Eles serão extintos de novo. E tenho uma forte objeção ética a trazer estes animais de volta à vida e colocar em um zoológico.

Um mamute poderia teoricamente viver em seu habitat natural?

Acredito que sim. Na Sibéria não tem muita gente e acho que as pessoas gostariam de ver estes animais caminhando por lá. O mamute é uma das poucas espécies extintas que podemos reintroduzir em seu habitat sem grandes problemas.

Mencionamos dodôs e mamutes, mas há uma infinidade de espécies candidatas à de-extinção. Há alguma mais apta que o mamute para ser alvo de um experimento desses?

Sim. Temos uma espécie de ratos-cangurus, extinta de parte do oeste dos Estados Unidos. Por serem ratos, uma raça muito usada em experimentos de laboratório, sabemos muito de seu DNA. Mas a melhor forma de utilizar esta tecnologia não é trazer animais de volta à vida, mas inserir características destes animais extintos em já existentes. Assim podemos preservar a biodiversidade.

Então não seria o caso de criar uma espécie de banco de dados com o DNA de espécies extintas ou em risco de extinção?

Sim, isso existe. É o Zoológico Congelado, em São Diego. Há duas décadas ele vem colecionando o DNA de espécies ameaçadas ou já extintas. Assim, quando a tecnologia chegar, vamos ter em mãos o genoma completo do animal, ao invés de algo fragmentado, como é o caso do DNA do mamute

Algo como "Jurassic Park" é impossível, certo?

Não há a menor chance de acontecer. Não temos como extrair o DNA de fósseis porque eles são essencialmente pedra. Além do mais, a ideia é bem assustadora. Vimos o que vai acontecer. Estamos indo para o quarto filme, e todos mostrando como isso seria uma péssima ideia.
O GLOBO

terça-feira, 7 de abril de 2015

O mistério da vida resolvido? Estudo revela como DNA primordial pode ter aparecido espontaneamente há 4 milhões de anos atrás


Os cientistas acreditam que a vida na Terra começou a evoluir em torno de 3,8 bilhões de anos.
Mas enquanto eles têm sido capazes de colocar uma data de quando a vida surgiu, eles ainda estão longe de saber como ela apareceu.
Agora, pesquisadores dos EUA e Itália dizem ter provas de que os fragmentos de DNA semelhantes podem ter vindo com "instruções" que nortearam seu crescimento em formas de vida complexa há 4 bilhões de anos atrás.

Os pesquisadores acreditam que esses fragmentos utilizando suas habilidades de auto-evolução inatas para crescer em cadeias químicas repetidas eram longas o suficiente para evoluir para a vida primitiva.
O estudo, pela Universidade de Milão, Universidade do Colorado, baseia-se numa descoberta na década de 1980 de que o RNA pode quimicamente alterar a sua própria estrutura.
O RNA é similar ao DNA, e realiza um número de postos de trabalho em nossas células, inclusive atuando como um interruptor on-e-off para alguns genes.
Os cientistas acreditam que quando a vida estava em seus estágios iniciais, o RNA desempenhou um papel de liderança na criação de organismos complexos antes do DNA e proteínas serem desenvolvidas.
Muitos pesquisadores da origem da vida dizem que as cadeias de RNA são muito especializadas para ter sido criada como um produto de reações químicas aleatórias.
O novo estudo, no entanto, pretende fornecer uma teoria alternativa, argumentando que os fragmentos de DNA- primordiais evoluíram desta forma.

Os pesquisadores descobriram que a auto-montagem de fragmentos de DNA apenas alguns nanômetros de comprimento tem a capacidade de conduzir a formação de ligações químicas.
Estes ligações de cadeias curtas de DNA em conjunto forma os longos, sem a necessidade de um processo biológico separado.

"Nossas observações sugerem que pode ter acontecido na Terra primitiva, quando os primeiros fragmentos moleculares de DNA semelhantes apareceram", disse Boulder Professor  de física, um dos autores do estudo.
O estudo sugere que a forma em que o DNA surgiu na Terra primitiva encontra-se em suas propriedades estruturais e sua capacidade de se auto-organizar.
No mundo pré-RNA, a auto-montagem espontânea de fragmentos de ácidos nucleicos - o bloco de construção da vida - pode ter agido como um modelo para a sua auto-montagem química.
"As novas descobertas mostram que, na presença de condições químicas adequadas, a auto-montagem espontânea de pequenos fragmentos de DNA em pilhas de duplexes curtas favorece muito a sua ligação em polímeros mais longos, proporcionando assim uma rota pré-RNA para o mundo do RNA", acrescentou Professor Clark.
dailymail

terça-feira, 31 de março de 2015

Cientistas alegam ter desvendado mistério do surgimento da vida na Terra


Cientistas do Laboratório MRC de Biologia Molecular de Cambridge, no Reino Unido, teriam resolvido o mistério sobre como surgiu a vida em nosso planeta. Segundo sua descrição em um artigo publicado pela revista “Nature Chemistry”, eles conseguiram cartografar as reações produzidas pelos açúcares de tricarbono, aminoácidos, ribonucleotídeos e glicerol, necessários para o metabolismo e a composição de proteínas e para os lipídeos que formam as membranas celulares.

Eles também acreditam que o essencial para a evolução da vida teria sido a presença de sulfeto de hidrogênio, cianeto de hidrogênio e luz ultravioleta: apenas com esses três elementos básicos, teriam sido produzidos os 50 ácidos nucleicos precursores das moléculas de DNA e RNA. O artigo explica que os primeiros meteoritos carregaram as substâncias que reagiram com o nitrogênio na atmosfera, produzindo uma grande quantidade de cianeto de hidrogênio. Através da dissolução na água, esse elemento poderia entrar facilmente em contato com o sulfeto de hidrogênio, enquanto ficava exposto à luz ultravioleta do Sol. Isto é, uma resposta simples ao grande número de perguntas complexas que dividem os cientistas há anos.
Fonte: EuropaPress 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Cientistas descobrem que o DNA humano possui pelo menos 145 genes estranhos à espécie


Uma equipe de cientistas da Universidade de Cambridge descobriu que os seres humanos comportam genes “alheios” à sua linhagem evolutiva, ou seja, que não foram transmitidos por congêneres antepassados. Dessa forma, estabelecendo um verdadeiro desafio à teoria evolutiva, os especialistas afirmam que dezenas de genes essenciais “estrangeiros”, ao contrário dos que se aperfeiçoaram ao longo dos tempos através da genética vertical ascendente, se originaram a partir de micro-organismos que conviveram com o ser humano em um mesmo ambiente durante algum momento de sua evolução.

Os cientistas puderam identificar 145 genes “alheios”, adquiridos pelo ser humano através da chamada transferência genética horizontal. Até hoje, a convenção teórica a respeito da evolução se baseia unicamente na transmissão genética de linhas ancestrais.
Fonte: Genome Biology 

quinta-feira, 26 de março de 2015

::: O DNA HUMANO E SEU SISTEMA COMPUTACIONAL.


Na Mecânica Quântica, é possível que uma partícula esteja em dois ou mais estados ao mesmo tempo. Uma famosa metáfora denominada o gato de Schrödinger expressa esta realidade. Imagine que um gato esteja dentro de uma caixa, com 50% de chances de estar vivo e 50% de chances de estar morto; para a Mecânica Quântica, até abrirmos a caixa e verificarmos como está o gato, ele deve ser considerado vivo e morto ao mesmo tempo. A esta capacidade de estar simultaneamente em vários estados chama-se superposição.
Um computador clássico tem uma memória feita de bits. Cada bit guarda um "1" ou um "0" de informação. Um computador quântico mantém um conjunto de qubits. Um qubit pode conter um "1", um "0" ou uma sobreposição destes. Em outras palavras, pode conter tanto um "1" como um "0" ao mesmo tempo. O computador quântico funciona pela manipulação destes qubits.
Um computador quântico pode ser implementado com alguns sistemas com partículas pequenas, desde que obedeçam à natureza descrita pela mecânica quântica. Pode-se construir computadores quânticos com átomos que podem estar excitados e não excitados ao mesmo tempo, ou com fótons que podem estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou com prótons e nêutrons, ou ainda com elétrons e pósitrons que podem ter um spin ao mesmo tempo "para cima" e "para baixo" e se movimentam em velocidades próximas à da luz. Com a utilização destes, ao invés de nano-cristais de silício, o computador quântico é menor que um computador tradicional.
O principal ganho desses computadores é a possibilidade de resolver algoritmos num tempo eficiente, alguns problemas que na computação clássica levariam tempo impraticável (exponencial no tamanho da entrada), como por exemplo, a fatoração em primos de números naturais. A redução do tempo de resolução deste problema possibilitaria a quebra da maioria dos sistemas de criptografia usados atualmente. Contudo, o computador quântico ofereceria um novo esquema de canal mais seguro.
Computadores quânticos são diferentes de computadores clássicos tais como computadores de DNA e computadores baseados em transístores, ainda que estes utilizem alguns efeitos da mecânica quântica.
O computador de DNA é uma variante do computador que utiliza o DNA e a biologia molecular ao invés das tecnologias tradicionais baseadas em silício.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Mistério dos nossos 145 genes 'Alien': Cientistas descobrem parte do DNA não é dos nossos antepassados - e dizem que ela pode mudar a forma como pensamos sobre a evolução


Os seres humanos contêm genes 'alienígenas' não transmitidas de nossos antepassados,descobriram os pesquisadores.
Dizem que adquirimos genes essenciais 'estrangeiros' a partir de microorganismos co-habitando em  ambiente em tempos antigos.
O estudo desafia visões convencionais que a evolução animal se baseia exclusivamente em genes transmitidos através de linhas ancestrais - e diz que o processo ainda poderia estar acontecendo.

A pesquisa publicada na revista de acesso aberto Genome Biology enfoca o uso de transferência horizontal de genes, a transferência de genes entre organismos que vivem no mesmo ambiente.
"Este é o primeiro estudo a mostrar quão amplamente a transferência horizontal de genes (HGT) ocorre em animais, incluindo seres humanos, dando origem a dezenas ou centenas de ativos" estrangeiras de "genes", disse o principal autor Alastair Crisp, da Universidade de Cambridge.
"Surpreendentemente, longe de ser uma ocorrência rara, parece que HGT tem contribuído para a evolução de muitos, talvez todos, os animais e que o processo está em curso, o que significa que poderemos ter de reavaliar a forma como pensamos sobre a evolução."
É bem conhecido em organismos unicelulares e que se pensa ser um processo importante que explica a rapidez com que evoluem bactérias, por exemplo, em resistência a antibióticos.
HGT é pensada para desempenhar um papel importante na evolução de alguns animais, incluindo vermes nematóides que adquiriram os genes a partir de microrganismos e plantas, e alguns escaravelhos que adquiriram os genes bacterianos para produzir enzimas para digerir as bagas de café.
No entanto, a idéia de que HGT ocorre em animais mais complexos, como os seres humanos, em vez de lhes apenas ganhar genes diretamente a partir de ancestrais, tem sido amplamente debatido e contestado.

Os pesquisadores estudaram os genomas de 12 espécies de Drosophila ou mosca da fruta, quatro espécies de verme nematóide, e 10 espécies de primatas, incluindo humanos.
Eles calcularam o quão bem cada um dos seus genes se alinha com genes similares em outras espécies para estimar qual seria a probabilidade de ser de origem estrangeira.
Ao comparar com outros grupos de espécies, eles foram capazes de estimar há quanto tempo os genes eram susceptíveis de ter sido adquirida.
Um certo número de genes, incluindo o gene do grupo sanguíneo ABO, foram confirmados como tendo sido adquirido por vertebrados através de HGT. A maioria dos outros genes estavam relacionados com enzimas envolvidas no metabolismo.
Em humanos, eles confirmaram 17 genes previamente relatados adquiridos de HGT, e identificado 128 genes estranhos adicionais no genoma humano que não tenham sido previamente reportados.



Alguns destes genes foram envolvidas no metabolismo lipídico, incluindo a quebra de ácidos gordos e da formação de glicolípidos.
Outros foram envolvidos em respostas imunitárias, incluindo a resposta inflamatória, a sinalização de células imunitárias, respostas e antimicrobianos, enquanto outras categorias de genes incluem metabolismo de aminoácidos, a modificação de proteínas e as atividades antioxidantes.
A equipe foi capaz de identificar a classe de organismos provavelmente os genes transferidos . As bactérias e protistas, outra classe de microrganismos, foram os doadores mais comuns em todas as espécies estudadas.
Eles também identificaram HGT de vírus, que foi responsável por até mais 50 genes estranhos em primatas.
Alguns genes foram identificados como tendo se originado a partir de fungos.
Isso explica por que alguns estudos anteriores, que se centrou apenas em bactérias como a fonte de HGT, inicialmente rejeitou a idéia de que esses genes eram "estrangeiros" na origem.
A maioria dos HGT em primatas foi encontrado para ser antigo, ocorrendo em algum momento entre o ancestral comum de Chordata e o ancestral comum dos primatas.
Os autores dizem que sua análise provavelmente subestima a verdadeira extensão da HGT em animais e que HGT direta entre organismos multicelulares complexos também é plausível, e já conhecida em alguns como relação hospedeiro-parasita.

https://www.youtube.com/watch?v=vrm_luqcdi0
dailymail

terça-feira, 3 de março de 2015

DNA, a grande enciclopédia da vida

O código genético parece reger-se pela Lei de Zipf , o que para muitos é o maior indício de criação proveniente de uma inteligência superior (Reprodução / Caroline Davis2010)


Até o presente momento, a complexidade da molécula matriz de toda a biologia animal e vegetal não pode ser imitada por nenhuma tecnologia humana disponível. Que enigmas ainda escondem o seu código interno?
“Estamos constituídos principalmente por água, que nada custa; o carbono que se avalia em forma de carvão; o cálcio de nossos ossos em forma de gesso; o nitrogênio de nossas proteínas em forma de ar; o ferro de nosso sangue em forma de pregos enferrujados. Se apenas tivéssemos conhecimento disto, poderíamos ser tentados a reunir todos os átomos que nos constituem, misturá-los em um grande recipiente e agitar. Podemos despender todo o nosso tempo nessa tarefa, porém, ao final, o único que conseguiremos será apenas uma mescla enfadonha de átomos. Que outra coisa poderíamos esperar?”
“O processo necessário para se comer uma maçã é imensamente complicado. De fato, se tivesse que sintetizar todas as minhas enzimas, se tivesse que recordar e dirigir conscientemente todos os passos necessários para retirar energia da comida, provavelmente morreria de fome”, Cosmos de Carl Sagan.
Todas e cada uma das instruções metabólicas necessárias para levar adiante uma vida celular ativa foram impressas, em algum momento da história, em uma única, maravilhosa e estranhamente complexa molécula. Se isso foi o resultado de um longo processo de provas e erros ou carrega um cuidadoso projeto divino, os geneticistas atuais não deixam de assombrar-se e indagar os enigmas que esconde o universo da molécula protagonista de nossa biologia: o ácido desoxirribonucleico ou, simplesmente, DNA.
As moléculas de DNA contém uma espantosa quantidade de informação. Se nos dedicarmos a escrever toda a informação necessária para a vida que esta molécula carrega (e isso inclui ações simples, tais como digerir uma maçã) poderíamos abastecer, tranquilamente, uma míni biblioteca com uma enciclopédia de mil volumes. Se pudéssemos, mediante algum método especial, desenrolar cada filamento de DNA que há em nosso corpo e fizéssemos disso um encadeamento contínuo, a última molécula desse fio acabaria localizada em um gélido espaço, a uma distância 500 mil vezes superior àquela que existe entre a Terra e a Lua! E tudo isso, conseguido simplesmente mediante quatro núcleos químicos chamados “nucleotídeos”, dispostos de forma alternada na molécula; apenas quatro “letras” para o alfabeto com que se maneja todo o nosso corpo.
Um verdadeiro alfabeto humano
O código do DNA, que se começou a decifrar amplamente no célebre projeto internacional “GENOMA”, tem sido, desde então, uma fonte de assombros para cientistas de todo o mundo. Muitos investigadores estudam atualmente na linguagem genômica o que creem seja a possível prova tangencial da existência de Deus. Em contrapartida, outros utilizam o mesmo DNA como argumento indiscutível de que todos os seres viventes procedem de um ancestral comum.
Nos últimos anos, muitos biólogos moleculares tem tentado estabelecer esse sutil debate criando grupos de colaboração junto a criptógrafos, estatísticos e linguistas, dentre outros profissionais, com o fim de decifrar a mensagem guardada na grande molécula. Como resultado, não apenas se tem enriquecido o conhecimento acerca do código, senão que em 2006 foi descoberto um segundo código, superposto ao primeiro. Inclusive os biólogos moleculares têm descoberto que o código do DNA e a linguagem humana não são apenas parecidos; são idênticos. Programas de informática lograram, mediante um processo de quebrar a sequência genômica em milhões de partes, distinguir as ditas míni sequências como “palavras” de uma grande enciclopédia.
Após submeter essas “palavras” à Lei de Zipf, conhecida na linguística por reger a totalidade dos idiomas humanos (desde o chinês, até o português), os cientistas descobriram, boquiabertos, que o código genético obedecia, da mesma forma, à dita lei. A chamada Lei de Zipf diz que em um texto qualquer, seja um livro ou um artigo, a palavra mais repetida aparecerá muito mais vezes que a segunda mais repetida que, por sua vez, se repetirá muito mais que a terceira mais repetida, e assim sucessivamente.
O código genético parece reger-se pela mesma lei, o que para muitos é o maior indício de uma inteligência superior. Ademais, cabe perguntar se além dos códigos conhecidos, uma vez que o mais recentemente descoberto é de natureza secundária, existem outras linguagens ocultas dentro do mapa genético.
DNA “sucata”, evidência evolutiva ou mensagem vital?
Lidar com alguns mistérios do DNA pode ser uma verdadeira dor de cabeça para os geneticistas mais materialistas, e o DNA “lixo” não é uma exceção. Os cientistas identificaram que o número de genes ativos em nossa espécie, e em muitas outras igualmente complexas, é simplesmente irrisório. Cerca de 96% de todo o nosso genoma é, à primeira vista, inútil, não realizando nenhuma atividade de importância para a célula. A explicação racional dada por alguns cientistas a esse fato curioso foi de que essa porção genômica é a que nos torna aparentados com as outras espécies do planeta, incluindo fungos, bactérias e os extintos dinossauros e que, portanto, não desempenha um papel vital nas funções celulares; mas sim, demonstra que a evolução teve lugar ao longo de milhões de anos. Dita similaridade genética (comprovada em todas as espécies, sem qualquer dúvida) poderia se converter em uma ilusão letal ao se interpretar a verdadeira origem do DNA.
De fato, os cientistas já descobriram que a linguagem guardada nessa parte latente poderia desempenhar um catálogo importante na vida do organismo. Integrantes oficiais do projeto GENOMA humano declararam, em janeiro de 2007, que o DNA lixo poderia, na realidade, não ter se originado na Terra mediante processos químicos explicáveis. De fato, o mesmo Francis Crick, codescobridor da estrutura duplamente helicoidal da molécula de DNA, em 1953, percebeu que na natureza não havia “indícios” evolutivos mais simples da cadeia de DNA, senão que a molécula simplesmente parecia haver-se materializado da noite para o dia.
A molécula da vida, uma tecnologia extrema
Os resultados conseguidos pela tecnologia humana são deslumbrantes. Desde os tempos em que o homem fabricava suas próprias pontas de flechas até a atualidade, a humanidade desenvolveu a capacidade de erguer edifícios sobre o mar, desenhar aviões supersônicos, vigiar o espaço a partir de satélites e construir supercomputadores. Não obstante isso, até o presente momento, a ciência não pôde criar nada tão complexo que se compare, nem remotamente, a uma célula. A unidade básica de todo o organismo se apresenta como infinitamente mais intrincada que qualquer supercomputador criado até o momento pelos seres humanos.
Desde o experimento realizado por Stanley S. Miller em 1953 (quando conseguiu formar uma sopa de moléculas orgânicas, mediante descargas elétricas) até o presente, a ciência não logrou aproximar-se muito mais do que imitar a atividade genética. Sem embargo, a ideia de que uma molécula como a do ácido desoxirribonucleico pudesse evoluir a partir dessas simples moléculas, em um passado remoto, segue fortemente arraigada no círculo composto por cientistas evolucionistas.
Mesmo quando estatisticamente se tem demonstrado que a possibilidade de que as combinações moleculares que puderam dar lugar à bactéria mais simples, em condições pré-históricas, são de uma em 1 elevado a 100 bilhões. Essa cifra ultrapassa, em muito, a de 1 elevado à potência de 50, que os estatísticos consideram como praticamente impossível de que um fenômeno aconteça. Desta forma, a tecnologia arquitetônica molecular alcançada no DNA, que contém toda a informação necessária para que um ser vivente possa crescer, reproduzir-se, alimentar-se, metabolizar e interagir com outros seres, parece ser obra de uma inteligência superior, ou ao menos uma das maravilhas mais comovedoras do universo.
Epoch Times