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sexta-feira, 29 de maio de 2015

FHC E OS KENNEDY


A maioria dos intelectuais brasileiros acha que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso deslizou da esquerda para uma incompreensível posição neoliberal quando assumiu a presidência da República, em 1994. Mas em 1980 o cineasta­ agitador-cultural Glauber Rocha já havia antecipado esse deslize ideológico. Num longo depoimento para o livro Patrulhas Ideológicas (Brasiliense, 1980). Glauber, que adorava teorias conspiratórias, definiu assim o processo político brasileiro: "Quem está exercendo a patrulha ideológica é o grupo do Cebrap, do jornal Opinião, ou seja, a social-demo­cracia, o MDB, sem auxilio do Partido Comunista. O Cebrap é financiado pela Fundação Rockfeller ou pela Fundação Ford, não sei qual... aliás, elas trabalham juntas. Esse grupo tem ligação com o liberalismo americano, ou seja, com o kennedismo, ou seja, com a política dos Kennedy para o Brasil. O jornal Opinião, ou seja, o MDB, decidiu combater a Embrafilme, porque qualquer coisa que cheire a política estatizante é considerada comunizante."
Só para colocar a análise glauberiana em perspectiva: na época, o cineasta apoiava a política nacionalista da ditadura militar e era criticado por toda a esquerda, que estava aglomerada no MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido que tinha Fernando Henrique Cardoso como um dos seus quadros mais promissores. O sociólogo havia fundado o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e era um dos diretores do jornal Opinião. Ou seja, segundo Glauber, FHC e o neoliberalismo são conhecidos de longa data.