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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Nuvem confundida com OVNI em 1970



Nos dias 14, 15 e 16 de setembro de 1970, às 20h30m, o Dr. Nelson Yassushi, fez uma seqüência de fotos, durante suas férias em Salvador, Bahia, no local denominado Jardim de Allah. A sua única preocupação era com a linda noite de luar. Nas duas primeiras fotos armou a sua Caronet QL 17 sobre o tripé com diafragma na abertura máxima e tempo de exposição de um segundo.
Acreditando não ter havido tempo de exposição necessário, no que estava certo, destravou a máquina, para obter tempo de exposição maior. Quando revelou as fotos, a primeira atitude do Dr. Yassushi, foi de aborrecimento. "Manchas" haviam estragado suas fotos.
Segundo o Dr. Yassushi, a sua intenção era unicamente testar a capacidade da máquina e do filme na obtenção de fotos noturnas, coloridas e, ainda, tentar fotos de valor artístico, dada a maravilha da paisagem noturna, com luar, ser propícia no momento.
Estava com ele, na ocasião, Dina, sua esposa, e, fixando o tripé, bateu inicialmente duas chapas, com abertura do diafragma 1,7 (abertura máxima) e tempo de exposição 1 segundo.
Acreditando intuitivamente não ter havido tempo de exposição suficiente para a fixação da paisagem (e realmente na revelação só aparece a lua e ligeiro reflexo seu no mar), destravou a máquina para conseguir tempo de exposição indeterminado "B" e bateu duas chapas, uma, com tempo de 2 minutos e outra com o tempo de 2,5 minutos aproximadamente, quando apareceram na revelação os estranhos fenômenos.
Não se trata de nenhum truque fotográfico, disse o Dr.Yassushi, ao contrário, as manchas nos negativos só nos causaram aborrecimento, eis que entendo que enfeiam as fotos obtidas. Finalmente, continuou, só vimos o estranho objeto depois de reveladas as fotos.
Naquela noite das fotos, restavam ainda quatro chapas a serem batidas do filme que se encontrava na máquina do Dr.Nelson.
Bateu as duas primeiras normalmente, com rápidas exposições de 1 segundo; depois mais duas, com tempo de exposição demorado.
O laboratório que fez a revelação considerou as duas primeiras imprestáveis, não fazendo ampliações. Assim, o Dr. Nelson não viu o resultado das duas primeiras fotos. Como pesquisador, o repórter da revista "O Cruzeiro", cuidou de fazer isso tirando cópias em vários tamanhos.
Observou que, após ter sido feita a foto número 3, o Dr. Nelson teve que rodar o filme para fazer a última. Naquele momento, provocou um pequeno deslocamento da máquina, que estava sobre o tripé; tanto assim que as luzes artificiais conhecidas que aparecem à esquerda da foto 3 estavam levemente deslocadas na última foto.
Numa espécie de jogo dos sete erros, comparando-se as duas imagens, também foi fácil observar que o "OANI" estava na foto número 3, mais alto sobre o mar do que na seguinte.
Quanto a real forma do objeto, era preciso considerar que, durante o tempo de exposição demorado, deveria ter ocorrido movimentos no próprio objeto, impedindo a fixação de sua forma exata.
Acreditava o repórter, que o objeto, naqueles minutos, deveria ter apresentado movimentos de rotação além de oscilações em torno do seu eixo. Tal objeto estaria ainda projetando uma luz sobre o mar, o que permitiria grandes especulações em face do que já se conhece sobre a atividade dos "OANIs" no fundo dos mares.
De posse dos negativos, o repórter da Revista "O Cruzeiro", chegando ao Rio, procurou colher opiniões técnicas.
Fato curioso foi que todos os que viam as fotos perguntavam logo se era um cogumelo de uma explosão nuclear. O repórter esclarecia logo que as fotos haviam sido feitas em Salvador - BA.
O primeiro técnico que cuidou de fazer as ampliações especiais afirmou ao repórter não se tratar de nenhum defeito do filme. Dois outros profissionais examinaram os negativos, afirmando que poderia ser reflexo da Lua, já que a coloração da "coisa" apresentava uma tonalidade bem diferente.
Nesses contatos, o repórter tomava atitude de silêncio, observando as reações. Só depois, explicou o acontecido, quando os técnicos confirmaram que as fotos conferiam com os dados fornecidos. Mas, a preocupação do repórter era a de encontrar alguém que não o conhecesse e que não pudesse relacionar a sua pessoa com os Discos Voadores. Recordaram-no então o Sr. Paulo Pereira da Costa, Diretor e Fototécnico dos Laboratórios Colorart e Artecolor. Tratava-se de um pioneiro no Brasil em técnica de fotografias coloridas. Foi dos primeiros a fazer, no Brasil, serviços de microfotografias coloridas de anatomia patológica e histologia de peças operatórias.
O laboratório que dirigia na época tinha a capacidade de reprodução para tirar 30 mil cópias coloridas diárias, além de estar revelando 800 filmes por dia. Quando o repórter lá chegou e iniciaram o diálogo, o repórter era para ele um desconhecido.
Apresentou-lhes as fotos e os negativos pedindo sua opinião técnica. Mais tarde, saiu de lá satisfeito com o que havia aprendido. Dias depois, voltou, informando-lhe que iria preparar uma reportagem sobre o assunto e que desejava obter dele um pequeno relatório, por escrito, daquele primeiro encontro, contendo os dados técnicos por ele mencionados.
Então, de posse de seu relatório, o repórter sabia qual tinha sido a sua reação íntima das fotos artísticas.
O relatório dizia o seguinte: "Pelo fato de tal imagem ser muito curiosa, perguntamos se a razão pela qual nos tinha procurado seria para reclamar possível falha do nosso laboratório, cuja especialidade é de serviço de foto, acabamento em cores para profissionais, pois pensamos tratar-se de um trabalho de composição fotográfica.
O Sr. Cleto, repórter de "O Cruzeiro", respondeu-me que o assunto era outro. Na realidade desejava a nossa opinião sincera e fria com referência ao objeto que aparecia na foto. Esclareceu-nos não ser o autor das fotografias, exibindo-nos uma tira de filme CN 17 35mm, a qual observamos tratar-se de negativos comuns de amador. Posteriormente ele esclareceu como teriam sido obtidas.
Para nosso espanto, disse-nos que a pessoa que havia tomado as fotografias não viu tal objeto que aparecia em ambas as fotos.
Diante disso, passamos a analisar friamente o material e constatamos que na realidade, o objeto apresentava formas um pouco diferentes daquelas que pensamos, quando vimos as fotos
despreocupadamente. Sem usar a imaginação, passamos a descrever o objeto:

a) Objeto de forma circular, tendo na parte superior de
sua periferia uma tonalidade de cor avermelhada bem delineada;
b) Da parte inferior do círculo, observa-se uma estrutura
menos definida em forma de funil, pouco acima da
superfície do mar, na linha do horizonte;
c) Tendo examinado posteriormente os negativos, verifiquei que eram autênticos; não havia qualquer possibilidade de fraude.
A principal pergunta do Sr Cleto foi feita no sentido de saber se seria possível aparecer em uma foto comum um objeto que na realidade não tinha sido visto por quem o fotografou.
Na ocasião, nos limites de nossos conhecimentos profissionais e sem nenhum compromisso, apresentamos o nosso ponto de vista com fundamento que agora, por escrito, poderão ser mais bem concatenados."
Assim, o Sr. Paulo Pereira Costa prosseguiu numa descrição técnica, pormenorizada, onde conceituava luz e cor.
Somente uma pequena parte do espectro eletromagnético afeta o olho humano. As longitudes de ondas correspondentes à luz visível não representam mais de uma oitava parte, 400 a 700
nanômetros, e mesmo assim o olho humano é capaz de perceber a série de matizes que denominamos cores e cada uma delas corresponde a uma longitude de onda particular.
A região do espectro que interessa à fotografia colorida está compreendida na região cujo comprimento de onda varia entre o azul 400 e o vermelho 700 nanômetros. A região mais sensível do nosso olho está entre o verde e o alaranjado, cor a que chamamos de amarelo, que, na realidade, é uma vibração do vermelho/verde.
A região de maior energia do espectro visível encontra-se no início violeta/azul 400 nanômetros; para que o brometo de prata de uma emulsão fotográfica possa ser impressionada pelo resto do espectro visível, é necessário que a ela sejam incorporados corantes especiais que estendam a sensibilidade até 700 nanômetros, correspondente ao vermelho.
Antes da região do azul, encontram-se outros comprimentos de ondas curtas e, consequentemente, de maior energia, que embora não possam ser percebidas pelo olho humano podem ser perfeitamente gravadas pela emulsão fotográfica.
(Compilado da Revista "O Cruzeiro" de 14/11/1973).