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terça-feira, 21 de julho de 2015

O Caso José Uchoa


Os médicos de plantão do Pronto Socorro Municipal de Belém, de início, acharam que os ferimentos que o lavrador José Uchoa apresentava pelo corpo, resultavam apenas de mais um caso de atropelamento. Mas quando ele começou a contar que os ferimentos foram causados "pela imperícia dos pilotos de um Disco Voador, que teriam errado a rota" os médicos não souberam mais o que dizer. 
José Uchoa, que morava nas proximidades da rodovia Belém - Brasília, à altura do quilômetro 48, disse que estava em sua casa uma noite, quando apareceram dois homens com trajes esquisitos: uma farda avermelhada e luminosa. 
Eles perguntavam se eu estava interessado em ver um Disco Voador. Eu fiquei sem saber o que fazer, mas acabei aceitando. 
"Os homens pediram que no dia seguinte eu caminhasse pela estrada a uma determinada hora".  
De acordo com o que havia sido combinado, José Uchoa começou a caminhar pela Belém - Brasília no dia e hora marcados, mas acabou sendo atropelado. 
"Só pode ter havido um erro de cálculo quando esses homens esquisitos tentaram baixar na estrada", disse ele, procurando uma justificativa para o malogro da operação. E continuou: 
"Foi exatamente nessa ocasião que eu vi um holofote bem na minha frente e, depois aquele violento baque no meu corpo que me jogou para o lado da estrada. Depois eles foram embora, com medo de ter acontecido alguma coisa e eu ir me queixar à polícia". 
O lavrador foi encontrado à margem da estrada, sem sentidos e com vários ferimentos pelo corpo. Como o seu estado era grave, foi transportado para Belém. Para os médicos, o "baque forte" que José sentiu foi realmente um atropelamento., mas por um automóvel, e uma forte pancada na cabeça teria afetado seu cérebro. 
Mas José Uchoa continuou insistindo na sua história fantástica e apenas lamentou a imperícia dos seres estranhos que afinal acabou impedindo-o de visitar um Disco Voador. 

(Correio Popular 05-07-1974)