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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

P. C. FARIAS


Na madrugada de 23 de junho de 1996, o empresário Paulo César Farias, eminência mais ou menos parda no breve e tumultuado governo Fernando Collor de MeIlo (1990­-1992), foi encontrado morto na sua casa em Maceió. ao lado da namorada, Suzana Marcolino. A tese da queima de arquivos surgiu no mesmo dia. As suspeitas eram legitimas. Escândalos de corrupção foram a tônica da administração Collor. P.C. Farias era o homem que intermediava as negociatas e desviava o dinheiro para o exterior. A polícia civil de Alagoas afirmava, no entanto, que a morte de P.C. tinha sido apenas um crime passional. O empresário queria abandonar a namorada Suzana. Ela, furiosa, assassinara o amante e depois se suicidara.
Ninguém acreditou, é claro.
Então entrou em cena o legista Fortunato BADAN PALHARES, chefe do Departamento de Medicina Legal da UNICAMP e famoso por ter identificado os restos mortais do carrasco nazista Joseph Mengele. Badan estudou a cena do crime, fez a autópsia dos corpos e chegou à mesma conclusão da polícia: Suzana assassinara o amante e depois se suicidara.
Ninguém acreditou, é claro.
Quatro anos depois, a CPl (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Narcotráfico reabriu o caso e sustentou a tese de que a morte de P.C. tinha sido mesmo uma queima de arquivo. A CPl não deu nome aos bois, mas sugeriu uma estreita ligação entre a corrupção colorida e o tráfico internacional de drogas.
Todo mundo acreditou, é claro.
Mas, no mesmo ano, três médicos legistas americanos analisaram o caso e chegaram à conclusão de que Badan estava certo e a CPI, errada. A história continua sem solução, o dinheiro desviado por P.C. nunca foi recuperado e Fernando Collor de Mello já pode votar e ser votado, já que readquiriu seus direitos políticos em 2002.