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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Os ETs praticam o sexo?


Os humanos adoram imaginar se a vida alienígena está lá fora, e como ela poderia parecer.  Assim, aqui está uma pergunta latente:  Os ETs praticam sexo?

Essa pergunta não é inteiramente lasciva.  A evolução do sexo é um assunto complicado.  A reprodução sexual é custosa.  Ela requer encontrar um parceiro, ou uma parceira, para misturar o DNA com o seu, e se abrir à possibilidade de doença sexualmente transmitida ou ser predado enquanto estiver ocupado fazendo sexo.
Tudo isso considerado, ainda pode ser que não resulte numa prole viável.  Afinal, a mistura de genomos é um jogo de sorte, disse Sally Otto, diretora do Centro de Pesquisa de Biodiversidade da Universidade de Colômbia Britânica.
Pais em potencial “conhecem o mecanismo de seus genomas no ambiente atual”, disse Otto para Live Science. “Eles sabem que sobreviveram para reproduzir.  E aqui eles estão, misturando seus genomas com outros indivíduos.  …Você não tem a menor ideia se essa combinação irá sobreviver ou ser adequada.”
Mesmo assim, a reprodução sexual é muito comum na Terra.  E dadas as condições nas quais o sexo evoluiu, é bem possível que os alienígenas também se ocupem sexualmente.

Trocando genes
Nem toda a vida na Terra requer o sexo para reprodução. Amebas, fungos e criaturas de água doce com um milímetro de comprimento conseguem criar suas proles sem parceria, como fazem muitos dos invertebrados.  Assim também fazem alguns animais complexos: Nascimentos de virgens têm sido reportados em dragões de Komodo, víboras e tubarões.
Há espécies, como o pequeno crustáceo Daphnia middendorffiana, que só pode se reproduzir assexualmente. Porém o sexo parece vir de longa data.  Há algumas velhas linhagens que parecem ser inteiramente assexuais, disse Otto.
Amebas, por exemplo, datam de um bilhão de anos atrás, muito antes da vida multicelular ter evoluído.  Por um longo tempo, cientistas pensavam que amebas eram puramente assexuais. Porém, em 2011, pesquisadores da Universidade de Massachusetts anunciaram ter descoberto o sexo entre amebas.
De fato, a troca de genes é a norma para a vida na Terra.  Bactérias, por exemplo, são procariotos, o que significa que não têm um núcleo envolvido numa membrana. (Eucariotos, inclusive tanto as amebas quanto os animais, possuem células com núcleos e outras organelas envolvidas em membranas.)   As bactérias não fazem sexo, disse Otto, mas elas absorvem novo DNA engolindo outras bactérias, ou como resultado de serem infectadas com vírus ou moléculas de DNA circular chamadas plasmídeos.  Os descuidados ganhos genéticos podem beneficiar as bactérias através do aumento da diversidade genética, assim aumentando as chances de que uma nova sequencia genética irá conferir algum tipo de benefício para a sobrevivência.

Evolução sexual
Otto disse ser possível que a reprodução sexual deliberada surgiu com a evolução das células eucarióticas, porque todas aquelas membranas internas preveniam a absorção acidental frequente de DNA estranho.
Assim, uma questão que poderia determinar se os alienígenas fazem sexo, disse Otto, seria a forma com que suas células se parecem.
“Eles evolvem núcleos ou outras formas de protegerem seus DNAs dentro de uma série de membranas?“, ela indagou.  Se a vida extraterrestre for equipada com núcleo, ela poderia beneficiar com o sexo.
Uma outra coisa que um ‘Planeta Xenon’ poderia precisar para ativar a evolução do sexo é de mudança.
Sexo é muito benéfico para os organismos, porque o ambiente é raramente estático, explicou Otto.  A descendência poderia ter que lidar com mudanças que são levemente diferentes daquelas da geração de seus pais.  Contanto que a mudança for constante, a variação genética é útil.
Se por alguma razão um planeta alienígena tivesse o clima, temperatura e outros fatores ambientais constantes, “o sexo teria principalmente custos, mas não benefícios”, disse Otto.

O melhor dos dois mundos
Presumindo-se que os planetas alienígenas não sejam inteiramente estáticos, os extraterrestres poderiam tentar obter o melhor dos dois mundos.  Alguns afídeos (pequenos insetos que chupam o suco de plantas) fariam assexualmente clones de si mesmos quando o alimento for abundante.  Na verdade, disse Otto, estes afídeos clonadores não somente podem ter seus bebês em seus interiores, mas também os bebês de seus bebês, “como um conjunto de ‘bonecas russas’ “.
“A produção é realmente acelerada quando os recursos são abundantes”, ela disse.
Porém, no final da estação de crescimento, os afídeos mudam para a reprodução sexual.  Esta mudança de sexo durante tempos de estresse é um padrão comum.  Algumas espécies de moscas d’água começam sua temporada de sexo quando os estoques de alimento caem, ou quando o ambiente se torna hostil, de acordo com um estudo no periódico The American Naturalist.  Fungos simplesmente brotam novas proles a maioria do tempo, mas o fungo Candida tropicalis também pode reproduzir sexualmente, pesquisadores reportaram no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, em 2011.
Um tipo de estresse que pode acionar a evolução do sexo num planeta alienígena poderia ser parasitas alienígenas.  Pesquisadores reportaram em 2011, no periódico Science, que quando é fornecido uma escolha, organismos escolhem o sexo e não a assexualidade ao serem ameaçados por parasitas, provavelmente porque a reprodução sexual lhes dá mais armas genéticas para serem usadas na corrida evolucionária contra seus inimigos parasitas.
Naquele estudo, os pesquisadores modificaram geneticamente nematódeos chamados de Caenorhabditis elegans, para que alguns pudesse se reproduzir sexualmente e outros somente assexualmente.  Um terceiro grupo foi deixado para mudar entre reprodução sexual e assexual como lhes fosse conveniente.
Então, os pesquisadores expuseram os nematódeos à uma bactéria parasítica.  Eles descobriram que os C. elegans assexuais expostos à bactéria foram extintos em menos de 20 gerações.  Os C. elegans sexuais não tiveram problemas, bem como os que podiam mudar de uma forma de reprodução para outra.
Outros estudos mostraram resultados similares em fungos e outros organismos que podem mudar a forma que conduzem o sexo em condições duras.
Mas mesmos se os alienígenas fizerem sexo, poderia ser o tipo de coisas que as pessoas não gostariam de assistir no pay-per-view.
O sexo entre amebas, por exemplo as células se dividem em pacotes de material genético e então os recombinam, ou com uma outra ameba, ou com pacotes de outras amebas.  Fungos que se reproduzem sexualmente se encontram, crescem projeções, se unem e acasalam.  O C. elegans hermafrodita balança seu corpo contra o outro verme, até encontrar a vulva e então insere estruturas similares a agulhas chamadas de espículos na abertura, para assim entregar o esperma.

Amebas fazendo sexo
Mesmo as amebas, as quais acreditava-se serem puramente assexuais, fazem sexo, reportaram cientistas de Universidade de Massachusetts, em 2011.
Mesmo para animais mais conhecidos, o sexo pode ficar estranho.  O marsupial Antechinus, que vive na Austrália e na Nova Guiné, acasala durante um frenesí que dura aproximadamente duas semanas.  Os machos muitas vezes emboscam as fêmeas e têm sexo por até 14 horas.  O esforço de suas múltiplas sessões de sexo maltrata tanto os machos que eles começam a sangrar internamente e perdem toda a sua função imune.  Eles raramente sobrevivem ao sangramento.  Hienas macho montam as fêmeas com cuidado, porque os clitóris das fêmeas são tão grandes que ele se assemelham a um pênis.  E alguns morcegos macho até mesmo estimulam a genitália das fêmeas com suas línguas.
Em outras palavras, os alienígenas podem ter sexo, ou talvez não. Mas uma coisa é certa: É muito difícil inventar algo mais estranho do que já existe aqui na Terra.