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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Revolução da realidade – na sociedade e na ciência



Já está acontecendo uma transformação fundamental nas percepções daqueles que constituem a “frente avançada” da humanidade. Percepções que conduzem às transformações em relação à natureza da realidade, pela mudança de modelo na ciência e de comportamento na sociedade.
Esta “frente avançada” que é constituída por pessoas “diferentes” e que são também lideres, elas vieram para contagiar e para fazer a diferença que as atuais e ultrapassadas lideranças não são capazes de fazê-la, por não possuírem condições próprias para isto, que exige neste Novo Tempo o necessário alcance mental.
A humanidade vive a era de bifurcação no meio de uma transformação fundamental do mundo. Ela vive a macro- mudança.
Esta mudança de realidade que os seres humanos já começam experimentar, ela se refere à maneira como uns se relacionam com os outros, com a natureza e com o Cosmo. Ela não é mais uma simples teoria e não mais apenas uma opção. É uma realidade. É uma necessidade para a sobrevivência.
Chegou a ocasião de mais uma mudança – da civilização de Logos para civilização de Holos.
O ser humano não pode ser separado do contexto em que vive. Ele está integrado com o mundo em que vive. Ele está em constante interação com outros seres humanos e suas culturas, com a natureza e com o universo. Ele é um ser indivisível. Neste sistema integrado no qual ele faz parte, a visão holística pode ser considerada a forma de perceber a realidade e a abordagem sistêmica – a busca de uma sabedoria sistêmica.
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A própria ciência já está no meio de uma mudança de padrão, que está proporcionando um entendimento profundo da essência das mudanças quânticas nos sistemas complexos da natureza e da sociedade. Sistemas complexos que não evoluem de maneira uniforme, mas devagar apenas até certo ponto e, quando então, atingem um limiar de estabilidade, para em seguida colapsarem ou bifurcarem.
Isso é verdadeiro para a revolução das estrelas, quando em determinado momento, elas explodem como uma supernova e lançam a sua substancia que torna matéria-prima para a próxima geração de estrelas – ou, colapsam em um buraco negro. E isso é também verdade para as espécies vivas, que em sua maioria mais cedo ou mais tarde em seus tempos de vida são ameaçadas de extinção ou então, passam por mutações, que as tornam espécies mais viáveis ou desaparecem. O mesmo ainda acontece com civilizações inteiras, que não evoluindo desaparecem, como já aconteceu com muito delas.
A forma de civilização que atualmente domina parece ter alcançado os seus limites, compelindo-a forçosamente a mudar.
A humanidade dispõe hoje de toda uma gama de novas e sofisticadas tecnologias e com elas percepções totalmente novas estão surgindo na linha de frente das ciências.  Entretanto, a profunda e aguçada percepção-chave que está emergindo do novo modelo das ciências não é tecnológica. A experiência espiritual genuína está oferecendo evidencias diretas da ligação dos seres humanos uns com os outros e com toda a criação. Cada vez mais a ciência está confirmando a validade dessas percepções.
A física quântica acima de tudo começou sinalizar, que a percepção de Unicidade pelo Sentimento de Unidade que as pessoas às vezes experimentam, ela não é ilusória e que a sua explicação está ficando cada vez mais ao alcance da compreensão da ciência.
Assim como o quanta os átomos inteiros e as moléculas podem ser instantaneamente conectados ao longo do espaço e do tempo, da mesma forma fazem os organismos vivos. Especialmente o cérebro e o sistema nervoso que são complexos e supersensíveis e que nos organismos vivos evoluídos podem ser instantaneamente conectados com outros organismos, com a natureza e com o Cosmo como um todo.
O conceito de realidade que agora emerge nas fronteiras de pesquisas mais recentes da ciência, ele já é um novo conceito, é mais amplo. Ele se estende provavelmente de forma mais profunda e infinita a muitos universos que formam o metauniverso e também, se estende para dimensões inferiores ao nível do domínio do quantum.
Ele é ainda mais inclusivo, porque procura esclarecer fenômenos que foram ignorados ou que eram considerados anômalos e relegados à metafísica, à teologia ou à parapsicologia até poucos anos atrás. 
Com todas estas informações que a cada momento vão surgindo, se a humanidade continuar teimando, “se ela não mudar de direção, é provável que ela acabe por chegar exatamente ao mesmo lugar de onde partiu”, como adverte um provérbio chinês. E se esta advertência for aplicada ao mundo atual, o motivo desta teimosia com certeza desembocará em algo muito desastroso para a humanidade.
Mas, os seres humanos podem mudar de direção, buscando uma transformação oportuna para criarem um mundo pacificamente mais interativo e sustentável.
Einstein disse certa vez, “que não pode resolver um problema com o mesmo tipo de pensamento que o produziu”. No entanto, o que parte da humanidade está agora tentando fazer é exatamente isso, ao juntar vontade e visão necessárias para produzir uma transformação oportuna.
Quando um determinado sistema se aproxima do ponto em que as estruturas e realimentações existentes não conseguem mais segurar sua integridade, ele se torna ultra-sensível e responde até mesmo ao menor estimulo para a mudança. Nesses segmentos mais avançados da população, a percepção para essas políticas distorcidas aumentam o nível de urgência de reformas econômicas, sociais e políticas.
A maneira pela qual desenvolve o mundo em que os seres humanos vivem, tem uma lógica própria. É a lógica da evolução tanto na natureza quanto na sociedade.  Nesse quadro de acontecimentos a sua característica distintiva é a alternância de períodos de relativa estabilidade com épocas de instabilidade crescente, até chegar por fim a um ponto critico.
Quando a instabilidade atinge esse ponto critico, o sistema colapsa ou muda para um novo estado de estabilidade dinâmica. Esses “pontos críticos de mudança irreversível” constituem macro-mudanças, que envolvem todos os aspectos e segmentos da sociedade. Envolvem os ricos, os pobres, os sistemas econômicos e políticos, os setores privado e publico.
Na fase critica de macro-mudança não consiste apenas em evoluir geneticamente, pois os seres humanos constituído por varias raças não devem ser vistos apenas pelo enfoque biológico, mas também pelo social e cultural – para um novo proceder compatível com uma nova sociedade e uma nova cultura. Devem evoluir nesse momento de especial mudança, direcionados para uma nova civilização.
Nesse ponto critico e de bifurcação varias tentativas são feitas para superá-lo. Nele as tentativas para manter o status quo são condenadas ao fracasso e as tentativas para se atingir um novo nível de equilíbrio dinâmico nem sempre são bem-sucedidas. Algumas tentativas deslocam o sistema para um novo equilíbrio, mas são incapazes de mantê-lo, apenas adiam o colapso do sistema. No entanto, outras tentativas podem ser coroadas de sucesso.
Os sistemas complexos biológicos e sociais evoluem por meio de bifurcações.
O processo evolutivo sobre a Terra produziu completas linhagens de espécies, movendo-se de maneira continua, mas não linear, com muitas espécies complexas de mamíferos inseridas em ecossistemas locais, regionais e continentais. Com o aparecimento do Homo, esses ecossistemas passaram a abranger os sistemas socioculturais e sócio-tecnológicos formados por tribos e comunidades humanas.
Há cerca de 4 milhões de anos, os primeiros Australopitecinos hominídeos espalharam em uma ampla área no leste e no sul da África e na forma de pequenos bandos, eles conseguiram sobreviver aos perigos em volta. Por volta de 2,5 milhões de anos atrás, eles se dividiram em diferentes ramos. Um deles que desapareceu incluía numerosas subespécies, tais como a boisel e robustus, enquanto o ramo sobrevivente levou ao habilis e ao erectus e, por fim, ao sapiens.

Primata1  Primata2 Primata3 Primata4 Primata5
Fonte: www.girafamania.com.br/primitiva/homens_primatas.html

Com o sapiens a evolução se deslocou do domínio biológico para o domínio sócio-cultural e tecnológico. Nesse domínio, não é a estrutura genética que sofre mutações, mas a civilização dominante: como as pessoas são organizadas, que idéias e valores elas mantêm e como elas vêem a si mesmas e o mundo ao seu redor. As mutações na sociedade são totalmente abrangentes, envolvendo todos os segmentos e todos os aspectos. Elas são mudanças na civilização – mudanças que são “macro”.
Menos de 4 mil anos atrás nas margens do Mediterrâneo ocorreu outra grande bifurcação. Na Grécia clássica filósofos da natureza inauguraram uma mutação social que substituiu conceitos míticos por teorias baseadas na observação e elaboradas pelo raciocino, para depois a civilização greco-romana entrar também nessa cena da historia.
Então, Logos tornou-se naquela ocasião o conceito central, estando no cerne da filosofia e também no cerne da religião. Juntamente com a valorização das medidas quantitativas, esse pensar e agir proporcionou à civilização do Ocidente o fundamento racional que serviu de base para a sua construção, durante quase 2.500 anos.
Hoje, graças a uma serie acelerada de inovações tecnológicas cada vez mais poderosas, osapiens tornou-se a espécie dominante no planeta, mas em sua forma atual, a civilização industrial não é mais sustentável, portanto nos primeiros anos do século XXI a era industrial está mudando para uma era pós-industrial, constituída por uma revolução notadamente marcada pelo advento das tecnologias da informação e da comunicação. Essas tecnologias são mais poderosas do que aquelas baseadas no vapor e nos combustíveis fosseis, que caracterizaram a revolução industrial anterior e que aconteceu muito mais devagar durante décadas ou séculos e não apenas alguns anos como está acontecendo com essa ultima.
No passado as macro-mudanças eram locais, nacionais ou regionais. A macro-mudança hoje é global. A evolução social da humanidade alcançou as dimensões do planeta.
As macro-mudanças têm fases reconhecíveis. Normalmente, existem quatro fases principais. Primeiro existe uma fase inicial de mudança gradual e progressiva. Em seguida vem uma fase subsequente de desenvolvimento mais rápido. Depois disso vem outra fase de crise e bifurcação e, por fim, uma fase de conclusão, que pode ser um avanço revolucionário em direção a um sistema novo e mais estável ou um colapso na crise ou no caos.
No mundo humano diferentemente do que ocorre na natureza, a vontade e o propósito humanos decidem se o mundo direciona para o colapso ou se abre caminho em um avanço revolucionário.
Essa possibilidade da intervenção humana, ela é uma característica responsável (e notável) da civilização atual, colocando nas mãos dos seres humanos a oportunidade de desempenhar um papel decisivo na escolha de qual será o seu destino.
A evolução social é um processo de longo prazo e de forma geral ela é irreversível, não linear e influenciada por bifurcações periódicas. A bifurcação atual leva a construção da comunidade humana do nível de nação-estado para o nível planetário. Ela é tão profunda quanto qualquer processo evolutivo que já tenha ocorrido na historia da civilização humana, mas é incomparavelmente mais rápida e impõe enormes desafios de adaptação para os indivíduos e às sociedades.
Até hoje, na primeira década do século XXI a humanidade é ainda dominada pela civilização tecnológica materialista, que faz uso intenso de energia e de recursos – e, ela é ainda estreitamente egoísta.
Nascida no Ocidente essa civilização estendeu-se para todos os continentes com as suas raízes de insustentabilidade – raízes que infiltram, pressionam e sufocam a sociedade civil, as operações do sistema econômico e financeiro e o estado da ecologia global.
A insustentabilidade das condições na sociedade civil já não é mais apenas a consequência das lacunas econômicas e dos padrões desequilibrados pelo excessivo crescimento da população em países mais pobres e sob uma tensão crescente. Estruturas sociais também estão desmoronando nos países ricos.
O crescimento econômico continua no nível global, mas os seus benefícios se acumulam nas mãos de um numero cada vez menor de pessoas. Centenas de milhões de pessoas vivem com um padrão de vida material elevado, enquanto milhares de milhões vivem em favelas e guetos urbanos. Se não ocorrerem mudanças significativas, por volta de meados deste século cerca de 90% da população mundial viverá nos países pobres. E, por fim, em sua maioria os próprios Estados serão pobres.
O mundo passa por um momento insólito, em que os padrões atuais de crescimento econômico desequilibram o sistema financeiro. Os Estados Unidos tem um déficit comercial crescente, com o valor dos bens que importa muito acima do valor dos bens que exporta. Em situação oposta estão a China e outras economias asiáticas, que têm um superávit comercial crescente, com o valor de suas exportações estando constantemente acima do valor de suas importações.
Atualmente as economias asiáticas estão financiando os gastos excessivos dos Estados Unidos, mas não o fazem voluntariamente. Bancos centrais com grandes reservas cambiais estrangeiras como o da China, do Japão e os de  outros países estão cativos da política fiscal norte-americana e esse desequilíbrio financeiro está crescendo e pode atingir dimensões insustentáveis.
Soma-se a esse desequilíbrio financeiro outro. A maneira como o meio ambiente vem sendo explorado, é também intrinsecamente insustentável.
Na historia da humanidade esta situação não tem precedente. As produções de petróleo, peixe, madeira para construção e outros dos principais recursos naturais já atingiram o seu pico. Metade das florestas de todo o mundo e 40% dos recifes de coral já deixaram de existir e anualmente cerca de 9,3 milhões de hectares (23 milhões de acres) de florestas já desaparecerem.
Hoje, cerca de um terço da população mundial não tem acesso a suprimentos de suficientes de água, que possa ser usada com segurança. Por volta de 2025 dois terço da população viverão em condições de extrema escassez de água. A Europa e os Estados Unidos terão metade das reservas de água per capita de que dispunham em 1950 e a Ásia e a America Latina terão apenas um quarto de suas reservas. Os países mais atingidos serão os da África, do Oriente Médio e das regiões sul e central da Ásia, com os suprimentos disponíveis de água podendo cair para menos de 1.700m3 por pessoa.
Em todo o mundo 4,8 milhões a 6,9 milhões de hectares (12 a 17 milhões de acres) de terra agricultável estão desaparecendo a cada ano. Se esse processo continuar, cerca de 300 milhões de hectares (741 milhões de acres) estarão perdidos por volta de meados deste século, deixando apenas 2,7 bilhões de hectares (6,67 bilhões de acres) para sustentar 8 bilhões a 9 bilhões de pessoas. Não mais do que 0,3 hectare (0,74 acre) por pessoa será a área para a produção de alimentos, o que já estará em nível de subsistência.
A poluição da atmosfera é outra tendência insustentável. Desde meados do século XIX o oxigênio diminuiu principalmente por causa da queima de carvão. Atualmente seu conteúdo caiu para 19% do volume total sobre áreas impactadas e para 12% ou 7% do volume sobre as grandes metrópoles. Em níveis de oxigênio de 6% ou 7% do volume total a vida não pode ser mais sustentada. Duzentos anos de queima de combustíveis fosseis e de desmatamento de grandes áreas de florestas aumentaram o conteúdo de dióxido de carbono na atmosfera de cerca de 280 partes por milhão para mais de 350 partes por milhão.
A mudança climática já atingiu o ponto de perigo. As temperaturas no oeste do Ártico estão com os valores mais altos já atingidos em 400 anos. Em setembro de 2005 imagens fornecidas por satélites constataram que a extensão da calota polar é de 20% menor que sua media de longo prazo para o mês de setembro. Se essa tendência continuar o Oceano Ártico estará completamente despojado de gelo antes do fim deste século e talvez, até mesmo bem antes.
Enquanto a Europa é ameaçada por um clima mais frio, a maior parte do planeta ficará a mercê de temperaturas crescentes. Se nada de decisivo for feito para impedir a tendência de aquecimento, os danos à floresta chuvosa amazônica que já são evidentes se tornarão irreversíveis.
Embora os Estados Unidos (o maior poluidor) continuarem a mostrar relutância em aceitar os estudos sobre o aquecimento global e, por isso, em cortar as emissões de gases de efeito estufa por causa de custos econômicos e de suas conseqüências, nenhum país do mundo pode mais contestar que intensas mudanças no clima estão atualmente ocorrendo e que para se estar à altura de enfrentá-las é preciso uma ação urgente, internacionalmente aceita.
No decorrer das ultimas décadas principalmente o crescimento global se deu de maneira errada, com um crescimento irrestrito e puramente quantitativo da produção e do consumo de energia e de materiais, o que não é possível em um planeta finito com recursos finitos e uma biosfera delicadamente em equilíbrio.
As finalidades do crescimento extensivo podem ser resumidas em três situações: conquista, colonização e consumo. E para servirem essas finalidades existem vários meios e entre eles em primeiro lugar estão as tecnologias que usam e transformam matéria na forma de tecnologias de produção. Em segundo lugar as tecnologias que geram o poder de operar, ou seja, operar as tecnologias que transformam a matéria que são as tecnologias geradoras de energia. E em terceiro lugar as tecnologias que estimulam o anseio das pessoas, criam demanda artificial e mudam padrões de consumo na forma das tecnologias de propaganda, de relações publicas e de publicidade.
Entretanto, nessa década que “se abre” para o século XXI, os seres humanos precisam se redirecionar, tendo uma nova visão de si mesmos, de seu lugar no mundo e de seu papel nele.
A visão que precisam deve estar arraigada em suas melhores percepções a respeito da natureza humana e da natureza do mundo, no qual o mundo humano está encaixado.
Os mecanismos que buscam o progresso devem agora, serem alcançados com outras formas de percepção e em outro nível de realização.
A tecnologia é uma poderosa e sofisticada ferramenta, mas até a melhor das tecnologias é “uma faca de dois gumes”.
Os reatores nucleares produzem um suprimento quase ilimitado de energia, mas seus resíduos, bem como a sua desativação geram sérios problemas. Também a engenharia genética pode produzir enormes suprimentos de proteínas animais e micro-organismos capazes de produzir proteínas e hormônios, mas paralelamente pode produzir armas biológicas letais e micro-organismos patogênicos e destruir a diversidade e o equilíbrio da natureza. Assim, são também tantas outras tecnologias que tanto podem trazer benefícios quanto malefícios.
A matéria, a vida e a mente são elementos constituídos no âmbito de um processo global de grande complexidade, mas de planejamento coerente e harmonioso dentro do espaço e tempo, que unidos estão como o fundo dinâmico do universo.
A matéria esta se desvanecendo como uma característica fundamental da realidade, retirando-se diante da energia e, campos contínuos estão substituindo partículas discretas como o elemento básico de um universo banhado em energia e repleto de informações.
A realidade que os seres humanos chamam de universo é uma totalidade que não tem costura, que se desenvolveu e vem se desenvolvendo ao longo dos éons do tempo cósmico e produzindo condições em que a vida, a mente e a consciência puderam emergir.
O mundo do século XXI é um mundo mais interativo e interdependente, com os seus sistemas sociais, econômicos e ecológicos operando perigosamente perto da margem da sustentabilidade.
Apesar disso, nas sociedades contemporâneas existem vários fatores que impedem ou retardam a mudança para uma visão melhor do que “é realmente real”. A maneira como os jovens experimentam a luta pela sobrevivência material resulta em frustração e ressentimento e então, já como adultos se conduzem através de vários comportamentos compensatórios – viciosos e compulsivos. Como não sabem viver as suas vidas, privam os outros da oportunidade de viverem as suas.
As pessoas devem buscar caminhos mais verdadeiros para o crescimento interior, procurando uma maior unidade entre seu corpo e sua mente, sem tanto mais ficarem ocupadas e preocupadas com tarefas e aspirações, com temores e aflições. Elas não devem mais utilizar de seus corpos como usam seus carros e computadores, quando respectivamente dão comandos para que essas maquinas as levem aonde querem e façam o que querem.
A humanidade chegou a uma bifurcação histórica. Chegou a uma fase critica da macro-mudança global. Embora ela se encontre hoje em um caminho descendente rumo a crises sociais, políticas e ambientais crescentes, também poderá ingressar em um caminho ascendente que a conduza a um sistema de organização social, econômica e política, que é capaz de assegurar a sustentabilidade às comunidades humanas e ao ambiente planetário.
A escolha está lançada e optar por ela depende do que os seres humanos têm como corretos valores, crenças e percepções – do que tem como certo em sua noção de ética.
Garantir o equilíbrio dinâmico da biosfera em um nível humanamente favorável requer uma completa reestruturação das relações humanas com o meio ambiente, que deve ser transformado da maneira insustentável em um modo sustentável de longo prazo. Também é necessária a transformação das instituições das sociedades humanas, para que possam coexistir em harmonia umas com as outras e ainda, produtivamente com a natureza.
Estas transformações exigem uma mudança fundamental no comportamento dos indivíduos, das nações e das atividades comerciais.
Chegou a hora de mais uma mudança – da civilização de Logos para civilização de Holos.
O ser humano não pode ser separado do contexto em que vive, porque está integrado com o mundo em que vive. Ele está em constante interação com outros povos e suas culturas, com a natureza e com o universo. Ele é um ser indivisível. Neste sistema integrado no qual ele faz parte, a visão holística pode ser considerada a forma de perceber a realidade e a abordagem sistêmica – a busca de uma sabedoria sistêmica.
Com essa visão as mudanças nos valores e nos comportamentos embora sejam no geral descartadas e subestimadas, elas estão acontecendo rapidamente e são revolucionárias, ocorrendo em todos os segmentos da sociedade, porem mais intensamente nas margens.
Tais mudanças na cultura de um número crescente de pessoas precisam ser consideradas com seriedade. Repudiar e desconfiar de todas as pessoas que não aceitam o atual sistema de valores e as visões de mundo e os estilos de vida a ele associados, é uma atitude ingênua e infrutífera.
Quando os membros dessa cultura emergente que pensa e age holisticamente despertarem para o fato de que já são numerosos para difundirem o que pensam, eles se organizarão e terão peso social, econômico e político capaz de transformá-los em um dos principais agentes da mudança – em condutores fundamentais da mudança de uma civilização de Logos para uma civilização deHolos.
A razão humana é capaz de despertar altruísmo e empatia, mas também de promover egoísmo e intolerância. Atualmente é a racionalidade egoísta e míope de grande parte “dos homens modernos” que está mais presente. É ela que gera os seus valores, governa suas percepções e edifica a complexa superestrutura orgulhosamente chamada de “civilização moderna”. E esse tipo de racionalidade é que está agora testando os limites da viabilidade da espécie humana.
Entretanto, a transformação da espécie humana começou. Uma “nova epidemia” está se espalhando entre os seres humanos, que estão cada vez mais sendo “infectados” pelo reconhecimento de sua Unidade.
A fragmentação de comunidades humanas e a separação entre o homem e a natureza foram apenas um interlúdio na historia humana e, esse interlúdio está agora chegando ao fim.
Muitos seres humanos estão recuperando a sua Unidade, porque estão buscando algo alem da civilização fragmentada e egoísta que até então os dominou durante os últimos séculos. Eles estão agora movendo em direção a um mundo cooperativo constituído por pessoas livres e capazes de representar os interesses da espécie humana.
Os mais recentes avanços das ciências naturais estão proporcionando uma nova figura de realidade e com eles a percepção da realidade humana como uma realidade em evolução, que está fundamentalmente integral, instantânea e duradouramente em interconexão. O que até então era chamado de matéria (densa), já se sabe ser agora um padrão ondulatório de energia.
O tipo de coerência que está vindo à tona em vários ramos das ciências empíricas é mais complexo e significativo. Ele indica uma conexão quase instantânea entre partes ou elementos de uma coisa, seja essa coisa um quantum, um átomo, um organismo ou uma galáxia. Esse tipo de coerência vem à tona em campos tão diversos quanto o campo da física quântica, da biologia, da cosmologia e das pesquisas sobre o cérebro e a consciência.
A consciência humana não é uma instalação permanente. A antropologia cultural demonstra que ela se desenvolveu gradualmente no decorrer dos milênios. Na historia dos seres humanos modernos que abrange 30 ou 50 mil anos, o corpo humano não se alterou significativamente, mas a consciência humana mudou.
E como mudou!… Mudou tanto, que chegou a ocasião neste final de ciclo para que se mostrem com ela, aqueles que sendo “diferentes” formem a “frente avançada”. Aqueles que possuindo um novo nível de percepção e de consciência, são necessários para esse momento de especial transformação para a humanidade, quando deverá surgir uma nova sociedade, não mais contaminada pela tirania do atual sistema vicioso e manipulador.
Chegou o momento para os que “se escolheram” para um compromisso construam um novo tempo de Ação e de Realização uma Nova Era mais livre, mais harmônica e universalmente mais verdadeira.
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Texto de Antônio Carlos Tanure

Fonte de consulta:
O livro “Um Salto Quântico no Cérebro Global, de Ervin Laszlo