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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

 - Caso Fazenda Santa Filomena


Introdução
 Três ufólogos, dois paulistas, D. Ute N.L.Siebrecht e Antônio Vicente de Paulo, de um lado, e o carioca Walter Buhler, da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores (SBEDV), de outro lado, viajaram em conjunto para a cidade de Lins. Situada mais ou menos na parte central do Estado de São Paulo, esta cidade já é por demais conhecida pelos pesquisadores veteranos, por seu passado ufológico, relembrando aqui em capítulo separado. O noticiário de jornais constitui-se em atração para o trio buscar averiguar “in loco” a veracidade de títulos como “Tripulantes de OVNI descem em São Paulo e são agredidos a soco”, “Disco voador aparece varias vezes em Lins”, “Policiais vêem disco voador em São Paulo” e “Em Lins, a vigília pelo disco.
Na pesquisa sobre o presente caso – luta corporal entre lavrador de Lins e ufonauta interplanetário – mérito maior pertence a Ute Siebrecht, pela compilação de dados que realizou, consultando seus apontamentos de dois anos atrás e transcrevendo ainda a gravação que fez da conversa com o protagonista do episódio. Esses textos foram condensados na SBEDV, enriquecidos com fotos tiradas pelo pesquisador ufológico de Lins, Herbis Gonçalves (“Curó”), repórter policial e locutor da Rádio Alvorada de Lins LTDA. Inclui-se também resumo do relatório de Herbis sobre avistamentos ufológicos em Lins e nos arredores, nos dias anteriores, durante e depois do episódio aqui focalizado. Além de relembrar particularidades de incursões de ufonautas e discos voadores em Lins, em épocas anteriores, fez-se ainda estudo comparativo do caso presente com outros da ufologia brasileira, seja pela semelhança dos fatos, seja pelas interferências e seqüelas momentâneas provocadas no aspecto psicofisiopatológico da testemunha do episódio.
 O relato do episódio
Paralelamente ao episódio aqui relatado, na cidade de Lins e, proximidades houve outros eventos ufológcos, observados pelas mais diversas categorias de pessoas, algumas mencionadas em item à parte. No dia mesmo do fato ocorrido na Fazenda Santa Filomena, so Sr. Dirceu observou o objeto voador de seu sítio, que fica a esquerda da estradinha de Guaiambé, onde à direita, existe a porteira que dá acesso à fazenda.
Aliás, nesta data, domingo, dia das mães, Dirceu havia levado seu amigo Braulino até à cidade, deixando-o na casa do irmão deste. A noitinha, pelas 19 horas, perto da porteira da Fazenda Santa Filomena, mais uma vez os caminhos de Dirceu e Braulino se cruzaram. Braulino estava então de volta da casa do irmão e dirigia-se à sua residência, nos terrenos da fazenda, ignorando ainda o caso do qual seria protagonista momentos mais tarde. Aproximadamente um quilômetro após a porteira passa o caminho para a sede da fazenda, sobre pequena elevação e à esquerda da primeira das casas, onde mora Orlando Vicente de Almeida, também empregado da propriedade. Contornando entretanto a casa  de Orlando, pela direita, o trilho continua a serpentear pelo gramado e, após algumas centenas de metros, leva à segunda das casas, situada também sobre pequena elevação. Ali é a residência de Braulino.
No dia (15/7/79) e hora da pesquisa surgiu um “quid pro quo” com a chegada dos ufólogos à casa de Braulino. É que ele nada queria responder acerca do episódio que vivera, porquanto teria sido desautorizado a esse respeito pelo repórter da estação de rádio local. A custo de perseverança e poder de persuasão de Ute Siebrecht, auxiliada por Orlando, que fora chamado para acalmar o vizinho, finalmente Braulino concordou em responder a todas as perguntas da equipe de ufólogos.
Enquanto Ute Siebrecht estivesse ocupado em inquirir Braulino, Dona Filomena, esposa do ultimo relatou-nos o que observara de estranho no marido no dia do episódio. Braulino havia chegado a casa aproximadamente às 19:30 hs, de feições pálidas, espavorido, cabelos em desalinho, olhos injetados de vermelho, revirando-os frequentemente para cima. Não falava e não reconhecia ninguém, nem a mulher nem os filhos. Isso foi muito chocante para a família, que então chamou pelo vizinho, Orlando. Este, à chegada, também não foi reconhecido por Braulino. Quando alguém dentro da casa ligou o aparelho de televisão, apavorado, Braulino saiu porta afora, só retornando depois de o televisor ter sido desligado. Mesmo assim, sentado à mesa depois, desconfiado, virou as costas para o aparelho. Mais tarde , ele foi sentar-se no chão. Quando alguém procurou ligar para a polícia através de telefone nas proximidades, a fim de pedir auxilio ou um conselho para o caso de Braulino, naquela hora o aparelho não estava funcionando. Assim, Braulino levou uma hora  meia para finalmente chegar a reconhecer seus familiares. Ao todo, levou duas horas para distinguir seu vizinho Orlando.
Mais tarde, já mais calmo, Braulino decidiu-se a fazer seu relato à pesquisa. Explicou então que, em sua demanda para o lado, na passagem pela casa do vizinho Orlando, àquela hora já havia escurecido. Mas enxergou lá, estacionado, um vulto que tomou por um carro Volkswagem, em frente à casa de Orlando. No passado, vez por outra isto já havia acontecido. Uma barra encurvada, de brilho acentuado, na frente do vulto, foi identificada por Braulino como sendo um pára-choque de boa niquelagem e resplandecente no escuro. Quando duas figuras humanas com a mesma estatura do protagonista (aproximadamente 1,65 m à 1,70m ) destacaram-se do vulto, Braulino  pensou que se tratava do filho de Orlando e um amigo deste, talvez possuidor do Volks, acreditando que os dois quisessem cumprimentá-lo. Braulino estacou, na crença de que se iniciaria o que num domingo é uma conversinha, coisa social, amena e bem vinda para um rude e solitário trabalhador de fazenda. Nesse avistamento e nessa aproximação, ele julga que se passaram uns 30 segundos.
Todavia, no instante seguinte, percebeu que os dois personagens se deram as mãos mutuamente, como para obstar-lhe os passos, ou se não pior, com a finalidade de capturá-lo. Talvez nesse momento Braulino tenha se lembrado dos rumores de avistamentos de discos voadores em Lins naqueles dias ou em épocas anteriores. O fato é que ficou em pânico e esforçou-se por gritar o nome de Orlando, para lhe pedir socorro. Porém, estranho como pode parecer, o grito não saiu. Logo após, tentando romper o certo que fora feito, Braulino lançou-se para a frente, em direção aos estranhos. Essa passagem dramática encontra-se bem expressa na transcrição da gravação realizada por D. Ute, que vem a seguir. Na transcrição, introduzimos palavras omitidas por Braulino entre parênteses, necessárias à melhor compreensão do texto. Esclareceremos ainda que “B” significa a resposta de Braulindo e “P”, a pergunta feita a este por D. Ute Siebrecht:

B  -  ... acontece  que eles queriam muito me pegar.... (Mas) dei um murro (num) deles.
P – E daí? Caiu no chão o cara?
B – Não! Não caiu! Sei lá donde que pegou (este meu golpe), não sei que jeito que é. Também daí não vi mais nada.
P: Você correu?
B: Aí eu corri... acho que corri... sei lá. Eu corri, corri mesmo...
P: Você perdeu a mente assim?
B: Perdi a mente na hora... perdi... porque eu vim aqui dentro da minha caa... (e diziam depois) que falei (bobagens) não sei que lá... não sei que lá... Depois minha mulher (conforme soube) mandou chamar o vizinho (Orlando)... ele veio me socorrer aí (aqui)... do jeito que eu cheguei...”

 Braulino Gomes Ferreira, sendo entrevistado por repórter de uma rádio de Lins
Sequencia do Episódio
Mais tarde naquela noite, Braulino alimentou-se normalmente. Todavia seu sono foi intranqüilo, pois mexia-se muito na cama, conforme sua mulher observou para a pesquisa.
No dia seguinte, de manhã, Braulino foi normalmente para o trabalho. Entretanto, à noite, após o jantar, não ousava mais sair de casa durante umas três noites  a contar da data do episódio.

Coleta de dados Paralelos ao episódio
Orlando assegurou que Braulino não havia gritado por ele, pois de tão pertinho teria ouvido sua voz. Informou também à pesquisa que naquela noite não havia automóvel algum parado perto de sua casa, porquanto teria ouvido a chegada do carro. De fato, Adélia Natalina, mulher de Orlando, escutara uma espécie de chiado perto de casa, em horário compatível com o episódio. Maria Adélia, sua filha menor, havia interpretado o ruído como a chegada de um carro e quis abrir a janela.
No interior do país, nas casas de tipo simples, em vez de janelas com vidros existem “tabuinhas” de madeira, movimentando-se por dobradiças. Orlando não permitiu que ela abrisse a janela. Na ocasião, uma outra filha teria dito: “... Pai aí tem uma estrela... pai, é estrela...”.
Além disso, conforme relatou de maneira sucinta à pesquisa, a mulher de Braulino, Filomena, no dia do episódio, aproximadamente meia hora antes da chegada do marido, e assim às 19 horas, teria observado um objeto voador na direção da casa do vizinho Orlando.

Dona Filomena, esposa de Braulino
Nas vizinhanças do local do episódio
É Orlando, vizinho de Braulino, quem relata fato ocorrido com sua mulher, três dias após o episódio, em 16 de maio de 1979, uma quarta-feira. Era por volta das 22 horas e Orlando já se encontrava deitado, dormindo. Neste momento, a sala da casa teria ficado iluminada por forte clarão de tonalidade vermelha e, no mesmo instante, a imagem da tela da televisão desapareceu. Assustada, D. Adélia Natalina desligo rapidamente o aparelho e foi também deitar-se para dormir.
Dirceu, amigo de Braulino, já citado aqui, morador à esquerda da Estrada de Guaiambé, narra outro fato. Três dias após o episódio de Braulino, sem precisar entretanto o horário, ele também viu um objeto voador com formato de prato de sopa, na direção da fazenda Santa Filomena. Todavia, enquanto procurava pela esposa para mostrar-lhe o aparelho, este distanciou-se.
Em 14 de maio de 1979, segunda feira, dia seguinte ao episódio de Braulino, ocorreu outro avistamento de disco voador em Lins. Eram cerca de 21:10 hs, quando moradores da Vila Labete avistaram um objeto luminoso que se encontrava a baixa altura e ofuscava a vista. Um guarda-noturno, da COMAX, pôde observar o aparelho à altura de 100 metros. Aparentemente, o objeto era dez vezes maior que a Lua. Tinha luzes vermelhas, verdes e azuis e “Chiava feito enceradeira”. Enquanto isso, as lâmpadas da iluminação local chegavam a murchar.
Luz semelhante à uma estrela, ora aproximando-se ora distanciando-se, mas apresentando objeto de dimensão real avaliada como a de um automóvel, foi vista no ponto do Frigorífico Betim. Os policiais rodoviários federais Medeiros e Fernando, de binóculo, puderam observar o objeto voador que, de cinco em cinco segundos, mudava de cor.
Três dias antes, ainda do episódio de Braulino, em 10 de maio de 1979, quinta-feira, os policiais rodoviários Rondon e Luiz Gama, munidos de binóculos infravermelhos para a noite, acompanharam as andanças de uma luz no ar que, quando parada, piscava em vermelho e verde. Houve também o cidadão de apelido Zequinha afirmando depois que tal objeto não era estrela, nem avião e que mudava de cor, do vermelho para o verde e para o azul. Cerca das 21:30 hs, o UFO baixou de altura e foi visto por Oswaldo Otis, certo garotinho que o estava vendo de perto confundiu-o com um balão de cores rosa e azul prestes a aterrissas e foi persegui-lo correndo atrás dele. Entretanto, assustou-se e perdeu passageiramente a fala quando súbito clarão emitido pelo objeto varreu o local onde se encontrava o tal menino com sua família.
Fenomenum