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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

 - Caso Chupa-Chupa
 - Caso da Ilha do Caranguejo



José Souza morreu aos 22 anos de idade. Era saudável e não sofria de nenhuma doença. O que o matou é um mistério. O dia começou ensolarado e quente, quando ele e mais três homens foram de São Luis do Maranhão a Ilha do Caranguejo, 25 km ao sul, na Baía de São Marcos, em um barco velho e corroído. Chegaram no início da tarde, ancoraram em um riacho bem dentro da ilha e passaram o resto da tarde cortando árvores finas e podando galhos. Eles planejavam vender mastros de madeira para uso em construções simples. A ilha tem 40 km de comprimento e 11 km de largura. É um local isolado, pantanoso e deserto, infestado por mosquitos e coberto de arbustos e árvores. As pessoas só vão lá para pegar madeira ou apanhar caranguejos. Com José estavam dois de seus irmãos, Apolinário, 31, e Firmino, 38, e um primo, Auleriano Bispo Alves, de 36 anos.
Eles trabalharam a tarde toda cortando e empilhando troncos. Pararam às 18h00, quando o Sol começava a se pôr, e fizeram uma refeição de carne e arroz. A maré estava baixa e o barco ficara ancorado na lama do riacho vazio. Ficaram batendo papo até as 20h00 e foram dormir dentro do barco, cobrindo a escotilha com um pedaço de lona para impedir a entrada de mosquitos. Uma pequena janela fechada, na parte de trás da cabine, permitia a circulação do ar. Uma lanterna com o pavio baixo estava pendurada em um dos lados da cabine. Os homens pretendiam acordar por volta da meia-noite quando a maré subia, levar os troncos ao barco e voltar para São Luis, com o refluxo da maré. José, Apolinário e Auleriano (1) já tinham feito aquela viagem pelo menos umas cem vezes antes, e nunca deixaram de acordar com a maré. O balanço do barco quando o riacho se enchia e o som da água batendo no casco era um ótimo despertador.
Firmino era o único novato. O quarto homem que costumava acompanhar o grupo estava doente e Firmino, um fazendeiro, pediu para ir no lugar dele porque precisava de mastros de madeira para um anexo que estava fazendo em sua casa na floresta tropical. Era a sua primeira viagem, e ele viria a se arrepender de tê-la feito. Alguma coisa terrível aconteceu enquanto eles dormiam. À meia-noite, José estava morto e Firmino e Auleriano seriamente machucados, mas ninguém sabia o que tinha acontecido ou por quê. Ninguém sabia e até hoje não sabe.
Descoberta assustadora
Em vez de acordarem à meia-noite, com o fluxo da maré, eles só despertaram por volta das 05h00, quando o Sol estava nascendo. Apolinário, que dormira em um tapete no chão da cabine, ouviu Auleriano gritando por socorro na frente do barco. Ele ficou intrigado, porque Auleriano tinha ido dormir em uma rede na parte traseira do barco, pouco mais de um metro atrás do tapete de Apolinário. Apolinário cambaleou para frente, agachou-se sob a outra rede, onde ficara José, e retirou a lona que cobria a escotilha. Com a área para a carga subitamente visível à primeira luz do alvorecer, Apolinário olhou para baixo e viu Auleriano deitado em vários centímetros de água na estiva. Ele perguntou qual era o problema, mas Auleriano não sabia. Estava com dor, não conseguia se levantar e não sabia como tinha ido parar lá.
Apolinário ajudou Auleriano a sair pela escotilha e ir até o tombadilho, e percebeu que ele estava queimado nas duas escápulas. Auleriano baixou o short e viu que tinha uma queimadura também nas nádegas, do lado esquerdo. Estranhamente, o short não se queimara. Apolinário começou a fazer um chá para Auleriano, mas ouviu alguém gemer na parte de trás do barco. Ele desceu até a cabine, agachou-se novamente sob a rede de José, e viu Firmino deitado no chão, debaixo da rede de Auleriano. Era outra surpresa, porque Firmino tinha ido dormir na parte da frente do barco, onde Auleriano fora encontrado. Mas a surpresa de Apolinário se converteu em choque quando ele examinou Firmino. “Ele estava queimado e inchado, e a pele tinha caído”, disse Apolinário. “Tentei falar com ele, mas não respondia. Seus olhos estavam fechados e não consegui abri-los. Fiquei apavorado”.
Assustado, Apolinário correu até a rede de José para pedir ajuda, mas assim que o tocou, percebeu que ele estava morto. Tentou sentir-lhe o pulso, mas não conseguiu. O corpo de José estava frio e enrijecendo rapidamente, com uma perna pendurada para fora da rede. Tomado de tristeza, Apolinário achou que devia colocar a perna de volta na rede, mas foi uma luta fazer isso. Desesperado, ele queria chorar, mas era o único homem com saúde a bordo e teria de levar os outros de volta a São Luis. Não havia remédios nem estojo de primeiros socorros no barco e ele não podia fazer nada para tratar das queimaduras dos homens. Pior ainda, a maré estava baixa e o barco ficara na lama novamente.
Ajuda de Deus?
Ele precisou esperar mais de 8 horas até a maré subir novamente. Por volta das 14h00, ele começou a levar o barco de volta a São Luis. Foi uma viagem difícil porque normalmente são necessários pelo menos três homens para cuidar das velas e do leme do barco de 12 m, e Apolinário tinha de fazer tudo sozinho. José estava morto, Firmino inconsciente e Auleriano com muita dor. Durante a viagem, Firmino rolava de um lado para o outro no chão da cabine, conforme o barco pegava as ondas na baía. “ Deus me ajudou. Sem a ajuda Dele, todos teríamos morrido” , disse Apolinário, um homem magro e com apenas 1,50 m de altura. O Sol estava se pondo quando eles chegaram ao Porto de Itaqui, perto de São Luis, mas o pesadelo do rapaz ainda não tinha acabado. As únicas pessoas no pequeno porto de águas profundas eram dois guardas de segurança, que não puderam ajudá-lo. Ele teve de andar 10 km até São Luis, contar à polícia o que tinha acontecido e ir até sua casa para chamar seu irmão mais velho, Pedrinho. Os dois voltaram ao porto de carro, às 21h00, e levaram Firmino a um hospital. Embora Auleriano estivesse sofrendo com muitas dores, ficou junto ao corpo de José.
A polícia só chegou ao barco à 01h00. O corpo de José foi levado ao Instituto Médico Legal e só então Auleriano foi a um hospital para ser tratado. Suas queimaduras deixariam marcas, mas ele pôde ser liberado à noite. Firmino ficou em coma por uma semana, e teve de passar mais de um mês no hospital. Boa parte de seu corpo tinha sofrido queimaduras de segundo grau. As mais sérias estavam do lado esquerdo das costelas, na parte interior do braço esquerdo e na testa.
Os músculos do braço foram tão danificados que os dedos da mão esquerda ficaram permanentemente torcidos para dentro, quase sem nenhuma mobilidade. Não foi feita uma autópsia no corpo de José. São Luis fica perto do equador e depois de 24h00 no calor, o corpo já estava em avançado estado de decomposição. O médico que o examinou no Instituto Médico Legal disse em seu relatório que não havia cortes nem hematomas no corpo. O atestado de óbito declarava que José tinha sofrido um “...acidente vascular cerebral, causado por hipertensão arterial, como conseqüência de um choque emocional”. A causa da morte foi atribuída a ‘choque emocional'.

Choque emocional 

Não havia uma explicação para o que teria sido esse choque emocional. Passei mais de um mês na região de São Luis, investigando esse e outros casos, e durante boa parte desse tempo, tentei localizar o médico. Com Mônica Carneiro e outros intérpretes, fui atrás dele em toda parte, sempre deixando recados, mas quando finalmente o encontramos, ele se recusou a conversar, e não explicou o por quê daquilo. Sei, no entanto, que quando ele enviou o relatório sobre a morte de José, seu chefe o criticou severamente por suas conclusões.
A polícia não foi capaz de determinar o que aconteceu na Ilha do Caranguejo. Os investigadores foram até lá, examinaram a área onde barco ficara ancorado, inspecionaram o próprio barco e conversaram com os sobreviventes e as pessoas que os conheciam. Não havia nenhuma evidência de que os homens tivessem bebido ou usado drogas, sofrido intoxicação alimentar ou sido expostos a gases tóxicos, ou sequer brigado fisicamente. A polícia não encontrou sinal de fogo no barco nem na ilha. A única conclusão era de que os três sobreviventes realmente não sabiam o que tinha acontecido.
Nenhum dos três homens se lembra do menor detalhe daquela noite, nem sob hipnose profunda. Uma queimadura deve provocar uma das mais terríveis dores que alguém pode sofrer, porém, dois homens foram gravemente queimados antes da meia-noite e nenhum dos dois sabia nada a respeito do acidente, um até a manhã seguinte e o outro só quando saiu do coma, uma semana mais tarde (2). Como tais coisas podem ter acontecido sem que as vítimas tenham a menor lembrança de como se queimaram? O que ou quem poderia infligir esses ferimentos e bloquear completamente a experiência dolorosa das mentes das vítimas? Por que um jovem saudável como José simplesmente morreu enquanto dormia, sem nenhuma causa aparente?
Atenção da mídia
Essas são algumas das perguntas que tanto intrigaram a polícia do Maranhão, e que nunca foram respondidas. Não há nenhuma evidência direta de que um UFO esteve envolvido no incidente. Os homens nada viram de estranho. O fato ocorreu na noite de 25 de abril de 1977, durante um período de numerosos avistamentos de objetos não identificados em toda a região. Os jornais e estações de rádio e tevê em São Luis imediatamente agarraram a história e puseram a culpa em um UFO por causa do mistério que cercava o caso e porque muitos UFOs tinham sido vistos recentemente. Apesar da atenção que recebeu da mídia, o Caso Ilha do Caranguejo não foi divulgado fora de São Luis. Fiquei sabendo dele porque Roberto Granchi, filho da veterana ufóloga do Rio de Janeiro, Irene Granchi, esteve em São Luis no início de 1978 para consertar certos equipamentos eletrônicos em um barco no Porto de Itaqui e, ao ouvir sobre o caso, foi procurar Auleriano. Ele contou à sua mãe o que descobrira e ela, por sua vez, me repassou a informação. No fim de novembro de 1978, fui a São Luis.
É uma antiga cidade colonial em uma ilha na embocadura de uma enorme baía, com ruas estreitas e acidentadas, e prédios pintados em tons pastéis de verde, rosa, azul, amarelo e outras cores, muitos dos quais cobertos com muitos ladrilhos ornamentais. A cidade tem muitos quilômetros de belas praias. Naquela época, tinha 250 mil habitantes, mas a cidade cresceu rapidamente nos anos 80 e até o fim do século, sua população beirava um milhão. Uma das primeiras pessoas com quem conversei na Ilha do Caranguejo foi Clésio Muniz, chefe de investigação criminal da polícia do Maranhão. “Eu vi aqueles homens com aquelas estranhas queimaduras e não acho que foram causadas por um fogo comum” , disse Muniz.
“Não acredito em UFOs, mas esse é um fenômeno estranho que não consigo explicar. Já tinha ouvido relatos de ‘bolas de fogo' avistadas nas cidades ao redor da Ilha do Caranguejo e a oeste daqui. Muita gente tinha visto a ‘bola de fogo', tanto antes quanto depois do incidente. E pelos testemunhos que ouvi, as bolas de fogo não pareciam estrelas cadentes. Elas sobem e descem, movem-se para a esquerda ou a direita, horizontalmente, verticalmente, devagar ou rápido, ou muito devagar ou rápido demais. É um fenômeno incomum, e não sei o que é”.
Outro investigador me disse que acreditava que um raio tinha causado a morte e as queimaduras. Sua teoria era de que o raio caiu na areia ou na lama perto do barco, ricocheteou para cima e voou horizontalmente até a cabine, atingindo três dos quatro homens que dormiam. Dois médicos do Instituto Médico Legal (IML) que examinaram Firmino no hospital também achavam que a causa do acidente fora um raio. Um deles era o doutor Carneiro Belfort, na época, diretor do instituto e, posteriormente, professor de medicina em uma das universidades de São Luis. “Eu quis ver Firmino porque os jornais estavam dizendo que os ferimentos tinham sido causados por UFOs, e eu precisa verificar pessoalmente” , disse o doutor Belfort. “Nunca vi um UFO e não acredito na existência deles. As queimaduras eram características de raio, mas não posso afirmar que foi isso que as causou. E se não foi, não sei o que pode ter acontecido. O homem me disse que viu ‘um fogo' antes de desmaiar”.
Ele viu um fogo
Essa última afirmação – que Firmino, em seu delírio, murmurou algo sobre um ‘fogo' – era o único elo discernível com um UFO. Fogo provavelmente é o termo mais comum para UFO em todo o Brasil. O outro médico que defendeu a teoria do raio foi José Oliveira, na época, membro da equipe do IML. “Firmino teve muitas queimaduras de segundo grau e poderia ter morrido. Na minha opinião, foi raio. Mas, por outro lado, um raio teria causado algum dano ou queimadura no barco, e o homem que morreu também deveria estar queimado” . Nenhum dos médicos viu o barco ou o corpo de José, mas o atestado de óbito afirmava que não havia marcas nem lesões no corpo.
Enquanto conversávamos, o doutor Oliveira examinou os registros do instituto sobre os homens feridos. Quanto à queimadura nas nádegas de Auleriano, ele disse que “...provavelmente, se ele tivesse sido atingido por um raio, sua roupa também teria sido queimada” . Os calções de Auleriano e Apolinário ficaram intactos. Clésio Muniz, o investigador criminal chefe, discordava veementemente da teoria do raio, assim como o Sargento Antenor Costa, meteorologista da Força Aérea Brasileira (FAB) no Aeroporto de São Luis. O aeroporto fica 4 km a nordeste da Ilha do Caranguejo. Na época, quatro linhas aéreas nacionais, duas regionais e várias empresas de táxi aéreo estavam usando o aeroporto. Os registros da estação meteorológica indicam que não houve temporal nem relâmpagos entre as 17h00 de 25 de abril e 06h00 do dia 26. Caiu uma chuva leve às 23h00 e outra à meia-noite, mas de resto a noite estava clara e calma.
“Seria impossível um raio cair, atingir a areia e ricochetear para cima e desviar para o lado, pegando o barco. Isso não acontece. Se fosse assim, o raio teria queimado também a lona e não teria atingido dois ou três homens ao mesmo tempo porque suas posições no barco eram muito diferentes. Para fazer isso, um raio precisaria ser tortuoso como uma trilha sinuosa. Além do mais, é improvável que tivesse matado um homem sem queimá-lo. Simplesmente não é possível que um raio queime dois homens e mate um terceiro, sem deixar uma marca em seu corpo” , disse o Sargento Costa.
Natalino Filho, diretor da estação meteorológica, disse que um raio poderia ter caído na água e passado por ela até o barco, já que a água é um bom condutor de eletricidade. “Mas se isso tivesse acontecido, Apolinário teria morrido porque ele estava deitado no chão, no ponto mais próximo da água” , acrescentou Natalino. Decididamente não havia queimaduras no barco. Eu o inspecionei pessoalmente, e foi uma aventura infernal. Firmino morava na floresta, a uma certa distância ao sul de Itaúna, o terminal de balsa entre a Baía de São Marcos e São Luis. Com Ana Teresa Britto e sua irmã Leila como intérpretes, fui procurar Firmino para levá-lo a São Luis. Quando chegamos a casa dele, ficamos sabendo que o Maria Rosa, o barco usado pelos quatro homens na viagem à Ilha do Caranguejo, estava ancorado num riacho próximo. Fazia dias que o vinha procurando, mas longe dali, na área de São Luis.
Pântano infernal
Teríamos de esperar até que Firmino se aprontasse para ir conosco a São Luis, por isso, Ana Teresa, Leila e eu fomos inspecionar o barco, com a mulher de Firmino, Maria, nos servindo de guia. Fomos de carro a um pequeno vilarejo, estacionamos e começamos a descer a pé por uma trilha que dava na floresta. Cinco minutos mais tarde, chegamos a um pântano onde a trilha desaparecia debaixo d'água por uns 68 m. Maria disse que não havia outra maneira de alcançar o barco.
Imagens de piranhas e outras criaturas belicosas me vinham à mente, deixando-me com dor de cabeça enquanto eu observava a água escura. Não dava para ver nada sob a superfície negra, e teríamos de atravessá-la descalços ou arriscar perder os sapatos no barro. Eu queria chorar. Maria me garantiu que a água só chegava aos joelhos, mas eu não queria entrar nela descalço nem com sapatos, por mais rasa que fosse. Mas não tinha escolha, se quisesse examinar o barco. As três mulheres riram de mim, quando eu hesitei. E então, detestando cada minuto da aventura, mergulhei as pernas no pântano e arrestei-me através dele, seguindo Maria e seguido por Ana Teresa e Leila. Mas nada de ruim aconteceu, e chegamos ao outro lado com os artelhos intactos.
Alguns minutos depois, chegamos ao barco. Com a maré baixa, ele ainda estava preso na lama. Era totalmente feito de madeira e tinha uma única e enorme vela. Era um barco velho, com a pintura tão desbotada que mal podíamos ver o nome Maria Rosa. Não havia ninguém por perto. Enquanto as três mulheres se sentavam sobre um tronco caído e me esperavam, atravessei uma prancha de madeira e subi ao tombadilho. A única entrada para a cabine e o espaço de carga embaixo é através de uma escotilha quadrada, bem atrás do mastro. Fiquei uns 30 minutos examinando o barco inteiro, dentro e fora. Não havia um único sinal de fogo ou violência. Tirei várias fotos, e então nós quatro voltamos – descalços através do mesmo pântano (3).
Levamos Firmino a São Luis porque eu tinha providenciado a vinda do doutor Sílvio Lago de Niterói, para hipnotizar os três homens. O doutor Lago, médico e professor de medicina, já vinha usando hipnose em sua profissão havia quase 45 anos. Os três homens concordaram em fazer as sessões porque viviam deprimidos desde o incidente e esperavam que ele pudesse ajudá-los. O doutor Lago passou 16 horas com os homens, seis falando com cada um individualmente e juntos sobre suas vidas e o que aconteceu na Ilha do Caranguejo, e as outras 10 horas em sessões individuais de hipnose. Quando acabou, ele estava convencido de que os homens estavam dizendo a verdade, mas não obteve a menor pista do que tinha acontecido aquela noite. “Eles não conseguiam se lembrar de nada após terem ido dormir aquela noite. Não estou acostumado a ver esse tipo de bloqueio mental. É um caso muito estranho e complicado” , disse o doutor Lago.
Só a emoção não seria suficiente para causar o bloqueio, disse. “Foi alguma coisa física e psíquica, mas nada comum. Uma emoção muito forte poderia causar amnésia, mas não parece ter sido a reação emocional dos homens que provocou esse bloqueio mental. É possível que antes ou durante a experiência, eles tenham passado por algum tipo de hipnose muito profunda, preparando-os para não se lembrar de nada, depois” . Outra coisa que o intrigou foi que Apolinário, que não tinha ferimentos aparentes, tinha o mesmo tipo de bloqueio que os outros dois.
“Uma hipótese é que Apolinário deve ter tido uma emoção forte demais a ponto de provocar o bloqueio. Não imagino o que seja, a menos que ele tenha visto o que aconteceu. O que lhe impôs o bloqueio mental foi muito mais forte que a dor de ver seu irmão morto, porque ele se lembra de tudo antes e depois, mas nada durante, e eu não acredito que haja emoção maior que ver o irmão morto e dois homens feridos. É muito estranho” , informou o hipnólogo. Outra parte do mistério é o fato de que Auleriano foi dormir nos fundos do barco e acordou na frente, enquanto Firmino, que estava dormindo na frente, foi encontrado nos fundos, perto da rede de Auleriano. Nenhum dos homens se lembrava de ter trocado de posição no meio da noite.
Algumas pessoas familiarizadas com o caso acham que um UFO tirou os homens do barco, fez o que quis com eles, e os colocou de volta, errando os locais onde estavam Firmino e Auleriano, invertendo suas posições. O que aconteceu aquela noite a bordo do Maria Rosa foi entre as 20h00, quando eles foram dormir, e a meia-noite, quando pretendiam acordar. Três deles estavam acostumados a acordar com o fluxo da maré, mas ninguém acordou até a manhã seguinte. Isso indica que todos estavam inconscientes antes da meia-noite. O que ou quem causou as queimaduras em Firmino e Auleriano provavelmente também foi responsável pela morte de José. Exatamente quando esses eventos ocorreram não se pode determinar, mas provavelmente foi antes da meia-noite. O corpo de José estava ficando duro e Apolinário teve dificuldade para colocar a perna do irmão de volta na rede. Isso foi entre 5 e 5h30. Normalmente, a rigidez começa três ou 4 horas após a morte e leva cerca de 12 horas para se espalhar pelo corpo inteiro.
Problemas de saúde
Quando entrevistei os três sobreviventes, esperava que o bloqueio mental tivesse esvaecido e que talvez suas memórias começassem a ser reativadas. Mas talvez isso nunca aconteça. Voltei em 1981 e conversei com Auleriano e Apolinário, e novamente em 1992, quando falei com os três. Nenhum deles se lembrava de coisa alguma. Um fato interessante é que os dois que sofreram queimaduras, Firmino e Auleriano, hoje têm ótima saúde, mas Apolinário, que aparentemente não sofreu ferimentos, tem problemas de saúde atualmente. Um ano e meio depois do incidente, ele começou a sentir uma fraqueza no braço esquerdo. Em 1981, o ano em que ele completou 36 anos, não podia segurar nada com a mão esquerda sem derrubar. Em 1992, com 46 anos de idade, ele tinha pouca força na mão e no braço esquerdos, sofria de fortes dores de cabeça e caminhava com dificuldade, com o passo um pouco duro. Ele não sabe por quê. Nunca teve acidentes nem doenças debilitantes. Quando consegue trabalhar, faz carvão.
Firmino, que perdera peso e quase não conseguia fazer nada por vários anos depois do incidente – e às vezes até parecia meio abobado, segundo sua mulher – hoje está robusto e mentalmente ágil, de novo. Consegue fazer trabalhos braçais leves, apesar de ter a mão esquerda torta. Ele e Maria também são os proprietários e administradores de uma pequena mercearia em um dos bairros mais pobres de São Luis.
As cicatrizes de Auleriano praticamente desapareceram. Dois anos depois do incidente, ele começou a ir à Ilha do Caranguejo para pegar madeira de novo, e continuou com esse trabalho até 1991, sem mais nenhum acontecimento inusitado. Mas largou essa ocupação e foi trabalhar como guarda de segurança em uma empresa de construção. Nem Apolinário nem Firmino jamais voltaram à Ilha do Caranguejo.
Outra morte na Ilha do Caranguejo
Esse não é o fim da história da Ilha do Caranguejo. Praticamente a mesma coisa aconteceu nove anos depois com outro grupo de homens, deixando um morto, um queimado e dois misteriosamente afetados. Em 28 de abril de 1986, os quatro homens foram à ilha num barco semelhante, para pegar madeira. Trabalharam dois dias cortando mais de 300 troncos e empilhando-os nas margens do rio, perto do barco. No dia 30 de abril, pararam de trabalhar às 18h00 e um deles, Juvêncio, 22 anos, começou a cozinhar. Veríssimo, 21, disse que não se sentia bem e pediu a Juvêncio alho para esfregar nos braços, pois isso o faria se sentir melhor, mas Juvêncio de repente ficou tonto e caiu no tombadilho, inconsciente. Numa rápida sucessão, os outros dois homens, Anselmo e Lázaro, ambos na casa dos 40, também desmaiaram.
Ninguém sabe o que aconteceu com Veríssimo. Lázaro recobrou a consciência ao meio-dia, no dia seguinte, e encontrou Veríssimo morto, estendido no tombadilho. Não havia marcas nele, mas um pouco de sangue escorria-lhe da boca. Anselmo acordou duas horas mais tarde e Juvêncio voltou a si às 17h00, quase 24 horas depois de ter desmaiado. O lado direito de sua cabeça estava queimado e inchado. Anselmo e Lázaro tentaram colocar a madeira no barco, mas desistiram após terem carregado não mais que uns trinta mastros. Começaram a conduzir o barco de volta a São Luis, mas era difícil porque os três sentiam enjôos e náuseas.
Forte estrondo
A segunda morte na Ilha do Caranguejo também não foi noticiada fora de São Luis. Fui a São Luis cinco meses após o incidente e soube da história por Mônica Carneiro e Ana Teresa Brito, as principais intérpretes em minha investigação do primeiro caso. Elas me ajudaram a encontrar Juvêncio, que me contou o que tinha acontecido. Como no primeiro caso, nenhum dos três sobreviventes sabe o que aconteceu aquela noite, exceto que todos sentiram tontura e desmaiaram. As autoridades portuárias os interrogaram e me disseram que parecia que os homens estavam dizendo a verdade. Os três tinham certeza que o problema não foi intoxicação alimentar. Ainda não tinham comido e estavam se sentindo muito bem até ficarem tontos. As autoridades descartaram a possibilidade de algum tipo de gás venenoso do pântano. Juvêncio disse que ninguém sentiu nenhum cheiro estranho antes da tontura.
Não foi feita autópsia em Veríssimo. Como no primeiro caso, quando o barco chegou ao porto, seu corpo já estava em avançado estado de decomposição. O atestado de óbito de Veríssimo simplesmente menciona a causa de morte como "não determinada". A ligação com um UFO nesse caso também é tênue. Uma coisa estranha aconteceu pouco antes dos homens desmaiarem. Eles ouviram um forte estrondo no mato, em algum lugar perto do barco. No escuro, não puderam ver o que era, e não sabem o que pode ter causado o barulho. Só se pode chegar à ilha de barco ou helicóptero, e os homens não sabiam da presença de outras pessoas lá, com eles. Os partidários das teorias ufológicas podem interpretar o estrondo como uma clara indicação de que um UFO aterrissou, esmagando árvores em seu caminho, enquanto os desmistificadores alegarão que o barulho deve ter sido causado por uma árvore caindo.
Não há como provar quem está certo, mas os homens reconheceriam o som de uma árvore caindo. Quando Mônica, Ana Teresa e eu entrevistamos Juvêncio em sua casa, vários vizinhos se reuniram para ouvir. Um homem no meio da multidão disse que tinha tido um contado com um UFO em um barco semelhante, não longe da Ilha do Caranguejo, numa noite em 1983. Seu barco estava ancorado em um riacho do lado oeste da baía, quando um grande objeto brilhante desceu e pairou sobre ele, projetando uma luz sobre a embarcação. O homem e seus companheiros saltaram para fora do barco e se esconderam no mato até o UFO se afastar. Ele disse que várias pessoas em barcos na área também tiveram contatos com UFOs aquele ano.
Tanto Lázaro quanto Anselmo estavam no interior as duas vezes que estive em São Luis depois do incidente, e nunca conversei com eles. Entretanto, vi Juvêncio novamente em 1992. Ele disse que estava bem de saúde, mas que Anselmo e Lázaro sentiam amortecimento nas pernas, e Lázaro às vezes tinha tontura e dor de cabeça. Os dois casos são notavelmente semelhantes, exceto que nenhum dos homens do primeiro incidente sentiu tontura. É bem possível que não tenha havido a presença de UFO em nenhum dos casos, já que as vítimas não se lembram de ter visto nada estranho e não houve outras testemunhas. Mas se os vilões nesses casos não são os UFOs, então algum fenômeno igualmente estranho foi o responsável. De qualquer forma, tudo faz parte de um estranho mistério que fere e, às vezes, mata as pessoas.
Notas do texto
(1) Auleriano é uma variação de um nome mais comum, Aureliano.
(2) Há uma notável semelhança entre as queimaduras graves e o coma de Firmino e o que aconteceu em um caso pesquisado por Húlvio Brandt Aleixo, no Vale das Velhas (MG). Na localidade de Florestal, uma tarde, uma senhora idosa foi encontrada inconsciente no quintal de sua casa, com uma queimadura em cada braço. Ela foi levada a um hospital, onde conseguiu se recuperar. A queimadura era tão grave que ela precisou de enxertos de pele, e levou três meses para se curar. Ninguém sabe o que causou a queimadura, e ela não tinha idéia do que tinha acontecido. Durante alguns dias, antes desse incidente, moradores da vizinhança tinham visto estranhas bolas de fogo voando pelo céu. Algumas pessoas achavam que havia uma ligação entre o acidente com a mulher e as bolas de fogo.
(3) Vários anos depois, Ana Teresa comentou: “Sabe, aquilo foi perigoso”.
Quem é Bob Pratt?
Bob Pratt é um jornalista norte-americano aposentado que trabalhou como repórter e editor de jornais diários e revistas por 48 anos. É ufólogo desde 1975, quando foi enviado para investigar a aterrissagem de um UFO na região norte dos Estados Unidos. Até aquela época, sempre fora cético, mas em uma semana entrevistou mais de 60 homens e mulheres que tinham tido avistamentos ou contatos imediatos, passando a estudioso do assunto. O testemunho dessas pessoas o convenceu de que os UFOs são reais. Nos seis anos e meio que se seguiram, ele se especializou em pesquisa ufológica para sua revista, a National Enquirer, viajando pelos EUA, Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Japão, México, Peru e Porto Rico. Desde 1975, entrevistou cerca de duas mil pessoas que tiveram experiências ufológicas. Só ao Brasil veio nada menos do que 13 vezes para examinar casos, especialmente no Nordeste.

Pratt ficou profundamente interessado nos casos de contatos com UFOs no Brasil após a Enquirer tê-lo enviado aqui quatro vezes, nas décadas de 70 e 80. Diferente do que tinha observado em outros países, no Brasil os UFOs ferem muitas pessoas e podem até ter matado algumas. Esses incidentes o intrigaram tanto que, após sair da revista, em 1981, voltou imediatamente ao país para continuar suas pesquisas por conta própria. Mais recentemente, em 1999, passou a tentar descobrir por que acontecem tantos contatos no Brasil, em número bem superior ao registrado noutros países. Bob Pratt escreveu numerosos artigos sobre UFOs e foi editor do UFO Journal, órgão oficial da entidade norte-americana 
Mutual UFO Network (MUFON) , a maior do mundo. Em seu o site [ www.bobpratt.org ] há muitas de suas inúmeras histórias. É também co-autor, junto de Philip Imbrogno, da obra Night Siege: The Hudson Valley UFO Sightings [Cerco Noturno: Os Avistamentos de UFOs em Hudson Valley] , do doutor J. Allen Hynek.
Bob Pratt a bordo do pequeno barco na qual os pescadores se encontravam na fatídica noite. [Fotos: Bob Pratt]
Firmino dias após o incidente, no hospital. [Fotos: Bob Pratt]
Firmino, já recuperado, mostrando a cicatriz adquirida na experiência. [Fotos: Bob Pratt]
Apolinário em hipnose regressiva. [Fotos: Bob Pratt]
Laudo do exame de Corpo de Delito de Auleriano [cortesia: Edson Boaventura Junior]
Laudo do exame de Corpo de Delito de Firmono [cortesia: Edson Boaventura Junior]
 

Relatório referente ao caso redigido pelo doutor Silvio Lago [cortesia: Edson Boaventura Junior]
Bob Pratt, investigador inicial do caso
UFO Danger Zone, e sua versão brasileira Perigo Alienígena no Brasil, de autoria de Bob Pratt, onde o caso foi apresentado
 
 - O Início da Onda Chupa-Chupa
O período mais intenso do chamado Fenômeno Chupa-chupa ocorreu entre os últimos meses de 1977 e nos primeiros meses de 1978. Entretanto, os acontecimentos não estiveram restritos à este período em específico. As áreas afetadas pelos acontecimentos ha tempos vinham sendo palco de avistamentos convencionais, quase sempre ocorridos a noite, onde não havia uma aproximação maior entre fenômeno e testemunhas. Foi a partir de 26 de abril de 1977 que os fenômenos passaram a ser mais agressivos ocasionando lesões e efeitos fisiológicos nas pessoas envolvidas. Alguns casos, infelizmente, resultaram na morte de algumas pessoas e pânico generalizado em moradores das áreas afetadas.
Os estados afetados pelo misterioso fenômeno foram: Amazonas e Pará, na região Norte; Maranhão e Piauí, na região Nordeste. Atualmente, de posse de informações tanto originadas no meio civil, a partir de pesquisadores, jornalistas e demais profissionais que estiveram envolvidos com os acontecimentos, como no meio militar, através da Operação Prato, podemos identificar claramente um modo de atuação inteligente por trás do fenômeno. Ele começou nos estados da região Nordeste, evoluindo até os estados da região Norte, através de faixas de atuação.
O primeiro que ganhou ampla repercussão ocorreu na já citada data de 26 de abril de 1977. Nesta data, quatro pescadores seguiram de barco até as proximidades da Ilha dos Caranguejos, no Maranhão, onde passariam a noite, devendo retornar no dia seguinte. Naquela fatídica noite, uma luz intensa posicionou-se sobre o barco. O resultado foi trágico. Um dos pescadores estava morto e outros dois muito feridos e debilitados. Apenas um dos pescadores estava fisicamente bem, mas a muito custo conseguiu trazer o barco novamente a São Luis, de onde partiram. Este caso, que ficou conhecido como o Caso da Ilha dos Caranguejos, foi o primeiro de uma série de estranhos e assustadores eventos que despertaram a atenção das autoridades brasileiras que criaram uma operação especial para investigar estes casos. A Operação Prato, como ficou conhecida, entrevistou centenas de testemunhas e vítimas do fenômeno, documentou os ferimentos nos corpos das pessoas vitimadas e vários dos efeitos resultantes destes fenômenos e teve sucesso em filmar e fotografar as estranhas luzes associadas à estes fenômenos.
Nas semanas e meses após o Caso da Ilha dos Caranguejos, começaram a circular notícias desencontradas sobre estranhas luzes que apareciam em lugares ermos, paralisavam as testemunhas e de algum modo extraíam sangue. Devido à precariedade das comunicações e do acesso à estes lugarejos, estas notícias passaram desapercebidas do resto do país, isolando comunidades inteiras em noites de terror onde nem mesmo sua casa parecia ser segura.
O foco principal das aparições foi na região do Rio Gurupi, na divisa com o Estado do Pará. Cidades como São Vicente Ferrer, São Bento, Pinheiro e Bequimão concentraram a maior parte dos casos. Não demorou muito e alguns casos começaram a ocorrer também no lado Paraense, próximo à divisa com o Maranhão. Vários casos foram documentados em Vizeu, São José do Pintá, Augusto Correa, Bragança e Capanema.
Devido à gravidade dos relatos e a pânico que vinha surgindo nestas comunidades, a imprensa Maranhense e Paraense começaram a divulgar com mais ênfase as ocorrências. Entre os meses de junho, julho e agosto, foram publicadas em jornais impressos diversas sobre o fenômeno nas localidades afetadas. O Jornal O Estado do Maranhão, de 20 de julho de 1977, descreve:
"O aparecimento nos céus de Pinheiro de um objeto voador não identificado está causando suspense e pânico entre a população e estimulando imaginações que chegam até o ponto de haver quem afirme que o aparelho não identificado chega a aproximar-se das pessoas para estonteá-las com um jato de luz e retirar-lhes o sangue. Está definitivamente confirmada a presença nos céus da Baixada de um estranho objeto, e a população de São Luis vai ter oportunidade de se certificar disso quando ver o filme realizado aqui pelo cinegrafista da TV Difusora. O UFO que tem sido visto por milhares de pessoas desta região e mais insistentemente no espaço entre Pinheiro e São Bento, tem forma estranha semelhante à um Y e tem uma chama na parte inferior. O ambiente na região é de generalizado temor e as pessoas não ousam sair de noite face aos rumores de que, ao aproximar-se da terra, o UFO emite um jato luminoso de grande calor que queima a pele das pessoas".
Diante disso, o prefeito de Pinheiro na época, Maneco Paiva, enviou um ofício ao Comando da Aeronáutica em São Luis solicitando providências para evitar pânico generalizado na cidade. Os jornais divulgaram a notícia e informaram que o Comando enviou uma nota à Base Aérea de Belém que repassou ao Ministério da Aeronáutica. Mais ou menos nessa época teve início a segunda fase do Fenômeno Chupa-chupa, que concentrou-se ao norte do Pará, na região da Baía do Sol, atingindo as cidades de Vigia, Colares, Santo Antônio do Tauá e até mesmo nas cercanias da capital do estado, Belém.
A situação nestas regiões atingiu níveis ainda mais alarmantes. Com o surgimento dos casos na região e seu posterior aumento, os moradores mudaram seus hábitos, evitando sair da casa à noite para trabalhar. Em alguns casos reunindo-se em grandes grupos e fazendo fogueiras à noite para espantar o misterioso fenômeno. Como nada disso adiantou muitas pessoas decidiram deixar o local, abandonando tudo o que possuíam. Tal quadro de histeria levou o prefeito de Vigia a encaminhar um ofício ao 1º Comando Aéreo Regional, em Belém, onde relatou os acontecimentos e solicitou providencias. A resposta da Aeronáutica foi uma operação militar conhecida comoOperação Prato.

 - A Fase Gurupi
Daniel Rebisso Giese, um dos mais destacados pesquisadores do Chupa-chupa e ex-presidente do CIPEX, dividiu o fenômeno em duas fases: a Fase Inicial, também conhecida como Fase Gurupi, e a Segunda Fase, ocorrida na Baía do Sol, no Pará.
Na Fase Gurupi, o foco principal das aparições foi na região do Rio Gurupi, na divisa com o Estado do Pará. Cidades como São Vicente Ferrer, São Bento, Pinheiro e Bequimão concentraram a maior parte dos casos. A região da cidade de Pinheiro foi a mais afetada e praticamente toda a comunidade local foi testemunha dos estranhos acontecimentos entre abril e julho de 1977. Os fenômenos aconteciam, na maioria das vezes, após anoitecer, quando trabalhadores voltavam para casa depois de um dia de trabalho. Os relatos eram mais ou menos semelhantes. Um objeto intensamente iluminado que surgia repentinamente sobre as estradas ermas da região, assustando as testemunhas. Em geral era descrito como uma bola de fogo, silenciosa ou emitindo pequenos ruídos, que aproximava-se das testemunhas que posteriormente apresentavam sensibilidade visual, febres, calafrios, tonturas e em alguns casos queimaduras localizadas.
Uma característica comum em todos os relatos era a espantosa velocidade apresentada pelos objetos. Em um instante eram apenas um ponto de luz que confundia-se com as estrelas e poucos segundos depois eram objetos muito próximos, ou mesmo acima da cabeça das testemunhas, iluminando o local.
Os pescadores locais foram os que mais sentiram o impacto do fenômeno. Antes de maio de 1977 eles voltavam do trabalho tarde da noite. A grande maioria deles passou por algum tipo de experiência, em geral assustadora. Muitos deles foram atingidos foram aparentemente atacados por estes objetos que lhes deixaram com sérias queimaduras. Com a intensidade dos casos a população evitou sair à noite, mesmo para ir até o portão da própria casa.
Inácio Rodrigues era pescador de Pinheiro e foi uma das primeiras testemunhas do fenômeno na região. Ele e seu amigo Genésio Silva pescava, por volta da 1:00 hs da manhã quando foram protagonistas de uma interessante experiência:
"Estava pescando com meu amigo Genésio Silva uma noite, em abril. Por volta das 01:00 hs, vimos um pequeno fogo no céu, ao norte. Era muito pequeno. Fiquei um pouco preocupado e pedi a Genésio que apagasse o charuto que ele estava fumando. De repente, o fogo foi ficando cada vez maior e dava pra ver que estava girando. Pulamos para fora do barco, na água e tentamos encontrar algum esconderijo. O fogo ficava cada vez maior e mais próximo. Nós nos escondemos debaixo de uns arbustos grandes para que não nos visse.
O objeto parou a cerca de uns 100 metros de nós e ficou lá até umas cinco da manhã. Ficamos escondidos o tempo todo porque tínhamos medo de sair. A luz era azulada, mas quando apareceu pela primeira vez, era uma pequena bola vermelha. Era bonita, mas brilhava tanto que eu não podia olhar muito pra ela. Pouco antes do amanhecer, ela desapareceu, do jeito como alguém apaga uma luz. E onde ela estava, dava pra ver um tipo de sombra, da forma de uma geladeira. Quando o Sol surgiu, a forma escura desapareceu também. Tive disenteria e fiquei enjoado aquele dia inteiro".
Luz e Calor
Um detalhe curioso, percebido pela população local, é o aparente interesse do chamado "fogo" em focos de luz, independente do tamanho. Lanternas, faroletes, fogueiras, brasas, ou mesmo um cigarro aceso, atraíam a atenção destes objetos. Em uma ocasião, 26 pessoas trabalhavam em uma fazenda construindo cercas. Devido à urgência do proprietário, os trabalhos prosseguiram noite adentro. Um dos trabalhadores foi pescar para que todos pudessem jantar. Durante a pescaria um objeto muito luminoso, de tons azulados, surgiu sobre o rapaz. Assustado largou tudo e correu em direção ao acampamento para alertar seus companheiros. Todos então puderam observar o estranho objeto se aproximando e iluminando tudo, num raio de aproximadamente 1 quilômetro, assustando vacas e cavalos que ali estavam. No dia seguinte, os trabalhadores mudaram o acampamento pois tinham medo de passar a noite naquele local. Próximo à este local eles montaram um espantalho e colocaram um lampião com querosene no topo e se esconderam. Mais tarde, naquela mesma noite, o objeto reapareceu e aproximou-se do espantalho. O objeto ficou ali parado por aproximadamente 45 minutos iluminando tudo em volta. Os trabalhadores, com medo ficaram escondidos até que o objeto fosse embora. Quando ele partiu vários trabalhadores seguiram para casa.
Outro caso dramático ocorreu na região de São Bento, a sudeste de Pinheiro. O protagonista do caso, João Barros, tinha 41 anos na época e era pescador. Ele estava em um rio da região, por volta de 1:00 hs da manhã, em companhia de dois amigos, quando um objeto intensamente iluminado surgiu sobre o barco. Era de coloração avermelhada no centro e azul esverdeada nas laterais. O objeto passou próximo ao barco, às costas de João Barros. Este ficou sentindo suas costas ardendo intensamente por aproximadamente 3 dias, após o contato. Em outra localidade, chamada de Mata do Olimpio, Antonio Olimpio passou por uma experiência semelhante, quando saiu de sua casa, à noite, para ir até o banheiro, que ficava afastado da casa. Ele atravessou o quintal e entrou no banheiro. Foi então que um objeto avermelhado surgiu sobre sua cabeça assustando-o. Ele correu de volta para casa gritando à sua esposa. Quando chegou à porta da cozinha caiu e sua esposa puxou-o para dentro. Antonio estava sentindo suas costas, braços e pernas muito quentes, além de tontura. Durante o resto da noite sua esposa precisou fazer compressas de água fria para aliviar a ardência nos locais afetados. Nos oito dias que se seguiram sentiu suas costas, braços e pernas amortecidos.
Prefeito pede socorro
Devido à constante aparição destes objetos, o prefeito de Pinheiro na época, Manoel Paiva (Maneco Paiva), enviou um ofício à Aeronáutica informando as ocorrências e pedindo providências. Ele não recebeu nenhuma resposta formal das autoridades. Aparentemente os únicos interessados eram alguns repórteres do Maranhão que deram atenção aos eventos.
Um dos repórteres que esteve em Pinheiro foi Cinaldo Oliveira, que esteve na cidade por aproximadamente duas semanas cobrindo os acontecimentos. Na época ele trabalhava para uma estação de TV de São Luis.
"Cerca de 90% das pessoas com quem conversamos tinham visto UFOs. Muitos pescadores chegaram a ser queimados. Certa noite, filmamos uma coisa estranha passando no céu, num movimento ondulado. Parecia um satélite, mas variava muito em forma e tamanho. Foi aumentando e, de repente, desapareceu.
Essa coisa que filmamos voava num movimento que parecia triangular. Vinha da Ilha do Caranguejo, na Baía de São Marcos, e seguia até Anajatuba, depois para São Bento e Pinheiro. Parecia uma estrela, mas enquanto aumentava de tamanho, mudava de cor, para amarelo, azul e vermelho.
Manoel Paiva, prefeito de Pinheiro na época dos caso de Chupa-chupa no Maranhão
No dia seguinte, a uns 3 Km de onde tínhamos estado, conversamos com um homem com queimaduras nas costas. Ele nos disse que fora na noite anterior, quando a luz apagou e acendeu novamente, bem acima dele, que ele tinha sofrido as queimaduras. Não sei quantos pescadores se queimaram, mas entrevistamos uns 10. Não eram queimaduras sérias, mas os homens tinham tanto medo que não queriam mais sair para trabalhar. Conversamos com umas pessoas numa fazenda que tem um edifício onde todos os trabalhadores moram e dormem. Esse sujeito, em questão, correu o máximo que pode até o prédio, e a luz ficou voando em volta da construção por uns 20 minutos".
Casos também no Ceará
No estado do Ceará também houveram alguns casos agressivos registrados. Talvez o mais conhecido, ocorrido naquele período, foi o de Alfredo Marques Soares, que na época trabalhava em uma fazenda em Cardeiros, Ceará. Ele foi atacado por um OVNI em julho de 1977. Já era noite quando Alfredo se dirigiu, a pé, para a casa de um amigo. De repente, algo o atingiu na parte de trás da perna esquerda. Ao olhar para trás para ver o que estava acontecendo observou um grande objeto luminoso, branco amarelado. Alfredo sentia como se o estranho objeto tentasse sugá-lo. Com muito medo a testemunha agarrou-se à uma cerca de madeira. Ele não conseguia mexer a perna direita que doía muito. Ele sentia calor e frio sendo emitidos a partir do objeto que era intensamente iluminado, chegando a cegá-lo momentaneamente. Em dado momento o objeto aparentemente soltou-o. Alfredo aproveitou para correr para debaixo de um cajueiro situado nas proximidades. A testemunha viu o objeto elevando-se e afastando-se do local. Com dificuldade voltou para sua casa onde pediu à sua filha que verificasse a parte de trás de sua perna. Ela apresentava-se preta-azulada, com aspecto de queimado. No dia seguinte, Alfredo apresentava-se traumatizado, chorando muito e tremendo. Quando se acalmou foi procurar tratamento médico. O local atingido em sua perna apresentou-se cheia de bolhas e infeccionada. Além disso, o protagonista urinou intensamente durante dois dias, apresentou dor de estomago, diarréia e dores nas costas e por todo o lado esquerdo do corpo. Por três meses teve muita dificuldade para andar, precisando usar muletas durante este tempo.
Embora pouco comentado nos meios ufológicos, existem alguns casos de abdução em meio à onda chupa-chupa. Em Pinheiro, em 10 de julho de 1977, José Benedito Bogea saiu de casa por volta de 1:00 hs da manhã para embarcar em um ônibus. Ele portava uma lanterna para iluminar seu caminho até o local onde esperaria o ônibus. Sua fantástica experiência começou antes de chegar lá. No meio do caminho surgiu repentinamente, um objeto luminoso, azul-esverdeado, que apareceu sobre ele acompanhando-o por 200 metros. Após isso, o objeto posicionou-se sobre um arbusto de onde emitiu um feixe de luz em José Benedito que desmaiou. Quando ele acordou, descobriu que estava em um ambiente estranho onde haviam pequenos seres com os quais esteve por algumas horas amistosamente. Em dado momento estes seres o levam para um objeto, e ele perde novamente a consciência só acordando pela manhã, por volta das 8:30 hs. Ele estava próximo ao Porto de Itaqui, em São Luis. Poucas horas depois ele começou a sentir uma dor terrível no lado direito do corpo. Ele retornou à Pinheiro com muita dificuldade. Nos meses seguintes ainda sentia-se muito mal e se deslocava com dificuldade precisando usar uma bengala. Um detalhe curioso desta experiência é que antes do contato, Bogea sentia dores de cabeça decorrentes de uma cirurgia que havia realizado 13 anos antes. Em função desta cirurgia ele ficou com problema auditivos e com a visão prejudicada. Quando desmaiou após ver o objeto pela primeira vez, Bogea perdeu seus óculos e nem se deu conta disso quando acordou em São Luis, no dia seguinte. Ele só percebeu mais tarde quando retornou à Pinheiro. Sua vista estava absolutamente normal e ele não teve mais problemas em função disso. Sua audição melhorou um pouco. Antes sua surdez era total, e após o contato Bogea consegue ouvir o telefone, sons da televisão e latido dos cachorros.
Outros casos de abdução ocorreram em outras regiões, tanto durante a Fase Gurupi quanto na Fase Final do Fenômeno Chupa-chupa. Não existe um estudo detalhado sobre o que aconteceu ao longo da abdução destas pessoas, de modo que não se pode determinar plenamente qual a relação entre os casos de avistamento e estas abduções.

 - A Fase da Baía do Sol
Com a evolução do Fenômeno, as coisas tornaram-se mais calmas no Maranhão e o foco das ocorrências passou a ser o Norte do Pará. A chamada Fase Gurupi encerrava-se ao final de julho de 1977 com a diminuição dos casos na região da Baixada Maranhense onde os casos eram quase diários. Do outro lado do rio, em território paraense os casos, que já vinham ocorrendo ha algum tempo, aumentaram repetindo a situação de medo e assombro verificado anteriormente no Maranhão. A diferença agora é que os casos tornaram-se ainda mais impressionantes obrigando a Força Aérea Brasileira a intervir.
Os casos se concentraram em uma área de 300 quilômetros de largura, envolvendo 30 pequenos municípios que foram diretamente afetadas pelo Fenômeno. As cidades com maior destaque dentro desta fase foram: Colares, Vigia de Nazaré, Santo Antônio do Tauá Vizeu, São José do Pintá, Augusto Correa, Bragança, Santo Antonio do Umbituba, Capanema e a capital do estado, Belém, onde houveram alguns casos esporádicos. O numero total de vítimas  do chupa-chupa na região é incerto.
Vigia de Nazaré
Uma das cidades mais atingidas foi Vigia de Nazaré, situada na região do Salgado, a nordeste de Belém. No começo da onda de casos do chupa-chupa, varias pessoas foram atacadas. Os relatos são idênticos aos verificados na região do Gurupi. Pessoas avistavam uma estranha luz ao longe que segundos depois estava muito próximo. Em seguida sentiam-se paralisadas por uma luz emitida pelos chamados "aparelhos". Nesse momento, em que sentiam-se fracas e com fortes dores, um fino feixe de luz era emitido pelo objeto em direção às vitimas. Este feixe produzia uma ferida por onde supostamente era extraído sangue. Com o aumento dos casos na região a população começou a ficar com muito medo, evitando sair a noite. Como os casos continuaram ocorrendo surgiu um princípio de pânico e histeria coletiva. Alguns religiosos acreditavam em um fim do mundo próximo e procissões foram realizadas na tentativa de obter algum conforto espiritual. Como nada disso resolveu as pessoas começaram a se reunir em grandes grupos de pessoas em pequenos locais, considerados protegidos, onde passavam a noite rezando. A situação chegou a tal ponto que todos os moradores do município se reuniam em três casas da comunidade para efetuar as orações. Não tardou para que algumas pessoas abandonassem tudo o que tinham e mudaram-se da região. Tal situação levou o prefeito de Vigia na época, José Ildone Favacho Soeiro a enviar ofício à Aeronáutica relatando os fatos e pedindo providências.
"O povo vivia apavorado porque esse feixe de luz noturno tinha já agredido várias pessoas. A comunidade toda se amontoava em três casas apenas. Ficavam rezando, as vezes cantavam algumas canções religiosas. As pessoas em pânico... A unidade de saúde de Colares virou quase que um pátio dos milagres".
José Ildone Favacho Soeiro, Prefeito de Vigia de Nazaré, em 1977
Colares é outra localidade que foi muito afetada pelo estranho fenômeno. O município possuía uma unidade de saúde e acabou por receber várias vítimas de localidades vizinhas. Devido à estes dois fatores, a situação no município foi ainda mais crítica. Além do pânico generalizado que tomou conta da região e do êxodo provocado pelos acontecimentos, houve falta de produtos de primeira necessidade que vinham de fora do município. Alimentos, remédios, produtos de higiene e limpeza acabaram rapidamente. Este foi outro motivo que levou a intervenção da Força Aérea Brasileira na região, através da Operação Prato.
Os casos ocorriam à noite, quase sempre em ambientes ermos, geralmente afetando comunidades ribeirinhas isoladas ou pescadores. Embora os casos estivessem delimitados por horários específicos, toda a rotina diária daquelas regiões afetadas, foi alterado. Escolas começaram a ficar cada vez mais vazias e alguns trabalhadores se recusavam a trabalhar em determinados horários em função do medo de ser uma nova vitima do fenômeno.
Dentro desta fase ocorreram alguns casos impressionantes, alguns deles terminando de forma trágica, com a morte da testemunha. Os casos começaram em meados de julho, de forma esporádica, aumentando nos meses seguintes. Em setembro, os casos tornaram-se ainda mais agressivos e várias vítimas do chupa-chupa foram atendidos na Unidade de Saúde de Colares, pela médica Wellaide Cescim de Carvalho. Duas pessoas atendidas pela Doutora vieram a falecer logo depois. Uma delas era uma senhora, de 45 anos, que foi atacada, em setembro, e logo levada para a Unidade de saúde. Devido à gravidade do quadro apresentado pela vítima ela foi encaminhada para Belém onde veio a falecer oito horas depois. Outra vítima fatal foi um pescador, atacado em outubro que apresentava as mesmas estranhas queimaduras no peito. A doutora Wellaide chegou a atender e conversar com o pescador, que após o atendimento voltou para casa onde faleceu horas depois.
A doutora Wellaide acompanhou de perto dezenas de outros casos semelhantes, em que felizmente as vitimas se recuperaram. Existem muitos outros casos que não chegaram ao seu conhecimento ou foram atendidos em outros locais. Qualquer pesquisador com disposição que for até os locais atingidos com certeza vai encontrar inúmeros outros casos.
Daniel Rebisso Giese, um dos principais investigadores da onda chupa-chupa, descobriu outro caso trágico em um pequeno vilarejo no centro da Ilha de Mosqueiro, num lugar chamado Tapiapanema. A vila é composta de algumas poucas casas e seus moradores viviam da pesca e da agricultura. Neste local, Silvia Maria Trindade, 17 anos na época, estava grávida de cinco meses. Por volta das 18 hrs de 29 de outubro de 1977, ela e seu marido estavam deitados, descansando em sua casa. A noite já começava quando Silvia acordou e viu um objeto luminoso no céu. Deste objeto saiu um feixe de luz que atingiu seu braço. Assustada gritou, acordando seu marido e todos os vizinhos que saíram a tempo de ver o objeto no céu. Um deles disparou contra o objeto que logo em seguida desapareceu. Silvia desmaiou. Ao recobrar os sentidos estava muito nervosa e agitada. Seu marido Benedito resolveu levá-la à um hospital em Mosqueiro. O percurso é feito de barco, remando por aproximadamente 1 hora através de um rio. Durante este percurso, o OVNI surgiu novamente.
"Estávamos no barco e o OVNI passou por cima do rio várias vezes. Ele nos seguiu e disparou uma luz no rio por uns 10 ou 15 metros. Não fazia nenhum barulho e não jogou o raio em nós, só no rio. Estava a uns 80 metros de distância. Aí o OVNI voou sobre a mata e desapareceu".
Em decorrência do contato, Silvia ficou com um hematoma no cotovelo esquerdo. Ela permaneceu internada por dois meses e acabou perdendo o bebê que esperava. Silvia ficou muito abalada com o acontecimento. Mais tarde seu casamento acabou e hoje ela vive só. No dia em que o objeto apareceu em Tapiapanema, a cadela Vitória, de propriedade de um dos vizinhos de Silvia, latia intensamente para o objeto. Em resposta, do objeto surgiu um facho de luz que atingiu a cadela que parou de latir. Nos dias seguintes ela começou a definhar morrendo 4 semanas depois.
A maioria dos casos envolveram apenas observação de objetos luminosos, que paralisavam testemunhas e emitam feixes luminosos produzindo queimaduras. Entretanto houveram casos de observação de tripulantes destes objetos. Um dos casos mais conhecidos envolveu a senhora Claudomira Paixão, que na noite de 18 de outubro de 1977, acordou com uma intensa luminosidade sobre a casa, na Baía do Sol.
"A luz primeiramente era verde, tocou minha cabeça e atravessou a minha face. Despertei totalmente e a luz tornou-se vermelha. Pude ver uma criatura, como um homem, usando um macacão tal como os de mergulho. Tinha um instrumento como uma pistola. Apontou-o para mim e o objeto brilhou por três vezes acertando-me o peito durante as três ocasiões, quase no mesmo lugar. Estava quente, feria-me, parecia que me espetavam agulhas em todos os três pontos. Penso que me extraíram sangue. Eu estava apavorada, não podia mexer as minhas pernas. Estava aterrorizada".
Após o contato, Claudomira apresentava dor de cabeça e moleza no corpo e fraqueza que perdurou por alguns dias. Ela  foi até a Unidade de Saúde de Colares, onde foi atendida pela doutora Wellaide e posteriormente encaminhada para Belém, onde fez exames complementares no Instituto Médico Legal Renato Chaves.
Claudomira também apresentou queimaduras no peito, no local onde foi atingida pelo feixe de luz. Eram três pequenas marcas circulares, em forma de perfuração em triangulo acima do seio.
"Era quente e doía. Era como uma espetada de agulha. Os três pontos sangravam. No momento que isso aconteceu, fiquei com muita sede. Estava apavorada, mas não podia mexer minhas pernas. Fiquei paralisada. De medo, eu gritei e gritei. Minha prima, Maria Isaete, estava dormindo na mesma sala. Ela acordou e viu a luz, e começou a gritar também".
Claudomira Paixão, em 1981
Outro caso, desta vez com data incerta, envolveu três pescadores que encontravam-se no rio Guajará, perto de Belém. Dois estavam em um barco e um adentrou a floresta onde preparou uma armadilha para capturar pequenos animais. Ao anoitecer ele avistou um objeto luminoso que posicionou-se sobre a arvore. O pescador, chamado Luis, escondeu-se e ficou observando o que aconteceria. No objeto abriu-se uma portinhola por onde saiu um pequeno ser através de um raio de luz. Após alguns segundos o estranho retornou para o objeto através do raio de luz. O pescador, assustado resolveu correr para junto de seus amigos no barco. O objeto colocou-se em seu encalço. Ao chegar onde seus amigos deveriam estar não os encontrou. Gritou por eles e descobriu que eles estavam ali perto. Com os gritos, seus amigos voltaram e encontraram Luis assustado que descreveu o estranho encontro. Logo todos avistaram o estranho objeto que se aproximava iluminando toda a região. Desesperados pularam na água e se esconderam entre algumas plantas aquáticas presentes no local. O objeto posicionou-se sobre o barco e novamente abriu-se a portinhola por onde saiu o pequeno ser. Ele tinha aproximadamente 1,50m de altura e usava um tipo de vestimenta escura. Através de uma cúpula puderam observar a presença de outro tripulante que permaneceu dentro do objeto. Estes dois casos não foram os únicos envolvendo pequenos seres na região. Houveram vários outros casos semelhantes.

 - Operação Prato

 
Introdução
Durante a 1º Fase do Fenômeno, a Gurupi, não houve um maior interesse ou preocupação por parte das autoridades nacionais em relação aos casos de Chupa-chupa. Em um documento oficial da Força Aérea Brasileira, recentemente liberado temos logo no início uma explicação sobre a demora em tomar providencias a respeito destes fatos:
"No litoral paraense vive uma população subnutrida, de reduzido grau de instrução, e sobretudo mística. As estórias que se contam, de fatos que se passam no meio dessa gente, seriam dignas de figurar em qualquer folclore. Em razão disso, não foi dada maior atenção ao fato".
Foi somente com a Segunda Fase, com ocorrências mais intensas, maior pânico da população local, entre outros problemas, é que a Força Aérea Brasileira resolveu agir de fato. O ofício enviado pelo prefeito de Vigia de Nazaré, ao 1º Comando Aéreo Regional (I COMAR), e solicitações semelhantes de outras cidades foram o estopim para o surgimento de uma operação especial que tinha como missão descobrir a natureza destes casos, acalmar e instruir a população local em relação aos fatos. Ela foi criada pelo Brigadeiro Protázio Lopes de Oliveira, na época comandante do destacamento, no começo do mês de setembro de 1977. Para compor a operação foram destacados oficiais do Serviço de Inteligência  (a chamada Segunda Seção).
A primeira tarefa dos militares seria avaliar a situação para elaborar um relatório completo sobre o que estava ocorrendo. Deveriam manter sigilo sobre a Operação e aprofundar ao máximo as investigações.
Poucos dias depois a equipe chegou a Colares e apresentou-se ao Prefeito local, ao padre Alfredo de Lá O, e à Diretora da Unidade de Saúde, Dra Wellaide.
Sem saber o que encontrar durante a investigação, os militares montaram uma base de operações na Praia do Humaitá, na esperança de registrar o aparecimento do fenômeno. A equipe montou baterias antiaéreas em pontos estratégicos e ficou à espera. Durante o dia aproveitava o tempo para entrevistar vítimas e testemunhas e visitar locais onde os casos.
Logo no início eles se dividiram em duas equipes que se posicionaram em locais com mais casos registrados. Já nas primeiras noites de vigília, uma equipe conseguiu fotografar um objeto luminoso que evoluía sobre a região. Eles puderam calcular a altitude em torno de 3 mil metros e a velocidade em torno de 30 mil Km/h. Este objeto era bem diferente de satélites e meteoritos que também foram observados na ocasião. A outra equipe, situada em outro local também avistou o objeto. Tudo o que acontecia era anotado em relatórios rigorosos, indicando data, horário, local, nomes de testemunhas e descrição dos fatos. Quando haviam registros fotográficos era geralmente anotado nome do autor da fotografia e descrição do equipamento utilizado, bem como as condições no momento do registro. Estas experiências iniciais foram consideradas inconclusivas pelos militares. Os dados obtidos não foram significativos e a foto, depois de revelada, não permitiu confirmar os relatos dos moradores locais. Eles logo retornaram à Belém, para a sede do I COMAR, e evitaram comentar suas experiências por lá, com medo de cair no ridículo perante seus colegas. Tudo isso foi registrado em seus relatórios iniciais, que contavam também com depoimentos da Dra. Wellaide Cescin de Carvalho e do padre de Colares, Alfredo de La Ó.
Os militares tiveram muito trabalho durante sua permanência na região. Seja entrevistando vitimas e testemunhas, seja com atividades de orientação à população local através de palestras informativas ou através de vigílias ou deslocamentos à áreas onde os casos ocorreram. Através dos relatórios oficiais podemos ter uma clara noção da intensa atividade em que os militares da Operação Prato estiveram envolvidos. No período entre 20 e 31 de outubro de 1977, período inicial da Operação, ainda sem a chefia do então Capitão Hollanda, os caso de avistamento eram raros. A maioria das atividades concentraram-se em documentar o fenômeno e seus efeitos sobre a população.
Em 20 de outubro, a Equipe de militares, saiu de Belém, por volta das 14:00 horas e dirigiu-se para Santo Antonio do Tauá, onde coletaram depoimentos de vítimas do fenômeno. Dali seguiram para as proximidades do quilômetro 12 da Rodovia Belém - Vigia, onde coletaram novos depoimentos, seguindo ainda no mesmo dia para a vila de Espírito Santo do Tauá onde três militares estavam em vigília no local. Por volta das 22:30 o grupo retornou à Santo Antônio do Tauá onde manteve vigília por mais algum tempo.
O dia 21 de outubro transcorreu sem normalidades. Na parte da manhã, a equipe voltou à Rodovia Belém-Vigia para entrevistar testemunhas do fenômeno que moravam na região. Após isso retornaram para Belém, reportando ao Chefe do A2, que ordenou que seguissem na mesma noite para Santo Antonio do Ubintuba onde realizaram vigília por algumas horas.
No dia seguinte, 22 de outubro, pela manhã, seguiram para a localidade de Trombetas onde coletaram depoimentos de vitimas e testemunhas do fenômeno. Após isso seguiram para Vila Nova do Ubintuba onde entrevistaram moradores que também haviam sido vitimas do Chupa-chupa. Neste mesmo dia, por volta das 19 horas a equipe testemunhou a evolução de várias luzes com diferentes trajetórias sobrevoando a direção. Estes avistamentos não foram muito significativos e não foram fotografados pela equipe. Por volta das 20 horas ocorreu novo avistamento, desta vez de um objeto luminoso, voando num altitude mais baixa, em aproximadamente 1200 metros a uma velocidade variável. O resto da noite foi sem qualquer anormalidade e a equipe retornou à Belém no dia seguinte pela manhã, reportando ao Chefe da 2ª Seção EM-1.
No dia seguinte, 24 de outubro, a equipe retornou à Santo Antônio do Tauá e entrevistou moradores da Colônia São Brás. À noite, os militares seguiram para Colares, chegando por volta de 20:15 horas. Depois de contatar autoridades do município eles coletaram depoimentos de várias pessoas que foram vítimas do fenômeno. Após conversar com os moradores, eles realizaram uma vigília, observando, pouco depois das 4 horas da manhã de 25 de outubro, três luzes deslocando-se em pontos diferentes do firmamento. Ao longo daquele dia não houve nada significativo.
No dia seguinte, 26 de outubro, os militares transportaram médicos até a cidade de Santo Antônio do Ubintuba, afim de tratar vítimas do fenômeno. Após retornar à Colares a equipe colocou-se de vigília. Moradores de áreas afastadas começaram a relatar a presença de luzes sobrevoando as árvores e pouco depois, por volta das 22:15 hs uma senhora, Neuza Pereira Aragão, foi atendida pela equipe médica. As luzes continuaram sendo observadas até por volta da meia noite, quando outra senhora, Maria Beatriz Leal Ferreira, foi atendida pelos médicos. Por volta das 4 horas da manhã ocorreu novo avistamento nas proximidades de Colares e após isso nada mais foi observado na região.
Após uma pausa nas atividades, a equipe voltou à Colares no dia 29 de outubro. A noite foram observados alguns satélites, e um OVNI luminoso foi observado por alguns moradores na região de Colares. No dia seguinte, novamente alguns moradores observaram um objeto luminoso em uma praia próxima.
Durante as atividades dos militares em Colares formou-se um vinculo com a população local. A presença dos militares trouxe um alento aos moradores das áreas afetadas. Em várias ocasiões os militares apresentaram palestras sobre temas relacionados à exploração espacial. Paralelamente à isso, os militares instruíam os moradores a não atirar contra tais objetos pois eles não estariam ali para fazer mal. Uma destas apresentações ocorreu na noite de 30 de outubro. Aquela noite foi relativamente calma, não havendo registros de ataques na localidade. No começo da noite do dia 31 ocorreram novos avistamentos na orla marítima. Mais tarde, pescadores relataram aos militares, terem observado um estranho objeto no mar.
Nessa fase inicial da Operação, os casos de avistamento por parte dos militares eram em geral envolvendo luzes à distância que não podiam ser explicadas a partir de fenômenos naturais, aeronaves convencionais, satélites ou corpos celestes. Geralmente quando ocorriam estes eventos, no relatório era citada sua provável origem. Quando o fenômeno observado era de fato não identificado, era descrito minuciosamente no relatório que era acompanhado de um croqui feito sobre mapa da região, indicando trajetória e outros detalhes importantes. Alguns destes croquis já estão disponíveis publicamente nos documentos já disponibilizados ao público.
    
Algumas Páginas dos relatórios da Operação Prato
A partir de Novembro, os casos testemunhados pelos militares aumentaram em quantidade e na qualidade da experiência. Nesta fase, já sob chefia do então Capitão Uyrangê Hollanda, ocorreram os mais impressionantes casos envolvendo os militares da Operação Prato.
O primeiro avistamento significativo do capitão Hollanda ocorreu em princípios de novembro de 1977. A equipe estava investigando ocorrências na Baía do Sol, onde montaram um acampamento temporário. Até esse momento, Hollanda era cético em relação aos fatos envolvendo o chupa-chupa. À noite uma luz intensa surgiu, vindo do norte, posicionou-se sobre o acampamento, circundou-o e desapareceu no horizonte. A partir deste evento, Hollanda reconheceu que algo muito sério estava ocorrendo na região. Todavia, este não foi o avistamento mais impressionante.
Pouco tempo depois dos eventos na Baía do Sol, um rapaz armou uma armadilha para caçar uma paca às margens do Rio Jari. Ele armou um acampamento encima de uma arvore e ficou à espera. Durante a noite, surgiu um objeto intensamente iluminado que posicionou-se acima do acampamento. Do objeto abriu-se uma escotilha e por ela saiu um estranho ser que, através de um facho de luz, desceu flutuando, de braços aberto. Assustado o rapaz deixou a rede onde estava deitado e se escondeu no mato. O estranho ser dirigiu-se até a rede onde o caçador estivera, e com um feixe de luz que saía da palma de sua mão iluminou o local, examinando a rede. Repentinamente o estranho ser dirigiu-se diretamente para onde o rapaz estava escondido. Assustado o rapaz fugiu correndo para o barco ancorado no rio, onde haviam dois colegas. Eles se esconderam e observaram o objeto se aproximar do barco, posicionando-se sobre ele. Do objeto saiu o mesmo ser que começou a examinar o que havia a bordo. Os três amigos assustados, permaneceram escondidos em meio à plantas aquáticas até que o objeto foi embora. No dia seguinte, o caso chegou ao conhecimento do Capitão Hollanda que foi com uma equipe até o local.
Durante a vigília naquela noite eles observaram um grande objeto, com forma semelhante à de uma bola de futebol americano, que bailou a frente do grupo por algum tempo. Todo o episódio foi fotografado e documentado pelos militares, sendo que tal material até o momento não foi liberado.
Encerramento
A Operação, embora estivesse atingindo os objetivos e até mesmo interagindo com o Fenômeno Chupa-chupa, foi abruptamente encerrada depois de quatro meses de atividades. O material resultante da Operação foi inicialmente guardada no 1º COMAR e depois transferida para Brasília onde possivelmente está até hoje. 

 - O Coronel Hollanda


Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima. Este é o nome do primeiro oficial de nossas Forças Armadas a vir a público falar sobre impressionantes atividades de pesquisas ufológicas desenvolvidas secretamente no Brasil. Conhecido por todos como Hollanda, o coronel reformado da Aeronáutica, ainda quando era capitão, comandou a famosa e polêmica Operação Prato, realizada na Amazônia entre setembro e dezembro de 1977. Por determinação do comandante do 1º Comando Aéreo Regional (COMAR), de Belém (PA), Hollanda estruturou, organizou e colheu os espantosos resultados desse que foi o único projeto do gênero de que se tem notícia em nosso país – e provavelmente um dos poucos no mundo.
Logo após conceder esta entrevista à Revista Ufo, antes mesmo de vê-la publicada, o militar se suicidou. Sua morte causou grande polêmica, tanto quanto suas extraordinárias revelações. Foram elas, em grande parte, que motivaram a Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) a iniciar a campanha UFOs: Librdade de Informação Já.
Nada mais justo que publicar, uma versão reeditada da histórica entrevista de Hollanda à Ufo, feita em 1997 e veiculada nos números 54 e 55, que circularam nos meses de outubro e novembro daquele ano. Seu conteúdo é chocante e mostra duas coisas com excepcional clareza: primeiro, a que ponto a Força Aérea Brasileira (FAB) chegou em sua determinação de conhecer o Fenômeno UFO, através de uma equipe de militares. Segundo, a coragem do chefe de tal equipe em empreender uma operação inédita e arriscada, mas que foi coroada de êxitos – que, infelizmente, são do conhecimento de pouquíssimos brasileiros. Hollanda era um militar ímpar, homem de fibra e resolução, que talvez tenha sido o único do mundo a passar pelas experiências que viveu na Floresta Amazônica – justamente no comando de um programa oficial, e não de uma aventura qualquer. Homem extremamente objetivo, impressionantemente culto e com vívida memória de inúmeros episódios de sua carreira militar – especialmente em relação à Ufologia –, Hollanda recebeu a Revista Ufo em seu apartamento em Cabo Frio, litoral do Rio de Janeiro, para uma longa e proveitosa entrevista, em junho de 1997. Das 48 horas em que o editor A. J. Gevaerd e o co-editor Marco Antonio Petit passaram em sua residência, colheram uma valiosíssima quantidade de informações ufológicas inéditas e assustadoras. Sua atitude de quebrar um silêncio militar de 20 anos sobre o assunto não se deu por acaso.

Revelação e repreensão
Hollanda confessou que acompanhava discreta mas entusiasmadamente as atividades da Ufologia Brasileira desde o surgimento de Ufo, em 1985. Já naquela época, oito anos após a realização da Operação Prato, e ainda com memória fresca sobre os inúmeros casos ufológicos que viveu, a então revista Ufologia Nacional & Internacional, antecessora de Ufo, recebeu de uma fonte confidencial ligada à Aeronáutica uma série de fotos de naves alienígenas que teriam sido tiradas pela FAB, na Amazônia. Pouco ou nada, além disso, sabíamos sobre esse material, mas mesmo assim o publicamos.
Sabíamos na época, e Hollanda depois nos confirmou – que eram fotografias secretas, obtidas oficialmente pelos militares que compunham a Operação Prato. Esse material tinha que ser publicado a todo custo, para que a Comunidade Ufológica Brasileira soubesse de sua existência, mesmo que isso pudesse trazer problemas legais para a revista. E trouxe: tal atitude resultou em repreensão do editor da revista por um certo comando militar. De qualquer forma, as fotos e um texto sobre o pouco que sabíamos na época a respeito da operação foram publicados. Evidentemente, os oficiais que integraram a operação não apreciaram tal fato, em especial o comandante do 1º COMAR, que havia determinado a criação do projeto e estabelecido que o mesmo fosse mantido em segredo. Mas nenhum militar foi punido em razão da publicação daquele material em Ufologia Nacional & Internacional, pois nunca se soube quem era nossa fonte de informação. Não era Hollanda, ao contrário do que muitos pensaram.
Apesar das dificuldades inerentes a uma revelação como aquela, nos primórdios de nossa trajetória, nossos leitores tomaram conhecimento de que uma missão de investigação oficial de objetos voadores não identificados, conduzida pela FAB, foi realizada na Amazônia em sigilo, resultando em experiências diversas vividas pelos militares envolvidos e na confirmação não só da realidade do fenômeno em si, mas também de sua origem extraterrestre. Nem o próprio Hollanda, que não conhecíamos na época, chegou a se irritar com a publicação do material, pois julgou importante que todos soubessem dos fatos, como admitiu anos depois, na entrevista que daria à Revista Ufo, em 1997. “A publicação fez seu papel, doa a quem doer. Tem gente que não gostou, é claro. Mas, assim como eu, vários outros militares acharam que a medida foi acertada”, disse Hollanda ao editor Gevaerd.
Alguns meses depois, já baixada a poeira, Hollanda, ainda com patente de capitão, passou a acompanhar as edições da revista, discretamente, constatando de longe a seriedade do trabalho desenvolvido pela Equipe Ufo. Nosso interesse por informações mais detalhadas sobre a Operação Prato nos levou a contatá-lo em Belém, em 1988, em seu posto no 1º COMAR. O capitão nos recebeu com formalidade, mas amigável. Evidentemente, não pôde nos dar os dados que buscávamos, mas notou nossa insistência em ver o assunto disseminado através da publicação. Por isso, tentamos ainda um novo contato no início dos anos 90, já no Rio de Janeiro, quando o oficial estava em vias de se aposentar. Nessa ocasião, num encontro casual, trocamos algumas idéias sobre o Fenômeno UFO, mas nada mais consistente. Ainda não seria dessa vez que teríamos conhecimento dos detalhes das descobertas da FAB na Amazônia.
A hora certa chegaria em junho de 1997, por iniciativa do próprio Hollanda, motivado por uma reportagem que assistira no programa Fantástico. Numa matéria específica sobre o sigilo imposto aos discos voadores pelos governos – especialmente no Brasil – o editor de Ufo declarou fatos sobre a Operação Prato e mostrou alguns poucos documentos que a equipe tinha na época. Na segunda-feira imediatamente após o programa ter ido ao ar, Hollanda, já na reserva, viu que era hora de quebrar o silêncio. 
Missão cumprida
Aposentado desde 1992, ele nos telefonou para elogiar a atuação da revista e para retomar o contato e colocar-se à nossa disposição. Disse que já havia passado bastante tempo desde a operação, e que julgava ter chegado a hora de romper o silêncio. “Estou na reserva, cumpri minha missão para com a Aeronáutica. O que eles podem me fazer? Prender? Duvido!”, disse, quando questionamos sobre a possibilidade dele sofrer punições de seus superiores quanto à atitude de nos revelar os fatos.
A decisão de Hollanda era corajosa e absolutamente sem precedentes na Ufologia Brasileira. Nunca, em momento algum, um militar tinha tomado tal resolução. Assim, com seu consentimento, colocamos o repórter e editor do Fantástico Luiz Petry e a jornalista Bia Cardoso, da Manchete, em contato com ele. Esses profissionais foram os primeiros a chegar em Cabo Frio e entrevistar Hollanda. Com isso, cumpríamos nossa obrigação de informar à imprensa fatos significativos dentro do mundo ufológico. Tínhamos consciência de que, por mais que pudéssemos – e fôssemos tentados – a guardar para a Revista Ufo a exclusividade de tais informações, numa espécie de “furo” mundial de reportagem, não tínhamos esse direito. Ufo tinha, sim, a obrigação de dar todos os detalhes, todas as minúcias ao seus leitores. Mas a imprensa precisava levar tais fatos, ainda que de maneira bem mais reduzida, à toda população. Seguindo esse mesmo princípio, a publicação consentiu que a entrevista que fez com Hollanda fosse inúmeras vezes reproduzida em revistas e sites da internet, em todo o mundo.
Mais do que um entrevistado, Hollanda transformou-se num querido amigo de vários integrantes da Equipe Ufo e aceitou, sem vacilar, o convite que formulamos para vir a ser um dos consultores da publicação, o que não chegou a se efetivar em razão de seu suicídio. Experiência não lhe faltava, pois, em seus quatro meses de
Operação Prato, além de muitos outros passados na selva em missões onde o Fenômeno UFO estava presente, teve a oportunidade não apenas de conhecer detalhes íntimos sobre o assunto, mas de viver pessoalmente dezenas de espetaculares experiências com objetos enormes e à curta distância. 
Naves de 30 andares
Hollanda se recorda dos detalhes de ocorrências assustadoras passadas na selva, onde avistou diversos UFOs, desde “objetos cilíndricos do tamanho de prédios de 30 andares, que se aproximavam a não mais do que 100 m de onde estava”, disse, até as enigmáticas e onipresentes sondas ufológicas. Na época em que o entrevistamos, Hollanda estava casado pela segunda vez e vivendo uma vida pacata de aposentado em Cabo Frio, após 36 anos de atividade militar – nos quais desenvolveu funções que vão desde chefe do Serviço de Intendência do 1º COMAR a comandante do Serviço de Operações de Informação (A2) e coordenador de Operações Especiais de Selva. 
Hollanda era um homem realizado – poucos tiveram a vida que ele teve. E era bastante franco também. “Gevaerd, a Operação Prato tinha o objetivo de desmistificar aqueles fenômenos na Amazônia. Eu mesmo era cético a respeito disso”, disse, logo no princípio da entrevista, informando que ele fora designado por conhecer como nenhum outro militar a região afetada. “Mas depois de algumas semanas de trabalho na área, quando os UFOs começaram a aparecer de todos os lados, enormes ou pequenos, perto ou longe, não tive mais dúvidas”, desabafou, admitindo que se convenceu da realidade dos fatos na Amazônia. 
É esse incrível personagem, agora eterna referência na Ufologia, quem deu a maior contribuição que essa disciplina receberia em nosso país, em mais de cinco décadas de atividades. Porém, a Comunidade Ufológica Brasileira mal chegou a conhecer o homem a quem passou a dever tanto desde junho de 1997, quando ele resolveu romper o sigilo. Quatro meses depois, em 02 de outubro, o coronel Uyrangê Hollanda cometeu suicídio. Tinha feito outras três tentativas anteriores, pois era vítima de depressão – sendo que, da última, adquiriu um problema na perna que o levara a andar mancando. O coronel deixou filhos de seus dois casamentos, em Belém e no Rio de Janeiro. 
Hollanda foi-se desse mundo sem saber que enorme benefício o causara. Talvez, se a primeira parte de sua entrevista tivesse sido publicada um pouco antes, ele se sentiria menos deprimido ao ver o respeito com que seus depoimentos e sua coragem foram tratados na Revista Ufo. 
Infelizmente, por problemas inerentes a uma publicação de circulação nacional, a entrevista com Hollanda só pôde ser divulgada na edição 54, de outubro de 1997, indo às bancas no dia 12 daquele mês – precisamente 10 dias após seu falecimento. Já não havia mais tempo de parar as máquinas gráficas para incluir, na edição, a triste nota. Ela teve que ser publicada junto da segunda parte do material, na edição 55, de novembro. “Carrego comigo até hoje a impressão de que, se tivesse conseguido publicar a entrevista pelo menos uma edição antes, em Ufo 53, Hollanda, ao ver o que escrevi a seu respeito e a contribuição que estava dando à Ufologia Brasileira, não teria tirado sua vida”, declara o editor Gevaerd. Lamentavelmente, a história não pode ser mudada. 

 - Documentos Oficiais
 
Introdução
DocumentoOrigemDataTipoNº Pág.TamanhoDescrição
I COMAR1977/1978RAR151 páginas23,9 MBRelatório de Atividades da Operação Prato
I COMAR1977/1978RAR54 páginas11,2 MBRelatório de Atividades da Operação Prato
I COMAR1977/1978 (liberado em dezembro de 2008)PDF86 páginas83 MBRelatório de Atividades da Operação Prato
Ministério da Aeronáuticaano 1978PDF195114,2 MBArquivo contendo relatório de casos do ano de 1977, incluindo arquivos e fotos da Operação Prato e reportagens de jornais

 - Fotografias
 
             
Créditos das Fotografias: Revista UFO

 - Chupa-chupa - Padrões e Características

 
Introdução
Padrões de manifestação
O Fenômeno Chupa-chupa apresenta características peculiares que impressionam tanto os pesquisadores já acostumados com casos ufológicos quanto céticos e detratores do fenômeno que evitam abordar fatos relacionados aos casos ocorridos em estados da região Norte e Nordeste.
Estas características peculiares que cercam estas ocorrências demonstram que algo insólito, inteligente e de origem alheia ao nosso conhecimento agiu em regiões povoadas da Amazônia.
Evolução do Fenômeno
O primeiro aspecto interessante que podemos citar em relação à manifestação chupa-chupa seria em relação à evolução do fenômeno. Os ataques ocorreram de forma muito esporádica em 1976, aumentando gradativamente até abril de 1977, com a ocorrência da Ilha dos Caranguejos, espalhando-se pelo Estado do Maranhão, chegando depois ao Pará e depois ao Amazonas, em território brasileiro. Informações não confirmadas sugerem que o fenômeno ocorreu também em países próximos, Guianas e Venezuela. Essa evolução por regiões ocorreu de forma padronizada, como num mapeamento científico. Isso por si só já confere uma atividade inteligente ao fenômeno.
 
Detalhes recorrentes
Verificando os casos de chupa-chupa observam-se vários detalhes recorrentes. A quase totalidade dos casos ocorrem à noite, e referem-se à luzes que surgem repentinamente iluminando todo o local próximo ao contato. Praticamente todos os casos relatados por ribeirinhos, seja no Maranhão, no Amazonas ou no Pará existe a descrição do objeto intensamente iluminado. Quase sempre a luz é tão forte que impede a visualização da fonte da luminosidade, ou seja, o objeto propriamente dito.
Quando ocorre a aproximação repentina acontece o "ataque" que é descrito quase sempre da mesma forma: o objeto projeta um facho de luz que paralisa suas vítimas, impedindo que eles movimentem qualquer parte do corpo, até mesmo para gritar por socorro. Além da paralisia as vítimas descrevem em sua totalidade que sentiram uma dor insuportável sendo logo tomados de profunda fraqueza como se eles tivessem sendo dopados. Nessas condições a maioria ainda conseguiu observar um segundo feixe de luz que atingia as mulheres acima do seio esquerdo (na grande maioria dos caso) ou nos homens, na altura do pescoço. O feixe de luz produzia uma marca longilínea, reta, extensa e larga, como se algo tivesse chapado a pele destas pessoas vitimadas. Em todos os casos documentados haviam dois orifícios paralelos que se apresentavam elevados como se duas agulhas houvessem ali penetrado. A diferença é que quando pressionadas elas não desapareciam.
A queimadura resultante dos ataques era muito diferente das convencionas convencionais em praticamente todos os casos. Enquanto estas convencionais levam em torno de 96 horas para necrosar, as queimaduras produzidas pelo chupa-chupa necrosavam imediatamente.
As vítimas do chupa-chupa, após o incidente, se queixavam de vertigem,
dores no corpo, tremores, falta de ânimo, sonolência, fraqueza, rouquidão,
queda de pêlos, descamação da pele lesada e freqüentes dores de cabeça.
Estes sintomas foram constatados por médicos.
Em geral a área afetada ficou permanentemente desprovida de pêlos. Além disso, os afetados ficaram com baixa imunidade permanentemente sendo que todos adoecem com facilidade.
Objetos Voadores Observados
Em relação aos objetos observados observa-se um padrão característico em todos os casos. Em geral os objetos eram observados aproximando-se das áreas afetadas vindos ou do céu, ou do oceano.
Os casos são predominantemente noturnos, com raras exceções diurnas. Foram identificados oito formas de objetos comumente observados em diferentes regiões. Alguns destes objetos apresentavam vigias e em alguns casos específicos observou-se a presença de tripulantes de aproximadamente 1,5 m de altura.

 - Testemunhos

Inácio Rodrigues, pescador e testemunha do Chupa-chupa
"Estava pescando com meu amigo Genésio Silva uma noite, em abril. Por volta das 01:00 hs, vimos um pequeno fogo no céu, ao norte. Era muito pequeno. Fiquei um pouco preocupado e pedi a Genésio que apagasse o charuto que ele estava fumando. De repente, o fogo foi ficando cada vez maior e dava pra ver que estava girando. Pulamos para fora do barco, na água e tentamos encontrar algum esconderijo. O fogo ficava cada vez maior e mais próximo. Nós nos escondemos debaixo de uns arbustos grandes para que não nos visse.
O objeto parou a cerca de uns 100 metros de nós e ficou lá até umas cinco da manhã. Ficamos escondidos o tempo todo porque tínhamos medo de sair. A luz era azulada, mas quando apareceu pela primeira vez, era uma pequena bola vermelha. Era bonita, mas brilhava tanto que eu não podia olhar muito pra ela. Pouco antes do amanhecer, ela desapareceu, do jeito como alguém apaga uma luz. E onde ela estava, dava pra ver um tipo de sombra, da forma de uma geladeira. Quando o Sol surgiu, a forma escura desapareceu também. Tive disenteria e fiquei enjoado aquele dia inteiro".
 
Cinaldo de Oliveira, repórter que passou duas semanas em Pinheiro acompanhando casos de Chupa-chupa
"Cerca de 90% das pessoas com quem conversamos tinham visto UFOs. Muitos pescadores chegaram a ser queimados. Certa noite, filmamos uma coisa estranha passando no céu, num movimento ondulado. Parecia um satélite, mas variava muito em forma e tamanho. Foi aumentando e, de repente, desapareceu.
Essa coisa que filmamos voava num movimento que parecia triangular. Vinha da Ilha do Caranguejo, na Baía de São Marcos, e seguia até Anajatuba, depois para São Bento e Pinheiro. Parecia uma estrela, mas enquanto aumentava de tamanho, mudava de cor, para amarelo, azul e vermelho.
No dia seguinte, a uns 3 Km de onde tínhamos estado, conversamos com um home com queimaduras nas costas. Ele nos disse que fora na noite anterior, quando a luz apagou e acendeu novamente, bem acima dele, que ele tinha sofrido as queimaduras. Não sei quantos pescadores se queimaram, mas entrevistamos uns 10. Não eram queimaduras sérias, mas os homens tinham tanto medo que não queriam mais sair para trabalhar. Conversamos com umas pessoas numa fazenda que tem um edifício onde todos os trabalhadores moram e dormem. Esse sujeito, em questão, correu o máximo que pode até o prédio, e a luz ficou voando em volta da construção por uns 20 minutos".
 
Carlos Mendes, repórter
"O povo vivia apavorado porque esse feixe de luz noturno tinha já agredido várias pessoas. A comunidade toda se amontoava em três casas apenas. Ficavam rezando, as vezes cantavam algumas canções religiosas. As pessoas em pânico... A unidade de saúde de Colares virou quase que um pátio dos milagres".
"Realmente eu fiquei espantado de ver o que eu vi naquelas pessoas. O que seria o resultado da atividade dessas luzes que eles chamavam de chupa-chupa".
 
Benedito, pescador
"Estávamos no barco e o OVNI passou por cima do rio várias vezes. Ele nos seguiu e disparou uma luz no rio por uns 10 ou 15 metros. Não fazia nenhum barulho e não jogou o raio em nós, só no rio. Estava a uns 80 metros de distância. Aí o OVNI voou sobre a mata e desapareceu".
 
Claudomira Paixão, moradora de Colares, vítima do Chupa-chupa
"A luz primeiramente era verde, tocou minha cabeça e atravessou a minha face. Despertei totalmente e a luz tornou-se vermelha. Pude ver uma criatura, como um homem, usando um macacão tal como os de mergulho. Tinha um instrumento como uma pistola. Apontou-o para mim e o objeto brilhou por três vezes acertando-me o peito durante as três ocasiões, quase no mesmo lugar. Estava quente, feria-me, parecia que me espetavam agulhas em todos os três pontos. Penso que me extraíram sangue. Eu estava apavorada, não podia mexer as minhas pernas. Estava aterrorizada".
"Era quente e doía. Era como uma espetada de agulha. Os três pontos sangravam. No momento que isso aconteceu, fiquei com muita sede. Estava apavorada, mas não podia mexer minhas pernas. Fiquei paralisada. De medo, eu gritei e gritei. Minha prima, Maria Isaete, estava dormindo na mesma sala. Ela acordou e viu a luz, e começou a gritar também".
 
Manoel Paiva, ex-prefeito de Pinheiro
"O que mais impressionava as pessoas era que o UFO subia a um ponto tão alto no céu que parecia uma estrela. Na verdade, não se podia distingui-lo de uma estrela. E, de repente, descia rapidamente à terra de novo. Sua velocidade era incrível. Se aquilo for alguma coisa deste mundo então já alcançamos a perfeição, porque o objeto não emite nenhum som, tem uma velocidade enorme, pára em qualquer ponto que queira e segue em qualquer direção.
O objeto costumava vir a uma velocidade muito grande e parar. De repente, ele subia ou descia com a mesma rapidez. Muita gente pescando em barcos foi perseguida por esta bola de fogo. Ela deixou muitas pessoas doentes. Ficaram com febre e outras coisas, os olhos ardiam. A luz do UFO era tão forte que a noite parecia dia.
A intensidade deixava as testemunhas tontas. Todo mundo tinha medo, porque não sabia se o objeto tinha radioatividade. Eu também fiquei assustado. Algumas pessoas foram atacadas pelos UFOs e perseguidas, e algumas sofreram queimaduras. Os pescadores tinham tanto medo que não foram pescar por três ou quatro meses. Muita gente nem ia até o quintal à noite para fazer suas necessidades, de tanto medo. Os objetos não tinham hora certa para aparecer. Às vezes eram vistos por volta das 18 horas e outras vezes, só lá pelas 04:00 horas. Geralmente, esse fogo chega a uns 300 ou 400m do chão.
Em certa ocasião, havia 26 pessoas trabalhando a uns 6 quilômetros da cidade, construindo cercas. Um dos trabalhadores foi pescar para que os outros pudessem comer. Enquanto ele pescava, o objeto subitamente apareceu bem acima da sua cabeça. Ele correu até o acampamento, exausto, e disse a todos que uma bola de fogo o estava perseguindo. Em seguida, todos no acampamento também viram o objeto. Tinha uma luz azulada que iluminava a área por cerca de 1 quilômetro em volta, acordando todos os cavalos e vacas, assustando-os.
No dia seguinte, eles mudaram o acampamento para outro local, porque estavam com muito medo. No novo lugar, decoraram um pedaço de madeira como se fosse um espantalho e colocaram um lampião com querosene no topo. Queriam ver se o estranho objeto voltaria, e se esconderam no mato para observar. Mais tarde, naquela mesma noite, o objeto apareceu de repente, chegando bem perto do lampião. Ficou lá por cerca de 45 minutos. Os trabalhadores disseram que a luz era tão forte que não conseguiam ver sua forma. Depois disso, muitos homens saíram e voltaram para casa".
 
Ana Célia Oliveira, moradora de locais de incidência
"Nunca vou esquecer. As pessoas e os animais eram atacados. Não havia comida. Ninguém pescava. Ninguém ia até as hortas para colher os legumes. Todo mundo tentava sair em grupos grandes, Ninguém queria ficar sozinho. Colares inteira parou. Escurecia às 18 horas e íamos dormir. Grupos de 50 a 60 mulheres e crianças se reuniram numa única casa. Os homens ficavam acordados a noite toda. Acendiam fogueiras e batiam em panelas e latas para espantar os aparelhos. As pessoas começavam a dar tiros para cima, tentando afastá-los. As crianças não sabiam o que estava acontecendo".
Wellaide Cecim de Carvalho
"O que me chamou a atenção é que quando eu atendia uma pessoa de uma localidade chamada Airi, e uma de uma localidade chamada Candeúba, elas eram distantes mais de 100 km. E as pessoas me contavam a mesma história, sem se conhecerem, sem nunca terem se falado e na mesma noite e nos mesmo horários ou até em horários diferentes".
"Elas eram longinlíneas, retas, extensas e largas, como se algo tivesse chapado. Existiu sempre, sempre, sempre, dois orifícios paralelos, e que vc apertava e não desapareciam e ficavam elevadas como se duas agulhas tivessem penetrado".
"As queimaduras de uma pessoa necessitam de aproximadamente 96 horas para que a pele entre em necrose, enegrecida e entre em necrose. Só que as queimaduras que eram feitas nas pessoas, a necrose era imediata".
"A população de Colares foi tomada por uma crise talvez assim de pânico, e a cidade entrou num processo de esvaziamento. O medo era de chegar a um ponto de nós não termos mais medicamentos, alimentos a gente já não tinha, porque ela estava caminhando para um verdadeiro caos".
"Olhei para cima e vi aquilo sobre mim. Já tinha ouvido as pessoas me descreverem como era o tal ‘aparelho’, mas nunca tinha visto um pessoalmente. De repente, em plena luz do dia, lá estava aquilo, enorme e poucos metros acima de minha cabeça, zunindo e emitindo uma luminosidade de grande intensidade e de cores belíssimas".
 
Emidio Campos de Oliveira
"Aconteceu isso, de eu olhar pro telhado e eu ver, tipo uma lâmpada acesa e direto na minha coxa".
"Dormia até debaixo de um balcão lá em casa, com medo daquela luz".
"Fiquei muito fraco e sem ânimo durante vários dias e ainda sinto uma forte tontura e dor de cabeça".
"Qualquer buraquinho que tivesse, aquela luz passava e atingia as pessoas. E a arma nossa aqui era pau, pedra, uma espingarda daquela carregada pela boca".
 
Alceu Marcílio de Souza, ex-delegado de polícia
“Estivemos várias vezes em Umbituba, em diligência policial. Nas noites que ali passamos, foi possível observar a intranqüilidade das pessoas. Na época, uma equipe da Aeronáutica andou pela região e alguns de seus membros chegaram a falar comigo a respeito das aparições”.
Aurora Nascimento Fernandes, vítima
"Eu fiquei apavorada. Chamei minha mãe e, antes dela chegar, uma luz vermelha me envolveu, deixando-me atordoada. Ao mesmo tempo, senti furadas muito finas que eram dadas em meu seio, e caí ao solo desmaiada".
Jonas Ferreira Godim, Testemunha
“Nesse tempo a gente não dormia direito. Eu e mais outros colegas saímos para vigílias na casa de compadres. Numa noite, eu vi aquele aparelho sobre a copa das arvores, ali na rua São João. Ele ficou um instante parado e soltou uma luz clara em cima das arvores e logo sumiu em grande velocidade para outro canto da vila”.
Zacarias dos Santos Barata, Testemunha
“Vi uma duas vezes esse aparelho. A primeira vez ele veio na direção e Souré (ilha de Marajó) e cruzou a vila bem rápido. Da outra vez,vi daqui de casa quando uma bola luminosa vinha clareando todo o mato do Luzio. Ela não fazia barulho e não dava para ver direito como era, pois a luz era muito forte e de cor azulada”.
Carlos Cardoso de Paula, Testemunha
“No tempo do Chupa, muitas vezes eu saia à noite para visitar as casas dos compadres e colegas. A maioria deles se encontrava na rua fazendo fogueira e assando peixe. De vez em quando, faziam barulho com pistolas e latas para espantar o Chupa... Uma vez, ao sair de casa, por volta das 21:00 hs, ouvimos o grito do povo: 'Lá vai o chupa'; daqui de casa só vi quando uma bola de fogo vinha correndo em nossa direção, mas logo mudou de rumo, entrando em outra rua.”.
"Estávamos todos dormindo em casa e eu ainda fumava o ultimo cigarro quando, de repente, pela cumieira da casa, entrou uma bolinha de fogo. Aquilo começou a dar voltas pelo quarto até que veio junto a minha rede. Subiu pela minha perna direita até o joelho. Olhava tudo isso com muita curiosidade quando aquela bolinha passou  para a outra perna e comecei a sentir fraqueza e sono. O cigarro caiu da minha mão e, assustado com aquela situação, dei um grito. A bolinha desapareceu e todos acordaram. Acho que ela estava procurando uma veia no meu corpo, mas não teve sorte... Quando ela aumentada o brilho, eu sentia uma espécie de calor...".

  - Reportagens de Jornais da Época



Fonte. Fenomenum