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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

‘déjà vu’



Cientistas buscam explicar ‘déjà vu’ e como isso acontece




Você já experimentou uma súbita sensação de familiaridade enquanto estava num lugar completamente novo? Ou o sentimento de que teve a mesma conversa com alguém antes?
Esta sensação de familiaridade clara é conhecida como déjà vu (termo francês que significa ‘já visto’) e é relatado que ocorre de forma ocasional com 60-80% das pessoas. É uma experiência quase sempre transitória e que ocorre de forma aleatória.
Então, o que é responsável por estes sentimentos de familiaridade?
Apesar da cobertura na cultura popular, experiências de déjà vu são mal compreendidas em termos científicos. Déjà vu ocorre rapidamente, sem avisar e não tem qualquer manifestação física além do anúncio: “Tive um déjà vu.”
Muitos pesquisadores propõem que o fenômeno é uma experiência baseada na memória e assumem que os centros da memória no cérebro são responsáveis por isso.
Sistemas de memória
O lobo medial temporal é vital para a retenção de memórias de longo prazo de eventos e fatos. Certas regiões do lobo medial temporal são importantes na detecção de familiaridades ou reconhecimento, em oposição à lembrança detalhada de acontecimentos específicos.
Tem sido proposto que a detecção de familiaridade depende da função do rinencéfalo, enquanto a recordação detalhada está ligada ao hipocampo.
A aleatoriedade das experiências de déjà vu em indivíduos saudáveis torna-o difícil de estudar de forma empírica. Qualquer pesquisa depende do relato da pessoa envolvida.
Falhas na matriz
Um subgrupo de pacientes com epilepsia experimenta consistentemente o déjà vu no inicio de uma convulsão, ou seja, quando os ataques começam no lobo temporal medial. Isso tem dado aos pesquisadores uma maneira mais controlada de se estudar o déjà vu.
As crises epilépticas são evocadas por alterações na atividade elétrica dos neurônios nas regiões focais do cérebro. Esta atividade neuronal disfuncional pode se espalhar por todo o cérebro, como ondas de choque geradas a partir de um terremoto. As regiões cerebrais na quais essas ativações elétricas podem ocorrer incluem os lobos temporais médios.
Perturbações elétricas deste sistema neural geram um sintoma (um tipo de aviso) de déjà vu antes do evento epilético.
Ao medir descargas neurais no cérebro destes pacientes, cientistas foram capazes de identificar as regiões do cérebro onde os sinais de déjà vu começam.
Foi descoberto que o déjà vu é mais facilmente induzido em pacientes com epilepsia através de estimulação elétrica do rinencéfalo ao invés do hipocampo. Estas observações levaram à especulação de que o déjà vu é causado por uma descarga disfuncional no cérebro.
Estas descargas neuronais podem ocorrer de maneira não patológica em pessoas sem epilepsia. Um exemplo disso é o sacudir hipnagógico, uma contração involuntária que pode ocorrer quando que se está caindo no sono.
Tem sido proposto que o déjà vu poderia ser desencadeado por uma descarga neurológica similar, resultando numa estranha sensação de familiaridade.
Alguns pesquisadores argumentam que o tipo de déjà vu experimentado por pacientes com epilepsia do lobo temporal é diferente do déjà vu típico.
O déjà vu experimentado antes de um ataque epiléptico pode ser duradouro ao invés de um breve sentimento naqueles que não tem ataques epilépticos. Em pessoas sem epilepsia o reconhecimento vivido combinado com o conhecimento de que o ambiente é real confirma intrinsicamente a experiência do déjà vu.
Incompatibilidade e curto-circuito
O déjà vu em indivíduos saudáveis é relatado como um erro na memória que pode expor a natureza do sistema de memória. Alguns pesquisadores especulam que o déjà vu ocorre devido a uma discrepância no sistema de memória levando à geração inapropriada de uma memória detalhada sobre uma nova experiência sensorial.
Isto é, a informação se desvia da memória de curto prazo e alcança a memória de longo prazo.
Isto implica que o déjà vu é evocado por uma incompatibilidade entre a entrada (input) sensorial e a saída (output) da recordação da memória. Isso explica por que uma nova experiência pode parecer familiar, mas não tão tangível como uma memória totalmente recordada.
Outras teorias sugerem que a ativação do sistema neural do rinencéfalo, envolvido na detecção de familiaridade, ocorre sem a ativação do sistema de memória no hipocampo. Isto levaria à sensação de reconhecimento sem detalhes específicos.
Também relacionado a esta teoria, foi proposto que o déjà vu é uma reação dos sistemas de memória do cérebro com uma experiência familiar. Essa experiência é conhecida como sendo nova, mas possui muitos elementos reconhecíveis, embora com configuração um pouco diferente. Um exemplo? Estar num bar ou restaurante num país estrangeiro que possui o mesmo arranjo ou características que algum outro local de onde se mora.
Outras teorias existem sobre a causa do déjà vu, que vão do paranormal – vidas passadas, abduções por alienígenas e sonhos premonitórios – até memorias formadas a partir de experiências que não se dão em primeira mão (como as cenas de um filme).
Até agora não há uma explicação por que ocorre o déjà vu, mas os avanços nas técnicas de neuroimagem podem ajudar nossa compreensão da memória e os truques que nossa mente prega em nós.