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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015



Estudo verifica capacidade do ser humano de prever o futuro

Ilustração do clássico filme "De Volta para o Futuro", com os atores Michael J. Fox (Marty McFly) e Christopher Lloyd (Dr. Emmett Brown), que popularizou a questão sobre a existência de vida simultânea no futuro (Divulgação/Universal Pictures)



O psicólogo Daryl Bem, da Universidade Cornell, causou bastante polêmica no campo da parapsicologia ao afirmar ter provas de que o ser humano possui a capacidade de prever o futuro e que esses eventos podem ter efeito retroativo sobre o comportamento das pessoas.
A versão final de seu estudo foi publicada online, na principal publicação de psicologia social, The Journal of Personality and Social Psychology (Periódico de Personalidade e Psicologia Social). Antes mesmo de ser oficialmente impressa, os crentes e os céticos já estavam polemizando sobre a descoberta e debatendo de modo geral a existência de fenômenos psíquicos, termo guarda-chuva para qualquer processo de transferência de informação ou energia que não pode ser explicado com os princípios da física e da biologia conhecidos atualmente.
No artigo, Bem descreve detalhadamente nove experimentos que ele conduziu, todos envolvendo procedimentos muito usuais no campo da psicologia social. Porém, o ponto crítico foi que ele inverteu a etapa desses procedimentos, ou seja: em vez de expor o participante ao estímulo (geralmente considerada como causa do comportamento) e, em seguida, medir a reação (efeito), primeiro registrou o comportamento do participante e, só depois, aplicou o estímulo.
Em seu primeiro experimento, Bem teve como principal foco os meios de comunicação de massa. Aos participantes foi mostrada, numa tela de computador, uma imagem de duas cortinas e, então, foi pedido que adivinhassem atrás de qual das cortinas havia uma imagem escondida. Na realidade, a imagem e sua posição eram estabelecidas randomicamente por um programa de computador, depois do participante fazer a escolha.
De acordo com o artigo, “Do ponto de vista dos participantes, o procedimento parecia ser para testar a clarividência, mas na verdade, a imagem e sua posição, esquerda ou direita, só foram estabelecidas depois que o participante deu seu palpite, tornando, assim, o procedimento um teste de detecção de um evento futuro (ou seja, tornou-se um teste de precognição)”.
Bem descobriu que nos casos em que o computador gerou uma imagem erótica, os participantes adivinharam a posição correta da imagem em 53,1% das vezes. Ele argumentou que, embora pequena, a diferença entre esse percentual e 50% (percentagem de acerto esperada com base apenas no acaso) é estatisticamente significativa. O psicólogo entende que, de modo geral, os palpites corretos dos participantes foram, em parte, devido à outra causa que não o acaso.
Em sete de seus outros oito experimentos, Bem obteve dados semelhantes que apoiam a existência de fenômenos psíquicos. Os céticos, no entanto, levantaram a preocupação de que os resultados anômalos na descoberta de Bem possam ser devido a casualidades estatísticas.
Numa crítica publicada logo em seguida ao artigo de Bem, Eric-Jan Wagenmakers e seus colegas da Universidade de Amsterdã, defenderam a realização de testes estatísticos mais “conservadores” para avaliar os dados obtidos por psicólogo. De acordo com a análise deles, a maioria dos experimentos de Bem, na realidade, fornece uma evidência “anedótica” ou “substancial” a favor da não-existência da precognição.
Eles também perceberam que três dos experimentos de Bem são provas “anedóticas” de suas afirmações, porém, que os resultados de seu nono experimento são “substanciais”.
Em seu nono experimento, Bem testou a “capacidade de lembrar retroativamente”. Aos participantes foram apresentados 48 nomes de objetos, um de cada vez, e depois pedido que digitassem o maior número de palavras (nomes) que eles pudessem lembrar. Metade dessas palavras foram randomicamente selecionados pelo computador e novamente mostradas aos participantes, uma de cada vez. Em seguida, essas mesmas palavras, esse subconjunto de palavras, foram mostradas todas juntas ao participante para que ele clicasse nas palavras para enquadrá-las em categorias e digitá-las.
O objetivo era saber se essa exposição posterior e esse experimento prático de digitar o subconjunto de palavras teria alguma correlação com uma maior lembrança das palavras selecionadas em detrimento daquelas não selecionados. Bem concluiu que os resultados confirmam o fenômeno psi; até mesmo Wagenmakers achou que os resultados foram “substanciais”.
Ainda que “substanciais”, estão longe de ser uma evidência “extraordinária” a ponto de ser suficiente para sustentar afirmações extraordinárias como as de Bem, contudo, justificam o efeito intrigante causado sobre o público e a comunidade científica. Wagenmaker está realizando experimentos para testar a replicabilidade das descobertas de Bem.
Outros pesquisadores também estão tentando replicar os experimentos de psicólogo, mas devido aos sucessos e fracassos, por enquanto, os debates são ainda calorosos, porém isso pode ser uma mudança de paradigma, e talvez esse toque de criatividade de Daryl Bem sobre o tradicional, possa um dia revelar a verdade.
Epoch Times