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quinta-feira, 12 de março de 2015

Pesquisadores encontram cérebro de 2600 anos extremamente bem conservado


Quando se fala em achados arqueológicos, é bastante raro encontrar qualquer tipo de tecido mole humano, como pele ou carne. Contudo, uma descoberta de 2009 e apenas divulgada recentemente trouxe um componente surpreendente: nada menos do que um cérebro. O órgão preservado foi encontrado por pesquisadores do York Archaeological Trust, em Heslington, no condado de York, na Inglaterra.
O crânio foi achado durante uma escavação em um sítio arqueológico da Idade do Ferro na Universidade de York. Ele estava com a mandíbula e ainda ligado a duas vértebras quando foi encontrado com a face para baixo em um poço, sem qualquer evidência de que teria ocorrido com o resto do corpo. No início, parecia um crânio normal, mas tudo mudou depois que começou o processo de limpeza, que indentificou que havia algo solto dentro, ou seja, um cérebro.
Mais tarde, a parte superior do crânio foi removida com o objetivo de se olhar pela primeira vez este cérebro humano surpreendentemente bem-preservado. Desde a descoberta, uma equipe de 34 especialistas já estudaram o cérebro e tentam conservá-lo o máximo possível.
Pela datação de radiocarbono de uma amostra de osso da mandíbula, é possível dizer que essa pessoa provavelmente viveu no século 6 a.C, o que faz com que esse cérebro tenha cerca de 2.600 anos de idade. Os dentes e o formato do crânio indicam que se trata de um homem entre 26 e 45 anos. Um exame indica que ele foi atingido no pescoço, que depois foi cortado com uma pequena faca afiada.
Mas o que intriga mesmo os pesquisadores é como que esta estrutura mole do corpo humano ficou conservada por tanto tempo. Alguns dados sugerem que a cabeça foi cortada do corpo logo depois que a pessoa foi morta e, em seguida, enterrada. Isso ocorreu, de acordo com especulações de pesquisadores, em um buraco molhado, com solo rico em argila, fornecendo um ambiente selado, livre de oxigênio, o que teria dificultado o processo de decomposição. Ao longo do tempo, a pele, cabelo e carne sofreram degradação química e desapareceram gradualmente, mas as gorduras e proteínas do tecido cerebral seguiram ligadas para formar uma massa de grandes moléculas complexas. Isto resultou no encolhimento do cérebro, mas também na preservação de sua forma e de muitas características microscópicas que podem ser encontradas apenas no tecido cerebral.