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sexta-feira, 15 de maio de 2015

5 fatores que podem decidir se o módulo Philae vai ou não acordar

Odia 12 de novembro do ano passado entrou para a história da exploração espacial: foi quando pousamos, pela primeira vez, uma sonda robótica em um cometa. Mas não demorou muito até que a Agência Espacial Europeia (ESA) anunciasse que algo tinha dado errado. Depois de se desprender da sonda Rosetta e enfrentar algumas horas de descida até o cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko, o módulo de pouso Philae acabou quicando na superfície rochosa e se afastou do local em que deveria ter ficado. Ele foi parar numa região de relevo acidentado e, como sabemos, quanto maior é a montanha, maior é sua sombra. Philae se viu estabelecido em uma área sombreada, onde meros 80 minutos de luz do sol são intercalados em meio a 11 horas de total escuridão. E faz frio. Muito frio.
Apesar das dificuldades e do futuro incerto, os cientistas ainda acreditam que o módulo possa acordar, já que o 67P está indo em direção ao Sol, e isso pode mudar muita coisa
As condições não eram (e continuam não sendo) nada animadoras para um robô que funciona à base de energia solar. Ainda assim, ele aproveitou o quanto pôde a própria bateria e explorou a superfície do cometa por três dias ininterruptos – mandando de volta pra Terra dados científicos valiosíssimos. As atividades descarregaram-no por completo, e desde então Philae entrou em estado de hibernação. Apesar das dificuldades e do futuro incerto, os cientistas ainda acreditam que o módulo possa acordar, já que o 67P está indo em direção ao Sol, e isso pode mudar muita coisa. Com a mudança de posição, pode ser que a temperatura aumente e um nível maior de radiação atinja os painéis solares, por exemplo, permitindo o recarregamento da bateria.
A revista Nature fez um balanço dos fatores que podem decidir se o Philae desperta novamente, ou se está condenado a passar a eternidade adormecido em meio àquelas montanhas gélidas. Confira abaixo:
Noites frias O sistema está programado para só checar se tem carga suficiente para reinicializar quando o termostato interno marcar a partir de -45º C, e esta é a maior preocupação da equipe da ESA. Em novembro, o termômetro externo registrou temperaturas inferiores a -160º C, agora elas podem ter subido para cerca de -50 ou -40º C. Mesmo com a ajuda de isolamento térmico e sistemas elétricos para gerar calor, acurtíssima exposição ao Sol dificulta muito o processo de aquecimento. Se o ambiente exterior permanecer assim tão frio, o Philae pode estar batalhando em uma guerra perdida. Além do mais, a bateria só consegue armazenar energia em temperaturas acima de 0º C, por isso os cientistas trabalham com a ideia de que, no melhor dos cenários, o robô só será capaz de operar durante períodos iluminados.
Sombras escuras A posição e orientação do módulo são bem conhecidas pela ESA, mas o mapeamento do terreno ao seu redor não é tão detalhado assim. É complicado prever o comportamento das sombras projetadas pelo relevo à medida que o 67P se move para mais perto do Sol – elas podem reduzir consideravelmente a quantidade recebida de energia solar e de calor. O Sol está ficando mais alto no céu do cometa, mas isso não significa uma maior radiação, pois o Philae está inclinado. Em junho, a luz deve parar completamente de atingir o painel solar da parte de cima, mas algumas simulações preveem um aumento na iluminação dos painéis laterais.
Componentes quebrados Durante o desenvolvimento da missão Rosetta, todos os componentes foram submetidos a testes sob temperaturas que chegaram a -60º C. Se esse frio já soa extremo, pense que nas noites mais frias do cometa, estima-se que a temperatura interna do módulo tenha caído para -140º C. Ninguém sabe ao certo até que ponto as peças conseguem resistir, mas o maior medo da equipe de controle é que acontração dos materiais possa causar rupturas em pontos de solda. Outro local com vulnerabilidades é a bateria recarregável.
Primeira foto panorâmica tirada por Philae na superfície do cometa (Foto: ESA/Rosetta/Philae/CIVA)
Poeira no painel Conforme vai seguindo sua órbita e se aproxima de nossa estrela-mãe, o 67P esquenta progressivamente e passa a emitir, cada vez mais, uma cauda de gás e poeira. Existe a chance de que o pó liberado tenha encoberto os painéis solares, o que os tornaria inoperantes. Já o risco de que as rajadas de gás sejam fortes o suficiente para mudar o robô de posição, estes são pequenos.
Lugar certo na hora certa A possibilidade mais tentadora de se cogitar sugere que o Philae já está acordado, mas ou não tem energia suficiente para se comunicar, ou ele pode até já estar transmitindo um sinal – que a Rosetta não está em posição de captar. Se a bateria não chegar a ser recarregada, o funcionamento só poderá ocorrer durante os 80 minutos de luz do sol, o que limita bastante as chances de comunicação. A melhor oportunidade é quando a sonda Rosetta está a menos de 300 quilômetros de seu parceiro de missão, do mesmo lado do cometa, e com ambas as antenas alinhadas. Mas mesmo se o silêncio continuar depois da máxima aproximação com o Sol, em 13 de agosto, não há motivo para desistir. “Algo ainda poderia se mover e o Philae poderia receber muito mais luz”, disse a Nature uma das cientistas que opera o robô, Valentina Lommatsch. “Nós vamos ter que continuar esperando e torcendo”.