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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Chuva de Prata


Em 21 de dezembro de 1954, o jornal Correio Popular de Campinas, noticiava um acontecimento que ficou conhecido como a "Chuva de Prata".
Populares diziam ter visto estranhos objetos no céu.
Dois dias antes, uma senhora, que não quis ser identifcada, encontrava-se no quintal de sua casa, quando notou que do alto, caia algo como se fosse uma "Chuva de Prata".
As bátegas, em pequeno número, ao tocarem o solo, desprendiam fumaça e só então, a referida senhora pode observar que se tratava de um líquido incandescente. Emocionada pelo episódio, ela então se pôs a olhar para o alto, pois só poderia estar caindo do céu aquela "Chuva de Prata".
—Vi quando bem alto, passaram três objetos estranhos, disse ela. Eram redondos e de cor cinza meio fosco. Possuíam dois corpos que viravam sem parar. Eram parecidos com os discos voadores que a gente vê nos livros. Fiquei apavorada, continuou a senhora. Quase não me mexia de medo. Quando resolvi olhar o líquido que havia caído, ele já havia endurecido e pareciam pedaços de prata. Tentei pegar um deles mas estava muito quente. Daí fui chamar o meu vizinho. (Benedito Nascimento -
Rua Major Solon, 28 - Campinas - SP). Ele pegou os pedaços, que já haviam esfriado e levou embora, concluiu a senhora.
O senhor Benedito ficou intrigado e resolveu fazer um exame do local. Segundo ele, para estarem naquele lugar, os fragmentos só poderiam ter caído do céu.
O senhor Benedito Nascimento não acreditava em discos voadores como ele mesmo colocou. Na época, colaborava com a imprensa escrevendo artigos para publicação. Em um desses artigos, deixou claro a sua descrença quanto a essas naves espaciais. No entanto, o destino cuidou para que sua crença fosse revista.
—Um dia, eu mesmo vi um desses aparelhos, disse Benedito. Ele passou rápido próximo à minha casa e por sobre o Colégio Ateneu Paulista. Parecia ser muito grande. Era redondo com duas partes e sua cor era como metal sem brilho. A parte de baixo rodava bem rápido como aquelas coroinhas de festa junina. A partir daí, completou, mudei minha opinião quanto à existência de discos voadores.
Uma equipe de reportagem do jornal "Correio Popular" de Campinas pediu ao senhor Benedito, pedaços do estranho metal. O objetivo era encontrar um laboratório químico que pudesse classificar o estranho metal.
Recorreram assim aos laboratórios das Indústrias Young (Rua Francisco Teodoro - Vila Industrial - Campinas - SP).
À primeira impressão, tratava-se de estanho misturado a outras substâncias. De qualquer forma, o material seria submetido à pesquisas mais profundas antes de qualquer conclusão.
Deixando o químico entregue aos seus estudos, a equipe procurou obter informes mais elucidativos que viessem a oferecer uma explicação para o fenômeno. A senhora que contemplou a "Chuva de Prata" e disse ter visto os discos voadores, garantiu não ter havido equívoco em relação ao que viu, afirmando não se tratar de nenhum avião. A equipe não pode também encontrar explicação para a mencionada "Chuva", que não contava antecedentes na história. Diante disso, guardaram ciosamente os fragmentos que conseguiram colher, deixando-os na redação do jornal, ao inteiro dispor das autoridades do Departamento de Defesa Nacional da Aeronáutica, interessadas que estavam na elucidação do mistério do "Disco Voador".
Em 23 de dezembro de 1954, o jornal Correio Popular de Campinas publicava os resultados do exame do material. Tratava-se de um estanho de pureza ainda não conhecida na Terra. Na
sua composição não foram encontrados indícios de corpos que existem no estanho comum. Além de elevada oxidação, nenhuma outra impureza foi constatada.
Disse o Dr. Maffei, engenheiro químico responsável pela análise, que se tratava de um estanho, com teor de 88,91%, portanto, de um estanho dos mais puros e superior ao estanho conhecido até então. Ainda mais: o estanho comum, contém certa porcentagem de ferro, chumbo, antimônio e outros corpos conhecidos. O material que teria caído do céu, não apresentava a menor impureza, nada contendo além de elevada oxidação. Estranhou, o Dr. Maffei, essa extraordinária pureza do material
analisado, pois, o nosso mais puro estanho, não era idêntico àquele. No seu certificado de análise, dizia o Dr. Maffei, textualmente: "Nota importante - O material em análise apresentou características de oxidação elevada, com teor de estanho combinado ao oxigênio sob forma de óxido de carbono. Não foi determinada nenhuma outra impureza no material em questão."
Assim, ao que parecia, o material era ainda desconhecido. O estanho comum, o mais puro, apresentava um índice de 79% de mistura de enxofre, arsênico, antimônio, chumbo, ferro e outros corpos. O material em questão, continha 86,91%, de estanho e o restante de oxigênio. Não foi nele assinalada a presença de outros corpos. Esclareceu o Dr. Maffei, que o referido material, por certo não poderia ser tomado como solda que houvesse caído de algum avião em trânsito, pois se fosse solda, deveria conter além de estanho, certa porcentagem de antimônio e de chumbo. Tais esclarecimentos, vieram assim, aumentar extraordinariamente a curiosidade da opinião pública em torno do estranho caso. Tudo indicava ser uma composição nova, ainda não conhecida. Interpelado também sobre a possibilidade de se tratar de um meteoro, esclareceu o Dr. Maffei que entre as placas apresentadas e meteoro existia enorme diferenciação. Mostrou-se o químico da Young muito interessado no caso, seriamente intrigado com o mistério que encerrava esse material,
produto de uma "Chuva de Prata" mais misteriosa ainda e que teria caído justamente durante a passagem de "Discos Voadores", esse grande enigma do espaço.



 O material caído de um Disco Voador, na cidade de Campinas, em 1954, foi reanalisado pela SIFETE - Pesquisa Científica em 03 de agosto de 1976.
Um pedaço do referido material, fragmentado em três partes, chegou às nossas mãos através de um já extinto grupo de pesquisas de Campinas, o CIAPE (Centro de Investigações Astronômicas e Pesquisas Espaciais).
As análises foram efetuadas no laboratório do Colégio Técnico Industrial Conselheiro Antônio Prado, por Luiz Regis, tendo como responsável, Rogério Pereira da Silva, na ocasião Coordenador do Departamento de Mineralogia da SIFETE.
Amostra 01 - Laboratório analítico.
Procedência: Campinas
Data: 20/06/76
Amostra de: Metal
Característica: Branca, metálica, facilmente riscável.
Análise: Método clássico.
Resultado - A amostra contém:
Estanho (Sn) - 94%
Ferro (Fe) - 2%
Impurezas - 4%
Obs.: Impurezas diversas.
O estanho não é um metal porosível diante do ar. No entanto é atacado por ar seco. Na natureza é encontrado praticamente sob a forma de cassiterita (SnO2).
O estanho, como o zinco, é utilizado na proteção do ferro ou aço comum. Como exemplo de ferro estanhado temos as folhas de Flandres, as quais são empregadas na confecção de recipientes metálicos.
O estanho pode ser obtido até 99,9% de pureza, portanto essa porcentagem de pureza é normal. (O que contradiz o índice apresentado pelo Dr. Maffei que informou ser de 79% - obs. do autor).
Amostra 02 - Mineral
Características: Cor marrom brilhante, sólida.
Resultados - A amostra contém:
Ferro (Fe) - 42%
Magnésio (Mg) - 1,3%
Alumínio (Al) - 0,75%
Cobre (Cu) - 4,12%
Não identificados - 52,83%
Observações:
O ferro se encontra livre.
O magnésio sob a forma de óxido.
O alumínio sob a forma de bauxita (Al2O3.2H2O)
O cobre se encontra livre.
Os não identificados, pelo menos 20%, são compostos orgânicos.
Nota: O ferro só é encontrado livre nos meteoritos.
Amostra 03 - Mineral
Características: Cor marrom opaca, sólida.
Resultados - A amostra contém:
Ferro (Fe) - 33%
Alumínio (Al) - 14%
Carbono (C ) - 11,43%
Não identificados - 41,57%
Observações:
O ferro sob a forma de siderita (FeCO3).
O Carbono livre sob a forma de grate.