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terça-feira, 5 de maio de 2015

DELMART MICHAEL VREELAND


Em dezembro de 2000, o americano Delmar Michael Vreeland foi preso em Toronto, Canadá, por falsificar cartões de crédito. As autoridades canadenses contataram os americanos, que pediram a extradição imediata de Vreeland, acusado de crime semelhante nos Estados Unidos. Enquanto a Justiça dos dois países resolvia o que fazer, o tempo foi passando. Em outubro de 2001, quando a extradição parecia inevitável, Vreeland apareceu com uma história das mais interessantes.
Ele afirma que é um agente secreto da ONI (Office of Naval Intelligence), agência de espionagem da Marinha americana. Antes de ser preso no Canadá, ele estava numa missão secreta na Rússia. Em Moscou, Vreeland e um agente da Inteligência Canadense, Marc Bastien, teriam tido acesso a um dossiê secreto (elaborado pela CIA, roubado pela KGB e novamente surrupiado pela dupla) que descrevia um plano envolvendo o governo americano e os atentados da Al-Qaeda que aconteceriam um ano mais tarde, em 11 DE SETEMBRO DE 2001.
Esses documentos listavam vários alvos dos terroristas: a Sears Tower, em Chicago; o Pentágono, em Washington; o World Trade Center, em Nova York; o Royal Bank de Toronto. Também dizia que a CIA impediria a maioria dos atentados, mas permitiria que pelo menos um deles acontecesse, para justificar o posterior ataque ao Afeganistão. Como numa boa trama de John Le Carré, Vreeland percebeu que estava frito. Se ficasse na Rússia seria pego pela KGB, se voltasse para os EUA seria assassinado pelos conspiradores. Ele então voou para o Canadá e acabou em cana.
Tudo pode ser apenas lorota de um estelionatário bom de conversa, é claro. O próprio meio-irmão de Vreeland, Terry Weems, que vive na Flórida, afirma que ele sempre foi mitômano e obcecado por teorias conspiratórias. Mas alguns fatos parecem indicar que Vreeland talvez não seja apenas um pilantra imaginativo. O agente canadense Marc Bastien, que teria ficado em Moscou depois da partida do americano, voltou pra casa morto em dezembro de 2000. As autoridades russas afirmaram que ele havia morrido de causas naturais. Mas uma autópsia feita no Canadá revelou grande quantidade da droga clopazine, usada em pacientes esquizofrênicos, que pode causar a morte.

A revista inglesa Jack, de outubro de 2002, forneceu outras evidências que comprovariam a história de Vreeland:
1. Ele afirma que entrou na ONI porque seu avô e seu pai trabalharam na organização. É verdade: a agência foi fundada por Charles Vreeland, avô dele, que mereceu a honra de ter um destroyer batizado em sua homenagem, o USS Vreeland.
2. Ele também relata que passou um bilhete para o guarda da prisão canadense em agosto de 2001. Na nota, ele listava os alvos e a data dos ataques terroristas que aconteceriam no mês seguinte. O carcereiro confirma que recebeu o bilhete, mas não o leu. O papel está atualmente com o advogado de Vreeland.
3. Ele diz ainda que tem uma sala e um telefone no Pentágono, que confirmariam seu status de agente da ONI. A revista inglesa checou: existe mesmo um Delmart Michael Vreeland no Pentágono.
4. E, finalmente, ele explica que as diversas fraudes de que é acusado nos EUA são fruto do seu trabalho como agente secreto. Antes da missão na Rússia, ele teria se infiltrado num cartel de drogas em Los Angeles e precisou falsificar documentos, cartões de crédito, etc. O pedido de extradição é uma armadilha para matá-lo. O governo americano, por sua vez, admite que Vreeland trabalhou mesmo na ONI, mas só até 1986. Daí pra frente, é tudo mentira.
Resta, porém, uma questão: onde estão os tais documentos encontrados na Rússia, que comprovariam ou desmontariam a história de Vreeland? Ele afirma que estão guardados num local seguro, pois são a única garantia de que não será assassinado. Enquanto isso, o suposto agente secreto cumpre prisão semi-aberta no Canadá. O que não é nada mal, caso ele seja apenas um estelionatário.