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terça-feira, 12 de maio de 2015

Quantos bilhões de anos a vida é capaz de durar no Universo?

4,6 bilhões de anos atrás. A Terra em nada se assemelhava com o agradável lar da espécie humana que conhecemos hoje – a superfície era incandescente, vulcões em erupção se espalhavam por toda parte e a atmosfera era tomada por vapores tóxicos. Apesar de todas as adversidades, cerca de um bilhão de anos mais tarde, a vida deu um jeito de prosperar e ocupar um ambiente que se tornava pouco a pouco mais propício para abrigá-la. Refletir sobre o passado do nosso planeta, inevitavelmente, traz à tona algumas questões intrigantes: se aconteceu aqui, o mesmo processo não poderia também ter ocorrido em algum outro lugar do Universo? Por que não em um mundo que orbite uma estrela consideravelmente mais velha do que a nossa, gerando formas de vida muito mais antigas do que aquelas que conhecemos?
"Se a vida inteligente se desenvolver em um sistema tão velho quanto este, continuaria ela a existir ou teriam eles levado a própria espécie à extinção?"
Tiago Campante, astrosismólogo
Uma estrela dessas foi encontrada recentemente pela sonda Kepler, e um grupo de astrônomos anunciou em janeiro a descoberta de cinco pequenos planetas (provavelmente rochosos) girando em torno dela. A idade da Kepler-444 e dos corpos que ela rege atinge impressionantes 11,2 bilhões de anos, quase duas vezes e meia o tempo de vida do nosso sistema solar. No caso específico dessa estrela, é pouco provável que algum de seus planetas abrigue vida, já que o mais distante deles se encontra em uma posição cinco vezes mais próxima de seu sol do que Mercúrio está do nosso.
Mas, de qualquer forma, a coisa pode ser diferente em outros lugares parecidos – e, mais uma vez, surgem perguntas interessantes. “Se a vida inteligente se desenvolver em um sistema tão velho quanto este, continuaria ela a existir ou teriam eles levado a própria espécie à extinção?”, questiona o astrosismólogo Tiago Campante, pesquisador que liderou o estudo da Kepler-444. A equipe publicou um artigo no periódico Astrophysical Journal no qual determinam a idade precisa daquele sistema solar.
Outro aspecto ressaltado no texto foi uma deficiência de ferro na estrela, principal componente dos planetas rochosos. Em contrapartida, ela é rica nos chamados elementos alfa como silício, carbono e oxigênio, formados durante as primeiras explosões estelares do Universo. A composição inusitada sugere que os planetas rochosos possam se formar de múltiplas maneiras, tornando a ocorrência deles mais comum. Para aprofundar a busca por uma segunda Terra, a NASA lançará em 2017 o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) e a ESA colocará em órbita o PLATO (PLAnetary Transits and Oscillations of Stars) em 2024 – ambos vão procurar por exoplanetas e serão mais potentes do que o Kepler. Talvez em breve tenhamos mais respostas sobre o mistério da vida no Universo.
Via Phys.org