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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Carl Gustav Jung – Um Gnóstico Moderno


Primeiro psicanalista a afirmar a que a psicologia humana é religiosa por natureza, Carl Gustav Jung foi fundador da psicanálise analítica e promotor do resgate dos clássicos do Gnosticismo antigo. 
Um dos pioneiros na exploração dos sonhos, Jung dedicou seus estudos a temas variados, como a Alquimia, a Astrologia, a Filosofia Oriental, a Literatura e as Artes.
Seu interesse pela psiquiatria teve origem no estudo das psicoses como doenças da personalidade. Para Jung, esta foi uma grande oportunidade de unir dois campos de estudo de seu interesse: a biologia e a espiritualidade. Tanto que, após sua graduação em medicina pela Universidade de Basel, publicou um trabalho intitulado Sobre a Psicologia e a Patologia dos Chamados Fenômenos Ocultos.
Mais tarde Jung conheceu Sigmund Freud, pai da psicanálise e pioneiro no estudo do inconsciente humano, e o relacionamento dos dois estendeu-se por alguns anos. A cooperação entre estas duas grandes mentes ocidentais, bem como sua amizade, chegou ao fim em 1912, com a publicação da obra Psicologia do Inconsciente, na qual Jung apresenta conceitos divergentes daqueles presentes na teoria freudiana.
Ao longo de seu trabalho clínico, Jung compreendeu a existência de um propósito espiritual para a vida do ser humano, que se estendia para mais além das conquistas materiais. A tarefa de todo indivíduo seria descobrir e realizar seu potencial espiritual inato através de uma jornada de transformação que Jung descobriu ser parte integrante e fundamental de todas as religiões. Esta jornada foi chamada de Individuação.
Ao contrário de Freud, Jung mantinha a religiosidade e a espiritualidade em alta estima, creditando a elas um papel fundamental na aquisição de bem-estar integral. Ao contrário de seu antigo amigo, colega e mentor, que se detivera na estereotipação da religião judaica, Jung dedicou longos estudos às antigas tradições místicas, tal como o Cristianismo, o Hinduísmo, o Budismo, o Taoísmo e o Gnosticismo.
Jung possuía um interesse muito especial pelo Gnosticismo. Em um de seus livros mais enigmáticos, Os Sete Sermões aos Mortos, usa uma linguagem arquetípica fundamentada nos mitos gnósticos. Neste breve tratado místico, Jung adota a identidade de Basílides, um dos expoentes do Gnosticismo Clássico, e posiciona a divindade gnóstica Abraxas como o maior entre todos os deuses.
Até mesmo nos eventos que envolveram a recuperação dos livros da Biblioteca de Nag Hammadi, Jung teve participação decisiva, ainda que indireta. Um dos livros que formam esta preciosa coleção estava sendo negociado por mercadores de antiguidades. Gilles Quispel, amigo de Jung, acabou adquirindo o livro em nome do Instituto Jung de Zurique, com o intuito de presenteá-lo. Por este motivo, esta parte da Biblioteca de Nag Hammadi é conhecida como Codex Jung.
Entre seus trabalhos mais controversos figura o livro Psicologia e Alquimia, onde analisa a simbologia alquímica com o intuito de demonstrar sua íntima e profunda relação com o processo analítico. Para Jung, a alquimia é uma metáfora para o processo de Individuação, e através desta arte somos capazes de transformar as impurezas da alma (chumbo) em uma alma perfeita (ouro).
Texto levemente alterado do original de Giordano Cimadon
Sociedade Gnóstica Internacional
http://www.sgi.org.br/psicologia/carl-gustav-jung/