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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Assim funcionava o Zyklon-B, o gás usado por nazistas em Auschwitz


O extermínio por inalação de gás tóxico é uma marca do nazismo. A rapidez e eficácia do método foram importantes para a sua implementação nos campos de concentração. E quando os alemães foram julgados pelos crimes cometidos contra a humanidade, o Dr. Sven Anders, médico forense da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, contou detalhadamente os efeitos do atroz Zyklon-B, um gás letal criado pelos alemães para acabar com a vida de milhões de presos nos campos de concentração. 


Antes de chegar às câmaras de extermínio, o Zyklon-B foi concebido originalmente como pesticida. Hitler, com um plano genocida que requeria matanças inconcebivelmente numerosas em um espaço mínimo de tempo, procurou avançar sobre novas formas de extermínio maciço, mais rápidas e eficientes.  

Em setembro de 1941, no campo de Auschwitz, foram iniciados os primeiros testes com o Zyklon-B, contra 600 prisioneiros de guerra soviéticos e 250 doentes. Ao entrar em contato com o ar, os grânulos do Zyklon-B se transformavam em um gás mortal. Rapidamente, foi demonstrado que se tratava de um método mais eficiente, e por isso ele foi escolhido para ser o agente dos massacres em Auschwitz e outros campos. 

De acordo com o Dr. Sven Anders, a inalação do gás gerava uma dor extrema e convulsões violentas, que atacavam o cérebro e produziam um ataque cardíaco em questão de segundos. Nas palavras do médico, o gás, mais leve que o ar, “penetrava nos pulmões por meio da inalação e bloqueava a respiração celular”. O coração e o cérebro eram os primeiros afetados. “Os sintomas começavam com uma sensação se queimação no peito similar à que causa a dor espasmódica e à que ocorre durante os ataques de epilepsia. A morte por parada cardíaca acontecia em questão de segundos. Era um dos venenos de ação mais rápida”, acrescenta o doutor. 

Outro fator importante na hora de morrer por inalação de Zyklon-B era a altura da vítima. Por ser um gás mais leve que o ar, ele se acumulava nos espaços superiores da câmara de gás, matando primeiro os adultos. As crianças, por sua vez, morriam minutos depois de ter visto morrerem seus entes queridos, sofrendo ainda mais que eles.