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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Caso do tratorista Toríbio


No dia 30 de junho de 1974, quando todas as atenções se voltaram para o jogo entre Brasil e Argentina, dois homens, um médico e um filósofo - tomaram o rumo da rodovia Castelo Branco e viajaram 150 quilômetros até a cidade de Tietê. Ali passaram praticamente o dia, interrogando um fazendeiro, fazendo anotações e olhando minuto a minuto o horizonte que se estendia - claro e límpido - em direção a Porto Feliz, Cerquilho, Capivari, Campinas, Viracopos. 
Como veteranos pesquisadores que não mais traem suas emoções diante do mais fantástico relato, eles fizeram o fazendeiro repetir dezenas de vezes a sua história, ouviram os seus filhos - estudantes  e vizinhos, levando-os a repetir novamente detalhes que, aparentemente, para os interrogados, não tinham o efeito de impressionar os dois homens como eles imaginaram. 
—Mas já disse aos senhores que eu vi. E minha falecida esposa, os filhos, todos viram. O que estou lhes contando é a verdade, a mais pura verdade. Ali, da direção de Viracopos. 
Sempre das 18h 30m às 19 horas e em maior número às quartas e sábados. Arredondados,metálicos, parecendo deslizar no espaço. Até já responderam aos meus sinais de lanterna. 
Os dois homens sorriam complacentemente, mas. "Vamos ver de novo. A que distância mesmo? Por favor, estique os braços e junte os dedos no tamanho exato. Ali, sempre de sul para norte. A luz emitida, de que tamanho mesmo? Amarela? Azul? Vermelha? Fixa ou móvel? E os objetos, isolados ou em formação? A que altura? 
—Mas eu já disse. Ora, conheço bem aviões. Sim, sei que é rota para Viracopos. E eu sei diferenciar. As luzes vermelhas e verdes, dos que vi, ficavam a uma distância bem menor. A dos aviões piscam mais depressa. E eles responderam aos meus sinais. Não, não eram aviões. Eu conheço, ora. 
Acho que os senhores não estão acreditando em mim. (Um pouco sem graça). Mas, esta é a verdade. 
E o fazendeiro somente viu diminuída a sua decepção - 
"Mas os senhores não trazem instrumentos, lunetas, radares móveis?" - quando um dos homens, ainda sorrindo, lhe disse que o seu caso "merece em princípio ser pesquisado e estudado com maior profundidade, dado o grau de confiabilidade e estranheza que encerra".  
Max Berezovski, o médico, e Guilherme Wirz, o filólogo, acabavam de completar ali, numa fazenda às margens da Rodovia Marechal Rondon, em Tietê, mais uma investigação preliminar, sobre o aparecimento nos céus do estado de São Paulo de mais um "objeto aéreo não identificado", os OANIs, mundialmente conhecidos como Discos Voadores. 
Desde que reuniram em 1968 - junto com outros médicos, psiquiatras, engenheiros, técnicos e interessados - para fundar a ABECE (Associação Brasileira de Estudo das Civilizações Extraterrestres), que já receberam a denúncia de milhares de casos, viajaram mais de dez mil quilômetros para investigar uns 30, encontraram-se em dúvida com relação a uns dez e deram o 
seu veredicto de "real e verdadeiro" a apenas uma meia dúzia. 
O caso do fazendeiro de Tietê - cujo nome preferiram não divulgar por questão de ética - ficou entre os arquivados para posteriores investigações. Mas garantiram que o seu grau de estranheza era baixo, ao contrário das experiências - fascinantes e investigadas inclusive pela Aeronáutica - de Maria Cintra a enfermeira de Lins; de Toríbio Pereira, o tratorista também de Lins; de Tiago Santos, o vendedor de frutas de Pirassununga; e de Caetano Sérgio Santos, o vigia noturno de Caconde. 
—De tudo o que aparecia e que era visto, apenas um por cento se ficava sabendo. 
A declaração foi do Prof. Wirz, citando todos os casos de aparecimento de objetos aéreos não identificados nos céus de todo o mundo. Entretanto, desse um por cento conhecido, já foi possível aos especialistas em Discos Voadores estabelecer uns tantos pontos básicos a seu respeito. 
Por exemplo, a maior incidência de OVNI, verificada até 1974 - pelo menos desde que se estudava com profundidade o assunto - ocorreu em outubro de 1954 (a razão pelo menos ninguém diz saber). 
Eles sempre são vistos, com maior intensidade, das 18 às 19 horas e das 21 às 24 (registro mínimo, das 13 às 15 horas; absolutamente nenhum caso, das 15 às 16 horas). 
Já foram avistados nos céus OANIs de até 300 metros de diâmetro (naves - mãe), mas segundo a ABECE, os tipos mais freqüentes são os de oito, quinze e trinta e cinco metros de diâmetro; quanto ao seu contorno, a maioria das descrições dão conta de que são duas bacias juntas; em forma de um chapéu de Napoleão; ovóide vertical; charuto horizontal e chapéu com tripé (caso de Pirassununga). 
Quanto à descrição de seus ocupantes, o estudioso Jáder Pereira, do Rio Grande do Sul, baseando-se no relato de 333 testemunhas, assim os classificou: 95,8% de formas humanas e 4,2% de formas não humanas (à medida em que se entende por humano o padrão estético normal). 
Os seres que mais se aproximaram da forma humana tinham entre 1,20 a 2 metros de altura; saíram de suas naves, uns encapuçados, outros não, outros ainda portanto máscaras de respiração(?). 
Os não humanos, segundo o artigo de Jader Pereira, publicado em uma revista inglesa, tinham uns, orelhas pontudas, outros a pele enrugada, outros ainda cabeça proeminente "em síntese, fugiam do padrão".  
Para o Prof. Guilherme Wirz, que desde 1954 estudava os OANIs, o caso, entretanto, "mais real e fantástico" que teve a oportunidade de pesquisar - "e que, inclusive, motivou a criação do CIONI (Centro de Investigações de Objetos Não Identificados) da 4.ª Zona Aérea, sob a chefia do Brigadeiro José Vaz da Silva e da supervisão do então Major Zani" - foi ocorrido com o tratorista Toríbio Pereira, funcionário da prefeitura de Lins. 
Em outubro de 1968 (algumas semanas depois da aventura de Maria Cintra), Toríbio, então com 40 anos, "um caboclo índio, forte e troncudo", caminhava às 6h 25m em direção ao seu trator, encostado a alguns metros de um barranco no limite norte da cidade. 
Ao subir na esteira, percebeu então do outro lado, entre o trator e o barranco, "um Karmann Ghia". E acocorados no chão três pessoas pequenas, de 1,50 metros, vestidas de uma espécie de capuz comprido, que descia até os joelhos e, por baixo, uma camisa. 
—Tinham rostos finos e humanos e não se diferenciavam. Eram mais iguais entre si que as minhas duas filhas gêmeas. 
Do que me recordou a seguir, o Toríbio, que nas semanas seguintes chegou a perder 15 quilos, lembra-se de que ao serem pressentidos um dos homenzinhos sacou da manga de sua capa "uma espécie de mandril" (peça mecânica) e projetou contra o seu tronco, uma luz branca, que o imobilizou instantaneamente. 
Em seguida, correram para o "Karmann Ghia" (Toríbio nunca se afastou dessa imagem durante todo o interrogatório), fecharam a porta e o aparelho desapareceu com um leve zumbido. 
Quando o seu caso chegou aos jornais, o tratorista Toríbio, por ordem das autoridades, foi retirado para uma fazenda. 
Perdeu quinze quilos e em São Paulo foi submetido a tratamento no estômago, no local atingido pela luz branca, onde dizia sentir "uma leve dorzinha".