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quinta-feira, 16 de julho de 2015

JOÃO PAULO I


Albino Luciani foi eleito papa em 26 de agosto de 1978. Para homenagear seus antecessores, João XXIII e Paulo VI, adotou o nome de João Paulo I. Trinta e três dias depois, o pontífice foi encontrado morto no seu quarto, vítima de um infarto no miocárdio. Ele tinha 66 anos.
Os rumores de que o papa havia sido assassinado começaram a circular já no dia seguinte. O primeiro boato era de uma ingenuidade gritante: Luciani queria vender o “ouro do Vaticano” para acabar com a fome do mundo e, por isso, acabara envenenado por cardeais conservadores. A tese era idiota demais para convencer qualquer um que não tivesse queimado completamente os neurônios. Então uma outra teoria conspiratória começou a tomar forma - e essa fazia mais sentido. João Paulo I teria descoberto que o Banco do Vaticano, presidido pelo arcebispo Paul Marcinkus, estava envolvido num esquema de corrupção com o Banco Ambrosiano de Milão, a Máfia e a loja maçônica P-2. Disposto a acabar com a roubalheira, o papa decidiu exonerar Marcinkus e expor o esquema. Os conspiradores, porém, foram mais rápidos: assassinaram João Paulo I com uma injeção letal.
Alguns fatos ajudam a alicerçar essa teoria:
. Em 1982, quatro anos depois da morte do papa, Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano e suposto membro dos CAVALEIROS DE MALTA, foi acusado de lavar dinheiro para a Máfia, junto com o Banco do Vaticano presidido pelo arcebispo Marcinkus. Calvi desapareceu e, alguns dias depois, foi encontrado enforcado debaixo de uma ponte em Londres. No mesmo dia, a secretária dele, Graziella Corrocher, resolveu se jogar pela janela do banco em Milão.
. Parte do lucro obtido com a lavagem de dinheiro era usa­do para financiar a loja maçônica P2 - ou Propaganda Due - que, por sua vez, dava sustentação a grupos terroristas de extrema direita na Itália.
. No dia seguinte à morte de João Paulo I, a agência Ansa noticiou que os embalsamadores Ernesto e Renato Signoracci foram acordados às cinco da manhã e levados às pressas ao Vaticano para cuidar do corpo. O problema é que o corpo do papa só foi encontrado às 5h30.
Esta teoria conspiratória envolvendo arcebispos, mafiosos e maçons aparece no livro Em Nome de Deus (Record,1984), de David Yallop, e no roman-à-clef La Soutane Rouge (Gallimard,1983), de Roger Peyrefitte. Mario Puzo e Francis Coppola também se inspiraram nessa história para o roteiro de O Poderoso Chefão III.
A tese de que o João Paulo I foi assassinado pelos próprios cardeais pode não convencer o leitor de fé. Mas a prática não é incomum na história do catolicismo. Pelo menos 11 pontífices foram comprovadamente envenenados. A maioria, pelos próprios cardeais.