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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Uma explicação neurológica para os casos de abdução alienígena

Vamos partir do pressuposto que abduções alienígenas não aconteceram. Como tantas pessoas ao redor do mundo descrevem experiências similares que, na prática, não ocorreram?
Uma pesquisa do Instituto Qualibest estima que 42% dos brasileiros acreditam que exista vida inteligente fora da Terra (o número sobe pra 88% quando falamos de vida microbiana). Mas por que há pessoas que acreditam ter sido abduzidas pelos ETs?
Você pode achar que esse pessoal possua algum distúrbio mental - mas não é verdade. Já entrevistamos um pesquisador brasileiro que analisou pessoas que afirmam ter sido abduzidas, e as chances de que elas tenham algum problema psicológico é exatamente a mesma de quem nunca 'viu' um alien por aí. 
Não só os abduzidos são pessoas normais como contam histórias extremamente parecidas sobre o contato. A trama é quase sempre a mesma: as vítimas estão paralizadas quando os ETs chegam. As figuras, descritas com grandes olhos e cabeças, manipulam seus corpos. As vítimas sentem vibrações e choques elétricos e, depois, passam por um período de confusão que pode até levar à depressão.
Os detalhes da história podem variar um pouco, mas a progressão da história é basicamente a mesma. Então, se ninguém foi abduzido de fato, como pessoas de diferentes partes do mundo descrevem experiências tão parecidas? É porque eles estão falando a verdade. Calma, não estamos dizendo que eles realmente foram abduzidos. Mas eles realmente sofreram um episódio estranho, cheio de sensações similares. Só que isso não tem nada a ver com aliens e sim com uma anomalia na hora de adormecer. 
Durante o sono REM, quando estamos tendo nossos sonhos mais vívidos, os músculos ficam paralisados. A transição normal para o despertar envolve duas grandes mudanças no cérebro: o retorno da consciência e a volta do controle muscular. E apesar dessas duas funções estarem em locais diferentes do cérebro, elas são ativadas simultaneamente quando acordamos - normalmente.
Na paralisia do sono, um atraso ocorre entre o retorno da consciência e a ativação do controle muscular. Então a pessoa 'acorda', mas fica paralisada por segundos ou minutos - episódios de até uma hora já foram registrados, mas são raros. Alucionações auditivas ou visuais podem acompanhar esse estágio. Pessoas ouvem coisas estranhas, vêem figuras bizarras e sentem presenças incomuns. Acredite se quiser, tudo isso é bem comum, afetando 8% da população. 
E não é coincidência que esses sintomas podem ser usados para descrever as supostas abduções alienígenas. E por que várias pessoas vêem essas figuras descritas como aliens? Uma pesquisa em que neurocientistas estimularam os lobos temporais (uma região do cérebro) de voluntários, os voluntários afirmaram sentir o contato com figuras estranhas.
E por que uma pessoa completamente racional diria aos outros que foi visitada por aliens? Como aponta o Daily Beast, quando o cérebro é confrontado com uma experiência contraditória ele, instantaneamente, formula uma explicação - quase como uma pareidolia,como já explicamos neste post.
Então suponha que você sofreu uma experiência horrível causada pela paralisia no sono - a questão imediata que seu cérebro precisa responder é 'o que acabou de acontecer comigo?'. O cérebro busca uma explicação em suas experiências e concluir que tudo aquilo que você passou parece bastante com o descrito em filmes, documentários e pela internet: uma abdução alien.
Pelo mundo, em diferentes culturas, há outras explicações. No México chamam a experiência de 'subirse el muerto' (um defunto estava em cima de mim), no Caribe há o Kokma (bebês que morreram antes de ser batizados tentam estrangular a vítima) e no Reino Unido há os "stand stills" (o espírito deixa o corpo durante o sono e não retorna imediatamente). O cérebro aceita a explicação mais comum a ele quando ele cruza os dados entre os sintomas e a possível causa.