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sábado, 1 de agosto de 2015

Caso Serra da Cantareira


Depois de dois dias com policiais vasculhando as matas da Serra da Cantareira, o COE (Comando de Operações Especiais da Polícia Militar) resolveu suspender a busca de um objeto estranho que, segundo os moradores da redondeza, havia caído do céu, provocando um forte barulho de explosão.  
Segundo os policiais do COE, a busca seria prosseguida pela FAB, "que está mais ligada a esses assuntos". Mas eles afirmaram que praticamente não havia interesse em continuar qualquer tipo de busca, já que o objeto não tinha sido captado pelos radares. 
Quanto às afirmações dos moradores da região de Tremembé, São Miguel e Cantareira, os policiais comentaram que havia grande dose de imaginação em todas as descrições. A hipótese de se tratar de um cometa ou de um meteorito não era afastada pelos policiais. 
— As pessoas - contou um dos PMs - podem ter visto algo desse gênero passando por perto dos morros da Cantareira e ter achado que o "objeto" pousou naquele local. 
Antenor Nogueira, funcionário da Prefeitura que morava próximo ao reservatório da Sabesp, disse que ficou muito assustado, na Quinta-feira anterior, quando ouviu um forte barulho de explosão, vindo de um dos morros vizinhos à sua casa: 
— No início pensei que um avião tivesse batido numa dessas torres de alta tensão, porque há alguns dias as luzes de sinalização não estavam funcionando. Mas depois pensei que não poderia ser isso, porque senão eu teria escutado o ronco do motor. 
Dois dias depois, ainda assustado, ele disse porém, que nada ocorreu depois da explosão. 
Na madrugada do dia 11, entretanto, mais de 40 pessoas telefonaram para a torre de controle do Aeroporto de Congonhas, comunicando sobre o aparecimento de objetos voadores, com as mais variadas descrições.  
Os objetos também foram avistados por comandantes de aviões da VARIG e da Pan American, que comunicaram o fato às autoridades aeronáuticas. 
De acordo com o então presidente da Associação Brasileira de Pesquisas Exológicas, Max Berezowsky, a descrição dos objetos avistados no Rio de Janeiro, coincidia com as feitas em São Paulo. Segundo o professor, "estamos atravessando uma fase de muita procura por parte das civilizações procedentes de outras galáxias.". Mas ele não soube explicar o motivo disso. 
No Rio de Janeiro, a aparição de objetos estranhos no céu durante aquele fim de semana foi um assunto muito comentado ainda no dia 13. As redações dos jornais cariocas foram procuradas por muitas pessoas, algumas das quais diziam ter fotografado os objetos. Revelados os filmes, porém, verificou-se que nenhuma chapa era aproveitável: estavam todas sem imagens. 
No observatório de Valongo, o professor Luís Eduardo Silva Machado, disse que vários funcionários do observatório contaram o que viram e que, pelo relato, podia-se concluir que eram meteoritos, que quando passam a grande altitude, deixam um enorme rastro. Machado disse que os meteoritos, conhecidos pelo povo por "estrelas cadentes", são do tamanho de um grão de arroz e passam a uma altura média de 20 Quilômetros, à velocidade de 40 quilômetros por minuto. Quando acontece de 
passar um mais pesado, com um quilo, por exemplo, o atrito com a atmosfera provoca um clarão que muitos confundem com discos voadores. Esse clarão pode ser dividido, o que leva alguns a julgar que se trata de vários objetos. 
No Observatório Nacional, porém, o diretor, prof. Rogério Mourão, apresentou uma versão diferente: ele disse que não eram meteoritos, mas sim satélites desativados que entram na órbita da Terra. 

(Jornal da Tarde - 14/03/1978)