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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Astrônomos descobrem 86 novas chuvas de meteoros


Perseidas, Geminídeas, Eta Aquarídeas: se você se interessa por astronomia e gosta de contemplar o céu noturno, já deve ter escutado esses nomes. São algumas das mais importantes chuvas de meteoros que se repetem todos os anos, proporcionando um verdadeiro espetáculo. Como se não bastasse termos a chance de admirar estas e tantas outras chuvas bem conhecidasastrônomos anunciaram a confirmação de 86 eventos do gêneroque, até então, ninguém sabia que existiam.
Temos um retrato em 3D de como a poeira está distribuída no Sistema Solar"
Peter Jenniskens, astrônomo do Instituto SETI
É o que acontece quando 60 câmeras de segurança instaladas em três locais diferentes da Califórnia deixam de procurar por bandidos e, ao invés disso, passam a monitorar todas as noites um grande pedaço dos céus. “O legal é que nós não estamos fazendo só uma vigilância de meteoros no céu noturno, agora também temos um retrato tridimensional de como a poeira está distribuída no Sistema Solar”, disse a NaturePeter Jenniskens, astrônomo do Instituto SETI.
As chuvas de meteoros acontecem quando a órbita da Terra cruza com alguma região rica em detritos deixados para trás após a passagem de um cometa ou asteroide. Um conhecimento mais detalhado sobre elas não favorece apenas os observadores de estrelas, mas também permite aos pesquisadores entenderem melhor como esse detrito, normalmente em forma de poeira, se distribui pelo espaço.
Chuva de meteoros poderá ser vista na madrugada de hoje (Foto: Reprodução)
Não é de hoje que a comunidade astronômica tenta identificar as chuvas - isso vem sendo feito há séculos. Mais de 750 candidatas foram reportadas à União Astronômica Internacional(IAU, na sigla em inglês), das quais apenas 81 foram confirmadas pelo sistema californiano de monitoramento por câmeras. Além dessas, outras 86 completamente novas foram identificadas.
O projeto iniciado em 2010 se chama Cameras for Allsky Meteor Surveillance (CAMS), que em tradução livre significa algo como Câmeras para a Vigilância de Meteoros em Todo o Céu. Desde então, mais de 250 mil objetos já foram catalogados. Dentre as chuvas descobertas, Jenniskens chamou a atenção para uma cujo o radiante se origina na constelação de Vela. O fenômeno fica visível no Hemisfério Sul no início de dezembro e, segundo o pesquisador, é surpreendentemente intenso para não ter sido notado antes.
“O CAMS serve para obter massivos conjuntos de dados sobre meteoros, para que então se possa enxergar através de toda a dispersão e chegar a essas novas chuvas”, comentou Phil Bland, cientista planetário da Universidade Curtin, na Austrália. Ele colabora com uma iniciativa semelhante que está sendo tocada nos desertos australianos, os outbacks. Agora, a equipe do CAMS quer expandir ainda mais sua rede de câmeras, configurando sistemas menores na Holanda e na Nova Zelândia.
Via Nature