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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sapos podem sofrer extinção em massa, alerta biólogo


Quando uma pessoa leiga perguntou ao biólogo australiano John Alroy quantas espécies de animais haviam sido extintas nos últimos tempos, ele percebeu que existiam poucas pesquisas sobre o assunto. A partir desta constatação, o cientista resolveu se debruçar sobre uma vasta literatura de museu e um grande número de artigos científicos que determinavam populações de diferentes espécies ao longo do tempo. Alroy optou por focar seu estudo na taxa de extinção de apenas dois grupos - os répteis e os anfíbios. E dentre todos os animais avaliados, ele descobriu que os sapos são, de longe, os mais ameaçados. Se nada mudar, eles estão a caminho de enfrentar uma extinção em massa.
Previsão para este século é que taxa de extinção dos sapos chegue a 6,9%
De acordo com os dados levantados e apresentados em um artigono periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, aproximadamente 200 espécies de sapo desapareceram em apenas 30 anos, entre 1960 e 1990. Isso equivale a 3,1% do total de 6,3 mil espécies catalogadas. A previsão para este século é ainda pior: o biólogo estima que a taxa de extinção dos sapos chegue a preocupantes 6,9%. Para fazer as estimativas, Alroy aplicou um modelo estatístico que deriva as probabilidades de extinção para o futuro com base nas estatísticas do passado.
No caso dos sapos, ele aponta o aquecimento global como um dos principais responsáveis pelo extermínio massivo das espécies. Mas o pesquisador faz um alerta para que não se tome a abordagem simplista de considerar as mudanças climáticas como as únicas culpadas. Aqui mesmo no Brasil e também na América Central, o fungo Batrachochytrium dendrobatidis dizimou populações inteiras do anfíbio. A poluição do ar e da água, as espécies invasoras e a perda de habitat são apontadas como fatores agravantes.
Diferenças regionais também são marcantes: a América do Sul, por exemplo, perdeu uma quantidade muito maior de sapos que a América do Norte, a Europa e a Ásia. As espécies da ilha de Madagascar foram atingidas de um jeito bem mais forte que as da África, que não sofreram tanto assim. Como se não bastasse o cenário pessimista para o futuro dos sapos neste planeta, a situação ainda pode ser mais grave. John Alroy fez questão de frisar que suas estimativas seguiram uma linha conservadora. Em regiões com pouca documentação como as florestas sul-americanas, o número de espécies extintas pode ter sido bem maior.
Via Phys