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quarta-feira, 23 de março de 2016

Campo magnético forte evitou que a Terra ficasse estéril como Marte

Descoberta foi feita por equipe de um brasileiro (Foto: Divulgação)
O Sol quase deixou a Terra estéril como Marte. Esta é uma das conclusões de um estudo liderado pelo astrônomo brasileiro José Dias do Nascimento, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pesquisador visitante do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (CfA).

Estudando a estrela Kappa Ceti, distante a cerca de 30 anos-luz da Terra, e que tem quase a mesma massa, raio e composição do nosso sol, a equipe de Nascimento simulou os impactos que os planetas de nosso sistema solar teriam recebido do Sol, quando este ainda era jovem. Kappa Ceti foi escolhida para desempenhar esta função porque ainda é uma estrela considerada jovem – entre 400 milhões e 600 milhões de anos, enquanto o Sol já tem cerca de 4,6 bilhões de anos. Portanto, seu vento estelar é, pelo menos, 50 vezes mais intenso que o do Sol. Além disso, essa distante estrela também está sujeita aos superflares, erupções gigantes que liberam de 10 a 100 milhões de vezes mais energia que o Sol.

De acordo com a pesquisa, esse ambiente faria com que os planetas na zona habitável de Kappa Ceti - isto é, que a orbitassem a uma distância em que a temperatura não ficasse muito fria ou muito quente, a ponto de permitir água em estado líquido - perderiam sua atmosfera, caso não tivessem um campo magnético forte o suficiente para protege-los.

Simulando a mesma situação em nosso sistema solar, a conclusão do estudo é que a Terra já tinha um campo magnético fortíssimo, capaz de protegê-la das erupções e da energia liberado pelo Sol jovem. Marte e Vênus, que estão na chamada zona habitável da nossa estrela, não tinham campos magnéticos tão fortes quando o do nosso planeta. Hoje, Vênus se tornou um lugar quentíssimo, alimentado por um efeito estufa descontrolado, capaz de derreter até chumbo. Marte, um deserto gelado com atmosfera rarefeita e que não gera efeito estufa suficiente para esquentar o planeta.

“A Terra antiga não tinha tanta proteção quanto tem agora, mas ainda tinha o bastante”, conta Nascimento, nas conclusões. “Para ser habitável, um planeta precisa de calor e de água, mas também necessita proteção de um sol jovem e muito agressivo”, explica
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