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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Astronomia avançada da tribo Dogon sugere contato com alienígenas


Esquerda: Sirius A e Sirius B, em uma imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble (NASA, ESA, H. Bond / STScI, M. Barstow / Universidade de Leicester) Direita: Um homem da Tribo Dogon (Ferdinand Reus / Wikimedia Commons)


O universo é cheio de mistérios que desafiam o nosso conhecimento atual. Em “Além da Ciência”, o Epoch Times coleta histórias sobre alguns estranhos fenômenos para estimular a imaginação e abrir a mente para novas possibilidades. Elas são reais? Você decide.
Os céticos e os proponentes da teoria dos antigos alienígenas se enfrentam, durante décadas, sobre a questão do avançado conhecimento astronômico da tribo Dogon.
Aqui, podemos observar alguns dos argumentos de ambos os lados a respeito desta tribo do Mali, na África, e seu suposto conhecimento a respeito dos movimentos de uma estrela que não é visível da Terra sem telescópios modernos.
Conhecimentos supostamente desvendados pela tribo Dogon
Sirius é a estrela mais brilhante no céu, e teve um lugar de destaque em muitas culturas antigas. Sirius, que está a cerca de 8,7 anos-luz da Terra, tem como companheira uma estrela anã branca, Sirius B. A Sirius B não pode ser vista a olho nu, e a primeira suposição da sua existência por astrônomos foi em 1830. Eles matematicamente desenvolveram um modelo teórico da sua órbita em torno de Sirius (agora conhecida como Sirius A), no final do século 19.
Os astrônomos sabiam que a Sirius B era feita de uma matéria superdensa, mas ele não conseguiam desvendar os detalhes, até que a física quântica ajudou a explicá-los em 1926. Em 1894, as irregularidades no movimento da Sirius B levaram os astrônomos a considerar que uma terceira estrela, Sirius C, pudesse existir e exercer uma influência sobre a órbita da Sirius B. Esta ainda é uma questão de debate, ainda não sabemos se a Sirius C existe ou não.
Sirius A e Sirius B, como visto pelo Telescópio Espacial Hubble. A anã branca pode ser vista no canto inferior esquerdo (NASA, ESA, H. Bond / STScI, M. Barstow / Universidade de Leicester)
Sirius A e Sirius B, como visto pelo Telescópio Espacial Hubble. A anã branca pode ser vista no canto inferior esquerdo (NASA, ESA, H. Bond / STScI, M. Barstow / Universidade de Leicester)
Diz-se que os Dogon já sabiam de tudo isso séculos antes de os astrônomos ocidentais começarem a contemplá-la. Para eles, Sirius é um sistema de três estrelas. Eles supostamente descrevem com precisão a Sirius B: eles dizem que é uma estrela companheira de Sirius, que é invisível da Terra, que tem um período orbital de 50 anos, que viaja ao redor da Sirius A ao longo de uma trajetória elíptica, e é feita de uma substância pesada não encontrada na Terra.
Um diagrama da tribo Dogon dito por representar a órbita elíptica de Sirius B em torno de Sírius A (Wikimedia Commons)
Um diagrama da tribo Dogon dito por representar a órbita elíptica de Sirius B em torno de Sírius A (Wikimedia Commons)
Diz-se também que os Dogon entendiam que a Terra e os outros planetas giram em seus eixos, que orbitam o Sol, que Júpiter tem quatro luas, e que Saturno tem um anel em torno dele.
Um artigo do observatório Chandra da NASA declarou: “Carl Sagan comentou em seu livro, ‘Broca’s Brain’ (Cérebro de Broca), a conclusão sobre órbitas planetárias, que embora uma visão rara,  pode ser alcançada sem a alta tecnologia, como demonstrado por alguns gregos e Copérnico. Para as luas de Júpiter e os anéis de Saturno, com uma combinação de visão extraordinária e céus perfeitamente claros, poderia ser possível vê-los sem um telescópio.”
Poderia a tribo Dogon, de alguma forma, ter visto a Sirius B?


Os céticos e defensores dos antigos alienígenas parecem concordar que os Dogon não poderiam ter observado a Sirius B ou sua órbita em torno da Sirius A.
A única maneira pela qual a Sirius B poderia ter sido visível para os Dogon (e todas as outras culturas) seria se ela houvesse sido uma gigante vermelha há alguns milhares de anos atrás, de acordo com Liam McDaid, um professor de astronomia na Sacramento City College (Faculdade da Cidade de Sacramento) e um cientista sênior para a organização sem fins lucrativos The Skeptic Society (A Sociedade Cética). Se este fosse o caso, qualquer um poderia ter facilmente observado tanto a Sirius A como Sirius B em ação. Alguns dizem que os antigos, de fato, descreveram a Sirius como uma gigante vermelha.
Mas, McDaid explicou em um artigo: “Um problema com essa ideia é que a Sirius B tem sido uma anã branca por, pelo menos, dezenas de milhares de anos. Se a Sirius B tivesse sido uma gigante vermelha há apenas alguns milhares de anos atrás, ainda haveria uma nebulosa planetária brilhante e visível em torno dela hoje. Nenhuma nebulosa desse tipo é vista.”
Um Hogon, líder spiritual da tribo Dogon (Senani P./Wikimedia Commons)
Um Hogon, líder spiritual da tribo Dogon (Senani P./Wikimedia Commons)
“O segundo problema é que os escritores antigos pareciam usar a cor para as estrelas de uma maneira diferente da que nós fazemos hoje (eles descreveram Pollux, Arcturus, e Capella como ‘vermelhas’ – um observador moderno as chamaria de amarelo-laranja, laranja, e amarelo, respectivamente).

 E, finalmente, mesmo que Sirius B houvesse sido uma gigante vermelha visível há alguns milhares de anos atrás, como os Dogon saberiam que Sirius B ainda estava lá depois que se tornou uma anã branca?”
Da mesma forma que o astrônomo Carl Sagan, McDaid concluiu que o conhecimento dos Dogon sobre a Sirius B deve ter vindo de uma cultura avançada. Sagan e McDaid disseram que deve ter vindo da cultura ocidental moderna, outros dizem que isso é improvável.
Quais são as chances de terem recebido o conhecimento a partir de contato ocidental?
A teoria de que os Dogon possuíam esse conhecimento avançado da Sirius B é baseada nos relatos antropológicos da Dra. Germaine Dieterlen, secretário-geral da Société des Africanistes (Sociedade dos Africanistas) no Musée de l’Homme (Museu do Homem), em Paris, e do Dr. Marcel Griaule que visitaram a tribo juntos na década de 1930.
O livro de Robert Temple “O Mistério Sirius”, publicado em 1976, popularizou a teoria dos antigos alienígenas como uma explicação para o conhecimento dos Dogon. Ele refutou os argumentos dados por Sagan de que os Dogon teriam adquirido o conhecimento astronômico através do contato com o mundo ocidental.
Em uma carta aberta a Sagan, escrita em 1981, Temple declarou: “Como [a Dra. Dieterlen] passou a maior parte de sua vida morando com os Dogon e os conhecem assim como as suas tradições, mais intimamente do que qualquer outra pessoa viva, a sua opinião sobre uma possível origem ocidental para as tradições dos Dogon sobre a Sirius é da mais alta importância. Ela responde a essas sugestões com uma única palavra: ‘Absurdo!'”
Durante uma entrevista para um especial da BBC, ela mostrou um artefato Dogon de 400 anos de idade representando as três estrelas do sistema de Sirius. Esta parte foi editada fora da transmissão americana, disse Temple, e pode ser por isso que os céticos americanos têm negligenciado esta evidência e o testemunho de Dieterlen.
Em uma entrevista sóbria e lúcida para um show bizarro, “Talk Psychic”, Temple declarou: “Se você perguntar aos Dogon, eles vão te dizer, e é isso que ninguém quer ouvir. Eles dizem que os seus antepassados receberam a informação de visitantes vindos do sistema da estrela Sirius”.
Temple disse que o conhecimento do sistema Sirius é difundido na cultura Dogon, “incorporado em … centenas ou milhares de objetos, símbolos, cobertores, tecidos, estátuas esculpidas, etc.” Ele acha impossível que o conhecimento possa ter se infiltrado na cultura tão rapidamente, pois Dieterlen e Griaule começaram suas pesquisas em 1931, pouquíssimo tempo depois dos astrônomos ocidentais fazerem essas descobertas.
Uma vila de Dogon (Dario Menasce / Wikimedia Commons)
Uma vila de Dogon (Dario Menasce / Wikimedia Commons)
“E como esses centenas ou milhares de objetos podem ter sido habilmente fabricados como falsificações que pretendem imitar séculos de idade… me deixa ainda mais perplexo”, continuou ele. “São considerações como estas e muitas outras (como a sacralidade tribal da tradição que torna improvável que aquilo poderia ter vindo de intrusos ocidentais, que não teriam sido conceituados ou de confiança dos sacerdotes meticulosos e tradicionais) que levam a Dra. Dieterlen a rejeitar a sugestão de origens ocidentais como ‘absurdo’.”
Em 1979-1980, o antropólogo Walter van Beek estudou os Dogon. Ele encontrou uma cosmologia Dogon muito diferente do que foi relatado por Griaule e Dieterlen. Van Beek disse que o entendimento Dogon do sistema Sirius não estava claro ou unificado. Ele recebeu várias explicações de várias fontes Dogon, e algumas delas disseram que o que sabiam do sistema veio a eles a partir de Griaule.
Griaule foi criticado por usar perguntas indutivas e por plantar o conhecimento astronômico nos Dogon, enquanto a filha de Griaule, Genevieve Calame-Griaule também criticou os métodos de Van Beek. Não está claro se as mudanças nos, Dogon desde a década de 1930, podem ser responsáveis pelas descobertas de Van Beek.
O contato dos Dogon com a sociedade ocidental, com as pessoas que teriam conhecido as descobertas do astrônomo, foi limitado no século 19 até o início do século 20. Mas, alguma interação ocorreu, portanto, não é impossível que eles tenham entrado em contato com as informações desta forma. Mas, mesmo que eles o fizeram, no entanto, é possível que já tivessem em sua cultura essa compreensão do sistema Sirius há muito tempo atrás?
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