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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Escritora alega ter vivido no Antigo Egito e relata fatos confirmados por arqueólogos




Já ouvimos falar de paranormais auxiliando a polícia a resolver crimes, mas e quanto aos que alegam se lembrar de vidas passadas – poderiam ajudar arqueologistas a resolverem os mistérios da história?
Joan Grant ficou famosa após escrever, em 1937, o livro “Winged Pharaoh” (Faraó Alada), no qual contou a história de Sekeeta, filha de um faraó – a qual alega ter sido uma de suas reencarnações de vida passada. O que ela conta sobre o Antigo Egito parece corresponder bem com o que os arqueologistas sabem, e inclusive adiciona novas descobertas que ainda não haviam sido feitas. Apesar disto, a história antiga é incerta e esta não pode ser utilizada como uma prova de que ela viveu em tempos antigos.
Neste mesmo sentido, um estudante de Oxford contou, sob estado de hipnose, sobre uma vida passada como um carpinteiro egípcio que trabalhava no túmulo do faraó Den. O relato parece correto, e muitos dizem ser improvável que ele soubesse desta informação detalhada por meios normais.
O célebre autor H. G. Wells, simpatizante de Grant, uma vez a disse: “É importante que você se torne uma escritora”. Ele disse que ela deveria manter seus segredos guardados até que fossem “…fortes o suficiente para que ela pudesse tolerar satirizações feitas por bobos”.
A recordação de Joan Grant
Joan Grant foi filha de J. F. Marshall, um respeitado entomologista britânico, e de Blanche Marshall, uma médium que alegava ter previsto o naufrágio do Titanic.
Em mais de 100 sessões espíritas de recordação, Grant afirma ter ditado os capítulos de “Winged Pharaoh”. Em um tipo de estado de transe, ela coletou essas memórias, e as montou posteriormente em narrativa cronológica.
Jean Overton Fuller (1915-2009), um poeta e artista especializado em escrever biografias, contatou egiptologistas e estudou hieróglifos para verificar o que Grant “viu” após de passar uma semana com ela em meados de 1940. Fuller juntou suas descobertas e experiências com Grant em um artigo publicado após a morte de Grant, em 1989. Foi editado por James A. Santucci do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade do Estado da Califórnia, e publicado pela Sociedade Teosófica, da qual Fuller era membro. A Sociedade Teosófica é conhecida pelo seu estudo do oculto. De acordo com seu website, os membros podem “pertencer a qualquer religião ou a nenhuma”, e estão reunidos pelo “desejo de estudar verdades religiosas e divulgar suas descobertas com os demais membros”.
O marido de Grant, Leslie Grant, era arqueologista. Quando ela o acompanhava em escavações no Iraque, ela olhava os artefatos e explicava informações sobre eles que se tornaram muito úteis, disse Fuller. Ela foi com ele ao Egito, mas não obteve nenhuma experiência significante desta viagem. Após 18 meses, ela passou a recordar diariamente sua conexão antiga com o Egito.
Ela foi a filha do faraó, uma sacerdotisa treinada em práticas místicas, incluindo como relembrar vidas antigas. Posteriormente, passou a ser faraó também.
Joan Grant fora a primeira figura feminina a ser Faraó?
Fuller tentou encontrar alguma figura histórica que se enquadrasse nas descrições de Grant.
No Antigo Egito, uma pessoa podia ser conhecida por inúmeros nomes. Grant afirmou que seu nome de batismo era Meri-neyt, e inclusive escreveu um capítulo intitulado “A tumba de Meri-neyt”, no qual ela assistiu à construção de sua própria tumba, enquanto ainda estava viva. Sekeeta observou o local onde seria enterrada sob o nome de Meri-neyt.
Uma rainha de nome similar, Meryet-Nit, permanece uma figura de controvérsia na Egiptologia. Ela viveu durante a primeira dinastia do Egito, mas ainda é incerto se governou de fato e de direito. Se positivo, seria a primeira faraó mulher e a primeira rainha regente conhecida pela história.
O egiptologista Walter Emery (1902-1971) ficou fascinado pela tumba da rainha Meryet-Nit, pois, conforme pontua Fuller, “sua tumba era grande e importante, de modo que indicava ter sido uma Rainha Regente”.
Os primeiros quatro ou cinco faraós da Primeira Dinastia Egípcia (começando em torno de 5.000 anos atrás) são normalmente listados desta forma:
1. Narmer/Menes/Hor-Aha (estes três nomes ainda permanecem um pouco confusos para os historiadores, pois os egiptólogos ainda não sabem se todos pertenciam à mesma pessoa ou se eram pessoas diferentes)
2. Djer
3. Djet
4. Den
Acredita-se que Meryet-Nit teria sido filha de Djer ou a esposa de Djer. Fuller especula que ela pode ter sido inclusive Djet. Grant escreveu que o nome de Horus de Sekeeta, Zat, era representado em hieróglifo por uma cobra. Djet é também representado como cobra.
Traduções anteriores deste hieróglifo soletram Zet, o que é próximo ao Zat de Grant. Carol A. R. Andrews do Departamento de Egiptologia do Museu Britânico respondeu ao questionamento de Fuller neste ponto, desta forma: “Você deve ter notado que o nome Djet, ainda pode ser contestado. Tudo o que está realmente na serekh (um recinto retangular que indica que os hieróglifos são de nomes reais) é a serpente, que é normalmente traduzida como DJ ou possivelmente sjt.”
Colocando à parte o hieróglifo da serpente, Fuller acredita que Grant possa mesmo ter sido a Djet, pois o próximo faraó na linha é Den, o qual Grant afirma ter sido filho da Sekeeta.
Se a visão ou história de Grant for verdade, resolveria a controvérsia de Narmer/Menes/Hor-Aha. No livro “Winged Pharaoh”, ela explica que Narmer reinou no Sul antes de Menes ter reunido o Alto e Baixo Egito, tornando-se o primeiro faraó da dinastia. Os descendentes de Menes respeitavam Narmer, de acordo com o relato de Grant. Assim, Fuller acredita que Hor-Aha possa ter sido a mesma pessoa que Menes, uma vez que a palavra egípcia “men” significa “estabelecido”. O “es” foi adicionado à Menes no texto grego, de onde conhecemos o nome.
Narmer teria sido o faraó pré-dinástico e Hor-Aha teria sido o primeiro faraó da dinastia, e também aquele que reuniu o Alto e Baixo Egito, tornando assim o nome “estabelecido” adequado. A teoria de que Menes reuniu o baixo e alto Egito geralmente é bem aceita, apesar de haver ainda alguns debates.
O que impressionou Fuller é que a concepção de Narmer como um faraó pré-dinástico veio 24 anos antes de Emery apresentar esta teoria. “Não poderia ter sido de Emery que Joan encontrou esta teoria, uma vez que ele somente a publicou 24 anos depois que ela; e nem ele, como um estudioso, teria consultado o que ele provavelmente considerava como um romance.” Os livros de Grant foram escritos como ficção histórica, apesar de estar claro pela sua autobiografia e outros escritos de que representam exatamente o que ela acreditava ser em sua vida passada. Ela alegava se lembrar de inúmeras vidas passadas ao longo dos tempos.
O pente de Sekeeta é relatado em livros de história
Grant descreveu alguns dos seus objetos durante sua vida como Sekeeta. Ela escreveu: “No templo eu tinha apenas um pente e um pequeno espelho, no qual meu reflexo aparecia borrado. Agora meus pentes de marfim foram esculpidos com o meu selo de faraó Alado, o falcão treinado sobre o barco triunfante e, abaixo deste, o meu nome Horus, Zat, escrito como uma cobra, ao lado da chave da vida e ladeado por duas hastes de poder, poder exercido sobre a Terra e longe da Terra.”
Folheando o livro de Emery, “Egito Arcaico”, relembra Fuller, “Levei um susto quando vi pela primeira vez um desenho representando exatamente o que ela descreve”. Foi nomeado como “Pente de Uaji”. “Uaji”, também escrito como Wadji, é um outro nome para Djet, o faraó. Desta forma, Fuller encontrou mais semelhanças com a história de Grant.
Em relação à descrição de Grant deste artefato, Fuller escreveu: “Mas será que foi uma recordação ou ela poderia ter visto isso?”
Em uma revisão de um dos livros de Grant, Claire Armitstead escreveu: “Uma possível leitura de Grant é que ela foi vítima de sua própria memória fotográfica, que tenha devorado histórias e regurgitado-as como suas próprias.”
Armistead e muitos outros afirmam que Grant apenas possui grandes habilidades de contar histórias e nada mais. Seus livros têm cativado muitos, e não só pelo interesse na reencarnação. Quando “Winged Pharaoh” foi publicado pela primeira vez, o New York Times chamou de “um livro incomum que brilha com o fogo”.
Anacronismos?
Grant descreveu outros objetos de Sekeeta como sendo feitos de prata. Na época em que Grant escrevia o livro, era desconhecido o uso da prata pelos egípcios deste período. Isto foi descoberto posteriormente, e Fuller escreveu: “Então eles realmente utilizavam prata, só que os Egiptologistas não sabiam disso na época em que Joan descreveu o fato.”
Outro anacronismo aparente na escrita de Grant foi o uso de cavalos e carruagens. Acreditava-se que os cavalos apenas haviam aparecido no Egito quando foram trazidos da Ásia, durante o período Hicsos (1600 D.C), ou seja, 1500 anos após a era de Sekeeta.
O marido arqueólogo de Grant queria colocar sua história no período dos Hicsos, e após ter conhecimento sobre os cavalos e a prata, Fuller entendeu o porquê. Fuller viu a determinação de Grant em manter o cronograma durante a Primeira Dinastia, já que estavam sendo descobertas algumas evidências em favor da veracidade de sua história. “Sua persistência não era um pecado de ignorância, mas uma persistência firme, apesar dos protestos contrários de seu marido.”
Apesar da alegação de que os cavalos apenas foram introduzidos no Egito depois de 1600 d.C. não ter sido provada como falsa nem verdadeira, disse Fuller: “A primeira referência, para eles, foi encontrada em conexão com as invasões dos Hicsos. No entanto, não encontraram nada dizendo que ‘neste ano os cavalos foram descobertos’. É sempre perigoso impor o negativo na ausência de provas positivas. No entanto, o problema desaparece quando se observa uma passagem em “Winged Pharaoh” dizendo que eles tinham seus cavalos de Zumas, que só poderiam ser trocados por garanhões.”
Outro caso de recordação do Egito Antigo?
Sob hipnose, um estudante cego da Universidade de Oxford alegou ter sido um carpinteiro no Antigo Egito. Ele estava participando de um estudo conduzido pelo Sr. Cyril Burt (1883-1971) e pelo professor William McDougall, que estavam interessados em pesquisa mediúnica, mas não possuíam interesse em conduzir sessões de regresso a vidas passadas.
Burt era um estudante não graduado de Oxford na época, e mais tarde tornou-se professor emérito de psicologia na Universidade de Londres. William McDougall foi um psicólogo americano proeminente.
O aluno “disse-lhes que tinha de esculpir inscrições ‘no túmulo oco do Rei Den’ e começou a descrever o túmulo, mencionando um deus com uma coroa branca brilhante”, explicou Roy Stemman em seu livro “The Big Book of Reincarnation: Examining the Evidence that We Have All Lived Before” (O grande livro de Reencarnação:  examinando a evidência de que todos nós já vivemos antes).
Stemman continuou: “Alguns meses mais tarde, os dois pesquisadores leram sobre escavações que haviam sido recentemente conduzidas pelo Sr. Flinders Petrie (considerado por alguns o maior egiptólogo da Grã-Bretanha), que estava investigando o cenotáfio do Rei Smti, cujo nome de Hórus era Den. Eles perceberam que alguns dos detalhes de suas descobertas coincidem com as descritas pelo estudante de Oxford (Den, aliás, era o filho que Joan Grant alegou ter dado à luz em sua vida como Sekeeta). A coroa branca mencionada pelo aluno foi encontrada em uma viga, utilizada por Osiris, e as descrições da câmara também correspondiam.
“Quando questionado, o estudante disse que sabia pouco sobre o Egito antigo, exceto o que havia lido na Bíblia.”
Epoch Times em Português