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quarta-feira, 11 de março de 2015

“UM LUGAR MELHOR QUE A TERRA”


“Nosso mundo é mesmo o melhor de todos?”, foi assim que em 1710 o Iluminista e matemático alemão Gottfried Leibniz referiu-se à Terra: com todos os seus defeitos, é o mais perfeito que se pode imaginar. A ideia de Leibniz foi completamente rejeitada por sua conotação não científica, principalmente pelo autor francês Voltaire em sua grande obra, Cândido. No entanto, Leibniz teve entre seus simpatizantes, pelo menos um grupo de cientistas – astrônomos que durante décadas trataram a Terra como um padrão inigualável, enquanto procuravam por mundos além do Sistema solar.
Como terráqueos só conhecem um planeta vivo – o nosso – faz sentido usar a Terra como modelo na busca por vida em outros locais, como regiões de Marte que mais se assemelham à Terra, ou Europa, a lua de Júpiter com água abundante. No entanto, descobertas recentes de planetas potencialmente habitáveis em órbita de estrelas que não o Sol – exoplanetas – desafiam essa abordagem geocêntrica.
Durante as últimas décadas, astrônomos descobriram mais e 1.800 exoplanetas e as estatísticas sugerem que a Galáxia abriga, no mínimo, mais outros 100 bilhões. Dos mundos encontrados até agora, poucos se parecem com a Terra. Ao contrário, eles são intrinsicamente diferentes, com grande diversidade de órbitas, dimensões e composição, girando em torno de uma enorme variedade de estrelas, incluindo algumas significantemente menores e menos brilhantes que o Sol. Vários aspectos desses planetas sugerem que a Terra pode estar bem distante de seu pico de habitabilidade. Na verdade, alguns exoplanetas muito diferentes da Terra teriam grandes chances de formar e manter biosferas estáveis. Esse “mundos super-habitáveis” podem ser excelentes alvos para pesquisas de vida extraterrestre e extrassolar.
Texto extraído do original de René Heller, Pós-Doutorado em Astrobiologia – Revista “Scientific American Brasil”- Fevereiro de 2015.