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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Caso Antônio Villas Boas


O Episódio

Introdução
Este caso, ocorrido na zona rural de São Francisco de Sales (MG), teve como protagonista Antônio Villas Boas, na ocasião com 23 anos de idade, branco, filho do proprietário da fazenda, que estava arando o campo à noite, com o auxílio de um trator. Por volta da 1 hora da madrugada de 15 de outubro de 1957, Villas Boas observou uma estrela vermelha que aparentemente se aproximava de onde se encontrava. Em pouco tempo, ele percebeu que não se tratava de uma estrela e sim de um aparelho de grandes dimensões fortemente iluminado que pairou sobre o trator a mais ou menos 50 metros de altura, para logo em seguida pousar nas proximidades.
O aparelho tinha formado oval, alongado, com aproximadamente 20 metros de comprimento por 4 de altura e apoiou-se sobre três hastes metálicas. Na parte da frente havia três hastes de aparência metálica, solidamente encravadas na estrutura, sendo uma no bico afunilado da nave e uma de cada lado, como se fossem três esporões, bem grossos na base afinando nas pontas. Destas extremidades saíam uma ligeira fosforescência avermelhada, como se as pontas estivessem em brasa. Ao longo do objeto haviam inúmeras lâmpadas embutidas na fuselagem do aparelho, havendo uma única janela. Na parte superior havia uma cúpula giratória, de uns 10 metros de diâmetro, em constante movimento de rotação, e emitindo uma luz forte e avermelhada.
Pouco depois do pouso, saíram do objeto vários seres, vestindo escafandros, que dominaram Antônio e o levaram a força para dentro do veículo, onde foi despido, teve seu sangue extraído e em seguida foi obrigado a manter relações sexuais com uma fêmea humanóide. Após tudo isto, Antônio recebeu suas roupas de volta e foi levado de volta para a escadinha pela qual entrou.
Ao decolar, o objeto levantou um pouco do solo e recolheu o trem de pouso, elevou-se uns 50 metros, onde parou. Sua luminosidade aumentou e mudou para vermelho vivo. Após isto emitiu um zumbido e partiu em altíssima velocidade, em direção ao sul.

O caso foi pesquisado por dois médicos e ufólogos cariocas, Olavo Fontes e Walter Buller, que através de exames em Antônio Villas Boas diagnosticaram exposição à radiação, que gerou insônia, cansaço, dores pelo corpo, náuseas, dores de cabeça, perda de apetite, ardência nos olhos, lacrimejamento permanente e lesões cutâneas provocadas por contusões até as mais leves. Também surgiram manchas amareladas pelo corpo, que levavam de 10 a 20 dias para desaparecer. As lesões continuaram a aparecer durante meses, tendo o aspecto de pequenos nódulos avermelhados, mais duros do que a pele em volta. Destes nódulos saíam pus amarelado.

A Divulgação do Caso


Antônio Villas Boas



Introdução
Após sua extraordinária experiência, Antônio Villas Boas procurou um farmacêutico da localidade de São Francisco de Sales, no intuito de aliviar os problemas decorrentes do contato. O farmacêutico havia lido reportagens de João Martins para a Revista O Cruzeiro, e era muito aberto ao tema. Ele recomendou à Villas Boas que procurasse o repórter João Martins para relatar-lhe sua experiência. Antônio assim o fez, através de carta, que foi prontamente respondida pelo repórter. Depois de algumas correspondências, o protagonista foi ao Rio de Janeiro onde conheceu pessoalmente o repórter e o ufólogo Olavo Fontes, um dos pioneiros neste tema no Brasil. Olavo era médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil e foi quem inicialmente divulgou o caso, através do Boletim da SBEDV (26/27) e em seguida pela revista inglesa “Flying Saucer Rewiw” (F.S.R.), 8 anos após ter acontecido. Ainda em 1958, Olavo Fontes remeteu um relatório à APRO, na época uma das mais conceituadas entidades de pesquisa ufológica do planeta, que na ocasião resolveu não publicá-lo, só o fazendo anos depois, quando o caso já era plenamente conhecido e divulgado no meio ufológico.
Apesar do relato ser muito conhecido e comentado nos meios ufológicos do início da década de 1960, apenas poucos grupos nacionais sabiam de fato onde o caso ocorrera e tinham meios de contatar o protagonista. A SBEDV era uma das entidades mais atuantes dessa época, tendo investigado os mais importantes casos ufológicos das décadas de 50, 60 e 70. Mesmo sendo tão atuante ela desconhecia o local exato do caso, para que pudesse iniciar sua própria investigação. Vencidas estas dificuldades a investigação da SBEDV teve início, ocorrendo nos primeiros meses de 1962. Os ufólogos Dr. Walter Buller e Dr. Mario prudente Aquino, viajaram até São Francisco de Salles para realizar a pesquisa de campo. Ao chegar na localidade, procuraram inicialmente o farmacêutico que atentou Antônio Villas Boas pouco tempo depois do caso ter ocorrido. Através deste, eles conseguiram conversar com o protagonista que relatou, então, os detalhes de sua fantástica experiência.
De início, Antônio mostrou-se arredio, um pouco tenso e desconfiado. Em virtude disso, a entrevista inicial durou apenas 45 minutos abordando aspectos mais gerais do caso, sem abordar o aspecto de estudo genético com cópula, realizado a bordo do aparelho. No dia seguinte, a pesquisa continuou com uma visita dos pesquisadores à fazenda dos Villas Boas. Nessa etapa eles conheceram o local onde o caso ocorreu, e complementaram a entrevista com a testemunha. Os resultados desta pesquisa foram divulgados inicialmente, de forma resumida, no Boletim da SBEDV, edição 26/27 (em inglês), de junho de 1962. O boletim teve grande repercussão no exterior, gerando enorme interesse por parte da comunidade ufológica internacional. Mais tarde, o caso foi exposto novamente na revista Flying Saucer Review (F.S.R.), nos meses de janeiro/fevereiro e julho/agosto de 1965. Este artigo da F.S.R. motivou uma série de reportagens da Revista O Cruzeiro Internacional, que em três ocasiões (16/01/1965; 1/2/1965 e 16/2/1965) divulgou o caso, desta vez em espanhol.
Em 1966, o Dr. Olavo Fontes divulgou seu relatório pessoal sobre o caso, que foi divulgado pela SBEDV e pela F.S.R. ao longo de 5 edições entre os meses de julho e dezembro de 1966 e janeiro e junho de 1967. Depois destas divulgações iniciais o caso consolidou-se como um clássico da Ufologia Mundial, sendo citados em inúmeros livros, revistas, palestras, reportagens, sites, documentos, etc.

A Pesquisa de Olavo Fontes

Introdução
O Caso Antônio Villas Boas chegou ao conhecimento dos ufólogos e do público em geral graças à três pessoas: o repórter João Martins, que publicou uma série de artigos sobre o mistério dos discos voadores na extinta revista O Cruzeiro. O segundo personagem decisivo na divulgação do caso foi o farmacêutico de São Francisco de Salles que atendeu Antônio Villas Boas, ainda na época em que o caso ocorreu e que o aconselhou a contatar o repórter João Martins. O terceiro é o ufólogo Olavo Fontes, médico, que foi o primeiro e principal investigador do Caso Antônio Villas Boas.
Villas Boas seguiu o conselho do farmacêutico e escreveu à João Martins que manteve-se descrente em relação ao caso. Todavia, ele custeou a viagem de Antônio Villas Boas ao Rio de Janeiro onde ele e o ufólogo Olavo Fontes o entrevistaram exaustivamente no consultório de Fontes, na tarde de 22 de fevereiro de 1958.
 “Durante cerca de quatro horas, ouvimos a narração de sua história e submetemo-lo a um interrogatório minucioso – procurando esclarecer certos detalhes, tentando apanha-lo em contradições, procurando chamar a sua atenção para fatos inexplicáveis em sua história, para ver se ele ficava desconcertado ou se apelava para a imaginação. Desde o início ficou evidente que ele não apresentava nenhum traço psicopático. Calmo, falando com desembaraço, sem apresentar tiques ou sinais de instabilidade emocional, todas as reações que apresentou em face das perguntas que lhe eram feitas foram perfeitamente normais. Em nenhum momento titubeou ou perdeu o controle da sua narração. Suas hesitações correspondiam exatamente ao que se podia prever de um indivíduo numa situação estranha, que não encontrava explicação para certos fatos; nessas ocasiões, mesmo sabendo que as dúvidas expressadas em certas perguntas poderiam levar à incredulidade, respondia com simplicidade: “isto eu não sei”, “isto eu não posso explicar”. Vários exemplos podem ser dados, de fatos, na sua narração, inteiramente sem explicação para ele:
  1. o reflexo de luz que iluminava o curral, mas que ele não sabia de onde vinha;
  2. a causa que fez parar o motor do trator e se apagarem as luzes dos faróis;
  3. a razão da existência daquele prato giratório no topo do aparelho, que rodava sem cessar;
  4. o motivo pelo qual foi colhido o seu sangue;
  5. a porta que se fechava e se transformava em parede;
  6. os estranhos sons que saíam das gargantas dos personagens de sua narração
  7. os sintomas (descritos mais adiante) que apresentou nos dias que se seguiram à sua aventura, etc. etc.
Por outro lado, em uma de suas cartas ao Dr. João Martins, ele afirmava que certos detalhes não podia dar por escrito, pois tinha vergonha. Era a parte que se relacionava com a ‘mulher” e os “contatos sexuais”. Não deu nenhum espontaneamente; nenhuma descrição a respeito. Quando interrogado, mostrou-se embaraçado e envergonhado – e só com muita insistência conseguimos extrair os detalhes incluídos acima. Mostrou-se também acanhado quando confessou que a camisa que usava na ocasião estava rasgada, ao responder à minha pergunta sobre se lhe haviam lhe rasgado a roupa. Essas reações emocionais são compatíveis com o que se esperaria de uma pessoa psicologicamente normal dentro das mesmas condições de educação e meio ambiente.
Não notamos nele nenhuma tendência para superstição ou para o misticismo. Não pensou que os tripulantes do aparelho fossem anjos, super-homens ou demônios. Julga que eram homens como nós, porém de outras terras em algum outro planeta. Afirmou pensar assim porque o tripulante que o acompanhou para fora do aparelho apontou para si mesmo, para a terra e para algum lugar no céu – gesto que só podia ter esta significação segundo ele. Além disto, o fato de os tripulantes permanecerem o tempo todo de uniforme fechado e capacete indica, na sua opinião, que o ar que eles respiram não é igual ao nosso. Tomando esta declaração como sinal de que ele considerava a mulher, única a aparecer sem capacete e uniforme, como de raça diferente da dos outros – possivelmente de origem terrestre (criada e adaptada às condições de outro planeta), fiz-lhe esta pergunta. Ele negou peremptoriamente admitir esta possibilidade, argumentando que ela era fisicamente igual aos outros quando vestia uniforme e capacete, só se diferenciando na estatura; além disto ela falava com os mesmos sons que os outros; tinha também colaborado na sua captura; em nenhum momento parecera constrangida pelos outros, estando tão à vontade como qualquer deles. Perguntei então se os capacetes não poderiam ser uma espécie de disfarce, já que a mulher respirava nosso ar. Respondeu que não achava, porque pensava que ela só conseguira suportar nossa atmosfera por causa da fumacinha que saía dos pequenos tubos embutidos na parede da pequena sala onde se dera o encontro – que tanto mal estar provocara nele. Esse fato, mais a observação de que essa fumaça não existira em nenhuma das outras salas (onde não viu nenhum tripulante tirar o capacete), fizeram-no concluir que a mesma era algum gás necessário à respiração dela – posto ali justamente para que ela pudesse aparecer sem a proteção do capacete. Como se pode ver por este exemplo, o Sr. Antônio Villas boas é muito inteligente. O seu raciocínio é de uma lógica surpreendente num homem do interior que apenas sabe ler e escrever (instrução primária). O mesmo pode ser dito a respeito de sua suspeita em relação aos possíveis efeitos afrodisíacos do líquido que lhe passaram no corpo, embora aqui esta explicação talvez tenha servido mais para satisfação do seu próprio ego (caso esteja falando a verdade) – pois a sua excitação sexual pode ter sido perfeitamente espontânea. Sua repulsa inconsciente poderia se dever ao fato de lhe ser penoso reconhecer ter sido dominado por impulsos puramente animais.
O líquido, por outro lado, podia ter sido um simples atisséptico, desinfetante ou desodorante – para limpa-lo e livra-lo de germes que poderiam ser nocivos à sua companheira.
Foi-lhe perguntado se julgava que alguns de seus atos tivessem sido executados sob o domínio ou sugestão telepática de seus captores. A resposta foi negativa. Disse estar senhor de suas ações e pensamentos durante toda a aventura. Em nenhum momento sentiu-se dominado por qualquer idéia ou influência estranha: “tudo o que conseguiram de mim foi no braço”, foi o seu comentário. Negou ter recebido qualquer idéia ou mensagem telepática de qualquer um deles: “Se eles se julgassem capazes de tais coisas, devo tê-los decepcionado bastante”, concluiu.
Ao fim do interrogatório, João Martins declarou-lhe que infelizmente não poderia publicar a sua história no “O Cruzeiro”, pois dificilmente seria levada a sério na ausência de provas mais conclusivas em apoio da mesma. Exceto se aparecesse uma história igual em outro lugar. Villas Boas ficou visivelmente abatido (ou porque queria ver seu nome no “O Cruzeiro”, ou porque viu, pela expressão de Martins, que não estava sendo acreditado). Ficou bem sem jeito, mas não protestou nem tentou discutir a questão. Disse apenas o seguinte:
“Neste caso, se não precisam de mim, voltarei amanhã mesmo para minha terra. Se quiserem ir lá um dia, para um passeio, terei muito prazer em recebe-los. Se desejarem mais alguma coisa de mim, basta escrever...”.
Para consola-lo em seu desapontamento, disse-lhe que, se fizesse questão de ver sua aventura publicada, bastava que fosse aos jornais – que certamente a publicariam, nesse momento em que o assunto voltava às manchetes por causa das fotos do disco da Ilha da Trindade. Mas, citando o exemplo do fotógrafo Baraúna, avisei-o que para muito gente ele seria apenas um louco mistificador. A sua resposta foi nos seguintes termos: “Os que me acusassem de louco ou mentiroso, eu desafiaria a que fossem à minha terra fazer uma investigação sobre minha pessoa. Eles iam ver se o pessoal de lá não me considera um homem normal e honrado. Se depois disso tudo continuasse a duvidar de mim, azar o deles...”.
Todos esses comentários feitos acima confirmam a impressão de sinceridade que o modo de narrar do Sr. Villas Boas conferia à sua história. Por outro lado, deixam claro que não se trata de um psicopata, um místico ou um visionário. Mas apesar de tudo, o próprio conteúdo de sua narração é o maior argumento contra a veracidade da mesma. Certos detalhes são fantásticos demais para serem acreditados – infelizmente para ele. Nessas condições, a melhor hipótese é de que ele seja um mentiroso extremamente hábil, um mistificador dotado de uma imaginação admirável e de uma inteligência rara – capaz de contar uma história inteiramente original, completamente diferente de tudo o que tem aparecido até agora, no gênero. Sua memória deve ser também fenomenal; por exemplo, a descrição detalhada que nos deu, do aparelho estranho, confere exatamente com um modelo esculpido em madeira, que ele enviou em novembro para João Martins. Note-se que esse aparelho é inteiramente diferente dos discos voadores descritos até agora (como se ele fizesse questão de ser, até nisto, original).
Esta coincidência entre o modelo feito meses atrás e a descrição verbal (mais um desenho) feita agora, indica ser esse homem dotado de uma excelente memória visual.
Uma experiência que também realizamos foi a de apresentar a ele várias fotografias de louras brasileiras, para ver se ele achava algumas delas semelhante nos traços ou no cabelo, à loura tripulante do aparelho. O resultado foi negativo. Apresentamos a ele, em ultimo lugar, uma foto publicada no “O Cruzeiro” (em 1954), de uma reprodução, em quadro, do “venusiano” de Adamski, pintado de acordo com as instruções do próprio. Villas Boas não reconheceu nenhuma semelhança, assinalando que o rosto de sua personagem era mais fino e de forma triangular em sua metade inferior; que os olhos eram maiores e mais rasgados, e as maças mais salientes; e que o cabelo era bem mais curto (só até o meio do pescoço) e arrumado em estilo diferente. Não reconheceu também nenhuma semelhança na roupa.
 O desenho do aparelho
Foi traçado pelo próprio Villas Boas em meu consultório, para melhor facilitar a compreensão dos detalhes sobre o mesmo, fornecidos em seu depoimento. Este desenho deve ser interpretado em função da descrição feita por Villas Boas, que é bastante minuciosa.
 Dimensões do aparelho
No dia seguinte (17 de outubro), Villas Boas voltou ao local onde havia aterrissado a estranha aeronave e mediu as distâncias  entre as três marcas que existiam no solo, correspondentes aos pés do tripé sobre o qual pousara o aparelho. Essas dimensões são uma idéia aproximada sobre o tamanho real do mesmo.
Médico Olavo Fontes, pioneiro da pesquisa ufológica brasileira
A Pesquisa da SBEDV

Imagem representativa



Antônio Villas Boas iniciou seu relato esclarecendo que o mês de outubro é habitualmente quente naquela região, motivo pelo qual ele e seu irmão haviam preferido arar o campo à noite, quando há menos poeira e a temperatura é agradável. Eram aproximadamente 23 hora do dia 14 de dezembro de 1957. Quando trabalhavam numa várzea próximo ao rio, Antônio Villas Boas chamou a atenção do irmão para um foco luminoso, sobre o campo, que mudava de posição todas as vezes que eles davam uma volta com o arado. Por fim, a luz começou a aproximar-se deles, o que causou medo ao irmão de Antônio. Resolveram então, interromper o trabalho. Separaram o arado, que deixaram no campo e voltaram para casa, no trator.
Na noite seguinte, estava Antônio Villas Boas arando sozinho, quando por volta da meia noite percebeu uma “luz feito estrela”, que se aproximava rapidamente, na direção norte. Após alguns minutos, o foco luminoso parou a uns 100 metros acima do campo. Mesmo assim, Antônio Villas Boas prosseguiu sua tarefa.
Quando finalmente decidiu abandonar o trator e voltar para casa, procurou desengatar o tratar, do arado, manobrando o fecho hidráulico, mas não o conseguiu, o mesmo acontecendo com o motor, que não funcionou. Percebeu, ao mesmo tempo, que o foco luminoso irradiava-se de uma espécie de máquina, que aterrissara a uns 15 metros de distância. Em seguida, viu saírem, da mesma, dois vultos, que correram em sua direção. Rapidamente, Antônio Villas Boas saltou para o paralama do trator e dali para o solo. Nesse momento, foi dominado, pelas costas, pelos dois indivíduos. Conseguiu derrubar um deles, lançando-o em balão, por cima de sua cabeça. Liberto deste, mas dois tentaram domina-lo e, por fim, eram os agressores em número de cinco ou seis, que, lutando com ele, imobilizando os seus braços e pernas, arrastaram-no em direção ao veículo.
Interrogamos então Antônio Villas Boas, porque não havia prosseguido na luta, uma  vez que no início da mesma havia ele oferecido tão grande resistência. Respondeu-nos então, que embora fossem eles fisicamente mais fracos e de estatura inferior à sua, ele havia se convencido de que não devia resistir por mais tempo e que o melhor seria submeter-se voluntariamente.
Subindo ele uma escada de 3 ou 4 metros de altura, os raptores atravessaram uma porta de penetraram numa sala circular de, aproximadamente 2 metros de diâmetro por 1,7 a 1,8 m de altura.
No centro da sala ele percebeu um eixo que emergia do assoalho e alcançava o teto. Esse eixo era protegido por uma parede apresentando orifícios quadrangulares, à semelhança do que se vê, frequentemente, em instalações elétricas. Havia também, uma mesa, tipo tripé, de aproximadamente 80 cm de altura por 1 metro de largura, fixa ao piso. Sobre ela, Antônio Villas Boas percebeu um instrumento semelhante a um relógio (o Dr. João Martins, no Rio de Janeiro, pediu-nos que não descrevêssemos, a fim de que pudessem “testar” outras testemunhas que fizessem referência a objetos semelhantes).
Acrescenta Antônio Villas Boas que, em seguida eles retiraram amostras do seu sangue, aplicando-lhe, por duas vezes, uma espécie de seringa (ver figura 6), de cada lado da proeminência do seu queixo. Depois, despiram-no completamente, sendo que as peças do seu vestuário foram retiradas por eles com incrível rapidez, mas sem que as rasgassem, fazendo uso, apenas dos botões. Foi então levado a outro compartimento onde havia, como único móvel, um sofá, recoberto com uma espécie de plástico.
Colocando-se nesse sofá, eles friccionaram-lhe o corpo com uma esponja embebida num líquido refrescante, operação que Antônio Villas Boas interpretou como sendo de limpeza, pois, na realidade, ele se encontrava empoeirado e suarento, em virtude de suas atividades no campo.
A sua estada na primeira sala havia sido de uns cinco minutos apenas. Mas, naquela ultima, ele permaneceu pelo espaço de uns vinte minutos. O recinto estava impregnado de um cheiro acre e nauseante, que lhe provocou vômito copioso.
Afinal, a porta (que era corrediça e devia comunicar-se com um terceiro compartimento) reabriu-se e dois homens penetraram na sala, trazendo com eles uma jovem inteiramente despida, e aparentando uma altura de 1,4m a 1,5 m. Os dois personagens retiraram-se logo em seguida, deixando a moça a sós com Antônio Villas Boas. Com um sorriso nos lábios, a jovem dirigiu-se a ele, de braços abertos, e puxou-o para o sofá com intenções inconfundíveis e pelo menos aparentemente demonstrando prazer.
Porteriormente, não soube Antônio Villas Boas explicar a sua excitação e cooperação, uma vez que pouco antes havia ele experimentado momentos de terror e de náuseas. Acredita ele que o líquido que haviam passado no seu corpo teria sido o responsável pela mudança.
Instado por nós a descrever o tipo físico da moça, esclareceu ele que os seus cabelos eram louros, mas pareceram-lhe pouco abundantes. Não se recordava de ter visto cílios nem sobrancelhas, ou se os havia, eram muito finos. As orelhas eram pequenas, sendo o queixo, os lábios e o nariz, de constituição física delicada. A implantação dos olhos era semelhante à dos chineses e os zigomas proeminentes lembravam o tipo eslavo. Os dentes eram pequeninos, alvos e bem formados. O seu peso ele o avaliou entre 35 a 40 kg.
As nossas perguntas a respeito dos outros pormenores deixaram-no enrubescido e mesmo contrafeito, porquanto Antônio Villas Boas pareceu-nos uma pessoa pura e ingênua, embora à época da nossa entrevista ele já tivesse casado havia um ano (casara-se no mês de julho de 1961). Em face dessa circunstancia, achamos de bom alvitre não insistir naquelas indagações, com o medo de que Antônio Villas Boas encerrasse bruscamente o seu relato, tão dificilmente conseguido por nós.
Prosseguindo, acrescentou que a jovem, sem haver dito qualquer palavra, deixou a sala, passando pela porta, a qual, para a surpresa de nosso entrevistado, abriu-se automaticamente, sem que ele pudesse perceber como isso acontecera.
Um dos homens veio ao seu encontro e, conduzindo-o através de uma porta que se abria para o exterior, desceu com ele para uma plataforma que circundava o aparelho em toda a sua extensão. Fizeram juntos o percurso da mesma, mostrando-lhe o seu acompanhante a parte externa do aparelho.
Antônio Villas Boas tinha, agora, tempo e calma para rememorar tudo o que lhe havia acontecido. As pessoas que o haviam dominado eram em número de cinco ou seis. Todas vestidas de maneira idêntica, com uma espécie de uniforme de cor branca acinzentada, colante e recoberta de escamas metálicas, como pôde convencer-se durante sua breve luta, quando feriu as mãos ao contato com as mesmas. Elas usavam um cinto largo, em cuja frente estava embutido algo, do qual se irradiava uma luz vermelha, fortíssima (conforme a fig. N° 1 – desenho executado pelo próprio Antônio Villas Boas), além de dois outros focos de luz laterais.
Os sapatos eram, também, de cor branca e, aparentemente, rústicos e sem salto, como faziam supor as impressões, deixadas na terra fofa arada, que foram examinadas no dia seguinte (dia 16). As mãos eram protegidas por luvas grossas, brancas, e usavam um capacete grande (ou alto?), com uma viseira horizontal na parte dianteira (ver fig. !-B, feita pelo próprio Antônio Villas Boas), à altura dos olhos, os quais, entretanto, não eram visíveis (havia, aparentemente, uma camada de gaze ou de outro tecido translúcido, que vedava a visão dianteira).
Na parte posterior do capacete havia duas estruturas achatadas, através das quais penetravam (assim pareceu a Antônio Villas Boas) duas tubulações metálicas, que se originavam de uma pequena protuberância localizada nas costas dos tripulantes (ver croquis de Antônio Villas Boas, na fig 1-A).
Embora os indivíduos não dirigissem nenhuma palavra a Antônio Villas Boas, eles comunicavam-se entre si numa linguagem estridente, gutural, que não lhe pareceu ser nem o idioma sírio nem o japonês, que ele estava acostumado a ouvir.
Os tripulantes eram de pequena estatura, e alcançavam-lhe os ombros. A altura de Antônio Villas Boas é de 1,69m, conforme a sua própria informação, o que permitiria um cálculo de 1,47m até os ombros, se tomássemos 22 cm como sendo a altura de sua cabeça. Os tripulantes teriam assim aproximadamente 1,47 m a 1,50 m de altura, sendo que a moça pareceu-lhe ser ainda mais baixa.
A máquina fazia lembrar a forma de um pássaro, com um comprimento de 15 a 20 metros, e uma altura de 2 a 3 metros. Apoiava-se num tripé de 3 a 4 metros de altura, e cujas pernas tinham cerca de 50 cm de espessura. A placa terminal das mesmas, que se apoiava no solo, era de diâmetro ainda maior (ver fig. N° 6-f). A cabine, na parte dianteira, era de forma afunilada, apresentando três esporões (ver fig. N° 6-b): um mediano, maior, que projetava uma luz esverdeada; e dois outros formando protuberâncias laterais, paralelas, menores, emitindo luzes alaranjadas. Antônio Villas Boas nada soube informar sobre as fontes de luz no interior da máquina.
Na parte superior, e em estreito contato com o corpo principal da fuselagem, havia uma cúpula de 9 a 10 metros de diâmetro por uns 4 cm de espessura, e que estava em constante movimento de rotação (no sentido dos ponteiros do relógio, quando vista de baixo), o que ocasiona deslocamentos no ar, mesmo quando a máquina ainda estava imóvel no solo. Ao levantar vôo, mas tarde, esse deslocamento atingiu a intensidade de um furação, o que, entretanto, não alterou o calor nem o cheiro reinantes, aumentando, contudo, a claridade que se difundia no exterior. Havia, ainda, na parte posterior, uma placa vertical, semelhante a um leme. De cada lado do corpo principal da máquina havia uma chapa curta, de aproximadamente meio metro de largura, em posição horizontal (ver fig. 6-a e 6-b), quando o aparelho estava pousado no solo.
Quando levantou vôo, as placas laterais sofreram uma inclinação de uns 30 graus (veja o sentido da fig. 6-A).
Logo após o roteiro de inspeção, enquanto a máquina ainda estava pousada, o companheiro de Antônio Villas Boas, desceu juntamente com ele, até o solo, através de uma escada (que Antônio Villas Boas verificou, mais tarde, ser retrátil). Em terra firme, fez o tripulante dois orifícios no chão, com os dedos. Apontou para um dos orifícios e depois para o céu e, em seguida, apontou para o outro e para Antônio Villas Boas, que não conseguiu compreender o sentido daqueles sinais, conforme nos declarou.
Depois, na sua rápida ascensão, a máquina, ao partir, mudou a cor esverdeada, da luz frontal, para um branco ofuscante, que foi a única luz que perdurou à distância. A velocidade do vôo, quando da partida da máquina, e o seu desaparecimento foram espantosos.
Posteriormente, Antônio Villas Boas verificou que a máquina (quando havia chegado) havia aterrissado a uns 40 metros do rio, o que lhe impediria a retirada, por meio do trator, para sua casa, a qual ficava a 3 km daquele local. Nessas condições, não havia possibilidade, para ele, ter escapado àquele incidente.
Quando no trajeto de volta à casa, naquela noite, sentiu-se Antônio Villas Boas ainda nauseado. Durante três dias, sentiu o “seu fígado dolorido” e surgiram pequenas ulcerações superficiais, na face e nos braços, mas que cicatrizaram pouco depois. Os sinais da retirada do sangue de seu queixo permaneceram visíveis por 3 anos após o incidente.
No dia seguinte ao episódio, encontrou o trator em perfeitas condições de funcionamento. Na terra fofa, arada, ainda podiam ser vistos os traços que o tripé da máquina havia deixado, assim como as impressões dos sapatos dos tripulantes (18 cm de comprimento – ver fig 6-e).
Antônio Villas Boas informou ainda que, alguns meses antes do incidente, por duas vezes, à noite, a casa da fazenda foi banhada por uma claridade vinda do alto. Esse fato fora testemunhado pela sua progenitora. Três meses antes, Antônio Villas Boas e seu irmão haviam visto o pátio da casa iluminado por uma luz que vinha, também, do alto. Pessoas da vizinhança declararam haver visto, à noite, em várias ocasiões, luzes movendo-se no céu.
A uma pergunta nossa, respondeu Antônio Villas Boas que não desejava uma repetição de sua impressionante experiência, mas se, por acaso, a máquina viesse a aterrissar junto dele novamente, ele não mais procuraria fugir de seus tripulantes. Acrescentou ainda que, havia se casado algum tempo depois do incidente.
Do Boletim da SBEDV, n°26/27, constam as três perguntas seguintes:
1ª. Teria o exame de sangue de Antônio Villas Boas algo a ver com o contato que teve,  a seguir, com a jovem?
2ª. Os focos luminosos, que incidiam à noite sobre a casa de Antônio Villas Boas, teriam alguma relação com a experiência posterior?
3ª. Quais teriam sido as razões de seu encontro com a jovem?
a)      Pra ativar gens fracos de uma raça interplanetária, por meio dos gens robustos terrestres?
b)      Para completar um “check-up” físico de um ser da Terra?
c)      Para provar aos terrestres que algumas das raças extraterrenas possuem condições físico-anatômicas iguais às nossas?
d)      Para estabelecer relações de parentesco interplanetário como elemento precursor de entendimentos políticos ou culturais posteriores?
e)      Ou, apenas porque a jovem, que talvez estivesse em situação hierárquica superior, na tripulação da nave, tivera um desejo momentâneo nesse sentido?

Exame Clínico em Antônio Villlas 

Identificação: Antônio Villas Boas, 23 anos, branco, solteiro, fazendeiro, residente em São Francisco de Salles, no Estado de Minas Gerais.
 História da doença:
 Conforme está registrado em seu depoimento (anexo), deixou o aparelho às h:30 hs da manhã de 16 de outubro de 1957. Sentia-se bastante fraco, por não ter ingerido nenhum alimento desde às 21 horas da noite anterior, e por ter vomitado bastante dentro do aparelho. Chegou em casa exausto e dormiu o dia quase todo. Despertou às 16:30 hs, sentiu-se bem e jantou normalmente. Já nessa noite (e também na seguinte), porém não conseguiu dormir. Estava nervoso e muito excitado; por várias vezes chegava a conciliar o sono, mas logo começava a rever em sonhos os acontecimentos da véspera, mas como se tudo estivesse ocorrendo de novo; acordava então sobressaltado, aos gritos, sentindo-se agarrado outra vez, pelo seus estranhos captores. Após várias experiências desse tipo, desistiu de dormir e passar a noite estudando. Mas também não podia, pois não havia jeito de concentrar a atenção no que estava lendo; seus pensamentos voltavam sempre às ocorrências da noite anterior. Amanheceu do dia inquieto, andando de um lado para o outro e fumando sem cessar. Estava cansado e com dores por todo o corpo. Tomou então uma xícara de café, sem comer nada como fazia de hábito. Logo em seguida, entretanto, começou a sentir-se nauseado. Essa náusea permaneceu durante todo o dia. Surgiu também, nas têmporas, uma forte dor de cabeça, que pulsava, e que também durou o dia todo. Observou que havia perdido completamente o apetite e não conseguiu comer absolutamente nada durante cerca de dois dias.
Passou a segunda noite ainda sem poder dormir, na mesma situação da noite anterior. Durante essa noite, começou a sentir um incômodo ardor nos olhos, mas a dor de cabeça desapareceu e não mais voltou.
Durante o segundo dia, continuou nauseado e com inapetência absoluta. Não vomitou porém, em nenhuma ocasião, talvez por não ter forçado a alimentação. A ardência nos olhos se acentuou e passou a se acompanhar de lacrimejamento permanente; não notou contudo, nenhuma congestão nas conjuntivas – nem qualquer outro sinal de irritação ocular. Não observou diminuição da visão.
Na terceira noite o sono voltou, tendo dormido normalmente. Mas daí por diante, durante o prazo de um mês aproximadamente, foi acometido de uma sonolência excessiva. Mesmo durante o dia, cochilava ou dormia a qualquer momento, mesmo quando em conversa com outras pessoas e em qualquer lugar. Bastava que ficasse parado por algum tempo para, insensivelmente começar a dormir, durante todo esse período de sonolência, persistiu também a ardência nos olhos e o lacrimejamento excessivo. A náusea desapareceu, todavia, no terceiro dia – quando também o apetite voltou, passando a se alimentar normalmente. Notou que os sintomas visuais se agravavam na luz do Sol, obrigando-o a evitar muita claridade.
 No oitavo dia, teve pequena contusão no antebraço, quando trabalhava, com pequena hemorragia no local. No dia seguinte, observou que a lesão tinha se transformado numa pequena ferida infectada, com um pequeno ponto de pus, e coçando muito; quando essa ferida cicatrizou, ficando uma mancha arroxeada em volta. Quatro a dez dias após, novas feridas semelhantes nos antebraços e pernas; essas porém vieram espontaneamente, sem traumatismo prévio; todas elas se iniciando por “um pequeno calombo no olhozinho no centro, coçando muito, durando cada vez uma dez a vinte dias”. Refere que todas ficaram “arroxeadas em volta ao secar”, ainda se notando as cicatrizes.
Não observou, em nenhuma ocasião, qualquer erupção cutânea ou queimadura, negando também que tivesse notado qualquer ponto hemorrágico na pele (petéquias) ou equimoses aos traumatismos menores (manchas hemorrágicas); se algumas houve, passaram-lhe desapercebidas. Refere, contudo, que no décimo-quinto dia apareceram-lhe duas manchas amareladas no rosto, de um lado e do outro do nariz, mais ou menos simétricas: eram “uma espécie de ganes meio pálidos, como se houvesse ali pouco sangue”, que desapareceram espontaneamente ao fim de uns 10 a 20 dias.
Atualmente ainda tem, nos braços, duas feridinhas não cicatrizadas, além das cicatrizes de várias outras – que continuaram aparecendo esporadicamente durante esses meses. Nenhum dos demais sintomas descritos acima reapareceu até agora. Sente-se no momento bem disposto e julga estar gozando de boa saúde.
Nega ter tido febre, diarréia, fenômenos hemorrágicos ou icterícia – não só na fase aguda de sua doença, mas também posteriormente. Não notou, por outro lado, nenhuma área de depilação, no corpo ou na face, nem observou queda excessiva de cabelos – em nenhuma ocasião, de outubro para cá. Durante o período de sonolência não apresentou diminuição aparente da sua capacidade para o trabalho físico. Não observou também qualquer diminuição da libido ou potência, ou qualquer alteração de acuidade visual; não notou ainda anemia, nem teve lesões ulceradas na boca.

 Doenças passadas:
Refere-se apenas a doenças eruptivas próprias da infância (sarampo e catapora), sem complicações. Nunca teve doenças crônicas venéreas. Sofre, há alguns anos de “colite crônica”, que no momento não o está incomodando.

 Exame Físico:
 Trata-se de uma pessoa do sexo masculino, de cor branca, cabelos negros e lisos e olhos escuros, não aparentando sofrer de nenhuma doença aguda ou crônica.

Biótipo: Longilíneo estênico.

Fácies: atípica.
É de estatura média (1,64m. calçado), magro porém robusto, com musculatura bem desenvolvida. Está em bom estado de nutrição, não apresentando nenhum sinal de carência vitamínico. Ausência de deformidades físicas ou anomalias do desenvolvimento corporal. Pêlos do corpo, de aspecto e distribuição normal em relação ao seu sexo. Mucosas conjuntivas ligeiramente descoradas. Dentes em bom estado de conservação. Gânglios superficiais impalpáveis.

Exame dermatológico:
Há que se assinalar as seguintes alterações:
1)– duas pequenas manchas hipercrômicas, uma de cada lado do queixo, de pequeno tamanho e formado mais ou menos arredondado; uma delas tem o diâmetro de uma moeda de 10 centavos, sendo a outra um pouco maior e de aspecto mais irregular; a pele sobre essas regiões se apresenta mais lisa e adelgaçada, como se tivesse sido renovada recentemente, ou como se fosse algo atrofiado; não há nenhum elemento que permita fazer qualquer avaliação sobre a natureza e a idade dessas marcas: apenas se pode dizer que são cicatrizes de alguma lesão superficial com hemorragia subcutânea associada – tendo pelo menos um mês e no máximo doze meses de existência; aparentemente essas marcas não são definitivas e desaparecerão provavelmente ao cabo de alguns meses. Nenhuma outra mancha ou marca semelhante foi assinalada.
2)Diversas cicatrizes de lesões cutênas recentes (alguns meses no máximo), no dorso das mãos, antebraço e pernas. Todas apresentam o mesmo aspecto, que lembra o de pequenos furúnculos ou feridas cicatrizadas, com áreas de descamação em volta, mostrando que são relativamente recentes. Ainda existem duas não cicatrizadas, uma em cada braço, cujo aspecto é o de pequenos nódulos (ou calombos) avermelhados, mas duros do que a pele em volta e fazendo saliência em relação à mesma, dolorosos à pressão, com um pequeno orifício central que deixa escapar uma serosidade amarelada; a pele em volta se apresenta alterada e irritada – indicando que as lesões são prurigionosas, pois há marcas feitas pelas unhas do paciente ao cola-las. O aspecto mais interessante de todas essas lesões e cicatrizes cutâneas é a presença de uma área hipercrômica de cor violácea em torno de todas elas - com a qual não temos nenhuma familiaridade. Não sabemos se essas áreas podem ter alguma significação especial, ou não. A nossa experiência em Dermatologia é insuficiente para que possamos interpreta-las corretamente, já que essa não é a nossa especialidade. Limitamo-nos pois a descrever essas alterações, já que foram também fotografadas.

Exame do sistema nervoso:
 Psiquismo: Boa orientação no tempo e no espaço. Emotividade e afetividade dentro dos limites normais. Atenção espontânea e provocada, nos limites do normal. Teste de percepção, de associação de idéias e de raciocínio, indicando mecanismos mentais aparentemente normais. Memória anterógrada e retrógrada conservadas; memória visual excelente, com facilidade para reproduzir em desenhos ou gráficos os detalhes descritos verbalmente. Ausência de qualquer sinal ou evidência indireta de perturbação das faculdades mentais.
Nota: Estes resultados, embora precisos, deverão ser completados – caso possível – por um exame psiquiátrico mais especializado, feito por especialista.

Exame de motilidade, refletividade e sensibilidade superficial: Nada revelou de anormal.

Exame dos demais aparelhos e sistemas: Nada revelou de anormal.

Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 1958.

 - O Relato Pessoal

O meu nome é Antônio Villas Boas. Tenho 23 anos de idade e sou lavrador de profissão. Vivo com minha família em uma fazenda que possuímos próximo à localidade de São Francisco de Salles, em Minas Gerais, perto da fronteira de São Paulo. Tenho 2 irmãos e 3 irmãs, que vivem todos nas redondezas (havia mais 2 que já faleceram). Sou o penúltimo filho. Todos nós, os homens, trabalhamos na fazenda. Temos muita plantação e vários roçados e possuímos um trator a gasolina (International) para aragem da terra. Em época de cultivo trabalhamos com o trator em dois turnos: de dia o serviço é feito por 2 trabalhadores pagos para isso; à noite em geral trabalho eu, sozinho (durmo então durante o dia), ou às vezes, em companhia de um dos meus irmãos. Sou solteiro e tenho boa saúde. Trabalho muito e faço também um curso por correspondência, estudando quando posso. Vim ao Rio com sacrifício, pois não podia abandonar o serviço na fazenda; faço muita falta. Achei que era meu dever vir contar os estranhos acontecimentos em que estive envolvido e estou disposto a seguir o que os senhores acharem melhor – inclusive a prestar depoimento perante as autoridades civis ou militares. Gostaria contudo de voltar o mais depressa que puder, pois muito me preocupa a situação em que deixei a fazenda.
Tudo começou na noite de 5 de outubro de 1957. Houve uma festa lá em casa e fomos dormir mais tarde, às 11 horas. Estava no quarto com meu irmão João Villas Boas. Por causa do calor, resolvi abrir a janela do quarto, que dava para o curral. Vi então, no centro do curral, um reflexo fluorescente prateado, mais claro do que a luz da Lua, iluminando todo o solo. Era uma luz , muito branca, que não sei de onde vinha. Era como se viesse do alto, como a luz de um farol de automóvel que se espalhasse ao iluminar o lugar onde batesse. Mas não se via nada no céu, de onde pudesse vir a luz. Chamei meu irmão e mostrei a ele,. Mas ele é muito cismado e disse que era melhor irmos dormir. Fechei então a janela e nos deitamos. Algum tempo depois, não conseguindo dominar a curiosidade, voltei a abrir a janela. A luz ainda estava lá, no mesmo lugar. Eu ia observar mais um tempo, mas aí a luz começou a mover-se devagar, vindo na direção da janela. Fechei-a então depressa, tão depressa que ela bateu com força e o barulho acordou meu irmão, que já estava dormindo. Juntos vimos na escuridão do quarto, a luz penetrar por pequenas frestas da janela e depois mover-se para o telhado, iluminando por entre as telhas. Aí ela se apagou e não voltou mais...
O segundo episódio ocorreu na noite de 14 de outubro. Devia ser entre 3:30 ou 10 horas da noite, mas não posso garantir pois estava sem relógio. Trabalhava com o trator arando um campo, acompanhado pelo meu outro irmão. De repente vimos uma luz muito forte (a ponto de ferir a vista), parada na ponta norte do campo. Quando a vimos já estava lá e já era grande, arredondada e do tamanho aproximado de uma roda de carroça. Parecia estar a uns 100 metros de altura e era de uma cor vermelho-clara, iluminando uma larga área do solo. Devia haver algum objeto dentro da luz, mas não posso afirmar pois ela era muito forte para que se pudesse ver mais alguma coisa. Chamei meu irmão para irmos lá ver o que era aquilo. Ele não quis e eu fui sozinho. Quando cheguei perto a coisa se mexeu de repente e, numa velocidade enorme, se moveu para a ponta sul do campo, aonde parou. Fui atrás outra vez. Mesma manobra, voltando agora para o local inicial. Continuei tentando e a manobra se repetiu durante 20 vezes. Já estava cansado e desisti, voltando para junto do irmão. A luz ficou imóvel por mais alguns minutos, parada ao longe. De vez em quando parecia emitir raios em todas as direções, como os do Sol poente, com cintilações. A seguir, sumiu repentinamente, como se apagasse. Não tenho certeza pois não me lembro se olhei só naquela direção o tempo todo. Talvez tenha olhado em outra direção por alguns segundos e ela tenha subido com velocidade e desaparecido antes que eu olhasse para lá de novo.
No dia seguinte, 15 de outubro, eu estava sozinho trabalhando com o trator no mesmo local. A noite estava fria e o céu muito limpo, com muitas estrelas. Exatamente à uma da madrugada, vi de repente uma estrela vermelha no céu. Parecia mesmo uma dessas estrelas maiores, de brilho forte. Mas na era, pois começou a aumentar rapidamente de tamanho, como se estivesse vindo em minha direção. Em poucos instantes transformou-se num objeto ovóide, fortemente luminoso, que vinha em minha direção a uma velocidade espantosa. Tão depressa ele se deslocava que, antes que eu pudesse pensar no que devia fazer, já estava por cima do trator. Aí esse objeto parou de repente e desceu até ficar a uns 50 metros acima de minha cabeça, iluminando o trator e o chão em volta como se fosse dia, com uma luz vermelho-clara tão forte que dominava a luz dos faróis do trator, que estava acesa. Naquele momento, fiquei apavorado, pois não sabia o que era aquilo. Pensei em fugir com o trator, mas vi que, com a pouca velocidade que o mesmo desenvolvia seriam poucas as chances de sucesso, dada a grande velocidade mostrada pelo objeto – que continuava parado em pleno ar. Pensei também em saltar ao chão e sair correndo, mas a terra fofa, revolvida pelas pás do trator, seriam um obstáculo difícil na escuridão. Seria penoso correr enterrando as pernas até o joelho naquele chão traiçoeiro; se metesse o pé em um buraco poderia até mesmo quebrar uma perna. Fiquei naquela agonia sem saber o que fazer, talvez uns dois minutos. Mas aí o objeto luminoso se moveu para a frente e parou de novo a uns 10 ou 15 metros adiante do trator. Começou então a descer para o solo, bem lentamente. Foi se aproximando e pude ver, pela primeira vez, que era um aparelho estranho, de feitio meio arredondado, todo rodeado de pequenas luzes arroxeadas e com um grande farol vermelho na frente, de onde parecia vir toda aquela luz que eu vira quando o mesmo estava mais alto – e que impedia que eu pudesse distinguir qualquer outro detalhe. Mas agora via-se perfeitamente a forma daquela máquina, que era semelhante à um grande ovo alongado, com três hastes de metal, grossas na base e afinando na rescência (ou luz fluorescente como a de um anúncio luminoso) avermelhada, da mesma cor do farol dianteiro. Na parte superior, havia uma coisa que girava a grande velocidade, também emitindo uma forte luz fluorescente avermelhada. Essa luz foi mudando para uma cor esverdeada no momento em que o aparelho diminuiu sua marcha de descida, para pousar, isto correspondendo, na minha impressão, a uma diminuição na velocidade de rotação daquela parte giratória, que pareceu tomar a forma de um prato circular, ou cúpula achatada, nesse momento (antes não se distinguia forma). Não posso afirmar se esta era a forma real daquela parte giratória que havia no topo do aparelho, ou simplesmente uma impressão dada pelo movimento – porque em nenhum momento (mesmo depois, com o aparelho no solo) a mesma deixara de girar.
Naturalmente, a maior parte dos detalhes que estou descrevendo foram observados mais tarde. Naquele primeiro momento, eu estava muito nervoso e angustiado para ver muita coisa. De tal forma que, quando vi três suportes de metal (formando um tripé) surgiram debaixo, quando este estava já a poucos metros do solo – perdi completamente o pouco controle que me restava. Aquelas pernas de metal eram evidentemente para escorar o peso do aparelho quando ele tocasse o chão em seu pouso. Não cheguei a ver isto acontecer porque pus o trator em movimento (o motor estava trabalhando o tempo todo) e movi-o para um lado, tentando abrir caminho para fugir. Mas não havia chegado a andar poucos metros quando o motor “morreu” de repente e, ao mesmo tempo, as luzes dos faróis se apagarem sozinhas. Não consigo explicar como aquilo aconteceu pois a chave do motor estava ligada e os faróis continuavam também ligados. Quis fazer funcionar de novo o motor, mas o motor de arranco estava isolado e não deu sinal de vida. Abri então a porta do trator, do lado oposto àquele onde se encontrava o aparelho, e saltei para o chão, começando a correr. Mas parece que perdi um precioso tempo tentando movimentar o trator, pois não dera mais do que alguns passos quando meu braço foi agarrado por alguém.
O meu perseguidor era um homem baixo (batia no meu ombro), vestido de uma roupa estranha. No meu desespero, girei o corpo com violência e dei-lhe um forte empurrão que o desequilibrou. Foi obrigado então a me largar e a cair para trás com o impulso, perdendo o equilíbrio e indo ao chão onde caiu de costas, a uns dois metros de distância. Procurei aproveitar a vantagem obtida, para continuar a fuga, mas fui atacado ao mesmo tempo por outros indivíduos, pelos lados e pelas costas. Agarraram-se pelos braços e pernas e me levantaram do chão, o que me tirou qualquer possibilidade de defesa. Podia apenas me debater e retorcer o corpo, mas a pegada deles era firme e não me largaram. Comecei a gritar por socorro e em altos brados a xinga-los, e a exigir que me soltassem. Notei, à medida que me arrastavam para o aparelho, que a minha falação os deixava como que surpreendidos ou curiosos pois paravam de caminhar e olhavam para o meu rosto com atenção toda a vez que eu falava – embora sem afrouxar a firmeza com que me seguravam. Isso me acalmou um pouco em relação às suas intenções, mas nem por isso deixei de lutar. Dessa maneira me transportaram até junto do aparelho, pousado a uns dois metros do solo, sobre as três escoras metálicas de que já falei. Havia uma porta aberta na metade traseira do mesmo. Essa porta se abria de cima para baixo, formando como que uma ponte de cuja ponta estava presa uma escada metálica, feita do mesmo metal prateado que havia nas paredes do aparelho. Essa escada se havia desenrolado até o chão. Fui içado por ali, tarefa que não foi fácil para eles. A escada era estreita, mal dando espaço para duas pessoas, uma do lado da outra. Além disso, era móvel e flexível, oscilando de um lado para outro com os meus esforços para me libertar. Havia também um corrimão de metal roliço de cada lado, da grossura de um cabo de vassoura talvez, para ajudar a subida; a ele me aferrei várias vezes procurando impedir que me levassem – obrigando-os a parar para soltar minhas mãos. Esse corrimão era também flexível (tive a impressão mas tarde, ao descer, de que não era inteiriço, mas sim formado de pequenas peças de metal, articuladas umas dentro das outras).
 Uma vez dentro do aparelho, vi que havíamos entrado numa pequena saleta quadrada, cujas paredes de metal polido brilhavam com reflexos à luz fluorescente que vinha do teto, emitida por numerosas lâmpadas pequenas, de forma quadrada, embutidas no metal desse teto e dispostas por toda a volta do mesmo, por fora junto às paredes. Não pude contar quantas eram pois logo me puseram de pé no chão – assim que a porta externa subiu, trazendo na ponta a escada enrolada e presa, e se fechou. A iluminação era tão boa que parecia de dia. Mesmo nessa luz branca fluorescente não se distinguia mais onde era a porta de fora, que ao se fechar parecia ter se transformado em parede. Eu só sabia onde ela estava por causa da escada de metal presa na parede. Não pude observar mais detalhes porque um dos homens – eram cinco ao todo – me fez sinal com a mão para que caminhasse na direção de uma outra sala que se entrevia por uma porta aberta do lado oposto à porta de fora. Não sei se essa segunda porta já estava aberta quando entrei, pois só então olhei naquela direção. Resolvi obedecer, pois continuavam me segurando e agora eu estava fechado lá dentro, com eles, e não tinha outra escolha.
Deixamos a saleta, na qual não vi nenhum móvel ou aparelho, e entramos numa sala ampla, bem maior e de formato meio oval, iluminada conforme o ouro compartimento e com as mesmas paredes de metal prateado e polido. Acho que essa sala era no centro do aparelho porque no meio dela havia uma coluna de metal que ia do teto até o chão, larga encima e em baixo, e afinando bastante para o meio. Era roliça e parecia maciça; acho que não estava ali só para enfeitar; devia servir para escorar o peso do teto. Os únicos móveis que pude observar foram uma mesa deforma esquisita, que estava num dos cantos da sala, rodeada de várias cadeiras giratórias sem encosto (semelhantes aos bancos que se usam em bares). Era tudo do mesmo metal branco. Tanto a mesa como os bancos afinavam para baixo num pé único que era preso ao chão (no caso da mesa), ou articulado a um anel móvel preso por três suportes que saíam para cada lado e se embutiam no chão (no caso dos bancos, permitindo assim que as pessoas neles sentadas virassem para qualquer lado).
Durante intermináveis minutos, permaneci de pé, sempre seguro pelos braços por dois homens enquanto aquele povo estranho me observava e conversava a meu respeito. Digo conversar, apenas na maneira de dizer, pois na verdade o que eu ouvia não tinha nenhuma semelhança com uma conversa de gente: eram ganidos, ligeiramente semelhantes aos uivos de um cão. Essa semelhança era muito pequena, mas é a única que posso dar para tentar descrever aqueles sons – diferentes de tudo o que já ouvi até hoje. Eram ganidos lentos, nem muito finos nem muito roucos, uns mais longos, outros mais curtos, às vezes com vários sons diferentes ao mesmo tempo, outras com um tremido no fim. Mas eram somente sons, ganidos de animais, não se distinguindo nada que pudesse ser tomado como o som de uma sílaba ou de uma palavra em língua estrangeira. Nada disso. Para mim era tudo igual e por isso não pude guardar nenhum nome. Não posso explicar como é que aquela gente não podia se entender daquele jeito. Ainda fico arrepiado quando penso naqueles sons. Não posso reproduzir para os senhores: só ouvindo.... A minha voz não dá para isto.
Quando aqueles ganidos terminaram, parece que tinham resolvido tudo, pois me agarram de novo – os cinco – e começaram a tirar minha roupa, à força. Entramos em luta novamente, eu resistindo e procurando dificultar ao máximo o que eles faziam. Protestava e xingava também em altos brados. Eles evidentemente não entendiam, mas paravam e olhavam para mim, como se quisessem mostrar que eram educados. Por outro lado, embora usando força, em nenhum momento me machucaram seriamente e nem sequer rasgaram a minha roupa, a não ser talvez a camisa (que já estava rasgada antes, razão pela qual não posso ter certeza).
Fiquei inteiramente despido, já de novo angustiado e sem saber o que me ia acontecer. Um dos homens estão se aproximou, tendo à mão uma coisa que parecia uma espécie de esponja molhada e, com ela começou a me passar um liquido na pele. Não devia ser esponja dessas de borracha comum, porque era muito mais macia. O líquido era claro como água mas bem grosso e sem cheiro; pensei que fosse algum óleo, mas estava enganado, pois a pele não ficou engordurada nem oleosa. Passaram-me esse líquido pelo corpo todo. Eu estava com frio, porque a temperatura da noite lá fora já baixa, sendo nitidamente mais baixa dentro das duas salas do aparelho; quando me tiraram a roupa comecei a tiritar e agora ainda batia esse líquido para piorar a situação. Mas parece que o mesmo secou depressa e no fim não senti muita diferença.
Fui então conduzido por três daqueles homens na direção de uma porta que havia do lado oposto aquela por onde entráramos, que estava fechada. Fazendo-me sinais com as mãos, para que os acompanhasse, e ganindo um para outro de vez em quando, foram eles naquela direção – e eu no meio. O que ia na frente empurrou qualquer coisa no meio da porta (não pude ver o que era; talvez uma argola ou um botão) que se abriu para dentro, em duas metades, como uma porta de bar. Essa porta, quando fechada, ia do teto até o chão e trazia na parte de cima uma espécie de letreiro (ou coisa parecida) luminoso, traçado em sinais vermelha que, por efeito da luz, pareciam fazer saliência a uns dois dedos para fora do metal da porta. Essa escrita foi a única coisa do tipo, que vi dentro do aparelho. Eram rabiscos completamente diversos das letras que conhecemos. Procurei guardar de memória a sua forma e foram aqueles que desenhei na carta que mandei para o Sr. Martins. Atualmente já esqueci como é que eles eram.
Mas voltando aos acontecimentos: a tal porta dava entrada para um saleta menor, meio quadrada, iluminada como as outras. Depois que entramos (eu e dois dos homens) a porta se fechou atrás de nós. Olhei então para trás e vi uma coisa que não sei explicar: não havia mais porta nenhuma; apenas se via uma parede igual às outras. Não sei como é que se fazia aquilo. Só se com a porta fechada descia algum anteparo que a escondia da gente. Não pude compreender. O certo é que logo depois a parede se abriu e era porta de novo; não vi nenhum anteparo. Desta vez entraram mais dois homens trazendo nas mãos dois tubos de borracha vermelha, bem grossos, com mais de um metro de comprimento cada um. Se havia alguma coisa dentro deles, não posso dizer, mas sei que eram ocos. Um desses tubos foi adaptado numa das pontas de um frasco de vidro em forma de cálice. A outra ponta tinha um biquinho, em forma de ventosa, que foi aplicado na pele do meu queixo, aqui onde os senhores estão vendo esta mancha escura que ficou como cicatriz. Antes disso, porém, a homem que executou a manobra espremeu o tubo com as mãos, como se tivesse posto o ar para fora. Não senti nenhuma dor ou picada na hora; apenas a sensação de que minha pele estava sendo sugada ou aspirada. Mas depois o lugar ficou ardendo e coçando (e mais tarde verifiquei que a pele tinha ficado ferida, esfolada). Aplicada a borracha, vi meu sangue entrar pouco a pouco dentro do cálice – enchendo-o até a metade. Aí a coisa parou e o tubo foi retirado e substituído pelo outro lado onde os senhores podem ver outra mancha escura igual à outra. Dessa vez o cálice encheu até encima e a ventosa foi então retirada. A pele também ficou esfolada no lugar, ardendo e coçando como no outro lado. Fui então deixado sozinho; os homens saíram e a porta se fechou sobre eles.
Fiquei largado ali durante um tempo enorme, talvez mais de meia hora. A sala era vazia, contendo no centro um largo divã como que um leito, mas sem encosto e sem beirada, e um tanto incômodo para alguém deitar, por ser muito alto no meio, onde existia um verdadeiro cocuruto. Mas era macio, como se fosse feito de borracha esponjosa, sendo recoberto por um tecido grosso de cor cinzenta e também macio. Sentei-me ali pois sentia-me cansado depois de tanta luta e tantas emoções. Foi então que senti um cheiro estranho e comecei a ficar enjoado. Era como se estivesse respirando uma fumaça grossa que abafasse a minha respiração, dando a impressão de um cheiro de pano pintado que estivesse sendo queimado. E estava mesmo, porque examinando as paredes notei pela primeira vez a existência de uma porção de tubinhos metálicos que faziam saliência à altura de minha cabeça, fechados mas cheios de furinhos (como os de chuveiro) por onde saia uma fumacinha cinzenta que se dissolvia no ar. Essa fumaça era a causa daquele cheiro. Não sei se já estava saindo na hora em que os homens me tiraram o sangue, pois não reparei. Talvez com a porta abrindo e fechando o ar tivesse circulado melhor, não dando para que eu notasse. Mas agora, de qualquer forma, não me sentia vem e o enjôo aumentou tanto que acabei vomitando muito. Depois disso, passou a dificuldade de respirar, mas continuei um pouco enjoado com o cheiro daquela fumacinha. Fiquei muito desanimado depois disso, esperando que acontecesse alguma coisa.
É preciso que eu diga que até aquele momento não fazia a menor idéia sobre o aspecto físico e as feições daqueles homens estranhos. Todos os 5 estavam bem vestidos com um macacão bem justo, feito de pano grosso, porém macio, de cor cinzenta com listrinhas pretas aqui e ali. Essa roupa ia até o pescoço onde se unia com uma espécie de capacete feito de um material da mesma cor (não sei o que era) que parecia mais duro e era reforçado atrás e na frente por lâminas de metal fino, uma delas triangular, à altura do nariz. Esse tal capacete escondia tudo, deixando ver apenas os olhos daquelas pessoas – por trás de dois vidros circulares, parecidos com as lentes que se usam em óculos. Através desses vidros os homens me olhavam; os olhos deles me pareciam bem menores do que os nossos – mas acho que isso era um efeito dos vidros. Todos tinham olhos claros, que me pareceram azuis, mas não posso garantir. Acima dos olhos, os referidos capacetes tinham uma altura que devia corresponder ao dobro da largura de uma testa normal. É provável que houvesse mais alguma coisa por dentro dos mesmos, por cima das cabeças, mas por fora não se via nada. Mais acima, do meio da cabeça, saíam três tubos circulares e prateados (não posso dizer se eram de borracha ou metálicos), um pouco mais finos do que uma mangueira de jardim. Esses tubos, um no centro e mais um de cada lado, eram lisos e se dirigiam para trás e para baixo, curvando-se na direção das costas. Lá eles penetravam na roupa, aonde se embutiam de maneira que não sei explicar, um no meio – na altura da coluna vertebral; os outros dois, um para cada lado, se fixavam abaixo dos ombros a uns quatro dedos por baixo das axilas – quase do lado, no limite com as costas. Mão notei nada, nenhuma saliência ou volume que indicasse estarem esses tubos presos a alguma caixa ou aparelho escondido por baixo da roupa.
As mangas do macacão eram compridas e justas indo até os punhos onde se continuavam por luvas grossas, da mesma cor, com cinco dedos, que deviam atrapalhar um pouco o movimento das mãos; observei, a esse respeito, que os homens não conseguiam dobrar completamente os dedos de modo a tocar a palma com as pontas . Essa dificuldade não os impediu, entretanto, de me agarrarem com firmeza, nem de manipularem com habilidade as borrachas para extrair meu sangue. A roupa devia ser uma espécie de uniforme, porque todos os tripulantes do aparelho traziam à altura do peito uma espécie de escudo vermelho do tamanho de uma rodela de abacaxi, que de vez em quando apresentava reflexos luminosos; não era luz própria mas reflexos semelhantes aos de um vidro vermelho desses que ficam por cima dos faróis traseiros dos automóveis, que refletem a luz do farol de um outro carro, como se tivessem também uma luz. Desse escudo no centro do peito partia uma tira de tecido prateado (ou metal laminado) que se unia a um cinto largo e justo, sem fivela ou presilha, de cuja cor não me recordo. Não havia nenhum bolso visível nem nenhum dos macacões; não vi também botões. As calças eram também justas nas cadeiras, coxas e pernas – não se vendo nenhuma dobra ou folga de tecido. Não havia separação nítida no tornozelo entre a calça e os sapatos, que se continuavam um pelo outro, fazendo parte do mesmo conjunto.
As solas, nos pés, apresentavam, entretanto, um detalhe diferente: eram muito grossas, com dois ou três dedos de largura e bem viradas (ou arqueadas para cima) na frente, de modo que a ponta dos sapatos, que tinham o aspecto de sapatos de tênis, eram bem arqueadas para o alto – mas sem afinar em ponta como sapatos dos livros de histórias de antigamente. Pelo que vi depois, esses sapatos deveriam ser bem maiores dos pés que os calçavam. Apesar disso, o andar daqueles homens era bem desembaraçado e eles eram bem ligeiros nos seus movimentos. Aquele macacão todo fechado, contudo, talvez atrapalhasse um pouco, pois os homens andavam sempre um pouco empinados. Todos eles eram da minha altura (talvez um pouco mais baixos, por causa do capacete), com exceção de um só – o tal que me agarrara primeiro lá fora - ; esse não chegava a altura do meu queixo. Todos pareciam robustos, mas não o bastante para que eu tivesse medo de apanhar se lutasse com um de cada vez. Acho que em campo aberto poderia enfrentar qualquer um deles de igual para igual.
Mas isso não vinha ao caso na situação em que eu me encontrava...
Depois de um intervalo enorme, um ruído na porta me fez levantar sobressaltado. Voltei-me naquela direção e tive uma surpresa enorme. A porta estava aberta e uma mulher vinha entrando, caminhando em minha direção. Ela vinha devagar, sem pressa nenhuma, talvez se divertindo com a surpresa que devia estar estampada no meu rosto. Eu estava boquiaberto e não era para menos. A tal mulher estava despida, tanto como eu, e descalça. Além disso, era bonita, embora de um tipo diferente dos que eu conhecia. Tinha cabelos de um loiro quase branco (como esses que são oxigenados), lisos não muito abundantes, compridos até o meio do pescoço e com as pontas encaracoladas para dentro; estavam repartidos no meio da cabeça. Os olhos eram azuis e grandes, mas compridos do que circulares, por serem rasgados para fora (conforme esses olhos pintados com lápis, dessas moças que se fantasiam de princesa árabe, que ficam parecendo rasgados; era assim, com a diferença de que aqui a coisa era natural, pois não havia pintura nenhuma). O nariz era reto, sem ser pontudo, nem arrebitado, nem grande demais. O contorno do rosto é que era diferente porque as maças eram muito salientes, chegando a alargar bem a face (muito mais do que nas índias); mas logo abaixo o rosto se afinava muito terminando num queixo pontudo; esse aspecto dava à metade inferior do seu rosto uma forma bem triangular. Os lábios eram muito finos; quase não se viam; as orelhas (que vi depois) erampequenas e não pareciam diferentes das que eu conheço. As tais maças salientes davam a impressão de que havia um osso protuberante por baixo; mas como vi depois, eram macias e carnudas ao toque, não dando a impressão de osso. O corpo era muito mais bonito do que qualquer outra mulher que eu já conheci: magro, com seios empinados e bem separados, com cintura fina e barriga pequena, com quadris mais desenvolvidos e coxas grossas. Os pés eram pequenos; as mãos eram compridas e finas; os dedos e as unhas eram normais. Ele era bem mais baixa do que eu, batendo a sua cabeça no meu ombro.
Essa mulher se aproximou em silêncio, olhando-me com uma expressão de quem desejava alguma coisa, e me abraçou de repente, começando a esfregar a cabeça no meu rosto, de um lado para o outro. Ao mesmo tempo senti o seu corpo todo colado ao meu, fazendo também movimentos. A sua pele era banca (conforme as louras daqui) e cheia de sardas nos braços. Não senti nenhum perfume nessa pele, nem nos cabelos – a não ser o cheiro de mulher.
 A porta se havia fechado de novo. Sozinho ali com aquela mulher me abraçando e dando a entender claramente o que queria , comecei a ficar excitado... Isso parece incrível, na situação em que eu me encontrava. Penso que o tal líquido que me esfregaram na pele foi a causa disso; eles devem ter feito de propósito. Só sei que fiquei numa excitação incontrolável, coisa que nunca me acontecera antes. Acabei esquecendo tudo e agarrei-a, correspondendo aos seus carinhos com outros maiores. Fomos terminar no divã, onde tivemos relações pela primeira vez. Foi um ato normal e ela se comportou como qualquer mulher. Depois houve um período de carícias comuns, seguido de nova relação. No fim ela estava cansada e respirando depressa. Eu continuava animado, mas ela agora negaceava, procurando fugir, me evitar, acabar com aquilo... Quando notei isso, desanimei também. Era isso o que queriam comigo; um bom reprodutor para melhorar a raça deles. Tudo aquilo no fim não era mais nada do que isso. Fiquei com raiva, mas logo resolvi não dar importância. De uma maneira ou outra, tinha passado momentos agradáveis. É claro que eu não quereria aquela mulher em troca por uma das nossas. Gosto de uma com quem a gente possa falar, conversar e se entender – que não era o caso. Além disso, certos ganidos que ouvi da sua boca, em alguns momentos, quase que estragavam tudo, dando a desagradável impressão de que eu estava com um animal.
Uma coisa que observei foi que ela não me beijou nenhuma vez. Certo momento, lembro que abriu a boca como se fosse fazê-lo, mas a coisa terminou numa dentada leve no meu queixo, mostrando que não era beijo.
Outra coisa que notei, foi que, excetuando a cabeleira, todos os seus demais pelos eram bem vermelhos, quase cor de sangue.
Pouco depois de nos termos separado, a porta se abriu. Apareceu um dos homens na soleira e chamou a mulher. Ela saiu então. Mas antes de sair voltou-se para mim, apontou para a barriga, em seguida para mim, com um sorriso no rosto ou algo semelhante, e apontou finalmente para o céu – na direção do sul, penso eu. E foi embora... Interpretei esse sinal como um aviso de que ela voltaria para me levar com ela para as paragens onde vivia. Por causa disso, estou com medo até hoje. Se eles voltarem para me apanhar de novo estou perdido. Não quero me separar dos meus e da minha terra, de modo nenhum.
A seguir entrou o homem, trazendo a minha roupa no braço. Fez sinal para que eu me vestisse, o que obedeci em silêncio. Minhas coisas estavam todas nos bolsos; só estava faltando o isqueiro (marca “Homero”). Não sei se foi tirado por eles sou se eu o perdi durante a luta em que fui capturado. Por isso, nem tentei reclamar.
Em seguida saímos voltando para a outra sala. Três dos tripulantes do aparelho estavam sentados nas tais cadeiras giratórias, conversando (ou melhor, ganindo) entre si. Aquele que estava comigo foi se juntar a eles, largando-me no meio da sala, perto da mesa de que já falei antes. Eu estava agora inteiramente calmo, pois sabia que não me fariam nenhum mal. Procurei passar o tempo, enquanto eles decidiam suas coisas, tentando observar e guardar todos os detalhes do que eu via (paredes, móveis, uniformes, etc). Em dado momento, notei que encima da mesa, perto dos homens, estava uma caixa quadrada tendo uma tampa de vidro que protegia um mostrador como o de um relógio despertador. Havia um ponteiro lá dentro, e uma certa marca preta no lugar que correspondia às 6 horas; marcas iguais existiam nos pontos correspondentes às 9 horas e 3 horas; no lugar do meio-dia, era diferente: havia 4 marquinhas pretas, uma do lado da outra. Não sei explicar o seu significado – estavam lá assim. No princípio, pensei que o aparelho fosse uma espécie de relógio porque, de vez em quando, um dos homens olhava para ele. Mas penso que não era, pois fiquei de olho bastante tempo e, nenhum momento vi o ponteiro se mexer. Se fosse relógio isso tinha que acontecer, porque o tempo estava passando.
Tive então a idéia de pegar aquilo para mim. Lembrei-me de que precisava de levar alguma coisa para poder provar a minha aventura. Se pegasse aquela caixa o problema estaria resolvido. Podia ser que, vendo o meu interesse, os homens resolvessem dá-lo de presente. Aproximei-me devagar; eles estavam distraídos; de repente segurei o tal instrumento nas mãos, tirando-o da mesa. Era pesado; talvez tivesse mais de 2 kg... Mas não tive tempo nem de examina-lo, Um dos homens se levantou mais ligeiro do que um pé de vento e me arrancou o mesmo das mãos, com raiva, empurrando-me para o lado, e voltando a coloca-lo no mesmo lugar. Afastei-me então, até sentir as costas tocarem na parede mais próxima. Fiquei ali quieto, embora não tivesse medo. Não tenho medo de homem. Mas era melhor fica quieto, porque estava provado que eles só me respeitavam quando eu me comportava. Para que tentar alguma coisa que não teria resultado? A única coisa que fiz foi arranhar a parede com as unhas, procurando ver se arrancava uma lasquinha daquele metal. Mas a unha escorregava na parede polida, sem encontrar ponto de apoio. Além disso, o metal era duro e não consegui nada. Fiquei então esperando.
Não vi mais a mulher, depois que ela saiu da outra sala. Mas acho que descobri onde ela estava. Na parte da frente daquela sala ampla havia uma outra porta através da qual eu não passara. Estava agora ligeiramente entreaberta e, de vez em quando, eu ouvia ruídos vindos de lá, como que produzidos por uma pessoa se movimentando. Só podia ser a mulher, pois os outros estavam todos na mesma sala que eu, dentro dos seus uniformes e capacetes esquisitos. Imagino que aquele compartimento dianteiro devia corresponder à sala onde ficaria o piloto que dirigia o vôo do aparelho. Mas não pude verificar.
Finalmente, um daqueles homens se levantou e me fez sinal para que o acompanhasse. Os outros continuaram sentados, sem olhar para mim. Caminhamos na direção da saleta de entrada e fomos até a porta de entrada, que estava aberta de novo, com a escada já desenrolada. Não descemos, entretanto, pois o homem fez sinal para que o acompanhasse na direção da plataforma que existia dos dois lados da porta. Essa plataforma rodeava o aparelho e, embora estreita, permitia que se caminhasse sobre o mesmo, para os dois lados. Fomos primeiro para a frente. Notei então uma espécie de protuberância metálica, de forma quadrada, que se projetava para fora, para o lado (havia uma coisa igual do lado oposto), bem encaixada no corpo do aparelho. Se essas peças não fossem tão pequenas, julgaria que eram asas para ajudar no vôo. Pelo seu aspecto, penso que talvez servissem para se mover para cima ou para baixo, orientando a subida ou descida. Confesso, contudo, que em nenhum momento, mesmo quando o aparelho levantou vôo, notei qualquer movimento. Não sei portanto explicar para que serviam.
Mais a frente o homem apontou mostrando as três hastes de metal de que já falei, solidamente encravadas nos lados (as duas laterais) e no bico dianteiro do aparelho (a do meio), como se fossem três esporões metálicos. Eram semelhantes na forma e no comprimento, bem grossas na base e afinadas nas pontas. A posição de cada uma era horizontal. Não sei se eram do mesmo metal do aparelho, porque delas saiam uma ligeira fosforescência avermelhada, como se estivessem em brasa. Não senti, contudo, nenhum calor... Na base de implantação de cada uma, um pouco mais acima, estavam embutidas lâmpadas avermelhadas. As laterais eram menores e redondas; e da frente era enorme, também redonda, correspondendo ao farol dianteiro do aparelho que já descrevi. Inúmeras lâmpadas quadradas, pequenas e semelhantes, no aspecto, às que eram usadas na iluminação interna, contornavam o bojo do aparelho, pouco acima da plataforma sobre a qual lançavam uma luz arroxeada. Na frente, a plataforma não dava a volta completa, acabando junto de um vidro largo e grosso, meio saliente e alongado para os lados, fortemente embutido no metal. Talvez servisse para se olhar para fora, já que não havia janelas em parte alguma. Acho, entretanto, que isso seria difícil pois esse vidro, olhando de fora, parecia muito embaçado. Olhando de dentro não sei como seria, mas não creio que pudesse ser mais transparente.
Penso que tais esporões dianteiros soltavam a energia que puxava o aparelho para frente, porque quando este levantou vôo, a luminosidade dos esporões aumentou de brilho extraordinariamente, confundindo-o completamente com a luz dos faróis.
Vista a parte da frente do aparelho, voltamos para trás (a parte de traz era mais bojuda que a da frente). Mas antes paramos por alguns momentos e o homem apontou para cima, para onde giravam a enorme cúpula em forma de prato. Girava devagar, toda iluminada por uma luz fluorescente esverdeada que não sei de onde saía. Mesmo com aquele movimento lento, ouvia-se um ruído como o de ar aspirado por um aspirador de pó; uma espécie de silvo (como o do ar ao se deslocar aspirado por inúmeros buraquinhos; não vi nenhum buraco; é só para comparação). Mais tarde, quando o aparelho começou a levantar do chão, aquele prato giratório iria aumentar tanto a sua velocidade a ponto de se tornar invisível, ficando-se a ver só a luz, cujo brilho também iria aumentar bastante e que mudaria também de cor – passando para o vermelho vivo. Nesse momento, o som também aumentaria (mostrando ter relação com a velocidade de rotação do prato redondo que girava no topo do aparelho) transformando-se num verdadeiro zumbido ou chiado forte. Não entendi a razão daquelas mudanças, nem compreendo para que serviria esse prato giratório luminoso, que em nenhum momento cessou de rodar. Mas devia ter alguma utilidade, pois estava lá.
Uma pequena luz avermelhada parecia existir no centro daquela cúpula ou prato giratório. O movimento me impediu de verificar com certeza.
Passando para a traseira do aparelho, cruzamos de novo a porta e fomos caminhando, acompanhando a curva posterior do mesmo. Bem atrás, no lugar de onde, por comparação, sairia a cauda de um avião, havia uma peça de metal, retangular, colocada em posição vertical, de frente para a traseira, cruzando a plataforma. Mas era baixinha, não passando da altura do meu joelho. Pude facilmente passar por cima dela para ir até o outro lado, e para voltar. Durante essas manobras notei no chão, de um lado e do outro da mesma, suas luzes embutidas e de cor avermelhada, com a forma de dois traços grossos e oblíquos para fora. Pareciam com as luzes dos aviões, embora não piscassem. Por outro lado, acho que a tal peça de metal era uma espécie de leme para mudar a direção do aparelho. Pelo menos vi essa peça virar para o lado, justamente na hora em que o aparelho, já parado no ar a uma certa altura, depois de levantar do chão, virou bruscamente de direção – antes de começar a se mover a uma velocidade fantástica.
Depois de também vista a parte de trás do aparelho, voltamos até a porta. O meu guia apontou para a escada e me fez sinal para que eu descesse. Obedeci. Quando pisei o chão olhei para cima. Ele ainda estava lá. Apontou então para ele mesmo, em seguida para a terra, para logo depois apontar para o céu, na direção do sul. A escada de metal começou a encolher, os degraus se arrumando uns em cima dos outros, como uma pilha de taboas. Quando chegou lá encima, a porta (que quando aberta era chão) começou, por sua vez, a subir até se encaixar na parede do aparelho – ficando invisível. As luzes dos esporões metálicos, dos faróis e do prato giratório ficaram mais fortes – enquanto este ultimo rodava cada vez mais depressa. O aparelho começou a subir lentamente na vertical. Nesse momento, as três hastes do tripé onde o mesmo estava pousado subiram para os lados, sendo que a peça inferior de cada uma (mais fina, roliça e terminando num pé alargado) começou a entrar na peça de cima (bem mais grossa e quadrada); quando isso acabou, a peça de cima começou a entrar para o fundo do aparelho. No fim não se via mais nada, o fundo se apresentava liso e polido como se aquele tripé nunca tivesse existido. Não consegui descobrir qualquer marca indicando o lugar onde as hastes se tinham encaixado. Aquela gente trabalhava bem.
O aparelho continuou a se elevar lentamente no espaço até atingir uma altura de uns 30 a 50 metros. Aí ele parou por uns instantes, e ao mesmo tempo sua luminosidade se tornava ainda mais forte. Aquele zumbido de ar se deslocando ficou muito mais intenso e o prato giratório passou a rodar numa velocidade espantosa, enquanto a luz mudava por várias cores até ficar de um vermelho vivo. Nesse momento o aparelho mudou de repente de direção, num movimento brusco, fazendo um ruído estrepitoso (foi nessa ocasião que vi a peça, que chamei de leme, virar de lado). A seguir, inclinando-se ligeiramente para um lado, aquela aeronave estranha partiu como uma bala na direção do sul – a uma velocidade tão grande que sumiu em poucos segundos.
Voltei então para o meu trator. Deixei o aparelho mais ou menos às 5:30 hs da manhã. Calculo que tenha entrado no mesmo à 1:15 hs da madrugada. Fiquei lá dentro, portanto, durante quatro horas e quinze minutos. Muito tempo mesmo.
Quando quis ligar o motor do trator, notei que continuava enguiçado. Fui ver se havia algum defeito e descobri que um dos cabos da bateria tinha sido desparafusado e estava fora do lugar. Aquilo fora trabalho de alguém, pois um cabo de bateria bem preso (havia feito uma revisão quando saí de casa), não se solta sozinho. Deve ter sido feito por um dos meus captores, depois que o trator parou com o motor isolado, provavelmente na ocasião em que me pegaram. Pode ter sido para impedir que eu escapasse de novo, caso conseguisse fugir das mãos que me seguravam. Aquele pessoal era muito “águia” não havia nada que eles não tivessem previsto.
Não contei o meu caso até agora para ninguém, com exceção de minha mãe. Ela me disse que eu não devia me meter mais com aquela gente. Não tive coragem de contar ao meu pai porque já havia lhe contado a história da luz que apareceu no curral – e ele não acreditou, pois disse que “eu estava vendo coisa...”. Resolvi, mais tarde, escrever para o Sr. João Martins, depois de ter lido um dos seus artigos na revista “O Cruzeiro”, em novembro, e no qual ele fazia um apelo aos leitores para que comunicassem todos os casos relacionados com os discos voadores. Se tivesse dinheiro suficiente, teria vindo há mais tempo. Mas como não possuía, tive que esperar até que ele dissesse que me ajudaria nas despesas da viagem.
Estou aqui à disposição dos senhores. Se acharem que devo retornar à minha casa, irei amanhã mesmo. Se quiserem, porém, que eu fique mais tempo, estarei de acordo. Vim aqui para isto.

Pesquisas Posteriores

Imagem representativa


Pesquisa de Claudio Suenaga para a Revista UFO, disponível em: http://www.ufo.com.br/index.php?arquivo=notComp.php&id=3454


O primeiro caso de abdução alienígena da Era Moderna dos Discos Voadores, bem como o primeiro em que um ser humano teria mantido relações sexuais com uma suposta entidade biológica extraterrestre (EBE), ultrapassou os 50 anos. Não foi por acaso que ocorreu justamente no Brasil, país onde a devassidão, a liberação das fantasias libidinosas e a busca desenfreada por prazeres carnais sempre escaparam à rigidez da moral religiosa. De todos os casos da Ufologia Mundial, a “saga sexual” vivida por Antonio Villas Boas (1934-1991) permanece sendo a que mais me impressionou. Muitos ufólogos com os quais conversei também admitiram o mesmo, e certamente não há nenhum deles, nem o mais isento de paixão e emotividade, que não tenha ficado de alguma forma impressionado ao tomar conhecimento da inusitada história daquele jovem lavrador de 23 anos. Na madrugada de 16 de outubro de 1957, Villas Boas arava a terra com o trator quando foi surpreendido por uma nave em forma de ovo, bojuda na parte de trás e com três hastes metálicas na frente, feito esporões, que aterrissou a uns 15 metros de distância. Dela desceram pequenos seres vestindo máscaras e uniformes inteiriços, que o agarraram e o fizeram subir para bordo do objeto através de uma escada rudimentar. 
Depois de ter sido despido, um líquido oleoso, mas que não deixava a pele engordurada, foi passado em seu corpo com uma espécie de esponja. Em outra sala, dois seres se aproximaram com um tipo de cálice, do qual saíam dois tubos flexíveis. Eles colocaram a extremidade de um dos tubos no objeto e a outra ponta, que tinha um “biquinho” semelhante a uma ventosa, num dos lados do queixo de Villas Boas. O agricultor não sentiu dor, apenas a sensação de que a pele estava sendo sugada. Seu sangue escorreu pelo tubo e se depositou no cálice, que encheu até a metade. Depois foi retirado e substituído pelo que ainda não havia sido usado, sendo colocado do outro lado do queixo, de onde se coletou mais sangue, até completar o vasilhame. A pele de Villas Boas ficou ardendo e coçando no lugar da sangria. Deixado sozinho numa sala que exalava uma fumaça de cheiro desagradável e sufocante, que lhe provocou vômitos, Villas Boas esperou por um longo tempo até que, para seu espanto, surgiu uma mulher inteiramente nua, com a qual acabou tendo relações sexuais. No fim do processo, ela apontou para o próprio ventre e em seguida para o céu. Cumprida a missão, os seres se desinteressaram completamente pelo agricultor e o deixaram no mesmo local do rapto. Os humanóides, como ele próprio descreveu, mediam cerca de 1,57 m de altura, vestiam macacões cinzentos inteiriços e aderentes ao corpo, confeccionados com um tecido grosso, porém macio, com listras pretas aqui e ali. A vestimenta ia até o pescoço, onde se unia a um capacete de material mais duro e da mesma cor. Era reforçada na frente e atrás por lâminas de metal fino, sendo uma triangular e à altura do nariz. 
O capacete só deixava entrever os olhos, de cor clara, que ficavam atrás de dois vidros redondos, semelhantes a lentes de óculos. Três tubos redondos e prateados, pouco mais finos do que uma mangueira de jardim, se embutiam na roupa – um no meio das costas e os outros dois, um de cada lado, se fixavam por baixo das axilas. As mangas do macacão iam até os punhos, onde terminavam em luvas grossas que dificultavam o movimento das mãos. Também não havia separação entre as calças e as botas, que pareciam ser uma continuação das vestes. As solas eram grossas e arqueadas para cima na parte da frente. Na altura do peito, os seres traziam um “escudo vermelho do tamanho de uma rodela de abacaxi”, segundo a testemunha. De vez em quando, aquilo emitia flashes luminosos. Do escudo descia uma tira de tecido prateado ou metal laminado que se unia a um cinto largo e justo, sem fivela ou presilhas. 

Olhos azuis, grandes e oblíquos
A mulher com quem Villas Boas copulou era magra e media no máximo 1,33 m de altura. Tinha os seios empinados e bem separados, cintura fina, barriga pequena, quadris largos, coxas grossas, pés pequenos, mãos compridas e finas. Seus dedos e unhas eram normais, e sua pele branca era cheia de sardas nos braços. O cabelo era liso e abundante, quase branco. Repartido ao meio, chegava até a metade do pescoço. Os olhos eram azuis, grandes, oblíquos e excessivamente repuxados. O nariz, pequeno e reto, não era pontudo nem arrebitado. As maçãs do rosto eram pronunciadas, carnudas e macias ao toque. O rosto largo se estreitava na altura do queixo pontudo, conferindo uma feição triangular. Os lábios eram finos e a boca não passava de uma ranhura. As orelhas eram pequenas. O que mais chamou a atenção de Villas Boas foram os pêlos púbicos, que tinham cor vermelha. Ela não usava perfume, apenas “exalava cheiro de mulher”, declarou o abduzido. Quem descobriu o Caso Villas Boas foi ninguém menos do que o repórter João Martins (1916-1998), da revista semanal de informações O Cruzeiro, logo extinta. Martins já havia inaugurado o interesse pelos UFOs no país ao fotografar, junto com seu amigo, o repórter fotográfico Ed Keffel, um suposto disco voador sobrevoando a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na tarde de 07 de maio de 1952 – que muitos garantem ser apenas uma maquete. Ele agora acrescentaria um novo componente à incipiente fenomenologia ufológica da época: o sexual. 
Porém, ao contrário do Caso Barra da Tijuca, que seria divulgado imediatamente como um sensacional furo de reportagem, o Caso Villas Boas permaneceria em segredo absoluto por cinco anos. Nesse ínterim, foi desbancado pelo fato sucedido ao casal inter-racial norte-americano Betty e Barney Hill, raptados na noite de 19 de setembro de 1961, na estrada de Indian Head, por seres cinzentos que os submeteram a vários tipos de exames médicos, inclusive de natureza sexual. Assim, se o Brasil deixou de tomar a dianteira e ocupar o posto de vanguarda no que tange às abduções alienígenas, foi porque João Martins e os demais pesquisadores do caso, receando uma reação contrária do público, preferiram resguardar a si mesmos e o protagonista. De tão fantásticos e inusitados que eram os aspectos envolvidos no Caso Villas Boas, temiam que ele não seria aceito como verídico. Tanto que Antonio Villas Boas era conhecido apenas pelas iniciais AVB. 

Equilíbrio, honestidade e coerência
No final de 1957, Martins publicou em O Cruzeiro uma série de reportagens especiais sobre discos voadores em que convidava os leitores a enviarem cartas contando experiências que tivessem vivido. Entre as centenas que foram recebidas, a de um jovem agricultor que morava com os pais e irmãos em uma fazenda do distrito de São Francisco de Sales, no Triângulo Mineiro, chamou-lhe tanto a atenção que resolveu custear sua viagem até o Rio de Janeiro, onde exporia pessoalmente o ocorrido. Antonio Villas Boas foi ao Rio e, em 22 de fevereiro de 1958, no consultório do médico gastroenterologista e ufólogo Olavo Teixeira Fontes, prestou um longo e detalhado depoimento, que só foi tomado depois de um interrogatório minucioso e friamente elaborado, que durou nada menos do que quatro horas, durante as quais se pôs à prova seu equilíbrio, sua honestidade, sua ambição, sua coerência de atitudes e de intenções. Fontes foi um dos primeiros ufólogos do país. O depoimento de Villas Boas se deu na presença do jornalista João Martins e do médico e ufólogo alemão Walter Karl Bühler (1933-1996). Apesar do trio não ter encontrado nenhum indício de fraude, mesmo após submeter Villas Boas a hábeis interrogatórios, métodos psicológicos intimidatórios e de insinuar-lhe que queria ver seu retrato nos jornais para ganhar dinheiro com sua história – para averiguar se era movido pela vaidade ou ambição –, o jovem se manteve firme com seu depoimento. Mesmo assim, foi submetido a exames médicos e psiquiátricos e interrogado novamente depois de várias semanas, a fim de surpreendê-lo em alguma contradição. Villas Boas não mudou uma só palavra de seu depoimento. E mesmo assim, Fontes e Martins decidiram arquivar a pesquisa “para esperar o aparecimento de um caso de características semelhantes em outro lugar, que validasse a ocorrência”. Apesar dos cuidados, parte do relato do agricultor vazou e chegou a ser parcialmente comentado. 
Ainda em 1957, um dos melhores anos para a Ufologia, Bühler havia fundado no Rio de Janeiro a Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores (SBEDV), uma das primeiras entidades civis do gênero a surgir no país, que editava os referenciais Boletins da SBEDV. Os boletins veiculavam estudos pormenorizados sobre todos os tipos de casos, principalmente envolvendo humanóides, e às vezes continham até transcrições completas de questionários com testemunhas. Bühler publicaria suas primeiras ponderações sobre o Caso Villas Boas na edição nº 26-27 do periódico, de abril a julho de 1962. O artigo, integralmente em inglês, seria reproduzido na edição de janeiro e fevereiro de 1965 da citada Flying Saucer Review, do inglês Creighton, que tinha circulação mundial através de assinaturas. Isso contribuiu imensamente para projetar a Ufologia Brasileira no cenário internacional.Uma versão em português do artigo só seria publicada por Bühler no Brasil em 1975, numa edição especial do Boletim da SBEDV, que trazia uma seleção dos 40 melhores casos de contatos imediatos com ufonautas ocorridos até então. Entre eles, logicamente, estava o de Antonio Villas Boas, enquadrado no “subgrupo A-F”, que incluía os episódios de aproximação forçada de ETs. Já a reportagem integral de Martins – sob o pseudônimo de Heitor Durville –, foi publicada em 1968, na série Detras de la Cortina de Silencio, mantida em espanhol pelas Ediciones O Cruzeiro, em Buenos Aires, com acesso apenas aos leitores argentinos. O texto foi acompanhado dos resultados dos testes clínicos realizados pelo médico e ufólogo Olavo Fontes, e através dele se ficou sabendo que AVB era Antonio Villas Boas, um agricultor de 23 anos que estudava por correspondência. Em 1971, João Martins achou que não havia mais razão para ocultar o ocorrido e publicou um resumo do caso no suplemento carioca da revista semanal Domingo Ilustrado, edição 03, de 10 de outubro. 

Rompendo a cortina de silêncio
A versão de Martins, Fontes e Bühler sobre o Caso Villas Boas, repetida à exaustão nas últimas décadas como uma espécie de cânone por todos os jornalistas, pesquisadores e ufólogos que se seguiram, consagrou-se em termos absolutos e penetrou fundo no imaginário coletivo, onde permanecerá incólume a revisões ou correções de qualquer tipo, por mais embasadas que sejam, e sempre manterá uma influência residual, quase hipnótica. Enquanto isso, nunca foram lançadas novas investigações sobre o caso e nem a comunidade ufológica se preocupou em fazer certos questionamentos a seu respeito. Se hoje lamento isso é porque, de todos os episódios da casuística ufológica, este seja talvez o mais rico e multilateral, o mais impressionante pela originalidade e pioneirismo, e o mais fascinante sob o ponto de vista da expressão sócio-cultural. O Caso Villas Boas deve ser colocado, sem hesitação, entre os melhores da história da Ufologia Mundial de todos os tempos. 

Trauma psicológico pós-abdução
Em seu opúsculo Contatos Sexuais com Ufonautas [Edição do autor, 1988], escrito em parceria com a também parapsicóloga Sônia Trigo Alves, Álvaro Fernandes narra que a oportunidade surgiu bem no dia de seu aniversário, quando se encontrava em companhia de alguns amigos em um rancho de pesca em Fronteira, às margens do Rio Grande. Entre tantos “causos” contados por pescadores, um deles chamou particularmente sua atenção, pois se referia a um rapaz que estava arando a terra à noite e fora forçado a manter relações sexuais com uma mulher de outro planeta. Fernandes, que deveria retornar a São José do Rio Preto naquela noite, resolveu ir com seus companheiros até a fazenda de Villas Boas. Recebidos por sua mãe e parentes, foram informados de que o rapaz estava muito abalado e passava todo o tempo trancado em seu quarto, preferindo se isolar e não tocar no assunto.
Suenaga descobre o túmulo de Villas Boas num cemitério de Uberaba, sem quaisquer ornamento especial ou alusão à sua identidade
 

 
Em seguida, foram até o vilarejo e procuraram o farmacêutico que atendeu Villas Boas. Era um senhor respeitável, educado e experiente, que disse que o agricultor temia ter contraído doença venérea, já que a relação com a tal mulher o deixara com os órgãos sexuais doloridos e o corpo todo coberto de manchas. O farmacêutico lhe garantiu que não era doença venérea, mas, de qualquer forma, o aconselhou a procurar um médico ou alguém que pudesse orientá-lo melhor. A segunda visita de Fernandes a São Francisco de Sales se deu em 27 de agosto de 1977, ou seja, quase 20 anos depois. Desta vez estava acompanhado do professor e ufólogo Guilherme Willi Wirz, de Izildinha, repórter do jornal Diário da Região, também de São José do Rio Preto, e do doutor Ernesto Zeferino Dias. Também nesta ocasião Fernandes não logrou encontrar pessoalmente Villas Boas, uma vez que ele se encontrava em Formosa (GO), concluindo o último ano do curso de Direito. Em compensação, o grupo conversou com seu sobrinho, o proprietário rural João Batista de Queiroz, que os levou até a fazenda onde o agricultor havia morado, a cerca de seis quilômetros de São Francisco de Sales, próximo ao Rio Grande, e lhes mostrou o local onde pousara o disco voador. Naquela época a área estava abandonada, coberta de taboa, uma vegetação típica de brejos. Segundo Fernandes, “no local da descida do disco não mais cresceu vegetação, ficando uma marca escura no solo. Depois de um ano de nossa visita, tudo ficou inundado pela formação do lago de Água Vermelha, inclusive a casa onde morava Antonio ficou coberta pelas águas”.
De volta a São Francisco de Sales
Desde então, por incrível que pareça, numa mostra do quanto a Ufologia carece em matéria de pesquisas, nenhum outro pesquisador retornou a São Francisco de Sales. E, assim, o Caso Villas Boas permaneceu praticamente esquecido, até que em 2002 resolvi voltar a percorrer os velhos caminhos, embora de maneira independente e sem contar com qualquer tipo de apoio, subsídios e recursos. No início daquele ano, logrei localizar o paradeiro da irmã de Antonio, Odércia Villas Boas, com quem conversei primeiro por telefone e, no final do ano, pessoalmente. Nesta última ocasião estava acompanhado do jornalista Pablo Villarrubia Mauso, também consultor da Revista UFO, e encontramos Odércia em sua humilde residência, em São Francisco de Sales. Morava sozinha e sobrevivia com uma modesta aposentadoria. Ela, que nunca havia sido entrevistada por quem quer que seja, aos poucos foi deixando o receio e a desconfiança de lado e, do alto de seus 70 anos, demonstrando uma lucidez e uma disposição invejáveis, se dispôs a contar tudo o que sabia acerca do caso. Numa prévia promissora do que me aguardava no quesito novas revelações, Odércia foi logo me garantindo que ela, e não sua mãe, é quem teria sido a primeira pessoa para quem seu irmão confidenciara o sucedido naquela fatídica madrugada de 16 de outubro de 1957. “Eu morava pertinho da sede da fazenda, na margem do Rio Grande e a uns dois quilômetros do local onde a nave pousou. Naquela época, estava grávida de minha filha caçula. Era de manhã bem cedinho, por volta das 05h30, e eu já havia levantado porque a essa hora tinha de fazer café e despachar os homens para o trabalho na roça”, relatou a senhora. Disse que seu marido ainda estava dormindo porque se recuperava de uma cirurgia que havia feito no pescoço. “O Antonio chegou do varjão em que trabalhava e logo notei que estava tremendo e com o rosto pálido, amarelado, com manchas roxas na fronte e no queixo. Perguntei o que tinha acontecido e, em vez de responder, pediu que lhe preparasse um café bem forte e mandasse meu marido tirar leite para que tomasse, pois estava se sentindo muito mal”
Dona Odércia descreveu o estado de Villas Boas naquele instante. “Ele estava meio zonzo e deitou-se num banco grande de madeira que havia na varanda, estirando as pernas. Vendo o estado em que se encontrava, insisti para que entrasse e deitasse na cama, mas ele teimou que queria ficar ali mesmo”. Seu marido foi até o curral tirar o leite que Villas Boas pedira, que bebeu misturado com café bem forte. “Mas logo em seguida ele vomitou uma ‘cola amarelinha’. E aí tomou café de novo, esperou de novo e foi parando de tremer, passando a se sentindo um pouco melhor. Então me contou toda aquela história”, declarou a senhora. O irmão de Antonio Villas Boas, José Villas Boas, nascido em 1938 e quatro anos mais novo, também tinha medo de ser levado pelas luzes que rondavam a fazenda desde antes da abdução. Ele trocou São Francisco de Sales por Fernandópolis (SP), onde reside até hoje, e é próspero criador de gado. Em entrevista a mim concedida, também a primeira em sua vida, revelou que cerca de duas horas antes de seu irmão ser seqüestrado, observou, na companhia dele, uma luz no formato de dois pratos fundos e emborcados, que parecia observá-los acintosamente e se esquivava agilmente de suas tentativas de perscrutação com os faróis do trator. Temendo que qualquer coisa de ruim lhe ocorresse, José Villas Boas tratou de fugir dali, ao passo que seu irmão insistiu em permanecer trabalhando e terminou por ser alvo de insólitas manipulações. Ele nunca havia comentado este detalhe nem nada sobre o caso, e sempre fizera questão de resguardar-se da imprensa e dos ufólogos. Mas cabe observar, todavia, que ele provavelmente se enganou quanto a data, pois o mais certo é que se encontrava em companhia de Antonio não poucas horas antes do seqüestro, e sim em 14 de outubro, na noite anterior, por ocasião do segundo incidente.

Revisão histórica
Narrado e perpetuado de maneira incompleta, lacunar e distorcida pelo trio de pesquisadores – Martins, Fontes e Bühler – que monopolizaram e ocultaram o caso durante mais de uma década, todos os que vieram em seguida continuaram endossando-o e reproduzindo-o fielmente, sem discordar de nenhum detalhe. Muitos aproveitaram para inserir nesses intervalos suas opiniões pessoais ou grupais que, por malícia e convicção própria, desejavam conferir ao Caso Villas Boas. Isso desvirtuou ainda mais o que já se ia distanciado da fonte original, entre tantos hiatos e subentendidos. E acabou por tornar quase impossível ao leitor leigo e comum – e mesmo ao pesquisador experiente – averiguar a veracidade ou falsidade das afirmações, porque, para tanto, seria preciso elidir todos os pontos cerzidos, o que requer o domínio de técnicas bastante complexas e sofisticadas. Se o Caso Villas Boas, que é tido como um dos mais completos e bem pesquisados de todos os tempos, apresenta tantas incongruências, o que dizer dos outros? Esta é uma situação alarmante, sem dúvida, e é inequivocamente a situação da Ufologia Mundial, principalmente da Brasileira, que padece de recursos, de profissionalismo e de pesquisadores gabaritados. Poderíamos buscar as causas remotas desse estado de coisas na progressiva deterioração de nossa educação, cultura e idioma, e mesmo na dilapidação de nossos valores éticos e morais. Mas, deixando para outra hora essas críticas e denúncias, limito-me a observar que as confusões desnorteantes e nebulosidades dissolventes, inerentes aos casos ufológicos, não podem jamais ser tomadas e aceitas em seu estado puro. Antes, devem ser checadas cada terminologia empregada e cada conjunto de esquemas expositivos mais ou menos estereotipados e padronizados.



 
Irmão do abduzido, José Villas Boas, confirma detalhes daexperiência de abdução alienígena em São Francisco de Sales

Cabe observar, logo de saída, que Antonio Villas Boas foi estereotipado na figura de um lavrador simplório, rude, pobre, analfabeto e ignorante, talvez porque dessa maneira ganharia um sentido uniformemente apreensível e proporcionaria uma intimidade e uma identificação imediata e pessoal com o público. Os ufólogos foram induzidos a imaginarem um homem que jamais poderia ter inventado uma história como essa, já que não possuiria cabedal, capacidade, nem tampouco referências suficientes para tanto. Ora, o verdadeiro Antonio Villas Boas era diferente do imaginado. Se, por um lado, não era rico e nem tampouco moderno e urbano, por outro também não era assim tão pobre e rude quanto nos quiseram fazer crer. Filho dos fazendeiros Jerônimo Pedro Villas Boas (1887-1963) e Enésia Cândida de Oliveira (1897-1963), pertencia a uma família tradicional e influente em sua região, tanto que seu irmão Delpides Villas Boas (1914-1991) entrou para a história local por ter participado ativamente do processo de emancipação do distrito de São Francisco de Sales, concluído em dezembro de 1962. E se, por um lado, Villas Boas não era letrado, por outro também não era analfabeto, embora seus estudos estivessem muito atrasados – por isso fazia um curso tipo supletivo por correspondência para concluir o primeiro grau. Odércia disse que ele preferia ler e estudar a trabalhar na lavoura, tanto que possuía uma pequena coleção de livros. Enfim, inúmeros são os detalhes a serem corrigidos e acrescentados à história, mas vamos deixar que os próprios entrevistados, em viva voz, façam isso. Um dos principais refere-se à mulher que manteve intercurso sexual com Villas Boas. Ao contrário do que até hoje se propala, ela não era propriamente uma beldade. Longe disso, era bastante feia e até repulsiva, conforme retificaram todos os familiares do abduzido que entrevistei, tanto por telefone como pessoalmente, em 2002. 

Levado a uma base secreta
Eles confirmaram, ainda, terem visto as marcas de pouso deixadas pela nave alienígena no solo da fazenda. Estive na propriedade e constatei que parte dela e o local exato da aterrissagem estavam inundados pelo menos desde a visita de Álvaro Fernandes, 25 anos antes. Os familiares confirmaram também o fato, amplamente difundido na Ufologia Mundial, de que Villas Boas teria sido levado pela NASA [Criada em 1958, ou seja, alguns meses depois do caso] ou alguma agência de espionagem a uma base secreta nos Estados Unidos, um local repleto de UFOs acidentados ou construídos pelos cientistas terrenos aproveitando tecnologia alienígena. Além disso, acrescentaram uma série de informações ao Caso Villas Boas. Como o surgimento de fenômenos parapsicológicos, fantasmagóricos e luminosos na fazenda antes e depois do episódio, bem como detalharam as seqüelas sofridas pelo abduzido nas semanas seguintes ao rapto. Entre elas estavam náuseas, vômitos, perda de apetite, dores de cabeça na região das têmporas, ardência nos olhos, insônia e depois sonolência excessiva. Villas Boas também sofreu de nervosismo, depressão, feridas nos antebraços e nas pernas, manchas amareladas no rosto etc. Muitos destes sintomas nunca foram mencionados pelos ufólogos que trataram do caso, que se limitaram a reproduzir o que ouviam de outros.
Ainda que tenha se casado, concebido filhos e se formado em Direito, exercendo por muitos anos a profissão de advogado, a verdade é que Antonio Villas Boas jamais readquiriu o mesmo vigor de antes. Tampouco se livrou dos traumas advindos do contato com aqueles seres extraterrestres, tanto que faleceu relativamente jovem, em 17 de janeiro de 1991, com apenas 56 anos. O atestado de óbito emitido pelo Cartório de Registro Civil de Uberaba (MG), cidade onde vivia, aponta como causa mortis “hemorragia subaracnóidea, aneurisma da artéria basilar e hipertensão arterial”. Na mesma cidade, localizei o túmulo de Villas Boas no Cemitério Municipal São Judas Tadeu, próximo do mausoléu do célebre médium espírita Chico Xavier (1910-2002). Como não há nenhuma placa indicativa, os desavisados que passam por ali nem sequer desconfiam que ali jaz o primeiro abduzido da Era Moderna dos Discos Voadores. Eis uma tremenda negligência e um triste anonimato para alguém que teria sido vítima de estranhas manipulações genéticas por parte de seres de outro planeta. Silenciosamente, de pé diante daquele túmulo despido de qualquer ornamentação, epígrafes ou epitáfios a invocar a memória de tão ilustre figura, não pude deixar de perguntar: quantos outros Villas Boas, quantas outras histórias tão fantásticas – e verídicas – ainda estariam ocultas e esquecidas por trás da cortina de silêncio que foi estendida, por vários interesses de diferentes ordens, sobre o fascinante enigma dos UFOs? Quantos Antonios Villas Boas já não estariam enterrados e a essa altura, todos completamente esquecidos, até mesmo por seus familiares?
Se nas últimas décadas o Caso Villas Boas tem desafiado e resistido a todos os exames críticos, deixando os céticos perplexos e abalando até suas sistemáticas incredulidades e inamovíveis renitências, é porque, para assombro de todos, além das seqüelas em seu corpo, Villas Boas apresentava sintomas típicos de alguém que tivesse sido exposto a uma radiação moderada – suficiente para alterar-lhe o equilíbrio orgânico por algum tempo, conforme consta de sua ficha clínica. Ainda que fosse um mentiroso extremamente hábil, um mistificador dotado de uma imaginação admirável, uma memória superdotada – já que manteve a história inalterada nos menores detalhes – e de uma inteligência rara, a testemunha teria que se expor a radiações em doses suficientes para causarem sintomas convincentes. 

Sem frustração sexual
Segundo a alegação de alguns céticos, será que algum complexo de inferioridade ou quaisquer frustrações sexuais teriam movido Antonio Villas Boas a inventar toda aquela história? Tal possibilidade não se sustenta, em vista do resultado do exame psicológico feito por Olavo Fontes. Ele era um rapaz tímido e reservado, mas isento de complexos e psicoses produzidas por frustrações. Durante toda sua vida ele continuou afirmando que o incidente se deu conforme foi por ele descrito. Além disso, não queria saber de mais nada a respeito do tema Ufologia. Se Villas Boas foi de fato usado para fins de procriação, caberia perguntar se aquela mulher seria um exemplar feminino pertencente à mesma raça dos tais estranhos seres, cuja procedência ignoramos? Ou seria uma mulher daqui da Terra mesmo, modificada ou não, igualmente abduzida e induzida ao ato sexual? No primeiro caso, haveria a geração de um híbrido. No segundo, de uma criança terrestre. Em ambas as situações, os seres teriam a oportunidade de verificar e monitorar como os humanos se relacionam sexualmente, e de usar a criança daí resultante – híbrida ou terrestre – como cobaia para novos experimentos e manipulações. Por sobrarem dúvidas e faltarem respostas é que só podemos conjeturar. Villas Boas não viu nenhum dos outros seres sem os escafandros que os cobriam quase que totalmente, e dessa maneira ficou impossível saber se eram semelhantes àquela mulher. 
De qualquer forma, a fêmea se expressava por meio dos mesmos grunhidos ou rosnados incompreensíveis com que se comunicavam os outros tripulantes entre si. Ela respirava o mesmo ar que Villas Boas respirava. Isso eliminaria a necessidade dos escafandros para os outros tripulantes, se eles fossem da mesma origem. Então, das duas uma: ou não tinham a mesma procedência, ou usavam os escafandros para se protegerem e não se contaminarem – nossos cientistas e técnicos em recintos e laboratórios esterilizados fazem o mesmo. Há outra opção: usavam aquelas vestimentas simplesmente para não serem vistos tais como eram. Cabe observar, todavia, que no compartimento em que a fêmea permaneceu sem escafandro, o ar estava misturado com aquele gás mal-cheiroso mencionado por Villas Boas, e que lhe provocara náuseas e vômito. Nesse caso, seria um gás descontaminante ou um componente que permitiria à mulher respirar sem escafandro, sendo ela da mesma origem dos outros seres? A estranha mulher não era muito diferente de uma terrestre, nem mesmo por seu tamanho um tanto pequeno, uma vez que mulheres miúdas e de baixa estatura não constituem propriamente uma anormalidade. As maçãs do rosto muito sobressalentes, os olhos grandes e excessivamente puxados, o queixo pontudo e o cabelo liso, bem como outras de suas características, que a tornavam “feia” para Villas Boas, podem ser encontradas em algumas das raças de nosso planeta. A pele da mulher era muito branca e tinha muitas sardas nos braços, o que também não representa nada de extraordinário. Não exalava nenhum cheiro especial nem usava qualquer espécie de maquiagem. Suas atitudes também não apresentavam anomalias, a não ser que não falava em linguagem corrente discernível e parecia desconhecer o beijo. 
Ainda que bem detalhados, esses dados não permitem inferir qualquer conclusão definitiva sobre sua origem. Exceto que aqueles seres levaram a contento um seqüestro bem planejado e, ao colocarem Villas Boas a sós naquele compartimento com a mulher, conseguiram o que aparentemente desejavam, ou seja, uma experiência de procriação entre um homem da Terra e uma cobaia – terrestre, extraterrestre ou híbrida. O Caso Villas Boas, a despeito de suas incongruências, apresenta vários elementos que, se não levam à uma afirmação categórica de sua veracidade, pelo menos levam à consideração dela. Não só por ter sido aquele que inaugurou a modalidade dos seqüestros ou abduções alienígenas em tempos modernos, mas principalmente pela riqueza de detalhes que contém, ainda que um tanto exagerados. Ele nos permite identificar várias estruturas comuns subjacentes aos casos do gênero, bem como certos conteúdos latentes. 

“Zona quente de aparições”
Entre estas estruturas está a geografia física e política de São Francisco de Sales, que na época não passava de um distrito e se afigurava como um acanhado lugarejo perdido nos confins de Minas Gerais, margeado pelo Rio Grande, que inundaria parcialmente a fazenda onde se deu o seqüestro. Como também a organização social, familiar e econômica de Villas Boas, além de seus elementos culturais. Nada disso destoa do que se encontraria nos casos subseqüentes, a não ser em termos pontuais e estritamente regionais e particulares, pois, em geral, os ufonautas pareceram sempre preferir ou escolher para suas experiências de manipulação indivíduos que atendam a essas exigências ou estejam inseridos em contextos similares. Observe o leitor que três dos principais casos de abdução alienígena seguida de relação sexual – o do próprio Villas Boas, o de Onilson Pátero e o de Antônio Carlos Ferreira –, ocorreram na mesma região compreendida entre a fronteira sul-sudoeste de Minas Gerais e norte-noroeste de São Paulo. Essa região cortada pelo Rio Grande é, aliás, uma das mais ricas do Brasil em manifestações ufológicas, constituindo-se no que os ufólogos chamam de “zona quente de aparições”. É patente que a proximidade de um rio tão caudaloso tem muito a ver com essa profusão, pois ou os UFOs se ocultariam em suas águas, ou por algum motivo que desconhecemos prefeririam se deslocar e concentrar suas ações às suas margens. Os antigos já haviam notado isso. Basta observar que, na literatura grega, toda área limitada ou circundada por mares ou rios evoca o perigo da “interferência do divino”. Lugar natural da violência inesperada, constitui o palco privilegiado do rapto, tanto por parte dos homens como parte dos deuses e das criaturas sobrenaturais

Crédito.. Fenomenum.com.br