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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Caso do Forte de Itaipu


Na madrugada de 3 de novembro de 1957, dois sentinelas do Forte de Itaipu, em Praia Grande, litoral de São Paulo, avistaram um objeto luminoso que aproximava-se da base. A misteriosa luz revelou-se ser um objeto circular, de coloração avermelhada e posicionou-se sobre um dos canhões da base, acima dos dois sentinelas. Imediatamente, os dois guardas sentiram um intenso calor e forte dor de cabeça. Um dos guardas desmaiou, enquanto ouro abrigou-se abaixo de um dos canhões, gritando por socorro. Com o grito, outros militares acordaram e saíram do alojamento a tempo de observar um objeto luminoso que seguia rumo ao céu. No momento da observação, as luzes da base apagaram-se voltando a funcionar pouco depois.
Os soldados foram atendidos pelos médicos, onde descobriu-se que por baixo da farda havia graves queimaduras, possivelmente provocadas por radiação microondas. O alto comando da base enviou uma mensagem para o Quartel General do Exército Brasileiro, que repassou para outras autoridades militares, chegando por fim ao conhecimento do Governo Americano, através de um Ofício da Embaixada Brasileira em Washington.

Forte de Itaipu

Desenho de Jamil Vila Nova sobre o fato ocorrido em novembro de 1957

Documento da Embaixada Brasileira em Washington, relatando o incidente

A pesquisa de Edison Boaventura Jr.

Na Bíblia Sagrada encontramos o livro de Provérbios, ditado pelo rei Salomão, onde está escrito no capítulo 19 e versículo 5: “A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras não escapará”.
Diz o ditado popular: “Mentira tem pernas curtas”. Isto mesmo, cedo ou tarde, ela cambaleia, tropeça, cai e acaba sendo aniquilada pela verdade.
O leitor deve estar se perguntando agora o motivo de eu começar o artigo desta forma. Continue lendo e os fatos irão se descortinar paulatinamente e então... entenderás!
Há alguns anos foi realizada uma enquete pelo grupo ufológico da baixada santista (GEUBS) e publicada no Relatório Alfa nº 200, do pesquisador Aldo Novak, sobre a opinião de 50 pesquisadores brasileiros a respeito do grau de credibilidade de alguns dos casos mais famosos de contatos com OVNIs e seus tripulantes da Ufologia Mundial.
Na enquete, os pesquisadores deram notas de “0,00” a “10,00” aos casos, correspondendo à nota “0,00” a nenhuma credibilidade na opinião do pesquisador, e “10,00” credibilidade total.
Nesta pesquisa, o Caso da Fortaleza de Itaipú recebeu nota “8,04”, sendo que ficou entre a faixa de “8,00” e “10,00”, que segundo a pesquisa estaria dentro do nível dos casos verdadeiros, ou seja, de alta credibilidade.
Há 27 anos tomei conhecimento deste clássico caso da Ufologia brasileira e decidi procurar descobrir a verdade dos fatos e inclusive preencher algumas lacunas existentes no mesmo, principalmente em relação aos nomes dos envolvidos no episódio. Assim, ao longo dos anos colecionei vários detalhes interessantes e no início de 2008, resolvi ir a fundo à pesquisa, com objetivo de concluí-la e divulgá-la, o que faço ineditamente neste momento para a BURN – Brazilian Ufo Research Network.
Neste momento o leitor deve estar se perguntando: - O que foi o Caso da Fortaleza de Itaipú? Vejamos a seguir...
OVNI Provoca Queimaduras em Dois Soldados
Durante cinco décadas o caso foi divulgado em diversos livros, periódicos, enciclopédias, documentários, catálogos ufológicos, sites, etc. de vários países do mundo. O caso teria acontecido em uma instalação militar do Exército Brasileiro, denominada Fortaleza de Itaipú, localizada no município de Praia Grande, no litoral de São Paulo, no dia 4 de novembro de 1957.
Consta de toda literatura disponível que por volta das 2 horas da madrugada, duas sentinelas armadas que patrulhavam a plataforma de artilharia onde se localizavam os canhões do forte, teriam vivenciado um extraordinário e trágico acontecimento.
Subitamente, do céu em direção ao oceano Atlântico surgiu uma pequena estrela brilhante, que foi aumentando de tamanho rapidamente, até se posicionar velozmente sobre os soldados.
Ao longe o objeto voador parecia ser um avião convencional. Entretanto, em poucos segundos o OVNI em completo silêncio, começou a descer e parou a cerca de 50 metros de altura dos militares, iluminando o local com uma luz alaranjada.
Atônitos, notaram que o OVNI tinha a forma circular e tinha o tamanho de um avião DC-6 (Douglas), enquanto sentiam um leve zumbido nos ouvidos e uma intensa onda de calor envolvendo-os. Informaram mais tarde que sentiam muito calor e a sensação era que seus uniformes estavam pegando fogo.
Desenho de Jamil Vila Nova sobre o fato ocorrido em novembro de 1957
Um dos soldados caiu desmaiado no solo e o outro se abrigou sob um dos canhões, gritando descontroladamente, a fim de obter socorro da guarnição que estava há alguns metros de distância do local.
Naquele instante houve um blackout e virou uma confusão, pois os militares que foram despertados pelos gritos do soldado tentavam chegar ao local. Minutos depois a luz voltou e os militares presentes observaram a ascensão vertical do OVNI alaranjado. Enquanto isso, outros militares tentavam reanimar o soldado desmaiado, enquanto o outro se debatia aos gritos no chão.
Ambos foram levados para a enfermaria, onde se constatou que eles tinham em seus corpos várias queimaduras graves de primeiro e segundo graus, estranhamente nas áreas protegidas pelas roupas, como se fosse um efeito de microondas.
Os relógios elétricos do forte pararam às 02h03min, onde se estima que o fato tenha ocorrido em no máximo 4 minutos.
No dia seguinte, o caso foi abafado pelo comandante da instalação militar, que ordenou que os militares do serviço de informações iniciassem as investigações para elaboração de relatório para ser encaminhados aos superiores. Alguns dias depois, membros da missão militar americana chegaram ao forte com oficiais da Forca Aérea Brasileira para apurar os fatos.
Os soldados foram transferidos para o Hospital Central do Exército, no estado do Rio de Janeiro. Três semanas mais tarde, um oficial do forte interessado em relatos sobre OVNIs procurou o médico e ufólogo Dr. Olavo Teixeira Fontes e contou detalhes do ocorrido. Logo em seguida o ufólogo contatou colegas do hospital, os quais confirmaram estarem os dois soldados sendo tratados de graves queimaduras. Infelizmente, foi somente esta informação que obteve sem outros maiores detalhes. Um dossiê foi elaborado pelo Dr. Fontes com informações incompletas.
Documento Liberado pelo FOIA
Na década de 90, obtive uma cópia de um documento em inglês, da Embaixada, liberado pelo FOIA – Freedom of Information Act, cujo conteúdo era similar as informações já divulgadas até então. Curiosamente, o documento que trazia resumidamente o episódio não continha nomes dos militares, apenas o nome do Dr. Fontes e também não havia assinatura de ninguém que pudesse identificar a procedência do documento.
Documento em inglês da Embaixada Brasileira nos Estados Unidos, referente ao caso
A Época do Fato... 
Primeiramente, precisamos saber em que contexto está inserido o fato. Assim, perceberemos quais ocorrências poderiam ter influenciado a narrativa em questão. 
Por meio de pesquisas que realizei na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, encontrei quatro reportagens exclusivas de Robert E. Sullivan, publicadas na extinta revista “Mundo Ilustrado” (Nºs. 50, 51, 52 e 53 - Período de novembro a dezembro de 1958) que nos permite vislumbrar o cenário em que se deu o fato. 
Nas quatro matérias encontrei subsídios para afirmar que a época era de grande excitação mundial, pois os russos tinham acabado de lançar o Sputnik I – primeiro satélite feito pelo homem – que circulou a órbita da Terra, em outubro de 1957. 
No dia 03 de novembro de 1957, ocorreu o lançamento do Sputnik II e enquanto as primeiras notícias da conquista espacial soviética estavam no ar, começou a aumentar em todo o mundo os relatos de aparições de OVNIs. 
Na primeira matéria da revista “Mundo Ilustrado”, intitulada “A era do ‘Sputnik’ provoca o reaparecimento dos discos“ encontramos numerosas ocorrências relatadas nos Estados Unidos testemunhadas por policiais, civis, militares do Exército, operadores de radar, um soldado do Corpo de Bombeiro e um cientista. 
Na reportagem consta que no período de 3 a 10 de novembro de 1957, “uma verdadeira avalancha de aeronaves desconhecidas, de objetos ovóides, discóides, cilíndricos ou esferóides, invadiu todos os cantos da Terra, repetindo-se por inúmeros países – simultaneamente – as mesmas histórias sobre motores de veículos paralisados, rádios e televisões afetados e luzes se apagando – sob a influência dos estranhos objetos. Inclusive no Brasil. Os países mais afetados foram principalmente o Canadá, o México, a Venezuela, o Peru, o Chile, a Argentina, a África do Sul, os países da Europa Ocidental, a Austrália, o Egito, as Ilhas Fidji e o Havaí. Dos países por detrás da “cortina de ferro”, como de costume, nenhuma notícia transpirou”.
A segunda matéria da revista “Mundo Ilustrado”, intitulada “Operação sideral de vastas proporções sobre o planeta como demonstração de força”, encontrei na página nº 26 a informação de que várias instalações do Exército Brasileiro tinham sido sobrevoadas. Transcrevo na íntegra o trecho: “Sobre o Brasil, essa operação em grande escala apresentou um aspecto também particularmente significativo – jamais observado anteriormente. A partir de 4 de novembro, pelo menos dez quartéis do Exército Brasileiro foram ‘estudados de perto’ por objetos aéreos não identificados. Foram assim ‘visitados’: 1) o quartel do Exército em Santa Maria, Rio Grande do Sul (7/Nov); 2) o quartel do 2º B.C.C.L., em Santo Ângelo, Rio Grande do Sul (4/Nov); 3) a fortaleza de Itaipú, em Santos, São Paulo (5 ou 6/Nov); 4) o quartel do 14º R.I., em Recife, Pernambuco (18/Nov); 5) o mesmo quartel, pela segunda vez (27/Nov); 6) o quartel do 1º Batalhão de Infantaria Blindada do Exército, em Volta Redonda, Rio de Janeiro (meados de novembro); 7) o Q.G. da VI Região Militar, em Salvador (6/Dez); 8) o quartel do 2º B.C., em São Vicente, São Paulo (12/Dez); 9) os terrenos ocupados pela fábrica do Exército, em Piquete, São Paulo; 10) um quartel do Exército em cidade não identificada, no interior de Pernambuco (meados de novembro)”.
Matérias da revista Mundo Ilustrado que nos apresenta o cenário histórico da época
No mesmo artigo encontrei também esclarecimentos de que os 10 incidentes citados foram noticiados pela imprensa, com exceção de dois. Contudo, não explicita em detalhes quais seriam estes dois casos. Seria um deles o acontecido no Forte Itaipú? Em certo trecho afirma: “Um desses, que não foi noticiado na imprensa, encerrava detalhes particularmente impressionantes, capazes de abalar o mais teimoso dos céticos”. 
É oportuno dizer também que aparentemente há uma incorreção na data, pois nas literaturas convencionais falam que o fato ocorreu no dia 4 de novembro e não no dia 5 ou dia 6 como está publicado na matéria... 
As outras duas matérias finais da série de quatro artigos escritos por Sullivan apresentam detalhadamente informações sobre os sinais estranhos observados e um satélite desconhecido que estava na ocasião em órbita da Terra. 
Resumidamente, as matérias nos levam a uma conclusão de que os casos que ocorreram de forma avassaladora em todo o Planeta têm uma ligação direta com o lançamento do Sputnik II e que há um interesse dos OVNIs por nossas “defesas terrestres”. 
Sobre os casos ocorridos nos quartéis pernambucanos, está publicado no Boletim SBEDV Nº 1, de 23 de dezembro de 1957, nas páginas nº 3 e 4, da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores, citando que o fato foi desmentido posteriormente de forma ridícula. Vejamos a transcrição daquele informativo carioca: “Lá, o disco sobrevoou e parou sobre o quartel do 14º R.I. e iluminou o paiol e os dizeres ‘Aqui aprendemos a defender a Pátria’. O caso foi relatado à imprensa pelo Tenente Eugênio Pereira de Melo, o sargento adjunto Mendes e vários cabos e soldados da guarnição. A ocorrência durou cerca de 20 minutos, sendo observado a olho nu e por binóculos. Nessa mesma ocasião, pessoas postadas na Base Aérea de Recife presenciaram a passagem de um objeto luminoso se deslocando nos céus daquela cidade. O Comando da 7ª Região Militar tornou público em princípio de dezembro que, após inquérito sigiloso, concluiu-se que o disco que ficou parado 20 minutos sobre o quartel e que fez movimentos no sentido vertical foi apenas um avião internacional que procurava aterrar”.
No Boletim SBEDV N° 08, editado em 1959, vislumbramos a estatística da onda de 1957. Foi registrado um total de 62 casos no último bimestre daquele ano, sendo que somente em novembro foram computadas 19 ocorrências na região sudeste. Novembro foi o pico da onda ufológica daquele ano. 

Primeira Notícia Publicada Sobre o Caso
Durante anos procurei em diversos jornais e antigas revistas nacionais para saber quando foi publicado pela primeira vez o caso da Fortaleza Itaipú e curiosamente, o fato não foi divulgado no mesmo ano. Não havia nada nos jornais locais e nos de maior circulação no País. Somente em 22 de fevereiro de 1958, a revista “O Cruzeiro”, fazia uma pequena e simplista menção ao caso. 
O pioneiro pesquisador do GENA – Grupo de Estudos de Navexologia e Arqueologia, Sr. J. Victor Soares enviou-me gentilmente do seu arquivo pessoal, uma cópia da matéria da revista “O Cruzeiro” anexada a sua carta de 14 de junho de 2008. Reproduzo o trecho da reportagem de João Martins que faz menção ao caso: “No dia 2 de novembro de 1957, outro ‘objeto aéreo não identificado’ evoluiu sobre o Forte de Itaipú, em São Vicente (São Paulo), por mais de cinco minutos, visto pela oficialidade. O comandante ordenou um relatório secreto sobre o caso”.
Três meses depois, em 24 de maio de 1958, a revista “O Cruzeiro” publicou novamente o caso acrescentando que “teria sido presenciado pela oficialidade e pelo próprio Comandante do Forte, não pode ser descrito com detalhes, visto que não foi confirmado oficialmente por aquelas autoridades. Fontes bem informadas asseguram que o Comandante ordenou a elaboração de um relatório secreto a respeito. Dizem também que os aparelhos elétricos sofreram interferência, tendo ficado paralisados. Da nossa parte, porém, nada podemos adiantar, pois não temos nenhuma declaração autorizada em que nos apoiar, limitando-nos, portanto a consignar o incidente conforme foi noticiado inclusive pela própria imprensa de São Vicente (São Paulo)”.
Desenho do avistamento de luz sobre a bateria de canhões [ montagem feita por Edison Boaventura]
Nos dois artigos há uma aparente incorreção na data, pois é relatado que o caso teria ocorrido no dia 2 de novembro e não no dia 4. Tanta disparidade em relação à data do episódio nos faz refletir em que dia realmente teria ocorrido o fato? Dia 2, dia 4, dia 5 ou dia 6? 
No exterior, o caso foi divulgado inicialmente pela APRO – Aerial Phenomena Research Organization, dos pesquisadores Jim e Coral Lorenzen, em seu periódico “APRO Bulletin”, de Setembro de 1959. 
O pesquisador e médico Dr. Olavo Teixeira Fontes, que se relacionava com o casal, teria fornecido os dados do caso para os ufólogos americanos, que publicaram o artigo “Shadows of the Unknown: Friends or Foes” que traduzindo significa: “Sombras do Desconhecido: Amigos ou Inimigos”. 

Outros ufólogos americanos, como por exemplo, o militar da reserva Major Donald E. Keyhoe chegou a publicar o fato na página nº 29 de seu livro: “A Verdade sobre os Discos Voadores”, da Editora Global. Também no livro “O Guia dos Ufos”, de Norman J. Briazack e Simon Mennick, na página nº 111, encontramos o verbete “FORTE ITAIPÚ”. 
Após estas publicações o caso espalhou-se pelos quatro cantos do planeta e atualmente está maciçamente divulgado na Internet por meio de home pages de grupos ufológicos de vários países. 
Pesquisas ao Longo dos Anos... 
Ao longo dos anos vários pesquisadores brasileiros visitaram a Fortaleza de Itaipú, em Praia Grande, em busca de informações sobre o estranho caso. Tenho conhecimento que pesquisadores renomados estiveram lá, como por exemplo, Claudeir Covo, Mário Rangel, Dino Nascimento, Marcos A. Rodrigues Silva, Paulo Aníbal, dentre outros. 
Em agosto de 2007, em conversa com o pesquisador paulista Dino Nascimento, do Grupo Giordano Bruno, me informou que esteve visitando por duas vezes, há alguns anos atrás, o Forte Itaipú com outros pesquisadores: Paulo Aníbal, Henry, Ferreira, do EXO-X e o falecido Marcão, do GEONI. 
Paulo Anibal e o EXO-X, juntamente com o pesquisador Marão, do GEONI, no local do caso
Lá teriam conversado com o capitão Alonso (José Alonso Júnior), que estava na reserva e contou o caso com detalhes e levou-os ao Forte Duque de Caxias, onde segundo contou, os soldados teriam sofrido as queimaduras. Na oportunidade puderam fotografar o local, mas não obtiveram qualquer sucesso na obtenção do nome dos envolvidos no caso. 
Eu estive em diversas ocasiões naquela instalação militar, tanto nos anos 90 como no início do ano 2000 e nestas ocasiões os militares teciam poucos comentários sobre o fato e por vezes, diziam que não podiam falar sobre o ocorrido e ainda colocavam em dúvida se o fato tinha mesmo ocorrido. 
Nos anos 90, o capitão Galileu Ramos que serviu no forte por 30 anos e que continuava prestando serviço na Fortaleza contou-me que um dos soldados não sobreviveu às queimaduras e faleceu. Contou-me ainda, um detalhe curioso: “devido à intensidade da onda de calor a ponta de um dos fuzis ficou retorcida”. Perguntei se ele sabia o nome de algum dos soldados e ele me afirmou que não sabia e que tinha ouvido a história contada por outro militar. 
Edison na estrada que leva ao Forte Duque de Caxias
Durante minha visita no dia 11 de agosto de 2007, acompanhado de minha companheira Margareth Orlandi, obtive várias fotografias dos locais dos fatos e na ocasião soubemos de outro caso recente no quartel. 
O sargento Galdino contou-nos que em 2006, outro militar que estava de serviço e fazia a vigilância noturna naquela instalação militar, observou em direção a Santos um objeto luminoso circular que estava acima da linha do mar. Subitamente o OVNI desceu até a linha do horizonte e efetuou movimentos em ziguezague. Em seguida, sumiu em grande velocidade rumo ao morro. Posteriormente, o soldado comentou o ocorrido com outros militares na busca de alguma explicação lógica para o fato, porém não obteve sucesso. 
Entretanto, foi no dia 25 de janeiro de 2008, das 10h15min às 11h15min que eu tive a oportunidade de conversar com o Tenente Azevedo, do setor de Relações Públicas da fortaleza, que confirmou a história e acrescentou um detalhe interessante ao caso. Disse ele: “um fuzil ficou retorcido com o calor e atualmente se encontra no Museu Histórico do Exército do Rio de Janeiro”. Disse ainda que, houve um blackout e que um dos soldados tirou a farda devido ao calor e ficou rolando no solo, enquanto o outro militar estava inconsciente. 
Edison com o tenente Custódio junto ao canhão onde o OVNI teria descido. No detalhe, foto do canhão na época
Eu nunca vi, mas vários casos já aconteceram no forte. Sobre os soldados, informo que ambos foram atendidos no posto de saúde da Unidade que atualmente não está localizado no mesmo lugar”, complementou o Tenente Azevedo. 
Quando perguntei o nome dos envolvidos, ele respondeu categoricamente que não sabia, mas sugeriu que eu entrasse em contato com um militar mais antigo. Forneceu o nome e o contato do ex-militar para que eu fizesse a entrevista. 
Soube na ocasião que o comandante do 5º GACos, era o tenente coronel Adston Pompeu Piza, que comandou durante o período de 9 de março de 1957 à 31 de março de 1960. E que em seguida, foi incorporado àquela fortaleza o 6º GACosM que foi comandando pelo tenente coronel Osman Ribeiro de Moura. Contudo, em 2006, toda a documentação destes grupos de artilharia foi transferida para o 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes/Campo de Instrução de Formosa, em Goiás, em virtude de modernização na estrutura do Exército. 
Assim, o tenente Azevedo solicitou que eu entrasse em contato direto com o comandante daquela instalação militar, o tenente coronel Marco Antônio Souto de Araújo, para requerer o Boletim Interno onde constaria a relação nominal de todo o efetivo incorporado no 5º GACos no ano de 1957, para auxiliar nas minhas pesquisas em busca do nome dos envolvidos e mais detalhes do caso. 
Em Busca da Relação de Nomes
No dia 28 de janeiro de 2008 encaminhei ofício para a instalação militar em Formosa, solicitando a lista do contingente que serviu naquela época. No dia 10 de março de 2008, recebi o ofício nº 013-Com Soc, assinado pelo Subcomandante do 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes, o major Ademar Calumby Neto juntamente com uma lista de militares do 6º GACosM indevidamente, pois a lista correta seria a do 5º GACos.
Novamente, em 27 de março de 2008, por meio de ofício solicitei o Boletim Interno correto. No dia 10 de abril de 2008, recebi o ofício nº 007-Arq, assinado pelo subcomandante com a lista contendo 400 nomes dos militares que serviram lá na época, com endereço, filiação, data de nascimento, dentre outros dados.
Correspondências trocadas entre o ufólogo Edison Boaventura e o Exército
As cópias do Boletim Interno nº 139, datado de 20 de junho de 1957, vieram autenticadas e assinadas pelo capitão João Francisco Canabarro Filho e trouxeram muita alegria ao meu coração, pois pela primeira vez, depois de anos de busca eu estava muito perto de descobrir toda a verdade.
Na primeira tentativa de falar com os militares da época enviei 96 cartas e obtive dezenas de retornos por telefone, por carta e por mail. Em um segundo momento, remeti mais 56 cartas e finalmente, mandei mais 22 cartas. No total foram enviadas 174 correspondências!
Ofício e relação dos militares que serviram em 1957. No detalhe, uma das páginas do Boletim Interno nº 139, autenticado pelo Exército
Enquanto eu recebia as respostas por meio de ligações, cartas e mails dos ex-militares com informações, depois de ter enviado as 174 cartas, resolvi checar, paralelamente, a informação do “fuzil retorcido” e do blackout no momento do avistamento. Além disso, entrei em contato com ufólogos pioneiros para ter uma percepção maior deste caso em relação ao que foi divulgado na época e quanto à postura adotada pelo Dr. Olavo Teixeira Fontes, na ocasião, pois infelizmente o Dr. Fontes faleceu no dia 9 de maio de 1968, vítima de câncer. 
Edison Boaventura Jr. visita o Museu Histórico do Exército, no Rio de Janeiro
Um detalhe do caso que me surpreendeu foi as declarações do capitão Galileu, confirmadas anos mais tarde pelo tenente Azevedo, sobre o “fuzil retorcido”. Assim, no dia 29 de janeiro de 2008 enviei mensagem aos cuidados do major Lecínio, no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana - MHEx/FC, no Rio de Janeiro – RJ, solicitando informações e autorização para fotografar o “fuzil retorcido” ou ainda que, se possível, me enviassem uma fotografia do mesmo. Como o tenente Azevedo informou que aquele armamento estaria exposto naquele museu, eu reiterei minha mensagem por três vezes, no dia 11 de fevereiro, no dia 26 de fevereiro e finalmente no dia 16 de março. Somente no dia 17 de março de 2008 recebi resposta do museu, assinada eletronicamente pelo major Lecínio – chefe da divisão de comunicação social – e que transcrevo a seguir: “Caro Sr. Edison Boaventura Júnior, não foi encontrada, nenhuma evidência, prova ou informação oficial a respeito do fato citado, caso ocorra alguma novidade, o senhor será informado”.
Fiquei intrigado com a resposta obtida e então, realizei uma viagem à cidade do Rio de Janeiro em 29 de março de 2008, visitando pessoalmente o Museu Histórico do Exército e também o Forte Copacabana. Naquela oportunidade pude constatar que realmente não existia nenhuma informação sobre o caso e nenhum indício do tal “fuzil retorcido”.
 
O que Dizem os Comandantes do Forte?
Em 07 de fevereiro de 2002, escrevi para o ex-vereador do Partido Progressista (PP) e ex-comandante da Fortaleza Itaipú, coronel reformado Sr. Antônio Erasmo Dias para obter informações sobre o caso. Em resposta, o coronel Erasmo Dias afirmou não saber nada a respeito do acontecido, mas solicitou-me que entrasse em contato com outro comandante daquela instalação militar, o tenente coronel reformado Sr. Osman Ribeiro de Moura, que segundo ele, poderia ter alguma ciência do fato.
Ex-Coronel Antônio Erasmo Dias que comandou a Fortaleza de Itaipu
Alguns meses depois, no mesmo ano de 2002, visitei o ex-comandante Osman Ribeiro de Moura em seu apartamento na Praia do Gonzaga, em Santos-SP. Ele já estava bem debilitado em virtude da idade avançada e de um infarto, do qual estava se recuperando. Com muita dificuldade ele me confirmou o avistamento de um OVNI no Forte Duque de Caxias, mas não conseguiu lembrar-se de detalhes do episódio e não soube informar sobre os soldados queimados, nem tampouco sabia o nome dos mesmos. No ano seguinte, em 5 de março de 2003, o ex-comandante faleceu.
Seis anos depois do primeiro contato que tive com o ex-coronel Erasmo Dias, resolvi escrever novamente solicitando informações sobre o caso, o que fiz por meio de carta registrada e AR (Aviso de Recebimento) no dia 01 de abril de 2008.
No dia 08 de abril de 2008 às 12h24min recebi ligação do coronel Erasmo Dias em meu telefone celular, sendo que ele negou categoricamente o episódio, afirmando: “Realmente eu fui comandante na Fortaleza Itaipú e sou uma testemunha viva da história de nosso País, mas nunca ouvi falar sobre este caso. É um absurdo e deve ser uma lenda!”.
Quando recebi o ofício nº 007-Arq, assinado pelo subcomandante de Formosa-GO com a lista contendo 400 nomes dos militares que serviram na Fortaleza, eu percebi que o comandante onde ocorreu o fato era outro: Adston Pompeu Piza – pois a documentação oficial estava assinada por ele.
Assim, em agosto de 2008 localizei em Manaus-AM o filho do comandante Adston, que se chama Adston Pompeu Piza Filho. Em ligação telefônica ele gentilmente me atendeu e repassou posteriormente o telefone do seu irmão que tinha mais informações sobre o caso, pois seu pai já havia falecido.
Às 17h30min do dia 22 de agosto de 2008 conversei por telefone com o filho do ex-comandante, Sr. Narbal de Mello Pompeu Piza que disse não ter muitos dados a acrescentar ao caso de 1957. Disse ele: “Eu devia ter uns 10 anos de idade na época e me lembro muito bem quando meu pai chegou de manhã e contou que ele e outros militares haviam visto de madrugada um objeto luminoso. Foi no começo de novembro e nós estávamos dormindo naquela hora, mas meu pai viu e falou-nos que só viu uma luz descer em cima da bateria de canhões. Jamais ouvi sobre soldados queimados. Isso para mim é novidade!

Narbal contou-me ainda outro caso que presenciara entre os anos de 1954 e 1955, quando seu pai servia em um quartel do exército em Salvador, na Bahia. Eles viram em pleno dia na Praia da Barra, um objeto voador não identificado que realizava movimentos muito rápidos. Esta aparição lhe impressionou muito que se lembra do fato até os dias atuais.
Contato com Ufólogos Pioneiros
Escrevi em 11 de abril de 2008 várias cartas para pesquisadores pioneiros da Ufologia, solicitando informações sobre o caso e sobre o pesquisador Dr. Olavo Fontes que teria divulgado o caso internacionalmente. 
Alguns ufólogos me retornaram com informações básicas do caso e chegaram a enviar recortes de jornais e revistas da época, como por exemplo, o pesquisador José Victor Soares que me brindou com a primeira matéria da época, extraído de seu rico acervo ufológico. 
Entretanto, outros pesquisadores nada acrescentaram de novo, com exceção de um deles que me telefonou em abril de 2008 e disse que em consideração à minha pessoa e pelo fato de eu estar em busca da verdade disse: “Primeiramente peço que me mantenha anônimo, pois não é agradável o que vou falar, mas como você quer saber a verdade é o seguinte: o Dr. Fontes inventou esta estória para fazer seu nome nos Estados Unidos, como ele era bem relacionado com os pesquisadores americanos da APRO, forjou aquele documento da Embaixada em inglês. Tanto é, que ele nem assinou o suposto documento oficial. Assim ele fez com outros casos também, para satisfazer o seu ego e ganhar notoriedade. Quanto aos outros casos clássicos que ele pesquisou não posso dar minha opinião, mas o Caso da Fortaleza Itaipú é inventado com certeza. Por isso que ninguém sabe o nome dos soldados! Você está perdendo o seu tempo”.
Naquela ocasião que conversei com o ufólogo veterano recebi um balde de água fria em minha pesquisa, mas não desanimei em investigar mais e mais e ao final da minha procura tive a grata satisfação de saber a verdade, a qual os leitores sem dúvida saberão também até o final deste artigo. 
Entretanto, é importante frisar neste momento do artigo que o posicionamento duro do pesquisador veterano em relação a este caso e ao seu pesquisador divulgador é ainda uma opinião isolada, e não ofusca de forma alguma o mérito do Dr. Olavo Fontes que divulgou sobremaneira a Ufologia brasileira naquela época. Não obstante, não se pode descartar totalmente a possibilidade do Dr. Fontes ter conduzido as suas pesquisas de forma pouco crítica, acarretando provavelmente sua projeção no exterior em função deste e de outros casos espetaculares que ele pesquisou e divulgou na década de 50 e 60. 
Pesquisas Paralelas
Realizei muitas pesquisas simultâneas sempre buscando a verdade sobre o caso. Em fevereiro de 2008 tentei fazer uma entrevista com o ex-militar e hoje secretário de Turismo de Praia Grande, o professor José Alonso Júnior, que havia ciceroneado a equipe de ufólogos que estiveram lá conforme abordei no começo deste artigo. 
Foi uma tentativa frustrada, pois no dia 14 de fevereiro eu esperei cinco horas para ser atendido e ao final ele me pediu que eu enviasse minhas questões sobre o assunto para o e-mail pessoal dele, pois naquele momento seria inviável me atender. 
Mandei mensagem com perguntas básicas no dia 17 de fevereiro e reiterei meu pedido por três vezes. Somente no dia 02 de abril de 2008, recebi a seguinte resposta que transcrevo: “Caro Senhor Edison, Infelizmente eu não tenho como ajudá-lo, pois não tenho documentos para isso e tão pouco relatos, pois o fato em pauta relata a data de 1957 e eu nasci em 1958, mesmo assim podemos marcar uma nova data para conversarmos. Assinado Prof. Alonso”.
Gostaria de frisar que é curiosa e contraditória a postura do secretário, pois há alguns anos antes quando estava levando turistas na Fortaleza falava abertamente sobre o assunto e agora “não tenho como ajudá-lo”. Até hoje eu penso no que teria levado ele a tomar esta atitude em relação ao assunto... Prefiro não comentar! 
No dia 08 de abril de 2008 escrevi carta para a esposa do falecido capitão Galileu Ramos, o qual eu conheci pessoalmente na década de 90. Sua esposa, Sra. Diva Ramos me respondeu no dia 20: “Prezado Senhor, sou esposa do falecido Cap. Galileu. Está fazendo 10 anos que ele partiu. Demorei a lhe responder por que já não moro mais em São Vicente, estou em Santos. Sua carta só chegou a mim hoje, dia 19/04/08. Infelizmente não tenho conhecimento de nada relacionado a assuntos do quartel. Em casa ele nunca comentava nada, assim sendo não posso ajudá-lo. Atenciosamente, Diva Ramos”.
Em certo momento de minha pesquisa escrevi até para o jogador Pelé (Edson Arantes do Nascimento), que serviu na Fortaleza Itaipú nos anos seguintes ao caso, pois imaginava que um fenômeno daquela natureza seria comentado até nos anos subseqüentes, pelos militares que fossem servir de sentinela naquele local. 
O assessor do Pelé, Sr. Rogério Zilli, me respondeu no dia 12 de fevereiro de 2008, confirmando que o jogador havia servido naquela instalação militar, sendo que no período que esteve servindo fez 22 gols em campeonato do 6º GACosM e no campeonato sul americano das Forças Armadas. Sobre o caso do OVNI informou que: “Levei esse assunto ao Sr. Edson Arantes e ele disse nunca ter visto e nem ouvido nada a respeito disso”.
Ligações, Cartas, E-Mails...
Depois que enviei centenas de cartas aos ex-militares constantes da lista oficial da época, comecei a receber ligações, cartas e mails...
No dia 07 de abril de 2008 liguei à noite para Jorge Vinharski que havia deixado recado e o mesmo informou que não sabia de nada, mas indicou o capitão Galileu, pelos anos que serviu no quartel. Infelizmente informei ao Jorge que ele já havia falecido.
Em unanimidade, todos os contatos que obtive a partir de abril destes ex-militares foram para informar que eles não sabiam de nada e também não sabiam o nome dos envolvidos no caso. Para corroborar o fato eu divulgo como exemplo, alguns nomes destes ex-militares que negaram a existência de informações sobre o caso: Sr. Ailton Messias Marques, Sr. Aldo Ramos Santos, Sr. Delnine Mendes de Camargo, Sr. Dilmar Castilho Marques, Sr. Fernando da Silva Agria, Sr. Jacob Goldberg, Sr. Jorge Ferreira da Silva, Sr. Odair do Nascimento, Sr. Reinor Leutz, Sr. Walter Miragaia, dentre outros.
Como destaque apresento a conversa telefônica que tive em 15 de maio de 2008, com um dos enfermeiros que serviu naquela época, o Sr. Darci Bento da Costa, que atualmente mora no interior de São Paulo. Afirmou ele: “Jamais soube de nenhum caso assim na época que servi no Forte Itaipú. Eu era enfermeiro e nunca ouvi que tivesse ocorrido algo deste tipo. Além do mais eu saberia, pois caso os soldados tivessem sofrido queimaduras era para lá, na enfermaria, que eles seriam encaminhados e, portanto eu saberia de algo. Só se abafaram muito bem o caso. Tinha um capitão médico que trabalhava no Hospital de São Vicente e infelizmente não lembro o nome. Se ele estiver vivo, talvez possa dar mais informações. O tenente Bastião (Sebastião) também poderia ser uma pessoa para consultar sobre o fato. Infelizmente eu não soube de nada!”.
No dia 16 de agosto de 2008, pela manhã, recebi a ligação do ex-militar, Sr. José Castello que serviu no Exército durante 37 anos, que disse: “Eu recebi uma carta do senhor e demorei em ligar, pois estava buscando mais informações com meus colegas de farda. Infelizmente, não consegui nenhuma informação concreta sobre este caso, apesar de ter conversado com vários amigos que serviram comigo naquela época. Em 1957 eu era soldado no Forte Itaipú e servia na Bateria de Comando e nós ouvimos este boato e já levávamos o assunto na gozação. Infelizmente, não existe nada de real nesta estória”.
Em duas oportunidades (15 de maio e 25 de agosto) tive o privilégio de conversar com o ex-militar Sr. Geraldo Florêncio da Silva, de 70 anos e residente no estado da Paraíba que disse: “Eu servi na 1ª Bateria onde tinha os canhões fixos e não me lembro de nenhum caso assim no Forte Itaipú, mas naquela época teve essas conversas de OVNIs por causa do Sputnik. Lembro-me que houve até um piloto de um avião que viu e foi acompanhado por um objeto estranho naquela época. Sugiro que o senhor tente procurar no jornal Tribuna da época e tente encontrar o capitão médico Fernandes, também conhecido como Baiano. Boa sorte nas suas pesquisas“.
Ocorreu um Blackout no Forte?
Em abril e maio de 2008, decidi pesquisar nos jornais antigos e na companhia de energia elétrica da época para saber se de fato ocorreu algum blackout em Praia Grande naquela época e por volta das horas do suposto avistamento. 
Nos diversos arquivos públicos que pesquisei, infelizmente, não localizei nenhuma notícia sobre blackout na cidade ou na região constante dos jornais daquela época. Nem mesmo menção ao caso da Fortaleza Itaipú eu localizei nos periódicos de novembro e dezembro de 1957! 
No dia 1 de maio de 2008, enviei correspondência ao Núcleo de Documentação e Pesquisa da Fundação Patrimônio Histórico da Energia e Saneamento, no Cambuci em São Paulo-SP, solicitando informações sobre a possível interrupção de energia naquela cidade litorânea. No dia 16 de maio de 2008, recebi resposta da Sra. Maria Isabel Chiavini Torres que transcrevo a seguir: “Prezado Sr. Edison, recebemos sua carta com solicitação de informações sobre blackout em Praia Grande. Infelizmente, não encontramos nenhuma informação relacionada ao assunto em nossos arquivos históricos. Ainda vamos fazer outra pesquisa mais aprofundada e entraremos em contato se encontrarmos alguma informação”.
Edison em pesquisa na FPHES. Nenhuma informação foi encontrada sobre o blackout
Em 19 de maio de 2008, recebi nova correspondência onde a responsável da Fundação informou que em conversas com o arquivista, este informou que teria material à respeito da Cia City Santos, onde poderia encontrar possivelmente informações sobre um possível blackout em Praia Grande. Liguei para a Sra. Maria Isabel no mesmo dia e agendei uma visita para o dia 26 de maio. 
No dia agendado eu fui até a Fundação – FPHESP – e verifiquei pessoalmente vários documentos e jornais antigos e não encontrei nada, absolutamente nada que comprovasse que em novembro de 1957 houve blackout ou uma interrupção de energia elétrica na localidade ou mesmo naquela instalação militar! 
Outros Casos na Fortaleza...
Ao longo da pesquisa realizada deparei-me com vários outros casos de observações de OVNIs que tiveram como palco a Fortaleza de Itaipú, em Praia Grande-SP. Um dos casos foi testemunhado pelo fotógrafo Jaime Tadeu Romero, que em 1984 fazia o serviço militar naquela instalação do Exército. 
Eu tinha acabado de entrar no meu turno, às duas horas da madrugada, quando observei três tipos de luzes, uma amarela e outras duas laranja-avermelhadas, que sumiam e apareciam. Uma delas parava sobre a superfície da água do mar. Elas eram ovais e grandes e se moviam numa velocidade impressionante. Eu ouvia o som delas se deslocando, como quando a gente balança com força uma vareta no ar. Elas ficaram se movendo por mais ou menos cinco minutos e depois sumiram. Na hora em que essas coisas acontecem você fica em transe, sem reação. Eu sabia que aquilo não poderia ser nenhum teste de arma, pois conhecia os testes. Sabia que não era coisa desse planeta. No outro dia fiquei sabendo que outras pessoas também haviam visto. Antes eu já acreditava em OVNIs, mas depois disso passei a acreditar mais ainda”, disse o ex-militar. 
Outro caso foi relatado pelo ex-militar Sr. Américo Girandir da Graça que viu por volta das 2 horas um OVNI alongado, metálico e com luzes vermelhas. A aparição aconteceu em meados de 1987, na Praia Grande – SP. 


Fiquei prestando atenção. Primeiro pensei que fosse alguma luz do quartel ou uma estrela, mas não podia ser porque ela parava muito próxima a superfície da água. Era um objeto redondo, branco e muito grande. Como já estava escurecendo eu fiquei com medo de ficar ali sozinha, e acabei não ficando mais tempo para ver, infelizmente. Foi impressionante. Tenho certeza que deve haver alguma coisa além de nós”, afirmou Márcia. 
Matheus O. Sanchez, em setembro de 1995 estava caminhando pela praia do Boqueirão e viu no morro em direção a Fortaleza uma luz forte e estranha, multicolorida que sumiu subitamente dentro da mata. Estimou que o tamanho do objeto devesse ser aproximadamente o de uma perua Kombi. 
O Sr. Rogério de Oliveira Fernandes, funcionário da TV Bandeirantes observou um OVNI no dia 13 de maio de 1996, acompanhado de outras testemunhas: o advogado Dr. Orlando da Silva Filho, o vigia Sr. Vicente Rocha Freire, a síndica do prédio Sra. Wilma Vezza e sua irmã Sra. Sônia Vezza. 
Por volta das 19h30min avistamos no alto do morro em que se localiza o Forte Itaipú em Praia Grande um objeto de cores vermelha, laranja e azul. O objeto se mantinha em cima da superfície do morro sem se mover, poucos minutos depois o objeto se deslocou para a direita sentido ponte pênsil e parou novamente, olhando por um binóculo o objeto parecia estar em chamas sentido baixo para cima, minutos mais tarde o objeto se deslocou novamente para a direita, desta vez em cima da ponte pênsil e de lá depois de ficar alguns minutos saiu em alta velocidade chegando a deixar em rastro”, escreveu Rogério em carta para o GUG – Grupo Ufológico de Guarujá. 
Considerações Finais
Durante décadas convivemos com a fantástica história do Caso da Fortaleza de Itaipú e pensávamos tratar-se de um caso clássico e verdadeiro de agressão no ano de 1957... Hoje, tenho uma posição pessoal e diferente em relação ao assunto, ou seja, encontrei mais sensatez nas informações obtidas, por meio da pesquisa por mim realizada iniciada na década de 80 e intensificada neste ano de 2008.
Apesar de o fato ter ocorrido em uma área de incidência ufológica, pois OVNIs aparecem por lá há várias décadas, tenho uma certeza: quem conta um conto aumenta um ponto... Infelizmente, este caso clássico é somente parcialmente autêntico em vista das evidências apresentadas neste artigo.
Primeiramente é fundamental entendermos que o caso aconteceu no início de novembro, mas não é possível precisar a data correta, pois na Revista “O Cruzeiro” aponta-se a data de 02/11, na revista “Mundo Ilustrado” vislumbra-se duas datas, 05 e 06/11 e na maioria dos livros, periódicos e sites publicados é mencionado o dia 04/11 como possível do acontecimento.
Não foi registrado blackout, porém pode ter havido alguma interrupção momentânea de energia, o que caracterizaria o caso como sendo de 2º Grau. Entretanto, não encontrei até o momento evidências para afirmar que houve de fato um blackout ou interrupção de energia durante o episódio. Assim, considerando somente o avistamento de uma luz enigmática pelos militares e inclusive testemunhada pelo comandante do forte, seria de se classificar o fato como um caso simples de 1º Grau. Todas as fontes consultadas e depoimentos obtidos descartam a informação de que “soldados foram queimados pela onda de calor provocada pelo OVNI” e o depoimento do ufólogo veterano corrobora esta informação, deixando claro que o Dr. Olavo Teixeira Fontes acrescentou dados fraudulentos a uma narrativa autêntica, tendo inclusive montado um documento “oficial” para a Embaixada norte-americana.
Por isso jamais se soube o nome das sentinelas que supostamente teriam sofrido queimaduras naquela madrugada. Este fato nunca existiu, pois é pura invenção!
Mas o que leva uma pessoa a inventar uma verdade que não existe? Mentir significa criar uma realidade que não se baseia em nenhum outro fato, a não ser a nossa própria criatividade. Mas, afinal, por que ocorreu a mentira neste caso? No campo da suposição creio que o pesquisador queria certa projeção pessoal e alimentar seu ego e talvez imaginasse que o fato da matéria ser publicada nos Estados Unidos – como naquela época era difícil ter acesso a qualquer tipo de publicações do gênero – a mentira não seria facilmente descoberta. Além do mais, a mentira estava calcada em base autêntica, pois o avistamento do OVNI realmente ocorreu nas instalações do Exército Brasileiro e a matéria somente foi publicada nos Estados Unidos dois anos depois, em 1959!
Infelizmente, ao longo de 50 anos, muitos contaram e publicaram esta mentira parcial tantas vezes em livros, periódicos, congressos de vários países do mundo que se tornou verdade. Eu suponho que após a notícia ter retornado do exterior para o Brasil, anos mais tarde, em forma de livros, sites, etc., os militares acabaram acrescentando novos detalhes inverídicos, como é o caso do “fuzil com a ponta retorcida” descrito pelo capitão Galileu e pelo tenente Azevedo. Ambos militares não sabiam a procedência daquela informação, apenas repetiram-na porque ouviram de outros a mesma estória...
Neste momento faço um parêntese, para dizer que a matéria da revista “O Cruzeiro”, de 24 de maio de 1958, guarda uma sintonia parcial com o depoimento do filho do comandante. Pessoalmente, creio que estas informações estão mais próximas da verdade, pois trazem o caso ainda sem as contaminações acrescidas posteriormente.
É notório que o acobertamento militar existe e por vezes nós pesquisadores encontramos dificuldades para trazer à tona todas as informações sobre um caso ufológico. Pode ser que este acontecimento no forte tenha sido “abafado”, mas pesando os prós e contras, hoje, eu prefiro acreditar que foi somente um caso simples de avistamento. A pesquisa e os depoimentos convergiram para este fato!
Edison no local do avistamento da luz. Apenas um caso de 1º Grau
Enfim, temos que expor a verdade nua e crua. Isso é pesquisa séria! Também estou aberto para reavaliações do caso, se porventura no futuro surgirem novos dados a respeito que mereçam este reposicionamento.
Mentira é abominável, principalmente no campo da Ufologia! A Psicologia explica a mentira pelo mecanismo de defesa, a Sociologia pela busca do poder, a Filosofia pela imperfeição humana e a Religião pela compulsão ao pecado. Contudo, as explicações jamais justificam a mentira ou desculpam o mentiroso, não é mesmo?
Finalizando, faço minhas as palavras do presidente americano Abraham Lincoln: “Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo”.


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* Pesquisador há 27 anos, fundador e atual presidente do GUG – Grupo Ufológico de Guarujá. Possui diversos trabalhos publicados em revistas, jornais e periódicos de vários países. Realizou e participou de vários congressos nacionais e internacionais. Participou de vários programas de televisão e rádio. Como pesquisador adota a linha científica de investigação, tendo investigado centenas de casos de abdução, pousos e contatos com OVNIS, principalmente no Litoral Paulista. Participou intensamente da investigação do “Caso Varginha”, em Minas Gerais. Viajou para vários países para investigar o fenômeno, como por exemplo, Egito, Grécia, Turquia, Inglaterra, França, Peru, Chile e Argentina. Atualmente vem desenvolvendo levantamentos sobre a atuação de militares brasileiros em pesquisas relacionadas com o Fenômeno Disco Voador. É o pesquisador brasileiro que possui a maior quantidade de documentos oficiais sobre o assunto. Endereço para contato: boaventura@ufologo.com.br ou pelo telefone 11-8424-6925.