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terça-feira, 15 de setembro de 2015

6 tópicos importantes sobre a nova espécie do gênero humano descoberta na África do Sul




Pesquisadores anunciaram nesta quinta-feira (10) um achado que acrescenta um capítulo completamente novo ao entendimento que temos sobre os primórdios da humanidade. Trata-se da descoberta do Homo naledi, uma nova espécie do gênero humano cujos fósseis foram encontrados em abundância, conservados na escuridão de uma caverna de difícil acesso, localizada a 50 quilômetros de Joanesburgo, capital da África do Sul.
Esqueleto completo do H. naledi e muitos outros ossos (Foto: Reprodução)
As ossadas foram localizadas por acaso em 2013, enquantoespeleólogos estudavam a cavidade chamada de “estrela em ascensão” na língua local (naledisignifica estrela). Em novembro daquele ano, uma grande expedição com 60 cientistas foi organizada para coletar o que eles esperavam ser um único esqueleto. A surpresa foi grande quando, logo nos primeiros dias, perceberam que o chão da caverna estava forrado de ossos.
Até agora, mais de 1550 elementos fósseis foram extraídos, que compõem pelo menos 15 espécimes diferentes, tanto jovens quanto adultos. Os pesquisadores acreditam que mais milhares de restos continuem intocados no abrigo natural - uma amostra tão grande de uma única espécie de hominídeo nunca havia sido achada em um sítio paleontológico africano.
“Com quase todos os ossos do corpo representados múltiplas vezes, o Homo naledi já é praticamente o mais conhecido entre os membros fósseis de nossa linhagem”, disse ao New York Times o líder da pesquisa, Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de Witwatersrand. O estudo completo foi publicado em dois artigos diferentes do periódico eLife.
Selecionamos alguns pontos importantes para entender o Homo naledi. Confira abaixo:
Mescla de características modernas e primitivas É impressionante como a estrutura corporal da nova espécie é semelhante ao corpo dos humanos modernos e, ao mesmo tempo, apresenta características anatômicas primitivas. As mandíbulas e os dentes têm aparência um tanto moderna, enquanto as extremidades são quase iguais às nossas - os dedos das mãos só são um pouco mais tortos, mas de resto é tudo idêntico. Já o cérebro é bem menor, com o tamanho aproximado de uma laranja e parecido com o dos australopitecos. As feições faciais também eram acentuadamente simiescas.
A espécie pode ser a primeira do gênero humano Os pesquisadores ainda não foram capazes de determinar a idade dos fósseis com precisão, principalmente porque as condições da caverna não fornecem nenhuma outra pista. Mas eles trabalham com a ideia de que o H. naledi tenha vivido de 2 a 3 milhões de anos atrás. Segundo o doutor Berger, o tamanho reduzido do cérebro foi a chave para uma estimativa mais precisa: ele arrisca que o hominídeo tenha existido entre 2,8 a 2,5 milhões de anos atrás. Isso faz dele um antecessor até mesmo do Homo habilis, e o coloca com tranquilidade no hall dos primeiros representantes do gênero humano a surgirem na Terra. Se não for, de fato, o primeiro.
um crânio e uma mão do H. naledi (Foto: Reprodução)
Eles eram ótimos escaladores A anatomia de duas partes do corpo do animal permitem essa conclusão - as mãos e os ombros. Os dedos curvos eram perfeitos para agarrar as coisas, habilidade fundamental para garantir uma boa escalada. “Está bem claro a partir daqueles dedos que eles escalavam, mas nós não sabemos o quê. Essa não é uma mão escaladora de árvores”, observou Berger ao IFLScience. Os cientistas também notaram que seus ombros giravam mais do que os nossos, outro indicativo de que eles precisavam escalar com frequência.
Seus corpos eram perfeitos para a caminhada Homo naledi era bípede e consideravelmente alto para a época, com uma estatura de um metro e meio. Ele também era leve, pesava cerca de 45 quilos, o que permitia que tivesse pernas compridas. Se juntarmos tudo isso com os já mencionados pés idênticos aos do humanos modernos, é possível inferir que eles evoluíram para caminhar por longas distâncias.
mão humana comparada com a mão do hominídeo - os dedos eram bem mais curvos (Foto: Reprodução)
O H. naledi enterrava seus mortos Este é talvez o comportamento mais surpreendente que os pesquisadores descobriram a respeito deste hominídeo. E ele também responde uma pergunta que você pode já ter se feito - como tantos indivíduos foram parar em uma caverna de difícil acesso, cuja abertura tem apenas 17,5 centímetros? A explicação mais plausível sugere que o H. naledi tinha uma espécie de ritual fúnebre com seus mortos.
É isso mesmo, ao que parece, eles subiam até lá carregando os corpos para ocultá-los dentro da caverna e isolá-los do ambiente externo, um pouco como nós fazemos hoje. O lugar era um cemitério, mas isso não implica que o hábito fosse fruto de uma crença religiosa. “Nós herdamos isso, isso sempre esteve lá em nossa linhagem, ou foram eles quem inventaram?”, questiona Berger.
Eles podem ter dominado o fogo Mas como eles se orientavam na escuridão da caverna até o “cemitério” que fica a 90 metros da entrada, caminhando por passagens tortuosas e ainda carregando o corpo de um falecido? Essa pergunta nos leva a uma especulação que Berger não descarta - a de que essa espécie de hominídeos já tinha o controle do fogo. “É uma coincidência o fato de que a evidência mais antiga de fogo controlado esteja a apenas 800 metros de distância?”, reflete, mencionando o sítio de Swartkrans, que fica na região conhecida como o “berço da humanidade” e é patrimônio mundial da UNESCO. “É especulação… Mas animais não vão para dentro da escuridão.”