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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A Terra está mudando a geografia da Lua


Se pensarmos na escala universal, a Terra e a Lua são vizinhas de parede. E a gente já sabe há algum tempo que esse nosso vizinho interfere diretamente nas marés dos oceanos terrestres. Até aí, normal. Quem nunca escutou som muito alto e acabou incomodando o vizinho do lado? Acontece que os cientistas acabaram de descobrir como o nosso planeta interfere na Lua e não é de um jeito delicado. O planeta Terra está causando fissuras na superfície lunar.
Em 2009 a NASA lançou o LRO, sigla para Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar em tradução livre. A espaçonave robótica tem a missão de ficar fotografando a Lua o máximo que conseguir – agora que cerca de 75% da superfície lunar foi capturada em imagens de alta resolução, algumas conclusões interessantes começam a aparecer.
O LRO registrou mais de 3 mil elevações com uma formação parecida com a de longo barranco, com dezenas de metros de altura e até 10 km de extensão. O que chamou a atenção dos cientistas é que existe um padrão na localização dessas fissuras. A força gravitacional das marés da Terra atrai a Lua de tal forma que a sua superfície sobe e desce, gerando um stress que aparece na forma de fissuras.
As setas mostram o local exato de uma das fissuras capturadas pelo LRO (Foto: Smithsonian Institution)
Mas a responsabilidade não é só nossa. Desde 2010 os pesquisadores já sabem que a Lua está diminuindo devido ao resfriamento do seu núcleo, que se solidifica, diminuindo o volume total do nosso vizinho. É a combinação entre essas duas forças que pode criar pequenos terremotos – ou seriam lunemotos? – na superfície, especialmente se as fissuras forem jovens e ainda ativas. A força real desses abalos só poderia ser calculada de maneira precisa com a instalação de um sensor sísmico em solo lunar.