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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Governo chinês quer escolher em qual corpo o Dalai Lama vai reencarnar

Tezin Gyatso é o 14º da linhagem dos Dalai Lamas (Foto: Wikimedia/Minette)
No último domingo (6/9), durante conferência sobre o aniversário de 50 anos da Região Autônoma do Tibete, um oficial do governo chinês afirmou que este tem o direito de escolher a próxima encarnação de Dalai Lama. O representante disse ainda que se não fosse pela intervenção de Pequim, os tibetanos teriam permanecido na era medieval, com práticas ultrapassadas e escravidão.
China/Tibete Em 1950, tropas chinesas invadiram o Tibete e passaram a controlar a região. Após tentativas frustradas de fazer um acordo de paz com autoridades da China como Mao Zedong e Deng Xiaoping, o Dalai Lama se exilou em Dharamsala, na Índia, onde vive até hoje e controla a Administração Central Tibetana. Logo, em 1965, o Tibete entrou para a lista de regiões autônomas da China. As relações políticas, portanto, são delicadas.
A afirmação do oficial chinês faz parecer que a intenção do governo é transformar uma entidade espiritual em ferramenta política. Acontece que, para os tibetanos budistas, os Dalai Lamas são manifestações de Avalokiteshvara, o bodisatva da suprema compaixão dosBudas. Ou seja, eles seriam criaturas iluminadas escolhidas para reencarnarem e servirem a humanidade.
A linhagem conta com 14 Dalai Lamas, sendo Tezin Gyatso o atual “grande protetor”. O tibetano de 80 anos foi descoberto como encarnação da entidade aos 3 e, ao chegar aos 6, começou sua educação monástica. “Sempre me perguntam se eu realmente acredito na encarnação. Essa não é uma resposta fácil de dar. Mas dada a experiência que tive ao longo da vida, não tenho dificuldade em aceitar que sou espiritualmente conectado com os 13 Dalai Lamas que me precederam, com o Chenrezig e o próprio Buda”, afirma Gyatso.
Segundo a Administração Central Tibetana, quando completar 90 anos, o Dalai Lama consultará os Lamas superiores da tradição do budismo tibetano, o público da região e os seguidores da religião para avaliar se a instituição de Dalai Lama deve continuar a reencarnar ou não.
Em 2007, a Administração de Negócios Religiosos do Estado Chinês divulgou um regulamento definido pela China em relação à reencarnação. Por conta desse documento, os chineses acreditam que, independente do que Dalai Lama diga ou faça, a santidade não pode negar o direito do governo de escolher e confirmar uma nova encarnação.
Para o governo chinês, o Dalai Lama não pode se negar a reencarnar e deve respeitar a tradição. Já a santidade afirma que, caso a entidade escolha prosseguir, “seu reconhecimento e aceitação não devem ser dados a um candidato escolhido por conta de meios políticos, ainda mais se forem relacionados a República da China”.