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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A ciência explica por que teorias da conspiração fazem tanto sucesso


Fazer pouco de teorias da conspiração é fácil (e em alguns casos, até compreensível), mas é inegável que elas fazem sucesso – e a ciência vem tentando descobrir por que algumas dessas histórias são tão populares. Em seu novo livro, "Suspicious Minds: Why We Believe Conspiracy Theories", sem tradução para o português, o psicólogo e escritor Rob Brotherton defende que a ideia de que teorias da conspiração nascem nas camadas específicas da sociedade é errada. "Não são apenas ideias de um estereótipo de pessoa maluca que mora em um porão e só escreve na internet usando caps lock", disse ele ao Science of Us.
Na verdade, todo mundo tem o mesmo potencial cognitivo para acreditar (e criar) teorias mirabolantes. "Aparentemente, todos nós temos a 'programação mental' para suspeitar que uma conspiração está instaurada", explicou Brotherton. Isso não é necessariamente ruim, já que uma leve paranoia pode ajudar em diversos setores da vida. "Nos ajuda a ser perceptivos", explicou o psicólogo, adicionando que essa vantagem evolutiva ajudou nossos ancestrais a se prevenirem de ataques. De certa forma, esse "olhar enviesado" evolutivo resume a velha máxima de que é melhor previnir do que remediar. A ideia de que há alguém lá fora, querendo tirar vantagem da gente, fazia sentido em tempos passados — e é até saudável acreditar, modicamente, que entidades e instituições podem fazer o mesmo. 
Outra causa possível para o sucesso da teoria de conspiração tem a ver com proporção. Digamos que algo realmente grande acaba de acontecer — os ataques de 11 de setembro, por exemplo, ao World Trade Center. Se algo dessas proporções pode acontecer, é porque há algo tão grande e terrível quanto por trás. Por mais que o governo traga a resposta oficial, maior e mais nebulosa a teoria conspiratória que surgirá do acontecimento. É como a linha de raciocínio de alguém que saiu para um encontro: se a história acabar em casamento, a chance de você acreditar que o destino uniu os dois é bem maior do que se o encontro não render frutos no futuro. Olhamos para o passado e para os eventos com um olhar enviesado, procurando mais significado do que o acontecimento realmente apresenta. 
Também existe uma outra modalidade de pensamento, inerente à natureza humana, que é a busca por padrões. Sempre procuramos conjuntos e padrões quando explicamos uma história, e quando existe alguma coisa que não encaixa muito bem ali, começamos a formular teorias.Pense no último livro de suspense realmente satisfatório que você leu: provavelmente, tudo ali se encaixou perfeitamente, como um quebra-cabeças. "A busca por padrões é essencial para a ciência, porque cientistas procuram por informação e significado o tempo todo, usando métodos estatísticos e critérios que não podem enganá-los. Mas nas teorias conspiratórias, usamos nossa intuição e sexto sentido para encontrar padrões que, às vezes, não existem. Queremos encontrar esses pontos e ligá-los", explicou Brotherton. 
Por fim, há também o viés da confirmação, onde olhamos para evidências que confirmem a história, descartando aquilo que contradiz. Esse, talvez, seja o viés mais comum e que mais inspira teorias de conspiração: afinal, todo mundo faz. "Todo mundo está inclinado a enxergar por essa lente da confirmação. Essas são as sementes: a confirmação faz com que uma teoria cresça". Vale reforçar que muitas teorias conspiratórias — talvez as mais duradouras, inclusive — levam em consideração, também, o viés político e ideológico das pessoas. Não é à toa que certas religiões são mais alvo de teorias do que outras. 
Brotherton acredita que a aceitação de teorias conspiratórias se forma em um espectro. "Algumas pessoas acreditam em todas, algumas rejeitam todas. Mas a maioria das pessoas está no meio do espectro, acreditando em algumas, duvidando de outras, em um certo grau de incerteza", disse. Na dúvida, melhor acreditar: somos todos criadores de teorias da conspiração.